insignificante
Thursday, August 24, 2006
 
"An Inconvenient Truth" de Al Gore é um livro curioso.
Curioso porque se lê de um trago, curioso porque não trazendo nada de novo para quem é deste negócio, apresenta o texto com um nervo e um envolvimento pessoal ousado e emocionante, tem excelentes gráficos e fotografias espantosas, e porque nos deixa perto do estado de choque.
Por ser ele a dizer da gravidade da situação que vivemos, por os cenários serem dados com uma recolha de informação factual exaustiva, por explicar tudo como se nos tivesse que explicar tudo.
Não podemos esperar, como no poema do Brecht que nos venham buscar para reagir, todos somos responsáveis.
Este livro, que é um espectacular utensílio ( e espero o filme!) educativo, felizmente está em preparação final para sair em edição portuguesa. Devia ser adoptado pelo Estado para o ensino secundário, Para biologia e física, para matemática e história, para geografia e português. Por ele passa toda a interdisciplinaridade. E o futuro.
A recomendar. Curiosa e absolutamente!
 
Wednesday, August 23, 2006
 
Sou fundador do ramo português da Amnistia Internacional. É uma organização independente, que ao longo da vida tem desagradado a "gregos e troianos". Continua independente.
Vale a pena lutar contra a mentira, contra todas as mentiras, em nome da honra.
Hoje também, e porque é deshonra para quem em nome de seja o que for destrói o direito:
http://news.amnesty.org/index/ENGMDE020182006
Vergonha para os criminosos!
 
Tuesday, August 22, 2006
 
Sonho acordado com dor de cabeça.
Sonho com passados que não recordo ter vivido e com outros que são presente.
Sonho com futuro imaginado passado.
Sonho até há hora do guronsan.
Acaba o sonho.
 
Sunday, August 20, 2006
 
Continuo a ler, lentamente, Sefarad, de Munoz Molina.
Cada conto percorre a espinha, cada palavra tem o peso do tempo " o pé do caminhante calca o redondo planeta".
Estamos perante um notável contador de estórias, perante um sério compromisso liberal, perante um escritor com uma infinita ternura.
Neste livro de contos, cerca de 600 páginas, os episódios, tantos episódios da vida, da minha vida passam. Aqui e ali me encontro, em tempos de outros tempos, em situações que recordo, em estória que vivi.
Será o reconhecimento do buda? Será o sapateiro de Jerusalém, que continuo sendo?
Será que são outros tempos que se confundem no tempo onde se acumulam tantos?
Regresso a tanto sofrimento, regresso a tanta alegria, neste livro acumulo todas as memórias.
O fumo milagroso vai enchendo a estrada dos sonhos, todos presentes, todos aqui. Não se sonha no passado, nem no futuro.
 
Saturday, August 19, 2006
 
Faz hoje anos, a 19 de Agosto de 1936, que Frederico Garcia Lorca poeta maior que a vida, foi assassinado por um velhaco, a mando da corja franquista.
Em sua memória,

LLANTO POR IGNACIO SÁNCHEZ MEJÍAS (1935)

La cogida y la muerte

A las cinco de la tarde.
Eran las cinco en punto de
la tarde.
Un niño trajo la blanca
sábana
a las cinco de la tarde.
Una espuerta de cal ya
prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo
muerte
a las cinco de la tarde.

El viento se llevó los
algodones
a las cinco de la tarde.
Y el óxido sembró cristal y
níquel
a las cinco de la tarde.
Ya luchan la paloma y el
leopardo
a las cinco de la tarde.
Y un muslo con un asta
desolada
a las cinco de la tarde.
Comenzaron los sones del
bordón
a las cinco de la tarde.
Las campanas de arsénico y
el humo
a las cinco de la tarde.
En las esquinas grupos de silencio
a las cinco de la tarde.
¡ Y el toro solo corazón arriba !
a las cinco de la tarde.
Cuando el sudor de nieve fue llegando
a las cinco de la tarde,
cuando la plaza se cubrió de yodo
a las cinco de la tarde,
la muerte puso huevos en la herida
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
A las cinco en punto de la tarde.

Un ataúd con ruedas es la cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.
El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El cuarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.
A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.
Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
¡ Ay qué terribles cinco de la tarde !
¡ Eran las cinco en todos los relojes !
¡ Eran las cinco en sombra de la tarde !
 
Friday, August 18, 2006
 

No ultimo Cometa Itabirano, nova matéria deste bloguista, aqui havendo porco (habemus sus)...
Bilhetes, de cá.

Homo homini lupus,

Diziam os latino falantes quando queriam dizer que por mais que a afastemos a realidade atropela-nos a galope, o que claro se pode traduzir (isto do latinório dá um ar culto à coluna!) o Homem é o lobo do homem.
Feita esta consideração prévia vamos a talhe de foice (notáveis os provérbios que o bom povo inventa) informar os cometanos (leitores do Cometa, ou será que há outra designação já consagrada?) do que o escriba sabe que se vai passando no tal atropelo.

1- Em Portugal estamos de férias. Já estivemos mais ou menos durante o que ficará na história como o mundial do grande marrador, embora não tenha tido muita história, mas agora continuamos...de férias.
E o capitalismo neo-liberal (soa bem juntar esses dois substantivos) vai mandando para férias o povo trabalhador (esses dois também) seja no sector têxtil, onde desde Janeiro já fecharam umas dezenas de fábricas colocando em férias definitivas umas milhares de operárias (são sempre as mulheres a fazer roupa) e no calçado uns milhares (o sapato é feito, em compensação, por homens).
A General Motors também vai fechar criando direta e indiretamente mais uns milhares de candidatos a férias perpetuas.
Os brasileiros (he, você aí!) ocupam outros, muitos milhares de postos de trabalho no único negocio que parece que fatura, os bares, restaurantes e também casas de alterne (não sei se aí também tem, mas pode ser guloso para o gasto!)
Discute-se a reforma da Segurança Social (daqui a dez, quinze anos estará nas mãos do gestor de falências) e fala-se de obras faraônicas e surrealistas (como um novo aeroporto, num local só próprio para os proprietários do terreno e os construtores civis e outra gente dessa estirpe arrecadaram umas mais valias, mas que não faz qualquer sentido, nem para ele há estudos prospectivos, nenhuns!).
Pior que isso, embora neste caso sem apoio (por enquanto, por enquanto) do governo ou de seja quem for sério na política ou economia portuguesa, tentam impingir-nos uma central nuclear (uma experimental que uns vendedores de banha de cobra andam a ver se faturam. A comissão vale tudo!)
Para quem quiser saber mais recomendo, sem que eu escamoteie que aí participo http://www.naoaonuclear.org/
Já tenho muita estória, com essa decrépita tecnologia. Ainda hoje guardo foto em que esmago com o meu pézudo a cangalhada que sobrou de uma tentativa de em 1976 instalar a solução milagrosa para os problemas energéticos portugueses. Só fizeram aí uma unidade de medições.
Diziam que sem a nuclear a partir dos anos 90 estaríamos à luz da vela.
Sopra aí pra mim!

2- Não é possível calar os massacres que o Estado de Israel está a cometer no Líbano, na Palestina, mas que quando esta prosa for editada poderá ter-se alargado à Síria e ao Irão e sabe-se lá onde. Para alem dos crimes sem qualificação que se vão cometendo diariamente numa região onde ao fanatismo religioso se opõe o fanatismo religioso, esta nova guerra, este novo terrorismo em nome de um Estado, de uma religião, é também um disfarce, um atirar poeira para o ar para o estado critico em que Israel se encontra.
Israel está à beira de uma implosão interna, dilacerada por conflitos sociais, religiosos, financeiros e também, também raciais.
A memória vai sendo desvanecida pelo presente.
Onde está Deus?, será que o Papa continua à procura dele?

3- E Espanha, devíamos olhar para Espanha.
Porque aí estão a passar-se coisas.
Foi legalizado o casamento de homossexuais, o governo separou a igreja do Estado e 1º ministro não foi à missa do Papa.
A legislação sobre o aborto e a fecundação artificial é moderna e as ciências, sejam sociais, humanas ou tecnológicas recomendam-se.
A edição (e com os hispano-falantes a ajudar) é poderosa e na Gran Via, em Madrid, veêm-se filmes espanhóis.
O espanhol (há quem diga castelhano, mas é uma discussão longa...) é uma língua em incremento.
E o Estado está a atomizar-se em autonomias (o que tem vantagens e pode também trazer grandes, grandes problemas) Catalunha, Galiza, Pais Basco, Aragão, Navarra, Baleares, Extremadura, Andalucia, Castela, etc. Tem que saber-se muito de História para perceber o que se passa hoje na Península (onde como já dizia César Augusto vivem uns povos que não se governam nem se deixam governar!).
Em Espanha, talvez por isso tudo, sente-se a agricultura e a industria, vê-se o comércio e o turismo, vivem-se novos tempos de invenção de costumes e relacionamentos, tudo isso com um enorme reaccionarismo social e cultural ao lado ainda vigente em muitas bolsas e consciências.
A Opus Day é uma invenção espanhola!
De Espanha, de todas as “espanhas” de Espanha temos produtos, produções, paisagens e memórias presentes que enchem os sentidos.
Saí “una tapa con un fino para la mesa del canto”.
De Espanha, é bom estarmos atentos, aqui nesta Ibéria que também se misturou no continente novo que é toda a América, de Espanha, de onde imergiu a nossa língua comum, esperam-se novidades e bons ventos, contradizendo o provérbio popular (que diz de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos).
E, talvez, quem sabe num futuro em que a integração econômica entre os atuais Estados peninsulares se avolume (neste momento cerca de 30% da economia portuguesa está nas mãos de “nuestros hermanos”) e a reformulação do sistema e Estado das “espanhas” se desenvolva deixe de fazer sentido Portugal, separado da restante Ibéria.
(Só a partir do século XIX temos a noção de pátria, mesmo no mais antigo Estado europeu!)

4- Em nome de fanatismos e fundamentalismos nacionais, religiosos, raciais ou de gênero, mata-se e morre-se em todos os continentes, a toda a hora.
Será que ainda há matéria para escrever?
Será que nos é permitida a poesia, a ternura, o carinho, sabendo o que sabemos?
Deus está há muito, muito de “férias”. E nós?
Hoje a começar a tal pausa ferial, como se diz em Espanha (sendo cá todos os dias por herança hebraica de 2ª a 6ª feira!) nesta prosa cheia de parênteses e interrogações (e sabe-se lá se com o sopro divino), o vosso,
 
Thursday, August 17, 2006
 

Há talvez trinta anos tinha estado por estas terras, nos arrozais, na cortiça, na apanha do tomate. Tinha embora um pouco nebulado visto as grandes asneiras e disparates que com boas e más intenções se faziam pelas Herdades de Corona e Pocinho, então Cooperativa Estrela Vermelha. Conheci gente excelente e autenticos vigaristas. Vi esperança e reles cobiça, destruição e construção, ingenuidade e oportunismo.
A alma humana em catarse.
Voltei a Ermidas, passei por Abela. Por esses locais paravamos a ver mulheres dançarem com mulheres, enquanto os homens bebiamos e bebiamos.
Hoje com os novos tempos novos pontos de ancoragem se teêm que criar. Só as ruas imitando Campo Maior, só os emigrantes, só sonhos não mudam a fisionomia da terra.
Se não houver iniciativa, se não houver investimentos numa formação e acção para a sustentabilidade o vazio seguir-se. Fazer dos constrangimentos janelas de oportunidade...
 
Wednesday, August 16, 2006
 

O tempo, o tempo é tal com a alma uma palavra que espelha uma abstracção, e tal como a alma não existe no passado nem no futuro. Só tem presente, apesar de Agostinho de Icona lhe ter inventado memória, memórias, essas só existem no presente onde está, também, a alma.
Memórias que é selecção de restos e restos que sobram na/da alma, no presente.
Num presente sem tempo nem alma só o silêncio clareia a memória e desta extrai os sons da continuidade. Tempo sem modo a passar, hoje que é sempre.
Recordei-me deste escrito perdido na memória de outro tempo nestes dias.
No Louzal, imerrso em histórias de estórias e de produção, e de trabalho e de economia, agora em processo de recuperação do tempo, deste e do outro. Na simpática Albergaria de Sta. Barbara dos Mineiros muito está por fazer pese a simpatia do pessoal, carente de formação e sem qualquer gestão, ou ideia dessa, que se vislumbre eficaz.
E no restaurante tudo a fazer, pouca qualidade, preços excessivos para essa pouca.
Num espaço deslumbrante a descobrir, e onde há muita ideia que se pode transformar em acção, falta capacidade(s) para criar um polo eficaz de sustentabilidade.
Talvez tenha sido azar, mas vale uma nova visita...
O circuito das minas é um dos circuitos de futuro!
E a talhe de foice a recomendação da cada vez maior qualidade das refeições do Luís da Rocha, em Beja e a superior valia (desta vez marchou um fabuloso arroz de lebre) do Chico, em S. Manços.
 
Friday, August 11, 2006
 
Absolutamente inverosimil.
O falso do atentado (o do falso atentado) em curso, desde ontem. Não há qualquer prova, não é apresentada qualquer evidência (e reparem que estamos a falar de uns serviços secretos que não conseguiram evitar atentados "infantis" e que confundiram um pacato cidadão brasileiro com um perigoso terrorista e o liquidaram a sangue frio e à queima roupa), tudo o que é anunciado só descredibiliza a tese em apreço.
Água? Gel? Nitroglicerina? Brincamos?
Nada parece senão as estórias da Carochinha e do Lobo Mau (serão mesmo da mesma?)
Os inventores e seguidores das teorias da conspiração receberam ontem, hoje e até este nonsense acabar uma notável ajuda. É que já não se pode acreditar nestes farsantes.
Água? Gel? Nitroglicerina? Brincamos?
Francamente, é que nem à borliou se compra esta farsa!
P.S.
Durante a tarde foi noticiada a prisão de uns vinte cidadãos ingleses de origem muculmana. Iremos a caminho de um novo Guantanámo?
Provas, provas.
Água? Gel? Nitroglicerina? Brincamos?
 
Thursday, August 10, 2006
 
Acabei o II volume do Portugal e os Judeus, de Jorge Martins (que para os amigos nunca deixará de ser Galinheiras, Shalom!).
Tal como o 1º só o posso adoptar sem reservas pelo conteudo, agradar-me com a qualidade da investigaçao (ainda me lembro de andar pela Boavista à procura do cemitério judeu que ele aqui refere. Lá está uma pedrinha, mais!), pela escrita agradável (mas diminuiria algumas das citações,... e atenção o francês é hoje como o alemão era antigamente, residual, mon cher!) e pelo fresco de informação. Deveria ser adquirido pelo Ministério da Educação para as bibliotecas escolares, porque a história é tudo o que nos fez povo!
Mais uma vez penso que faltou um editor que pudesse ter uma visão clara e um aconcelhamento livreiro.
Tal como o 1º livro poderia ser substancialmente reduzido, este poderia ter sido dividido em dois. Toda a 1ª parte é um outro livro, que vale só por si.
Com uma revisão e cortes no 1ª e metade deste 2º (e vamos ver o 3º)o Jorge teria produzido um best seller, que é o objectivo do historiador(*), no quadro da comunicação, produção de pensamento sobre a memória. A tese é para os entendidos e os críticos.
Com estas notas de critica e frontalidade, e o maior apreço, pela qualidade do trabalho e uma calorosa recomendação, para o Jorge um forte abraço de apreço e amizade.
(*) O livro da Irene Pimentel (shalom Irene desde os velhos tempos da Opinião) que também comentarei aqui já vai na 2ª edição, e é de capa dura....
 
Wednesday, August 09, 2006
 
Acabo de ler à velocidade da luz o excelente livro de Carl Honoré " O Movimento Slow", que recomendo sem reservas. É o melhor livro de cultura política, económica e social que li ultimamente. É um programa que partilho percorrendo lentamente a velocidade da luz.
Faz-me lembrar muito o velho Ilitch ( o Ivan, claro), recorda-me muitos tempos sem fim e outras discussões sobre educação, trabalho (salut Adret!), e o pensamento, a produção de pensamento.
O SlowFood sobre o qual penso que fui o 1º a escrever, na altura na Elle que ainda era decente, é o mote de uma lógica nova em termos de edonismo e gestão.
Ter prazer no bom e no belo. E esses são de usufruto lento. Notável ( e haverá novidades!) o capítulo sobre as cidades lentas.
Um livro que se lê de um trago, saboreado em todos os sentidos.
Sem reservas, de uma nova(?) editora Estrela Polar.
E não resisto a mencionar (porque fui lendo nos intervalos da lentura) o excelente "Cidade de Vidro" de Paul Auster, ilustrado por P.Karasik e D. Mazzuchelli, da Asa.
 
Tuesday, August 08, 2006
 
Um artigo notável de um outro judeu a favor de Israel, contra a guerra e os neo-con que a apoiam, porque ele sabe que esta guerra nunca será ganha pelas armas, porque ele sabe que Israel deixa-se arrastar, como antes se deixou embarcar nos vagões, para o fim por este caminho.
Profetas do apocalipse dominam-no.
É preciso inverter a lógica e resistir. Será possivel? será ainda possivel?
Ver: http://www.commondreams.org/views06/0807-29.htm
 
Monday, August 07, 2006
 
Ainda sobre Vidago constatei o absurdo, prova de desinvestimento e desaproveitamento de recursos, que oxalá no quadro desta revitalização das estruturas seja corrigido, que é o encerramento da linha de caminho de ferro.
A reutilização desta, com um metro ou electrico de superfície pode ser um factor de dinamização turistica além de um contributo para a valorização de todo o espaço, sem despreciar o seu valor como meio de transporte.
As velhas ( e renovadas) estações, com tempos de pausa e percursos envolventes podem ser alavancas para a inserção das termas na comunidade e a sua integração, também nestas.
E muita gente viaja em busca da paz, do comboio.
 
Sunday, August 06, 2006
 
Vidago.
Vidago Palace Hotel, a um mês do seu fecho, para reabrir em 2008, melhorado.
O Hotel é um "must", do inicio do século XX, com resíduos dos novecentos. O requinte do sítio, o esmero da construção, o prazer do estar. E a cozinha de excelência, juntando o melhor da nouvelle cuisine com a melhor tradição e substância de Trás-os-Montes é um momento de delícia.
No Hotel o tempo escoa, com a calma que as águas e o verde que as proteje propicia, lento e encorpado.
O entorno do mesmo é surpreendente, mas um pouco de formação ao pessoal para que os hospedes saibam da quinta e do seu passado, possam identificar o castro celta?, no percurso pedestre e lobrigar a mamoa, lamentávelmente ao abandono, tenham referência da antiga área de abastecimento de água,
e também, no quadro da reformulação abrir a possibilidade de visitar o engarrafamento ou fotografar (não há lógica nenhuma no proibido!) as fontes,
e proceder ao registo etno-antropologico do espaço ou até observar as maginficas pinturas (naturalistas) da escada de serviço, noutro local mais digno,
são recomendações que vão para além do turismo de campo de golf, e que podem aumentar o prazer da estadia e do tempo.
Pequenas deficiencias, também na formação do pessoal de serviço, são supridas pela simpatia e o sotaque desta.
O Palace quer ganhar uma (ou duas) estrela, pois só com o Siza (hoje convertido em vaca sagrada, mas que faz coisas lamentáveis, como na Boavista...ou noutros...) não vai chegar lá. Oxalá haja, outro, um toque de génio.
Merece... nos jardins, na história, na simpatia e em tudo o que lhe faz o espaço.
Voltaremos.
 
 
A gastronomia vive de alguns dos seus templos, que não são eternos, mudam ao sabor dos cozinheiros, dependem também da qualidade e atenção do serviço e são feitos de inumeras pequenas coisas que fazem com que o ritual do pão e do vinho tenha um sagrado milenar.
Hoje venho aqui recomendar dois locais de grande qualidade e deletar um que já terá sido bom mas que hoje é um reles pardieiro, sem qualidade e de execrando serviço.
Em Vila Real voltámos a comer na balsa do Terra de Montanha. Tudo estava optimo. A comida era de apurada confecção, os vinhos escolhidos de boa relação qualidade preço, o serviço atencioso. Estamos perante um valor confirmado da nossa gastronomia. Por terras de Panoias e de outros templos do conhecimento estas balsas seguem bom caminho.O joelho de porca terá vindo nesses tempos, com os povos godos? Com o tempo só melhorou. Lindo.
Também de excelente qualidade o Costa, em Chaves. O serviço (ainda há gente assim!) de sorriso cheio e acolhedor, a posta (dois em um) era do melhor, o vinho de acompanhamento excelente na relação qualidade preço, como só no interior se pode encontrar.
Por Trás-os-Montes o povo resiste, com as suas chegas, com o seu tempo, com a sua hospitalidade, e por aqui continuamos o tempo de outros tempos. Sempre em boas companhias e sempre com simpatia foram dias irrecuperáveis!
Mas no regresso, grande desilusão, tendo conhecido real ou por escrito hoje a Tia Alice, em Fátima, não vale dez reis de mel coado, ainda menos a deslocação.
O serviço, assegurado por ucranianas, brasileiras e portuguesas fazia concurso para o prémio de bruxa má, e ordinária, a comida sensaborrona, sem sal, sem ponta de sal, e sem uma restea de gosto (de bom gosto nada) fosse o intragável bacalhau ou a mediocre chanfana, e tudo mediocre. O serviço zero. Certamente mudou de gerencia, e despediram o cozinheiro e contrataram umas meninas na estrada. A Tia Alice morreu. Recordo e paz à sua alma. Fatima, nunca mais!
 
 
El Gran Laberinto, de Fernando Savater é um magnifico livro para adolescentes (12 a 16 anos) e para gente de todas as idades, amantes da literatura, de filosofia, de jogos de computador, de fantastico.
É um livro de politica, sobre politica e educação civica, neste labirinto Savater expõe admiravelmente o pensamento da liberdade e das suas referentes, por ele passam personagens que são meus, são nossos.
Para ler ao bordo da piscina, no avião, entre passeios e caminhadas, por terras onde "esqueletos" fazem estórias, lendas e paixões.
Com o sentido do futuro e dos seus enredos.
 
Tuesday, August 01, 2006
 
De poeta e de louco todos temos um pouco, diz o povo e com razão. É claro que para chegar ao escrito impresso e editado falta o estrume na palavra certa, o lampejo na estruturação da frase, o toque do gene a fabricar o sentido, e tudo o que lhe dá signo, significante.
Hoje pude felicitar pessoalmente, já aqui mencionado na altura, o poeta e louco Baptista, o José Agostinho, pela escrita que feita vida tem produzido nas palavras poema que tem cinzelado.
Sem que o sentido irracional com que analisa a produção cultural milenar que dá sentido e justifica o ambiente que serve e onde culturaliza os povos que a vivem, sem o sentido irracional com que por leituras pouco adequadas e erradas vê o culto do toiro, lhe turve a alma.
Mitra olha por ele, do alto da seu trono de luz.
Não há irracionais que não possamos ultrapassar, entre racionais, he, he!
Só a morte é definitiva, por muito que espíritos vagabundos procurem iludirmos, com luzes, sombras, correntes a arrastar, janelas a bater, mesas a flutuar, e LSD. Vade retro, ó alma a penar!, mas deixa por cá o ácido, que pode ser útil!
 
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