insignificante
Saturday, April 29, 2006
 
Antes do 1º de Maio algumas notas soltas:
1- O primeiro ministro israelita Ehud Olmert banalizou o Holocausto. Lamentável, ao comparar o Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad a Adolf Hitler. Se fosse um não judeu cair-lhe-ia o Carmo e a Trindade. Assim fica o registo. O Holocausto deixa de poder ser invocado para defesa do direito de Israel à existência. O que pese todos os crimes cometidos em seu nome é um consagrado do direito internacional
2- Berlusconi, no afã de fugir ao exílio na Tunisia procura infuncionalizar o Estado democrático de direito, com todas as manobras, com todas as falcatruas suas ou dos da sua laia. Fantástico o caso de Franco (que é Francesco) não ter sido considerado nos boletins de voto no Senado. É claro que o objectivo é protelar a prisão do bandido.
3- Notável como uma vigarice (o acesso aos fundos das agro-ambientais) e a tentiva de sua correcção por parte do ministro Jaime Silva e o actual governo, pode ter (ao contrário do restante ministério) má publicitação e levar a opinião a reboque dos chulos da CAP e outros.
4-É fantastico o mundo dos blogs. Dêem uma vista de olhos ao acaso e vão ver o mundo que existe atrás do mundo, qualidade, desejos, vontades, frustações, e também tudo o resto que a alma humana carrega. Para conhecer o mundo é preciso visitar, percorrer os que o pensam, mesmo sem o saberem.
E viva o 1º Maio, memória da história, simbolo de luta num passado não tão distante, momento pagão de reconciliação com a natureza (festa celta das flores).
Paz e paz.
 
 
Hoje, seguindo a Lua Cheia e com uma Primavera esplendorosa, excepcionalmente e pisgado (hem?) de outro blog:

Gracias A La Vida
de Nicanor Parra e Violeta Parra

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio dos luceros que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida que me ha dado tanto,
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
graba noche y día grillos y canarios,
martillos, turbinas, ladridos, chubascos
y la voz tan tierna de mi bienamado.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abedecedario
con él las palabras que pienso y declaro
madre amigo hermano y luz alumbrando,
la ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos montañas y llanos
y la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano,
cuando miro al bueno tan lejos del malo,
cuando miro al fondo de tus ojos claros.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
así yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos que es mi propio canto.

Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
 
Friday, April 28, 2006
 
Insignificante,
várias pessoas têem-se-me (culto estes dois hífens, hem?) queixado que o sacana do Google não reconhece o meu Insig.
Pois vejam se colocam o Insignificante no "vosso" sítio (fabulosa tradução que os brasileiros inventam do site!).
Obrigados.
PS Afinal é o Google só de Portugal (a web e o brasileiro tem o insignificante no top. É censura, só pode!)
 
 
A memória, a construção/desconstrução da memória é um elemento fantastico. E que evolui com o tempo. Desde há muito tempo que perdi a capacidade de memorizar caras, pessoas e completamente para reter nomes delas, dessas.
Tenho todavia (será que tem a ver com outra área cerebral?) uma memória enciclopédica para factos, algumas conversas sobre factos, algumas que inclusivé não contextualizei na altura e hoje são marcantes no presente, na construção do presente.
Arquivei dados, registos de acontecimentos, locais desses, ainda que sejam muitas vezes difusos e com contornos vagos. Outros momentos conservo como se fosse hoje, todos os dias.
Por exemplo ontem tive novamente pesadelos com os espancamentos que o meu pai (hoje duvido, por vários motivos, que o fosse ) me infligia regularmente. Muros, pontapés, vergastadas com o cinto de que ainda conservo marcas. O momento da morte de minha mãe e o seu ultimo suspiro, a morte de minha avó. As tardes com o meu avô a ouvir estórias que só hoje contextualizo, de falta de ombridade e vigarice do marido de minha mãe. O conhecimento vergonhoso de outras actividades do dito.
Por vezes tem que se exorcizar o passado, uma, duas repetidas vezes. E no entanto ele volta a galope.
Fiz psico-terapia e meditação e passou. Volto a respirar pausadamente, para afastar os fantasmas.
Há dias aziagos, há pesadelos que não passam. Prescreverão?
Tento ler. Os meus olhos seguem uns disparates numa publicação chamada Raya Viva. Outros passados que se inventam, que se traduzem. A vida é um acumular de factos sem gravidade, que se organizam para formar o presente.Talvez se devesse fazer como com certas cartas. E talvez não.
Até amanhã.
 
Thursday, April 27, 2006
 
As cartas entre duas pessoas fazem parte de um arquivo pessoal, contam estórias e segredos, desvendam almas e constituem um acervo que deve, deveria continuar pessoal.
Arrependo-me por, ao engano, ter comprado as cartas de Sophia "contra"Sena. Julguei que a selecção nos tinha deixado literatura, a melhor poesia de Sophia, alguns respigos de literatura de Sena (Sinais de Fogo, postumo, é pesem as adulterações de Mécia um dos enormes romances da nossa língua).
Pois se estas cartas deixam Sophia no pedestal inamovivel como pessoa, cidadã e poeta, arrastam para a lama Jorge de Sena, que se já sabiamos ser um megalomono paranoico e com um umbigo maior que a escrita, nestas cartas o confirma e avantaja exarcebadamente.
Não há paciencia para tanta megalomania, tanta sobranceria, tanto auto-convencimento, tanto desprezo pelos outros, pelo outro.
Há cartas, e as cartas entre duas pessoas deveriam ser pessoais.
Estou certo que estas só teriam ganho em não sair do baú.
Sairam, e é pena que um escritor de um soberbo livro, um razoável poeta, um bom ensaista passe, fique na literatura como um elefante cor de rosa, inchado de ar, de coisa nenhuma
 
Wednesday, April 26, 2006
 
Passam hoje 20 anos do acidente que não podia acontecer.Ou que nos tinham dito que não. E todavia havia estado perto de ocorrer uma serie de vezes e voltou a estar perto de acontecer outras tantas. E todavia tinham-nos dito que era impossível ocorrer.
Recordo como se fosse hoje, estava numa bonita cidade holandesa (Utrech?) numa reunião sobre químicos perigosos, na vespera de partir no mestrado estivera o nuclearista Jaime Filho a dar missa, eu tinha-o interrogado sobre os acidentes e a possivel falha humana. Ele tinha dito que era impossivel acontecer, que havia sempre garantias (sem contar que disse que o lixo em breve seria passado...). Quando voltei estava roxo... tentou chumbar-me por vingança!.
Na altura a nuclear apesar de tudo ainda vendia,pouco antes (pela mão de Veiga Simão) tinham tentado vender-nos de 8 a 15 centrais!, na versão reescrita (ao arrepio das conclusões do mesmo!) pelo Prof. do PEN 83.
Publiquei, no ano seguinte, um livro com essas histórias todas e com uma tradução da melhor descrição do acidente (por Asa Moberg) e dos problemas nucleares seriados por país. Hoje esgotado, é um documento histórico," Antes, Durante e Depois de Chernobyl, A Nuclear em Portugal e no Mundo".
Hoje volta a nuclera a ser falada.
E como ontem (desde há 40 anos) não tem os problemas dos residuos (por milhares de anos) resolvido, não tem as questões de segurança asseguradas (nem seguradas). Como ontem continua a não ser económica (o tal Patrick está à espera da mama do Estado, nossa!) e não resolve nenhum problema global, antes pelo contrário, impede o desenvolvimento e investimento nos recursos que são a eficencia e conservação e novas tecnologias , que se houveram tido um centesimo dos fundos investidos na nuclear, já seriam hoje bases seguras para o desenvolvimento energético e a sustentabilidade.
Não quero deixar de referir a questão do Estado, e hoje a nuclear é uma questão de Estado por causa de terrorrismo e dos próprios Estados (o Irão, e porque não a India, o Paquistão, a Coreia, etc.) e por via dos desvios de uranio (para bombas sujas e ...portáteis) da ex-União Soviética. A questão do Estado/polícia. Que era a União Soviética e o regime totalitário, sem quaisquer preocupações ambientais ou com os direitos civis (e já tinha havido um gravissimo acidente mantido segreto até hoje, em Talin) amordaçados ( e não deixa de ter graça, e ser um elemento a registar como positivo, ver os Verdes do PC, que na altura apoiavam a União Sovietica e a nuclear nesta agora terem mudado de ideias), e o reconhecimento pela voz de Gorbatchov que foi o segredo, o desastre impensável, as suas consequências que acabaram com o comunismo.
Muito haverá para dizer, muito haverá para debater, muito haverá ainda para contar. Todos os dias morrem pessoas resultantes do desastre de Chernobyl, ainda que se possam encontrar disfarces, para as leucemias, os diversos cancros, os problemas de saúde, e o abandono e solidão dessa resultante.
Nunca deixaremos esquecer, nunca esqueceremos de nos lembrar.
 
Tuesday, April 25, 2006
 
Não podiamos rir, nem sorrir.
Não podiamos falar, nem murmurar.
Não podiamos pisar a relva.
Não podiamos namorar, nem andar de mão dada pela rua.
Viviamos a preto e branco.
Sabiamos que o pensamento era sujeito de prisão, tinhamos que pensar ás escondidas.
Não podia estar com amigos, três era um ajuntamento susceptivel de prisão.
E ter um isqueiro dava multa!
E não podiamos rir, nem sorrir.
Não podiamos escrever, nem declamar poesia.
Não podiamos cantar, nem mostrar alegria, que era suspeito.
Viviamos e até isso era possível de ser proibido.
Estavamos amordaçados, com vendas nos olhos, com tampões nos ouvidos, mas resistíamos.
E oprimiamos Africa onde levavamos a cabo uma guerra, já genocida, onde tantos de nós deixavam partes do corpo ou a alma.
Faz hoje 32 anos podémos tirar a venda, destapar os ouvidos e arrancar a mordaça.
Gritar, até que o grito se tornou multidão, a multidão ganhou vida.
Faz hoje 32 anos foi, para mim, para muitos da minha geração, das gerações que nos precederam, em nome de tantos que não o viram, não o ouviram, não gritram nele, com ele, o dia mais feliz do resto da minha vida.
Obrigado a tantos que sofreram, lutaram e morreram para esse. Obrigado aos que o fizeram, obrigado aos que o tornaram vivo.
25 de Abril sempre! Fascismo, nunca mais.
Hoje, hoje podemos rir, podemos sorrir. Hoje podemos falar, protestar, apoiar. Namoramos e amamos a vida, a cores, ou como quisermos.
E o pensamento, ninguém nos limita o pensamento.
Penso, logo existo.
 
Sunday, April 23, 2006
 
Tudo muda, tudo passa, tudo fica. Há memórias que não se esquecem, há esquecimentos que não duram.
E há a vida e a sua continuidade e os filmes, nesta, a piscarem-nos o olho.
Hoje, com uma piscadela!
 
Saturday, April 22, 2006
 
Ontem passei a tarde a ver o mar. E acabei dois livrões. Grandes, com boa letra e densidade. O de Cesar Vidal "Espana frente a los judios: Sefarad", notável embora possa ter algumas discordâncias de análise e factos. A história do Al Andaluz precisa, precisava deste livro, documentado e de leitura fácil. A mentira da tolerância/intolerância islamica, a Toledo capital dessa. A cronologia dos eventos. A não existência de bondade na história nem de bons e maus. Shalom, para quem quizer.
E O "Bico do tentilhão", que é sobre os biquinhos (não tem nada a ver com os outros!) do Darwin e sobre a história da evolução. O livro do Jonathan Weiner é uma sintese notável do state of the art da biologia actual, e do evolucionismo. O capítulo 18 é de calafrios, e deve desagradar enormente aos criacionistas. E aos humanistas deve deixar preocupados. Eu fiquei. A malária já está na Europa, e não só nas populações de origens tropicais. Os vírus e bactéries a a sua evolução, adaptação são tema de realidades fantásticas.
Ler é conhecer e descobrir o mundo. Ao fim da tarde o reencontro com velhos amigos, memórias e esquecimentos reconforta a vida.
Voltou a chuva. Os porquinhos pretos estão felizes.
Por quanto tempo?
 
Thursday, April 20, 2006
 
Por vezes, sei que com a melhor das intenções, perguntam-me porque razão não tenho comentários, in loco, neste site.
Tenho-os. Out loco!
Quem quiser escrever para buho@vianw.pt tem resposta, esclarecimento ou polémica.
Pessoal, como o blog na sua significância induz.
Hoje, tendo eu um sem número de vezes apresentado parte desse argumentário, José Pacheco Pereira no http://www.abrupto.blogspot.com/, transcreve o artigo "a Fauna dos comentários", que publicou no Publico.
Não posso estar mais de acordo.
Comentários, aqui? Não obrigado.
 
 
Não há picaretas que consigam romper com a ebriez, o totalitarismo do pensamento. Seja ele qual for.
Doutrinas erigidas em religião ou ideologias edificadas em igrejas, rituais descontextualizados são todos eles inimigos da verdade, que é dúvida e incerteza, pensamento entre a evaporação e a congelação e que como a água tem uma força imensa, irresistível.
Ontem foi um dia de memória, sobre os trágicos acontecimentos de há 500 anos, no Rossio, de outra intolerância, de outra tolerância.
Hoje temos a inacreditável publicação de várias centenas de nomes de mortos vivos, de cidadãos sem direitos, sem habeas corpus, se identidade durante 4, 5, 6 anos, detidos em condições tarrafalescas, e sem sequer a farsa de julgamento que a esse conduzia.
Guantanamo será sempre um crime nojento a marcar também essa religiosidade. A do olho por olho, dente por dente, que é a de todas, todas as religiões do Livro. Que todas elas enquanto poder oprimiram, massacraram, torturaram, destruiram a dúvida, cercearam a incerteza, amordaçaram as verdades.
Não existe, não está escrito em nenhum lado, nem nesses livros, leiam com atenção!, paraíso.
O que existe é transformação do vivo e da sua substância. Não existem, nunca existiram, sociedades sem pecado.
Mas podemos pensar e nesse limite ser livres. Aqui e agora.
 
Wednesday, April 19, 2006
 
A história com h grande é uma grande mentirosa.
Quando pensavamos o contrário do que pensavamos antes somos levados a repensar o pensamento. Todo, tudo sobre a interpretação reinterpretação dos factos, das pedras, das leituras que o tempo constrói em torno desses.
A minha visita ao Al andaluz, a Toledo deixou-me com a história confusa, as leituras que me sustentaram, a leitura das pedras, o saber do tempo relançaram-me na dúvida.
Hoje sou confrontado com o novo e absorvente livro de Cesar Vidal, "Espana frente a los Judios: Sefarad". E tudo é reformulado, tudo ganha outra cor, que já estava subliminar. Não há tolerância islamica na Peninsula, aliás não há nenhuma tolerância.
O Al andaluz é também um mito de várias origens e os árabes e os seus acolitos , majoritários e dominados berberes não são uma entidade una. A grandeza islamica são várias e também muita barbárie. Eram tempos negros para a diferença. Eram tempos em que, como hoje em tantas terras subjugadas pela(s) doutrina(s), em que a palavra "sagrada" era regida pelos dogmas e pelo despotismo, totalitário.
Não houve nenhum Al Andaluz feliz. Houve dramas, fomes, massacres, e situações variáveis com a economia e o seu fluir temporal.
A Toledo das três religiões só existiu num breve perído de dominio visgótico. Foi sempre capital de uma só. Como todo o Al Andaluz. De uma ou de outra, e por vezes sendo díficil distingui-las.
As religiões populares essas foram as verdadeiras sobreviventes, aproveitando e aglutinando na sua crença os rituais, os vários rituais e continuando. Até hoje a sobreviver. No dia de campo, entre outros.
Com a Sem Pecado a perdoar todos eles.
 
Tuesday, April 18, 2006
 
Foram uns dias longe da ligação que a vida moderna construiu com a vida ou o seu significado, a comunicação, a oralidade, a escrita, o signo.
O percurso pelo bom e o mau do concelho, as asneiras que a Edia continua a fazer, a dormência em que o castelo de Noudar ainda vive, os caminhos rurais do lado espanhol magnificamente recuperados e à espera que agora do lado de cá se recuperem 4 anos de "fare niente" e se ponha a Empresa de Alqueva do lado da sustentabilidade, pelo menos aqui isso é possível!
E um dia no campo, na Ermita de Flores, com a amizade a ver o fundo da memória e a divertir estórias que não acabam.
A virgem estava, como dizem os hermanos, "estupenda". Sem chiste!
E uma parada em Estremoz, que procura sair da letargia do abandono, mas precisa de mais que o nucleo histórico e a simpatia das gentes. O caput não é finito. Ainda.
Assim como a coudelaria de Alter precisa de mais iniciativa e sobretudo a estabilidade que com as obras concluídas poderá chegar. Boas ideias são como cavalos. E não precisam de bull que por estas terras, também, é devidamente acarinhado.
Amanhã já é hoje por aqui. Reuniões, projectos, acontecimentos caiem em catadupa em cima do tempo.
 
Wednesday, April 12, 2006
 
Pascoa. Coelhinhos, grandes fornicadores, põem ovos, recuperação de antigas tradições de regresso da vida com a Primavera instalada.
Pascoa/pesah fim da quaresma judaico/cristã que comemora nos dois casos a travessia do deserto do Sinai pelo povo eleito, de onde saíu, e que matou, o filho do Pai, que somos todos nós, com as nossas alegrias e tristezas.
Eu,Buda. Eu,Cristo.
Todos o mesmo. Todos tudo. Ou como dizia aquele vigário engraçado totus tudos.
A Pascoa volta, todos os anos numa repetição continua do tempo que volta em-volta.
O cordeiro será comido, ungido ou não, os pés serão lavados (para não cheirar mal e porque faz parte da tradição), a taça erguer-se-à seja em nome de quem seja e as libações serão feitas à saúde e pelas memórias.
A Pascoa é um tempo curioso.
As moléculas que lhe constróiem a memória são sinais que ficam também nela parados a decompôr-se a fazer da morte vida.
O filho do homem já libertou o aire de broca há muito e já sabe gravar o futuro, com os signos que perduram do passado.
Filigranas esvanecidas.
Bocados, brocados de deus.
Seja qual for.
 
Tuesday, April 11, 2006
 
Berlusconi criou um sistema eleitoral para o beneficiar, claramente.
Pois virou-se o feitiço contra o feiticeiro. O prémio para o mais votado que ele nunca imaginaria ir senão para ele, já que pensava que nunca seria possível uma coligação da democracia cristã à extrema esquerda, foi.
Os nossos comentadores italo ignorantes não o explicam.
Assim como não explicam o "diabólico" sistema de eleição do Senado, onde as esquerdas prodianas ao contrário do que os "rogeiros" procuram insinuar vão ter a maioria, além dos senadores vitalícios que odeiam o homem dos implantes.
É claro que vão ser anos dificeis, onde os consensos não serão fáceis, mas a direira também vai esborrar-se com a prisão do Cavalieri, a não ser que fuja para a Tunisia...
Rosa nel Pugno elegeu cerca de 20 deputados, a Emma volta a Montecitorio.
O lamentável sistema para o Senado não elegeu o Marco,apesar de um milhão de votos. Mas ele "por aí" continuará, com a sua visão e arte, liberal, laica e libertária.
Foi bonita a festa, pá. Coglione dum caneco!
 
Monday, April 10, 2006
 
Os coglione ganham Itália.
Os meus amigos radicais estão com os vencedores e vejo os meus companheiros em Salerno a festejar.
Um abrazo fraterno, para eles!
As mudanças de política são hoje sobretudo alteração da qualidade dos protagonistas e de alguns referentes sociais.
As economias estão todas armadilhadas pelo que as lógicas de desenvolvimento só muito moderamente e em questões de pormenor são modificadas.
Em Itália, um dos países experiência onde a política domina a sociedade e tem que esgrimir contra a tutela vaticana, esta mudança não é dispicienda.
O pensamento social tem em Itália dos melhores expoentes.
As artes não ficaram no teto do Vaticano, com ou sem coglione.
Hoje vamos voltar a Itália. Hoje, amanhã. Com prazer.
Ciao farfalle!
 
 
No seguimento de um opíparo kalulu e uma soberda moamba, na Mãe Preta, que fez chorar os olhos mais empedernidos, com a minha velha amiga Guiducha (ai nhunhu, nhunhu!) tive uma pequena discussão sobre a pimenta malagueta.
Após busca por vários sítios conforme defendi a origem dessa não tem dúvida. Brasil, Américas.
Tem a Guida razão. Os manuais (rascas, muito rascas) de história e talvez algum historiador usufrutuário desses confundem uma bastardização linguística com os dados da botânica.
O Benin tem ...pimenta preta, em grãos picantes.
A história devia integrar a biologia das espécies e respeitar a sua nomenclatura.
Aqui fica:
Malagueta (Capsicum frutescens)
A rare Brazilian variety. Semi-wild relative to the Tabasco. Small peppers with wrinkly skins. Searing heat. Light to medium green ripening to red.
Originally, pre-1492, the name Malagueta was given to a hot , small, lanceolate, black grain from the Bight of Benin in W Africa, (then called then the Grain Coast), which was used as a substitute for the highly expensive real grain pepper originating from the Moluccas (now in Indonesia).
The Portuguese held the commercial west African route and were for many years the sole distributors. It seems that through the natural bastardisation of language, this Portuguese noun was applied to the small capsicums, that are nowadays called Malagueta and are used, almost exclusively, in the Brazilian state of Bahia (formerly the center of the Brazilian slave trade and consequently having a large population of African descent.
The malagueta is a very characteristic ingredient in the distinctive food of Bahia.).
Classified as USDA #497984. Pod grows to 0.75 inches long by 0.25 inches wide.
 
Saturday, April 08, 2006
 
Foi um jantar cheio de energias. Radon, Beyond Oil, intensidades energéticas, alterações climáticas e os seus detractores, nuclear e a sua deseconomia, energias e livros ou filmes, histórias e estórias, com uns toques sobre as vidas e o passado que vamos fazendo presente para o futuro.
Do grupo de 15/ 16, com os incontactáveis 2 ou 3 de baixa imediata, estivemos mais de metade. O convivio passeou por vinhos, bordejou toiros, com os anos a passar trocámos carinhos, amizades e cumplicidades.
Ficou prometida continuação, para os santos, que também trazem a energia para continuarmos a inventar, descobrir, procurar o sentido disto.
E se for sentados (como já dizia o Buda) e acompanhados de velhos amigos em tertúlia e disponibilidade, melhor.
Foi uma noite que acabou em luar. O vento nos montes inspira a vida, que continuará. Com energia, também.
 
Friday, April 07, 2006
 
As palavras não tem cor. Assim titulei o artigo periodico para o periodico Cometa. E sobre palavras passei o dia, escrevendo e reescrevendo, lendo e relendo e até quando lhes dei som, foi sobre eles que esgrimi, as suas vocalizações, o seu sentido.
Sem cor e sem cheiro, mas nunca inodoras, insipidas ou incolores, as palavras aí estão.
Por vezes ferem como punhais, outras são como o olhar do gato, quando ronrona, com uma festa.
 
Wednesday, April 05, 2006
 
De Caldas e quase sem parar para outras caldas, as Termas do Carvalhal (local curioso... de que falarei noutra altura dado que aí irei outras vezes). Uma excelente reunião sobre lobos, que me recordou a história das formigas e das couves...
Um regresso duro, que a estrada consome e um dia cheio de papelada, bancos, documentos, relatórios, um almoço na "velha Espiral" com velhos amigos, uma abobora com cogumelos, muito digna.
Uma passagem por um inenarrável (mais um) hospital (Curry Cabral) para animar um velho amigo (Salvé Camacho!) e um fim de tarde com uma Duvel num local único.
O único local do mundo onde o tempo se vê ao revez!
E sem parar mais uns textos, e mais umas ideias a afinar.
 
Saturday, April 01, 2006
 
A natureza tem um poder enorme. Tem poder para recuperar e regenerar. tempoder depurativo e curativo. Mas também adoece e pode morrer. Já aqui falei de tratamentos de águas residuais urbanas por sistemas de plantas (nomeadamente caniço, ou outros sistemas bio digestivos). quem quiser contactos pode solicitar.
Ontem estive na Foz do Arelho. O dia estava nebuloso mas visitei um raio de sol. A "quinta" e empreendimento do Beco da Raposa. A cabrinha saltadora, o burro coiceador, a porca gorda, e as galinhas de campo, tdo dá bucolismo ao espaço.
Mas fiquei satisfeito com a piscina biologica, criada, recriada por http://okeaqua.naturlink.pt.
Um espaço natural, uma charca cuidada, um piscina "quase" natural, a encimar uma vista colossal sobre a lagoa.
A Maria João a produz. Para quem estiver interessado, eu recomendo.
E continuo.
 
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