insignificante
Saturday, September 30, 2006
 

Levo o Sultão e o Cartografo, de Tariq Ali e um ensaio de Schopenhauer,e também um livro sobre o mais notável dos economistas Georgescu-Roegen, este para completar um powerpoint, uma série de revistas de arte, filosofia e ambiente,
Nas 8 horas de avião e nas pausas, talvez, aspiro a ter algum tempo para exercitar as meninges na leitura.
Aspiro a aboborar (fantástica palavra, e sem direitos de autor!) por Istambul, bordejar a mesquita Azul e Santa Sófia, entrar e respirar o ar da marmara no palácio Topkapi e andar lentamente palo Bazar.
Sentir o ambiente, o cheiro, as cores.
E aqui, até ao regresso desta errância deixo um bailarico.
Inch Allah!
 
Friday, September 29, 2006
 
Desde há algum tempo que ando a aboborar esta posta.
Já aqui o referi mas vale o regresso. Continua excelente.
Temos em Lisboa 3 ou 4 restaurantes italianos de grande gabarito, deles falarei em breve.
Hoje venho aqui referir um que só por si vale uma ida a Caldas da Rainha.
Depois de um pôr do sol na Lagoa, e talvez no seguimento de um peixe fresco ao almoço na Cabana do Pescador (onde tenho comido peixe fresquissimo, grelado no ponto, o que quer dizer tudo!) é obrigatório uma passagem pelo Sabores d'Italia (ao pé da Câmara).
O acolhimento é simpático e afável, a casa convidativa, os arranjos culinários optimos.
A mistura que faz, a "nova cozinha" italiana, das massas com produtos da terra, em quantidades sérias, o bom toque, ou melhor textura das mencionadas, e a variedade de propostas, todas elas a fazer saltar água para a boca, que nos apresentam são invejáveis.
Nunca saí de lá insatisfeito.
Os "Sabores d'Italia" ombreia com os 3 ou 4 bons restaurantes italianos de Lisboa, todos eles com uma particulariedade que vale a visita.
Hoje, porque já aboborava (palavra notável, que gentil colega me vendeu e permite utilizar!) este sabor, aqui fica este gosto, que é um prazer para os sentidos.
 
Thursday, September 28, 2006
 

Penso que é o retrato da tia Dora. Com aquele olhar, olhar azul que prendia os olhares, com aquela voluptusidade alemã que nos enrolava nas palavras.
E talvez não.
Definitivo sem requerer outra assinatura são os verdes e os azuis, cor de sangue que lhe brilhavam até à luz que dessas cores fazia, com a alma.
A vida é também essa mistura.
 
 
Há locais que se podem definir com poucas palavras, ou até mesmo só uma.
Penso que quando falamos da ADEGA VELHA chega dizer que é GENUINA.
Está tudo dito.
Já aqui tem merecidamente sido referenciada.
E ao iniciar um novo ciclo de locais de culto por ela começo.
O vinho novo pouco falta para jorrar da pipa, das velhas pipas que contribuem para a alma da ADEGA, que é feita por várias gerações de Bação, o Eng. Joaquim voz e espirito que enche a taberna de simpatia e acolhimento.
Os frequentadores, como em qualquer taberna que se preza são habituais, com um copito na mão e o cante a irromper das gargantas, abastecidos pelo Marcelo, que contribui para o espirito atrás da "barra" e pelas salas diligenciando do vinho que não falte e do queijo e do petisco.
Na sala onde as radios, mais ou menos velhas se empilham, por vezes em almoços ou jantares mais sossegados podemos deliciar-nos com uns ares sonoros de classicismo musical, de operas ao barroco, de world música a do outro mundo.
Continuando encontramos mais talhas e se cuidarmos, como deve ser seja por amizade, seja por gratidão ir saudar a senhora do império cozinhal, cuidado com a cabeça que há cem anos eramos mais pequenos...
A sra Maria, com as suas simpáticas assistentes, é um património mouranense e gastronomico universal.
A açorda, ah a sublime açorda, e a sopa da panela, e o inacreditável cozido de grão, a sopa de cação, os enchidos com feijão e os pratos que sazonalmente vão aparecendo, são peças de um puzzle que compõe este excepcional local de culto. A Baco, mas também à Senhora das Candeias, que domina o tempo, e à amizade cultivada pelo tempo da maturação das uvas, pelo tempo que roda em torno da Adega.
Hoje, após um repasto, mais um, marcante da vida desta monumental ADEGA, porque a vida é feita destes deslumbres aqui a recomendo.
Porque é velha, porque é uma verdadeira adega, porque um um templo gastronomico, porque o pessoal honra o convívio, porque tem um espírito em corpo de engenheiro que a ilumina de simpatia, calor humano e amizade.
Porque é genuina. A ADEGA VELHA, em Mourão.
E agora para quem a queira espreitar: www.alqueva.com.pt
 
Wednesday, September 27, 2006
 
Livro de Reclamações,
pois deviam extingui-lo...ou então dar-lhe utilidade e colocá-lo no quadro da lei.
Salvo um caso em que uma entidade contra quem reclamei, foi multada e me deram informação sobre o processo é um autentico livro morto *.
Nenhuma das entidades dá seguimento ou qualquer atenção aos consumidores.
Há alguns anos reclamei, livro de reclamações DGV, contra oficina de inspecções... pois passado anos verifico que o assunto da minha reclamação ...motiva processos crime. Nunca tive resposta.
Outras reclamações por os direitos de garantia de produtos não serem exercidos (pela FNAC!) produto com defeito reclama na fabrica, ou contra balcão bancário (do BES, Campo Ourique), certamente por racismo anti-semita ou por notória incompetencia ou incapacidade de gestão me ter continuamente prejudicado, e pesem 5 (cinco!) queixas, passados meses...ainda nada.
Contra as Eurest (das auto-estradas!) já vi dois (2) livros de reclamação cheios, e a minha iniciou um 3º, apesar de me quererem comprar!, pois nada, será que os condutores tem todos mau feitio?
Pois ou acabem com os livros de reclamação ou estabeleçam prazos para respostas aos queixosos ( e atenção, que esse é outro golpe disuasor!, não nos obriguem a ir não sei aonde dizer o que está escrito!, ponham fiscais a verificar, estabeleçam prova!como fez a Câmara de Oeiras no caso mencionado*, e arrecadou quase 800 Euros!).
Mas não há quem dê funcionalidade a este instituto?
PS
Esquecia ao fim de 3 anos e com carta do proprio gabinete do ministro pelo meio, artigos de jornal(meus), novas cartas as Finanças deram-me razão. Mas ficaram com os 500 mil reis, talvez comprem papel higienico, que falta lá faz!
 
Tuesday, September 26, 2006
 

Mão amiga enviou-me hoje a prova, indesmentível, que o aquecimento global está aí.
Allah Akbar e essas coisas para vocês!
 
Saturday, September 23, 2006
 
Enquanto preparo repasto gastronomico com algumas dicas sobre locais de manja a reter na agenda e na vespera de mais uma corrida, não quero deixar de referir (http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/09/21/AR2006092101513.html) este notável artigo para o qual o abrupto chama a atenção, com humor.
Eppure si muove, e sabemos o que aconteceu, o quanto custou esta simples constatação. Haja deus e deus fez-se!
 
 
Rosh Hashaná.
Aqui ficam os votos tradicionais judaicos para este dia. Que possam ser inscritos no Livro da Vida e selados para um ano doce e cheio de paz. Feliz 5767!
Pois os primeiros usufrutuários do livro já em quase seis mil vão.
Que os anos passados não pesem na vida de todos os dias.
A propósito recomendo um novo blog, devotado aos que sabem que a palavra é vida:
http://steinhardts.blogspot.com/.

E resultante de um passeio por Lisboa uma nota para inacreditáveis cartazes estilo farwest e anónimos a denunciar um sujeito, que admito possa ser responsável das piores patifarias, mas que não merece ser exposto assim até prova em julgado.
Não vivemos no farwest nem sem o primado de qualquer lei.O meu nariz judeu até tremeu!

Também outra nota para a inacreditável ausencia de protestos dos putativos amigos dos animais face ao horror declarado e reles aproveitamento comercial, completamente desnaturado e anti-ambiental da Peta-fil.
Em vez de protestarem contra as toiradas que fazem parte da cultura, se integram na ruralidade e suportam a natureza e o espaço construido, onde se amam os animais e se estimam até na hora da morte, deviam era protestar contra estas crueldades contra os lulus e as torturas que lhes inflingem.
Mas não podem fazê-lo, porque eles são os alimentadores destas perversões, destas bestialidades.
Hoje, todavia, até para essa gentalha, rosh hashaná.
 
Friday, September 22, 2006
 
Da Gazeta das Caldas de hoje:
Verdades Inconvenientes

1- Antes de mais tenho que fazer a minha declaração de interesses. Há mais de trinta anos que sou um activista ambiental, fui responsável por muitas denúncias, igualmente por muitos erros não se terem cometido no nosso país e região. Fui detido, fiz jejuns, protagonizei acções não violentas, respondi em tribunal, escrevi livros, dei aulas e cursos sobre ambiente e economia.
Actualmente entre outras actividades mais ou menos “académicas” sou colaborador da empresa SIIF, Energies, que promove parques eólicos e continuo a ser um activista pela sustentabilidade local, nacional e global.
Sou parcial e inconveniente, portanto.

2- Li há dois meses o livro de Al Gore (que está agora em vias de chegar às livrarias portuguesas, no que desde já recomendo por saber ser cuidada edição com a colaboração de prestigiados ambientalistas nacionais, Edição da Esfera do Caos) e o impacto dessa leitura foi tremendo. É um choque ver as imagens dos degelos glaciares, seja nas altas montanhas ou nas zonas polares, é um choque ser confrontado com o registos e estatísticas científicos, é um choque percebermos que a realidade, isto!, está a avançar a galope em direcção...ao abismo.
O impacto das alterações climáticas nas zonas costeiras, o impacto desta nas regiões em vias de desertificação, o impacto dos fenómenos (tornados, furacões, chuvas torrenciais, ciclones) na vida das comunidades. O impacto de tudo isto! É um violento murro no estômago. Pode ser fatal.
Vi o filme, a que se seguiu um debate, que também deveria ser editado, por ter sido do mais esclarecedor que tenho assistido, mas que, infelizmente, a sopa em que a alienação televisiva vegeta nem sequer cheirou.
O filme baseado no livro de Al Gore, realizado por Davis Guggenheim deveria ser visto por todos e obrigatório para as escolas (geografia, físico-química, matemática, história, filosofia, inglês, artes visuais, todas as áreas curriculares deveriam combinar e levar os jovens a ver o filme).
O filme, e esse não é dos seus menores méritos, tal como o livro mas com outro registo, é também uma crónica intimista, pessoal, do que foi eleito pelo povo presidente dos Estados Unidos (e que ele com graça refere que costumava ser apresentado como o futuro presidente dos EUA), o que o torna também uma viagem pela vida, com fortes mensagens sobre diversos assuntos.

3- Um dos meus colegas de mestrado, o mesmo que foi surpreendido pelo “acidente impossível” de Chernobyl, dado que na altura era um adepto da superioridade do comunismo e da revolução tecnológica da nuclear, é hoje um céptico militante contra a ciência que nos evidencia o aquecimento global. E todavia temo-lo à porta.
Mas já não há lugar para cepticismos, a não ser, como vemos no filme, ou para as avestruzes ou para manipuladores ligados a sectores industriais “fósseis”.
O que no filme é sistematizado é o que vemos todos os dias. A vantagem é que no filme com pedagogia e relevante informação cientifica é explicado o papel do CO2, a importância das correntes marítimas, o problema da ruptura dos stocks glaciares, com gráficos claros, com imagens esclarecedoras.
O filme embora nos forneça um cenário terrível não é um filme de terror.
Temos alternativas e essas passam por todos e por cada um de nós. Pequenas coisas juntas, juntas em muita gente, tornam-se grandes. Pequenos gestos juntos, somados dão resultado.
Podemos alterar este caminhar para o abismo, que se anuncia já para a nossa geração, o ritmo, como disse o secretário de Estado do Ambiente Humberto Rosa, até a ele que é um cientifico de anfíbios, que são uma das espécies criticamente ameaçadas, o está a deixar estarrecido. Os degelos glaciares (os efeitos conjugados das infiltrações de ar no gelo e entre a superfície terrestre e esse, podem criar situações gravíssimas!) estão aí.
Podemos alterar o nosso dia a dia, alterando e reduzindo consumos, poupando energia e recursos, reciclando e reutilizando, procurando sistemas alternativos de transporte, alterando formas de uso, apostando na ligação à terra. E intervindo, intervindo na sociedade, não nos calando, e estando atento ao que fazem os nossos eleitos ou... como diz Al Gore substituindo-os!
Ver http://www.climatechange.eu.com, para saber mais.

3- A situação nacional não é brilhante. Portugal faz parte, como é reconhecido por Al Gore, do grupo mais dinâmico e empenhado na luta contra o incremento de CO2, que é a União Europeia. E nesta temos compromissos, que infelizmente estamos a adiar, não estamos a cumprir, que nos irão custar caro. Penso que todos os sectores da sociedade portuguesa são responsáveis, todos teremos que pagar.
a) A titulo individual, porque continua entre nós a dominar a ideia que o problema não é nosso que está longe daqui. Não, está aqui, aqui mesmo! Temos que agir, por nós, pelas futuras gerações. O acto simples de reciclar, de fechar a água quando não em uso, de adoptar medidas de eficiência nos electrodomésticos ou nas lâmpadas que usamos, o utilizar os transportes públicas (e melhorá-los, o que cumpre ao Estado e à CP!) e tantas outras grandes e pequenas coisas, que não fazemos.
b) O nível nacional seria tema para um outro artigo. Agilizar os licenciamentos de desenvolvimentos de energias suaves, alternativas não emissoras de CO2, seja por adequadas calendarizações dos processos, seja por agilização dos procedimentos, investimento nos programas de eficiência térmica dos edifícios e também obrigatoriedade de instalações nestes de estruturas de aproveitamento energético (o que também estimularia o mercado, como é o caso da Grécia!).
Desenvolvimento de uma rede de transportes ferroviários em condições e reaproveitamento de antigas linhas para metros de superfície, penalização das entradas nas cidades articuladas com parques dissuasores e sistemas ecológicos de uso nestas. Apoio aos bio-dieseis e aos desenvolvimentos tecnológicos novos (hídridos, hidrogénio) através do sistema de impostos.
Apoio a programas de “esverdear as cidades” e saudáveis politicas agro-florestais, incentivando e promovendo a ocupação diversa do território.
E penalizando: Os infractores, os gastadores. Os não recicladores (como na Alemanha ou Suíça!). Os responsáveis por irresponsabilidades ecológicas e sociais.
A nível nacional o que fazer? Daria outro livro!

4- E aqui na região. Aqui os problemas são grandes, enormes. O mar vai subir. É inevitável. Talvez não os seis metros que previsões de continuação da política “negócios como de costume” prevêem, mas pelo menos, inevitavelmente, dois ou três metros.
A erosão das falésias é inevitável (as actas do meu julgamento local deveriam ser publicadas, para ver o que o Eng. Carlos Pimenta, o Arq. Ribeiro Telles e tantos outros disseram sobre os erros dramáticos que foram feitos por irresponsabilidade, que ficará impune, como as construções nas Falésias!).
Nem vale a pena falar das construções sobre as dunas na lagoa, aí não haverá saquinhos de areia, para aguentar.
A erosão da costa é um dos desastres que Portugal terá que enfrentar.
Em locais onde estas asneiras, autênticos crimes foram cometidos (e infelizmente Caldas e Óbidos não são excepção) a situação será particularmente grave.
Grave também é o desperdício (que a continuação do conflito da C. M. Caldas com a EDP não ajuda) de todo o sistema camarário seja a nível interno, nos sistemas de ar condicionado e isolamento e gestão de aparelhos e iluminação, seja na área da iluminação pública nomeadamente por inexistência de sistema de diferenciais e de poupança nesta, além dos níveis lamentáveis de reciclagem local, esses infelizmente perto da média nacional.
O desordenamento continuado, o renovado casuísmo de desenvolvimento urbana e a inexistência de regulamentos de eficiência energética com esse articulados (infelizmente também aqui não sendo senão maioria com as congéneres!) e a total ausência de políticas de transportes ou organização destes no espaço concelhio, dão à C.M.C. uma medalha de lata, que se derreterá muito em breve com o calor.

5- Finalmente e para acabar esta prosa tenho que referir o bom humor que caracteriza este filme, entre o optimista com o homem e as nossas capacidades e o pessimista com os sistemas ainda dominantes na economia, e a descoberta do que é o que foi presidente dos EUA, com o voto popular e usucapiado por uma miserável golpada. E contar a história do sapo, que colocado numa panela de água fria que vai aquecendo lentamente e que se não for salvo dará patinhas à mesa e aquele que é introduzido em água a ferver e dá um salto até à Lua. É o paradoxo em que vivemos.
Mas não esperemos que a água aqueça, Deus pode estar distraído e esquecer-se da sua criatura, e na Lua não há senão sonhos.
 
Monday, September 18, 2006
 
Aprendi a ler a ver uma noticia debaixo do noticiado e imunizei-me contra manipulações. Como a grosseira que JP Pereira faz hoje no seu blog abrupto.
Mentir ou ignorar dados e através dessa omisão negar o postulado como insensato.
Sendo que continuo a ter as maiores dúvidas sobre o que é verdade no 11 de setembro, esta prosa abrupta só me torna mais desconfiado.
Porque razão uma pessoa com o calibre deste personagem comenta um filme ou sem o ter visto ou tendo ido à casinha quando davam uma hipotese que responde à sua angústia?
Tudo isto vai adensando o mistério.
Claro que o Pacheco Pereira acredita que o Apolo foi à Lua...
Eu, eu tenho dúvidas, muitas dúvidas, mas ele dirá que viu o filme. Fixem bem o filme que JPP comenta sem ter visto e as terríveis imagens deste. Montadas? Talvez. E talvez não. Assim como o enredo, do mesmo. E o do 11/9.
Para quem não souber a ligação é: www.abrupto.blogspot.com.
Ai verdade, verdade, por onde andarás que todos te manipulam...
 
Sunday, September 17, 2006
 
A proposito de deus e do dualismo entre o bem e o mal, adaptado da enciclopédia:

Sobre o mitraismo:

De suas remotas origens, na Índia, o culto a Mitra difundiu-se gradualmente e passou por diversas transformações, até alcançar lugar proeminente na Pérsia e representar, no mundo romano, o principal oponente do cristianismo nas primeiras etapas de sua expansão.
Na religião védica indiana, Mitra, cuja primeira menção data aproximadamente de 1400 a.C., era o deus que assegurava o equilíbrio e a ordem no cosmo. Por volta do século V a.C., passou a integrar o panteão do zoroastrismo persa - primeiro, como senhor dos elementos; mais tarde, sob a forma definitiva de deus solar.

Após a vitória de Alexandre o Grande sobre os persas, o culto a Mitra estendeu-se por todo o Mundo Helenístico.
Nos séculos III e IV da era cristã, as legiões romanas, identificadas com o caráter viril e luminoso do deus, transformaram o culto a Mitra na religião conhecida como mitraísmo. Os imperadores romanos Commodus e Julianus o Apóstata foram iniciados, e Diocletianus consagrou, junto ao Danúbio, um templo a Mitra, "protetor do império". A religião mitraica tinha raízes no dualismo zoroástrico (oposição entre bem e mal, entre matéria e espírito) e nos cultos helenísticos, como os mistérios de Dioniso e de Elêusis.

Mitra era um deus do bem, criador da luz, em luta permanente contra a divindade obscura do mal. Seu culto estava associado à crença na existência futura absolutamente espiritual e libertada da matéria - compatível com as idéias religiosas e filosóficas da época, como o gnosticismo e o neoplatonismo, e capaz de oferecer uma esperança de salvação, tal como o cristianismo.
Os mistérios de Mitra, acessíveis aos iniciados, celebravam-se em grutas sagradas.
O evento central era o sacrifício de um touro, símbolo do sacrifício original do touro da fecundidade, de cujo sangue brotava a vida e que proporcionava a imortalidade.

Com a adoção do cristianismo como religião oficial do Império Romano (século IV), o mitraísmo integrou-se/ adaptou-se a esta, com a maioria dos seus rituais.
O dualismo do perpétuo conflito entre o bem e o mal, ou entre a luz e as trevas, sobreviveu.
O mitraísmo continuou-se.
Datas de eventos, ritos de passagem, formas de comunhão, lógicas de espiritualidade todas elas se continuam entre as religiões, que são todas a mesma.
Olé.
 
 
Duas notas, que inacreditavelmente escaparam à generalidade da imprensa:

1- Freixo de Espada à Cinta. O que se passou foi além de uma torrencialidade altissima, que tem tendencia a repetir-se por aqui e por ali, sobretudo erros de urbanismo e obras públicas. Construções indevidas e o encanamento deficiente da ribeira. Os responsáveis deveriam ser incriminados, mas a culpa morre solteira.

2- Pouca gente registou e enquadrou. O sr. Ratzinger fez as suas inacreditáveis declarações na sua língua materna, em alemão. E há que registar, elas foram lidas. A nova cruzada foi confirmada. Yawoll, sieg heil e outras coisas que só em alemão é que teêm sonoridade. Schaise!

E uma que só escapou a uns senhores que faziam publicidade à ERA: A mão de deus voltou a fazer das suas. Toda a gente viu. Só os delegados da ERA é que não.
 
Saturday, September 16, 2006
 
Quando queremos, mobilizando a vontade dos cidadãos, a visão de futuro de empresários e da economia e sua sustentabilidade, com a criação de quadros político-legislativos claros é possivel desenvolver a sociedade, inverter lógicas de degradação ambiental e criar novas áreas de negócio que sejam sustentáveis.
Em inúmeras áreas esse caminho é o eixo de futuro e a perspectiva de ter maior equilíbrio social, qualidade ambiental e exito económico.
Talvez poucos podem constituir o exemplo em como um desafio, uma ameaça é também uma oportunidade como a questão do ozónio ou do seu impropriamente chamado buraco.
Face a uma situação grave, gravissima em que perspectivava a ruptura da protecção estratoesférica da película de ozonio, juntaram-se competencias e integrando a sociedade civil, a actividade economica e a inovação tecnológica e face a uma intervenção dos poderes políticos, num quadro internacional (o protocolo de Montreal), mas com a correspondência nacional e o empenho cidadão criaram-se as condições para inverter este flagelo.
Hoje comemora-se o dia mundial do ozónio.
Sem a sua protecção não haveria vida na terra, como a conhecemos.
PS E para quem quiser saber mais, um excelente sitio:
http://nautilus.fis.uc.pt/cec/ozono/
 
Thursday, September 14, 2006
 
Já aqui, várias vezes recomendei esta verdade.
E hoje, na altura da estreia nacional volto a fazé-lo.
Imprescindível, antes que o céu nos caia na cabeça. É que a vespera já passou.
Em breve colocarei artigo, com incidências locais, nacionais e globais, ou melhor artigos que sobre o tema me tem inconveniado.
De verdades.
 
Wednesday, September 13, 2006
 
A história é um ninho de mentiras e invenções, de leituras e interpretações.
Por mero acaso deparei com um registo, onde hoje é Portugal temos: uns milénios de ocupações neolíticas dispersas, em seguida vagas de tartessias, celtas, tugures, fenícios, judeus, até ao estabelecimento do poder romano, este dura cerca de 3/4 séculos, os visigodos sobrevêem por dois ou três, e os arabes, berberes quase seis séculos, e portugueses, se descontarmos do dominio compartido nem chegam a sete séculos.
A nação só surje há menos de dois séculos e estou convencido que só o Estado Novo a unifica com as estruturas político-administrativas que lhe dão conteudo.
O nacionalismo afirma-se pelos toiros (contra a corrida integral a portuguesa!) e a partir da decada de 4o do século passado através, também, do futebol.
Hoje estamos no caminho da diluição dos referentes nacionais.
Mas quais, se quase tudo é uma treta, desde um Afonso Henriques anão com espada de gigante, ao mitologico Viriato, passando por inexistente re-conquista, ao inventado amoroso caso de Pedro e Inês.
Hoje talvez só o Eusebio seja património da história. Tudo o resto? Tudo o resto, o quê?
 
 

Penso que tem o mesmo valor da virgem de fátima.
Ou dos budas.
Ou de outro santarrão ou icone qualquer.
Dizem os textos que nada do que é sagrado é representável.
A Biblia e o Corão. Assim como a Torah. No budismo não há representação.
O buda é como o busto de napoleão...
Hoje picado das "aguasdosul" aqui fica o alibaba.
Inclinemo-nos e adoremos. Akbar. Akbar.
 
Tuesday, September 12, 2006
 
Toda a verdade é inconveniente, é claro que também para o universo. Dependendo do universo.
Hoje sabemos que grande parte da história, grande parte do que apreendemos da história, e que é também a actualidade...é mentira. Ou sendo só parte da verdade é sujeita a efabulações.
Mesmo quando passado o tempo do chamado nojo histórico se abrem os arquivos há segredos que escondem a verdadeira vida e a verdade desta.
Recordo um jantar em Serpa onde a crença na alunagem foi posta em causa... pois,pois esperem pelos arquivos já entreabertos pelo Kubrick, autor das filmagens da bandeira a ondear (com o vento local!) a "superfície" lunar, e as surpresas não faltarão, guerra fria obligeait!
A verdade é mentira e a mentira verdade, paradoxo que o Orwell introduziu no discurso sobre a vida que é a gestão política, onde o angulo da mentira é fatal. A manipulação que persiste ( a história do relacionamento do Sócrates, que ainda cobra vencimento...ou tantas, tantas outras) a prestigiação ilussionista que hoje nos é trazida em massa pelas televisões, onde telejornais de uma hora ocupam três quartos com faits divers da coitadinha e o futebol, onde a boçalidade atinge limites insuportáveis.
Vivemos tempos de mentira e ilusão. Onde está a verdade? Onde está o Wally?
Lutando contra a maré das manipulações, apresentado factos registados, e juntando evidências hoje estreia um filme inconveniente " An inconvenient truth", do que foi eleito presidente dos U.S.A., mas não tomou posse por ter sido usucapiado pelo outro.
Será que a mentira pode encobrir a verdade? E para sempre?
A natureza responde. E dá a volta!
 
Monday, September 11, 2006
 
Vamos reatando os nós da vida, do trabalho, reactivando contactos, relações.
Reuniões, análise de projectos, aferição de produtos, elaboração de textos e posições.
Vamos re-pensando o passado e re-fazendo o futuro, neste eterno retorno do outuno.
Finalmente o tempo parece querer aproximar-se dos padrões (quais?) da época, ou pelo menos dos que recordamos da nossa juventude da época.
É a época também da preparação do novo ano e dos projectos para esse.
Tudo se repete, tudo se modifica, tudo se inventa, de novo.
O tempo volta a encher-se de ruídos.
E nada do que é humano é estranho. Será?
Por onde andarás, ar que respiro?
 
Sunday, September 10, 2006
 
Mais uma corrida, mais uma viagem, mais uns coloquios, e mais uns convivios.
O país resiste, há gente que resiste ao rolo compressor do pensamento único.
No interior vai-se descobrindo, inventando outra coisa.
Falarei disto, um dia, com tempo.
Hoje fiquei foi surpreendido com por um lado as qualidades otolaringológicas de Bento XVI, que certamente também inclui a minha acusia na surdez do mundo... e por outro lado com a versatilidade de que dá mostras... ainda chega a bater aquele bacano que dizia que deus era mulher... e andava de trotinete.
pois hoje, o bento, disse que ninguém (por causa da tal surdez!) ouve o que deus diz, por aí.
Pois esse senhor deus ora está de férias, ora está distraído, ora não está, ora está para aí a dizer uns disparates ( o jornal dos seus ditos é uma triste história, seja a apócrifa Biblia, seja o intermediado Corão), ora ninguém o ouve.
Mas será que o bento Ratzinger não pode fazer de Mahoma e traduzir para nós o que ele tem de relevante a dizer?
E se sempre for mulher e "casadoira" pedir-lhe o número de telefone...
Amén.
 
Thursday, September 07, 2006
 
Assuntos não faltam, só vontade de comentar é relapsa.
A vida continua a esponjar-se num cálido calorão, que se prolonga, os jornais continuam a não procurarem o pensamento, qualquer noticia pode ser falsa, qualquer interpretação pode ser falível, tudo depende de inúmeros factores.
Reduzi o consumo de jornais, nos dias de piscina e aos gratuitos.
Os telejornais da televisão ( de todas!) portuguesa são de uma mediocridade assustadora, programas informativos são nulos e os de debate um pavor (e os/as animadoras um susto, de incompetência e labrostice! e a Fátima.... ai a Fatima...).
A opinião, a opinião é um sem novidade atroz (a lista dos opinadores do novo jornal é um susto, além de alguns personagens, verdadeiros vigaristas, que para lá andam...).
No DN que é hoje o jornal com opinião mais arrejada, vejo com surpresa que ou o provedor está atulhado de trabalho ou as minhas insistentes queixas, a que me referiu ir responder a seu tempo...dado o obvio e melindroso "approche", cairam nalgum saco...azul. Enfim...
A internet, alguns sítios e blogs dão-o-nos o pulso do mundo. Algumas publicações especializadas o resto.
Até quando as empresas continuarão a desperdiçar o seu investimento, até quando continuarão a desperdiçar o seu retorno em publicidade sem sentido?
Daqui a 3/5 anos toda a imprensa ou terá desaparecido ou será um suporte para venda de toalhas, chapéus de chuva, livros ou viagens.
P.S. Quando apostei, em 1985, que em vinte cinco anos o dinheiro iria acabar também não me acreditaram... Pois dinheiro, dinheirinho (moedas, nota) já quase não há...
 
Wednesday, September 06, 2006
 
O som da cachoeira,
o cantar do tucano,
o restolhar do leopardo,
o sabor da seiva de palma,
o riso mágico do índio,
o calor húmido a escorrer o corpo,
o sentir da alma da floresta,
a dor da ausência,
para a Vanessa Sequeira
que continuará no espírito do mundo que amava.
 
Tuesday, September 05, 2006
 
Corre o calor
pára o tempo
sudamos com a vida
 
Monday, September 04, 2006
 

A propósito do tema da actualidade, a palhaçada dos vigaristas do futebol.
 
 
Há terras que merecem deslocação pelo cheiro, pela memória, pelo património. Há terras que merecem deslocação pelos costumes, pelos produtos, pelas gentes. Há terras que se descobrem pelo palato e outras a que se regressa por esse e pelas amizades, hospitalidade que em torno dessa sensação, desse tempo se constrói, se inventa.
Voltámos a Mourão, porque lá está o Joaquim Bação a encher a Adega, a sra Maria na cozinha, e o convivivio, a hospitalidade e a amizade que se vai forjando, acompanha divinos petiscos. É a Adega Velha a continuar nos maiores encómios.
Do lado espanhol descobrimos novidades. Na estrada para Aracena, onde o petisco da praça sempre convida, no desvio para uma terra que se soube dignificar com vários poisos gastronómicos (Fuenteheridos), continuando mais uma dezena de quilómetros pela serra Morena encontramos Alajar, vila linda , terra de memórias tartéssias e celtas, terra de ermitas medievais, terra onde se sente "el duende"arabe, judeu, andaluz.
Nela também os locais para repasto circundam a espectacular igreja.
Escolhemos um museu, de formas, de ambiente e de comidas. O salão todo forrado a cortiça impõe, a barra maginifica no adorno e a sala de fumantes um pátio andaluz. Comer é sensação para todos os sentidos, no "El Corcho", como deve ser!
Também aqui o regresso é inevitável. Haverá tempo para tantos?
 
Sunday, September 03, 2006
 
Recordo como se fosse hoje, o filme deu-me um enorme arrepio, de sensaçoes.
Vi-o na cinemateca de Bruxelas (na altura, será que ainda lá está? ao pé dos melhores Magritte), Gilda, de Charles Vidor com Glenn Ford e Rita Hayworth, recordo que fiquei até tarde, até fechar, no Toone a beber umas duvel, na altura morava sobre a Grande Place.
Penso que voltei a ver Gilda pelo menos duas vezes, sem o impacto da primeira, mas com a memória dessa.
É um filme brutal. De um amor brutal, com interpretações fantásticas.
Hoje, imaginando-o eu há muito morto, foi noticiada a morte de Glenn Ford.
Voltei a passar pela Grande Place, a passar a mão pela santa, a sonhar com o futuro.
O futuro modificou-se, só em parte nos acompanhouu. A Gilda continua nos nossos olhos.
Há muito tempo que não passo na rue Blanche e olho para a minha janela, há muito tempo que me perdi por Bruxelas. Por tantos sítios.
Hoje morreu Glenn Ford.
 
 
Há cerca de trinta anos por meados de Setembro, durante vários anos encontrava-me por estradas de Espanha e França à boleia (estórias com as suas aventuras e pensamentos no prelo, à tempos...) a caminho das vindimas.
Foi o meu segundo contacto com o fruto, após o 1º que é a fruta e o seu "sumo".
Tempos duros, agachado ou de balde às costas, durante três semanas ou um mês ganhava o dinheirito para o ano seguinte, jogando com a inflacção, galopante de então.
Já tinha apanhado umas camadas, embora não recorde nenhuma de tinto. O Porto, que só mais tarde descobri que era feito com só com açucar e exclui do meu cardápio, e o whisky que aprendi a moderar, haviam até aí sido os favoritos para a fartação.
Com o passar dos anos, e o refinamento que vem com a cultura do tempo, penso que me tornei um razoavel apreciador de aguardentes, whiskies, e outros.
E claro ainda mais do tinto.
Saber-lhe a cor, cheirar o mosto chamado buquet, passá-lo pela língua e encher-lhe a boca. Gosto de vinho, de bom vinho, embora quando socialmente seja capaz de beber algum menos bom.
Mas aprecio um bom vinho, no seu contexto, e no quadro da sua produção.
Hoje venho referir que o Alentejo tem um novo produto de alta qualidade.
Barrancos pode orgulhar-se do vinho que produz.
O Manuel Chamorro, com a ajuda do filho João, está a propor ao mercado, este ano substancialmente melhor que o anterior, um vinho de excelente travo, de optima textura, de odor inesquecível, agarra quem o bebe.
Com uma produção de 3.000 garrafas o BARRANCOS é uma verdadeira pomada.
Tem um sítio para saber mais:http://www.barrancos.blogspot.com/
Há cerca de trinta anos pelas estradas do sul de França à boleia caminhava para Bordeus...
 
Saturday, September 02, 2006
 
Estive imerso na tradição.
Durante esta semana, além de outros tópicos gastro.vínico-culturais de que falarei em futura "posta", estive imerso na tradição.
As festas de Barrancos correram sem outra história que a da água que corre (salvo o tonto do Rego, da Sic, que se enganou e enganou quem o viu mais uma vez! Não há quem corra com ele?), com as estórias dos encontros, desencontros, copas, toiros, e bailes, e um conjunto excepcional, "exquisito", (Aquamarina) a encher de som a praça ritual.
E para uma conferencia adiada produzi uns tópicos que aqui deixo...

A Tradição é o Povo!

Delenda Cartago, assim começava todos os seus discursos no Senado de Roma Catão, o Grande. Destruamos, pois Cartago:
Delenda Cartago é também um código, um código de comunicação.
A linguagem é a nossa 1ª tradição.
Tradição literalmente quer dizer transmissão (do latim traditio) ou entrega (do latim tradere)
Nesta, com esta, criamos a realidade, damos vida ás coisas, construímos as ligações e continuidade. Sabemos que cada língua, cada fala encerra significados que só existem nessa, tem significados que em mais nenhuma se podem traduzir, pois traduzir é trair o objecto que se nomeia, Numa outra palavra, Numa outra língua.
A fala barranquenha, com o acento do tempo, com a estrutura de gramática antiga, com o seu pontuado de palavras e expressões que vêm de outros tempos do tempo, é a nossa 1ª tradição.
Hoje a defesa da língua, a defesa da fala, é a manutenção da memoria e da tradição que é também esta.

A tradição é pois também a história, as estórias reais ou inventadas que fazem a nossa história.
A história são também as invenções que ao passarem de geração em geração ganham o estatuto de verdade, pois alicerçam a vontade do povo em continuar a fazer futuro.
A história da Europa tem por base uma lenda, do rapto desta, filha de Júpiter por Minos, o toiro sagrado.
A história da Europa, da Europa do Sul tem a continuidade das estórias com toiros, com as suas diferenças, com todas as suas continuidades, das chegas galegas e transmontanas, ás esperas ribatejanas ou bascas, da capeia beirã, à corda dos Açores e no interior da Península.
Essa história também tem a ver com a religião, com o sagrado que se associa ao toiro, a partilha do corpo e do sangue, o tempo ritual dos ofícios, os três tempos a que se associa o outro da partilha do abraço em torno da mesa e do espírito que nesta, por esta para.
A tradição, em Barrancos, é também esta mescla de histórias da estória, as festas em Honra de Nª Srª da Conceição não podem existir sem os vários rituais que se estruturam em Sua Honra.
Bem, muito bem esteve o nosso saudoso Padre Agostinho quando sem hesitação se colocou ao lado do povo, em defesa também da Honra da terra e da sua Padroeira.
O ataque às festas de Barrancos foi feito em nome dos demónios de uma nova Inquisição, em nome da religião do fanatismo que hoje quer transformar os animais em sagrado e os coloca no patamar da humanidade.
Foi feito em nome da cultura obscurantista do Viva la Muerte!
Pois a eles respondemos: Não passaram. No passarán. Nunca passarán!
As festas de Barrancos são feitas em nome da vida e da continuidade renovada do povo.
A história, o tempo desta no presente onde vivemos e inventamos as estórias é o 2ª tempo da tradição.

Esta tradição assenta noutra realidade. No território, na sua ocupação, no trabalho que é feito para o construir e assim nos fazer homens e mulheres a transformarmos a vida.
O território de Barrancos tem uma história real. De ocupações primitivas, de terrenos de caça e refugio há muitos, muitos milhares de anos, que deixaram marcas, símbolos, de pedras e espírito, e talvez se venham a descobrir desenhos, esboços de toiros, do antepassado do nosso, já na altura base da alimentação, da festa e da humanidade, como nos explicam os maiores da filosofia ibérica e mundial.
Tartéssios, celtas, romanos, visigodos, semitas terão passado por aqui, e outros que não o mitológico Viriato, aqui terão feito cama e construído, memórias que também alicerçam a nossa, as nossas tradições. Das minas, que ponteiam todo o nosso espaço, aos elementos de continuidade da agricultura e ganadaria tudo nos conta o passado e tudo é presente, hoje.
Dos Cavaleiros do Templo, aqui transformados em Ordem de Avis, herdámos a tolerância e a diversidade que é a terra de acolhimento que a partir do século XVIII constitui a Vila, hoje Concelho de Barrancos.
O isolamento reforça os laços, estrutura a cultura, identifica-a.
Esta é única e como tal é defendida, pelas instancias do património nacional e internacional. Mas esta só pode ser defendida, antes do mais, pelo nosso povo, pelos amigos que nunca nos faltaram, por todos os que sabem que não se pode aprisionar a alma, nem a justiça, nem a vontade imemorial, que se continua.

Tradição é a fala que nos comunica, a história que nos estrutura a memoria, e o território onde trabalhamos, que trabalhamos para extrair pão e vinho. E o conduto para a miga, e o caldilho, no seu tempo, e o acompanhamento que houver para o gaspacho ou a batata.
A comida, o que comemos também faz e continua o povo.
E no mês de Agosto a carne de toiro para acompanhar as festas, o ritual de vida que com devoção à Padroeira, com respeito ao animal que dá sentido na faena à vida, nos cantares e nos bailes, no flamenco ou por entre copas,
no final de Agosto o petisco do animal que é símbolo e continuidade da vida, na sua morte, é uma parte imprescindível da tradição.
Podemos, penso que devemos, traduzir, pensar e repensar a nossa tradição, que é a nossa razão de ser, existir e continuar.
Podemos rever alguns aspectos, podemos modificar outros, mas a sua essência, o seu significado vital não se pode alterar.
É que a tradição é o povo. E o povo não pode acabar.
Viva Barrancos.
 
civetta.buho@gmail.com

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