insignificante
Wednesday, November 30, 2005
 
Por vezes o mundo parece andar à nossa procura, tal o frenessim dos acontecimentos.
Uma amistosa conversa levou-me até à Serra Amarela, um almoço continuou uma amizade que como os filmes depende dos ângulos de corte, mas que sabe o enredo; e a ver a lagoa, a nossa maior costeira, onde sopra sobre o coração trabalhei um texto do Manolo Montalbán.
Comecei um texto sobre contrabando, com uma busca de fontes para confirmar os dados desse; e até de madrugada com gente do meio estivemos a discutir as leis, a sua execução e a vida para além desses e desses que a fazem ou implentam.
Tudo isso e ainda mais livros, novas tecnologias, e organização de trabalho para Janeiro.
Pelo meio dicas a sindicalistas e propostas de novos projectos.
Dormir umas horas e também ir fotografar a prostata que o passar dos anos não pedoa a biologia.
Um jantar num tasco fabuloso em Caldas da Rainha com um velho amigo, como são as várias amizades que das Caldas se tem formado, espessas como antigas, novas na sua cristalinidade.
Lembro-me o Umberto Eco que contabilizava o tempo e via que ele não cabia dentro do tempo todo que passava, e como lhe faltava tempo no tempo que passava...
Pois o meu destas últimas 48, 72 horas se o fosse a pôr em plano dava para uma semana.
E ainda uns cafés para tratar de uns problemas de empresa e uma hora mais ao telefone a resolver um erro de facturação. E também mais um capítulo do sempre inspirador Darwin, que tem sido prejudicasdo por outros compromissos da vida, a renovar-se.
A talhe de foice isto foi uma parte deste últimos e febris dias. E houve também política e piscares de olhos, e meditação.
Envelheço, perco tempo sem tempo para nada. Almoços acumulam-se na agenda, jantares apalavram-se para calendas, reuniões para 15 dias, orçamentos atrasam-se, textos encalham em espera.
Amanhã mais uma corrida, mais uma viagem. A vida não pode parar. Confusos?
Amanhã será outro episódio, e sopa!
 
Monday, November 28, 2005
 
A Serra Amarela bordeja a aldeia de Vilarinho da Furna.
Da sua ruína saiem os sons milenares das muitas gerações que a fizeram, que moldaram este espaço, nele deixaram as suas respirações e marcaram com as suas impressões, sinais que o tempo continua.
Recordo a duas ou três vezes que fiz o caminho até a antiga aldeia. A primeira vez em 1974 ou 1975, em que tive que controlar uma terrível tontura pois fomos a salto por um paredão com 20 cm e 40,50 metros de altura.
O granito das casas e as areia onde enterrávamos os pés, o ruído telúrico e sagrado que saía das ruas ainda visíveis da aldeia, as memórias que aí se sentiam, penso que foi uma coisa que me marcou para sempre.
Voltei aí várias vezes. E voltei aí em espírito quando me empenhei pela diminuição da cota de enchimento da barragem do Torrão, e quando estive ao lado dos habitantes do Lindoso contra a repetição do despossuimento e pelo menos por indemnizações justas pela destruição do seu espaço de vida.
Aqui e ali tenho estado em Vilarinho. No Vale sagrado do Côa conseguimos salvar a memória, sangue do passado para o futuro. Hoje vejo com apreensão o Sabor.
Quando passo, atravesso o Guadiana sinto o meu Vilarinho, nas pedras, memórias gentes deslocadas, em nome de uma tonta ideia de progresso que traz girassóis, algodão e algum turismo e que perde o território, o vinho, o montado, o turismo sustentado e com futuro.
Sinto que a seiva granítica que Torga cantava, “esse mundo sagrado/ onde a vida era um rito demorado/ e a morte um segundo nascimento” vai sendo afundada, por todo o país vai sendo afundada, se vai esvanecendo.
Mas sei que há gente que procura evitar o inevitável, corrigir o que está mal, melhorar o que é possível.
Por todo o país, apesar de “reformado” dos activismos sociais vou acompanhando, escrevendo ao aconselhando os poetas da realidade, como posso e sei.
E vou encontrando, cruzando, entrelaçando cumplicidades, criando divergentes, lutando contra peregrinas ideias politicamente correctas em nome de principios.
Este longo texto para falar de um homem de um velho granito, o granito que fazia o velho povo, o granito que molda a terra e moldou as gentes de Vilarinho, de Vilarinho da Furna.
O Manuel Antunes é esse homem, que continua a lutar pela memória e o futuro dessa de Vilarinho.
E que me acompanhou noutros Vilarinhos, com a sua experiência e com a sua disponibilidade de galego granítico.
Hoje chega-me às mãos a sua recompilação Vilarinho da Furna, testemunho de um activista incansável, de um polemista vibrante, de um estudioso dedicado.
Li o livro, de fácil leitura, de um trago, como fazemos nas vendas acompanhando um troço de presunto e um pezo de broa.
Voltei a sentir no desfiladeiro, voltei a sentir o vento com os murmúrios dos habitantes, dos séculos de habitantes de Vilarinho.
Quem quiser sentir, perceber, quem quiser ler opiniões heterodoxas sobre conservação da natureza ( e tantas com ele partilho, como a broa e o vinho, com o Manuel Antunes) leia “Vilarinho da Furna”, memórias do passado e do futuro, que mereceu (o que a honra!) da CPADA o prémio Fernando Pereira.
Para o Manuel Antunes, para a sua luta e continuidade, toda a minha estima e afecto.
 
Saturday, November 26, 2005
 
O campo está algo verde, mas a água continua insuficiente. A boleta este ano perdeu-se e com ela baixará a qualidade (os ácidos boleicos) do nosso porquinho. Esperamos que o ano que vem seja mais esperançoso.
Dois factos marcaram este dias de terra e de campo. O enforcamento público de dois homosexuais no Irão. Inqualificável barbarie, o regresso aos tempos de Inquisição que se continua em religiões que vivem do e para o ritual e esquecem o sagrado da vida.
Quem também esqueceu o sagrado da vida foi o Francelino que se imolou pelo fogo no Pará, em defesa do Pantanal. Incompreensível e certamente resultante de ato (ou acto!) alucinado, dado que os mecanismos legais estavam todos a favor das suas posições e era ( e foi!) altamente improvável que os desenvolvimentos que ele contestava se venham a verificar.
As religiões são de facto momentos terríveis de construção de identidades colectivas e de arregimentação de seguidores sem espírito e contra Ele.
O Fogo Sagrado de Régis Debray é mais uma notável pedra na construção do homem, que vé a sua sarça a diminuir a combustão, turvada por todos os fanatismos, coagida por todos os rituais.
Fui buscar à prateleira a Psicanálise do Fogo, de Gasto Bachelard. Irá acompanhar o meu lume...
 
Wednesday, November 23, 2005
 
Lisboa, alguns locais de Lisboa tem uma magia especial. Campo de Ourique , aldeia a fugir da mega urbe, a zona da Praça de Londres, os jardins aqui e ali com esplanadas, o Rossio e a sua universalidade, com Maximiliano a assistir do México o olhar, fazem parte de um tempo em que havia tempo para ter tempo. Sorrisos cruzam-se olhares magiam-se, pessoas passam. Assim que o sol rompe o espaço é ocupado. Situações imprevistas, encontros inespirados, reencontros ocorrem.
Como as espécies ocupando o seu nicho, o imaterial olha o transitório e continua.
 
Tuesday, November 22, 2005
 
A reunião sobre Mudanças Climáticas, no Canadá, enche o meu mail de interessantes artigos, remissão para estupendos e assustadores sites, relatórios e uma pafernália de opiniões e artigos.
Informação, documentação e acção.
E quando é sobre aquilo que nos interessa o tempo consome-se. Também O Fogo Sagrado de Régis Debray me distraíu o tempo livre ( mas será que todo o tempo não está livre?) de outras leituras e lazeres. O livro abre um buraco no conhecimento e recupera mitos, rituais perdidos na arca do tempo (afinal será aí que ele está prisioneiro?)
O tempo, o outro tempo parece que está mesmo a mudar. Hoje um dos relatórios que li teria impossibilitado,impossibilitará o regresso anual dos druidas a StoneHenge...
A humanidade está a brincar com o fogo, nada que John Gray, nos seus Straw dogs não tenha descrito... e continuado.
As leituras afastam-nos da realidade. As leituras trazem-nos a realidade. Onde está a realidade?
Será que essa não é também uma invenção?
Hoje um popular dizia-me no autocarro...já há Pais Natais por todo o lado, isto está tudo louco... E nós também,já fora do tempo (mas por onde anda esse tal tempo?) hoje despedimo-nos desejando bom Natal.
O ceú caíu-nos sobre a cabeça. Ou é do tempo.
Ou pode ser da prostata, que já se ecografa!
 
Monday, November 21, 2005
 
É dos manuais, quando há um golpe para um lado há sempre que contar com um contra golpe. Sun Tzu já o explicava.
É importante, pese o texto simplificador em demasia e com especulações desnecessárias e confusões históricas, que o texto O Mistério da Camioneta Fantasma, seja agora representado na Barraca.
O texto de Heldér Costa tem, por vicios de ideologia e defeitos de pouca exegese histórica, alguma demagogia e algumas "invenções", mas não deixa de ser um notável documento sobre um golpe e contra golpe ignorado nos nossos manuais e história e nunca aprofundado até à verdade.
Parabéns à Barraca e ao Helder pela coragem desta peça, que é pena que,para além dos problemas referidos, não tenha um elenco à altura.
Os actores jovens e com um imaginário de telenovela dão um trato demasiado leve aos personagens. Salvo o grande João Ávila e algum outro.
 
Friday, November 18, 2005
 
Há sempre um lugar onde criamos, recriamos o fogo sagrado, será o lugar onde inventámos o divino? será o lugar onde ouvimos o gemer do azinho a aquecer-nos os ossos e a lembrar-nos de outros azinhos? será o que não sabemos que sabemos a ocupar o lugar para onde seguem maquinalmente os nossos dedos, o nosso olhar?
Vendi a minha quota numa empresa, visitei a minha prima mais velha, comprei o livro do Régis Debray, sobre esse fogo que nos persegue ou acompanha..
Li mais um relatório sobre energias e fui a uma interessante conferência sobre eficiência, fiz uma dúzia de telefonemas para preparar o trabalho que se reiniciará a partir do momento em que os dias se maiorem.
Vi o Jardineiro "permanente" e voltei ao Quénia e a todas as histórias que escrevi, que vivi entre Nairobi e o Kilimanjaro.Onde andarão essas histórias? Onde estarão?
O tempo passa e vemo-lo passar, e nos.
A memória luta contra o esquecimento e o futuro desse, que é desse.
Quanto tempo é quanto tempo? Quanto é quanto?
Há sempre um lugar onde criamos, recriamos o fogo sagrado.
 
Thursday, November 17, 2005
 
A questão das línguas, nacionais, veiculares, natais, dialectos, crioulos, abastardamentos, e o papel destas na representação do mundo, do real e do imaginário, e na formação das comunidades e pertenças é um assunto vasto e polémico.
Ontem o jantar foi animado e por entre apartes e veemeências a unica coisa que concordámos foi desacordar, ou seja nãocordar, como podemos, poderíamos, pudemos gramaticalmente (Chomsky) palatar (diversificar do normativo).
É claro com as Nações Unidas, a sida, o quibundo e o swaili pelo meio, tudo se torna mais emotivo...
Foi uma noite, um jantar, um copo agradável.
É que palavras são também cerejas que o vento leva, à escrita...n
 
Tuesday, November 15, 2005
 
A terra está coberta de vida. A água encheu os milhões de plantinhas que a esperavam de vigor e eis que o campo se esperança.
A boleta talvez ainda engorde, para gáudio dos que a hão-de comer.
A terra, o campo está, outra vez verde.
Fugaz visita à terra, sempre a correr, sem tempo (mas tempo, tempo quem sois?) para estar, passar com os amigos, mas ainda para numa fugida a Zafra, para colher uns Monte Cristo 4 e 5, encontrar dois ensaios do Manolo, Vazquez Montalbán, um sobre a ocorrência da escrita e outro sobre "comidas".
Dois temas que refastelam.
Começo a compôr e desejar as minhas leituras de Natal.
Ontem acrescidas do 1613, livro escrito (quem diria?) pelo meu amigo e ex colega e vizinho Pedro Vasconcelos.
8 ou 9 livros já se enfileiram, no preparar da lareira.
 
Saturday, November 12, 2005
 
Do meu longuinquo parente Ary dos Santos , hoje, a comemorar o S. Martinho:

Na Praça da Figueira,
ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono,à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.

É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.
Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.
Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.

A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante;
é como se empurrasse o nevoeiro.
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.
 
Friday, November 11, 2005
 
Hoje passei pela Faculdade de Letras onde, com o iberismo, terminava a colóquio sobre as identidades e pelo ISEG onde se discutiu a responsabilidade empresarial, num interessante seminário onde o meu velho amigo Zé Luís apresentou o seu trabalho e os modelos/cenários para o futuro.
A realidade dificilmente encaixa neles mas estes são construções teoricas que balizam o futuro.
Futuro que amanhã em Lisboa vai ser dedicado à idolatria pagã de uma imagem, idolo/ senhora consagrado de um imaginário delirante.
Como explica num dos últimos números da revista de psicologia a religião é uma criação de uma área específica do nosso cerebro sujeita a manipulações e receptáculo das mais vaiadas visões.
A religião é um refugio desse imaginário convertido e materializado nas imagens que são adoradas para nos satisfazerem o espírito.
O nosso, independente de qualquer outro que possa existir, mas que até agora não se manifestou.
Haja deus! Haja deus!
 
Thursday, November 10, 2005
 
Numa altura em que vates do nacionalismo mais serôdio, voltam a soprar sobre os nossos tempos esta conferência "Nação e Identidades", organizada pelo Centro de História da Universidade de Lisboa vem em boa hora.
Seria útil que como seguimento se desenvolve-se em áreas específicas, a história do direito, a linguistica, que se aprofundassem os temas nesta conferência debatidos e que esses seminários específicos tivessem interdisciplinaridade, porque não há verdades nas identidades, mas processos, e referências destes.
Hoje o painel era sobre religiões.
Lamentei que ou por esquecimento ou por desvalorização, dado esta ser vista mais como objecto de antropologia, a mais antiga religião da Ibéria, que nos estrutura, assim como a latino-américa e territórios de alteridade do Sul de França,
a religião que nos remonta aos Tartésios, que é refinada com integração de elementos semitas, que é oficiada no Al Andaluz, em Toledo das três religiões e no reino Visigótico, após ter sido religião de estado no Império Romano,
a religião que se liga, religa durante a idade média à emergência do cristianismo e que no século XVIII é o principal elemento de identidade dos povos, base do surgimento de elementos identitários (o fado, procissões, etc), a religião que ainda hoje é marca, com as suas especificidades das regiões e dos povos, que continua a resistir e a ser oficiada com regularidade e muitas vezes imbricada no catolicismo popular,
lamentei que o mitraismo não tenha merecido apresentação.
O mitraismo, hoje muitas vezes deslocalizado da sua lógica religiosa continua a ser o elemento central da identificação da Ibéria, das várias Ibérias deste mundo, e é ele, a partir dele que podemos ter uma valência específica na Europa.
O meu colega e velho amigo Sérgio Campos Matos mostrou disponibilidade para desenvolver esta aproximação, em futuros espaços de discussão. Eis o espírito cientifico no seu melhor. Tese, dúvida, contradição, aprofundamento, discussão, tese. E novamente...
 
Wednesday, November 09, 2005
 
Fui hoje a um interessante seminário sobre identidade(s), na Faculdade de Letras.
A discussão sobre estas tem um quadro largo de referência, desde os matizes culturais e linguísticos aos da organização do território e estabelecimento nesse de "nacionalidades".
Chegam-me às mãos, ao mesmo tempo, uns textos de Fernando Savater sobre liberdades e nacionalismo...
A forma de percepção da identidade e os filtros que a partir desta, ou na sua construção se estruturam ( raça, religião, invenção "histórica") são elementos que cada vez mais devemos ter em conta ao analisar as nossas sociedades, e os seus determinantes.
Todos eles devem, deveriam submeter-se aos principios republicanos, no quadro do Estado laico.
Infelizmente hoje, cada vez mais, os principios vão-se afundando, sepultados pelo irredentismo e a comunicação social "desse".
 
Monday, November 07, 2005
 
Diz-me o que lês, dir-te-ei quem és...
Lembrei-me desta referência, agora quando arrumo os livros dos últimos 15 dias, durante os quais fiz dois mil quilómetros para fazer instalações informativas e arrenguei numa conferencia e organizei os póximos tempos, além de ter escritos três artigos.Pois nestes últimos 15 dias as minhas leituras foram:
2 livros de "história", um religiosa e conventual, de Alfredo Saramago outro de Luís Eloy sobre a formação e evolução da Magistratura e Direito Penal, paralela e sincrona com a constituição da nação (seja isso o que for!).
A Origem das Espécies, fabulosa obra de Charles Darwin, sobre tudo.
O Moleskine de Sepulveda, livro de muitas viagens.
Um delicioso livro de Will Eisner, sobre a intolerância, a história e a política desta.
Um curioso livro de gestão sobre os meios e o caminho destes para os fins de Ricardo Vargas
Um texto notável de Fernando Pessoa sobre a língua portuguesa, que nos descobre e faz reflectir sobre nós.
Uma obra, só iniciada, há que dizê-lo, sobre a cultura e a arte do toureio.
E umas tantas revistas de história, ambiente e cultura, além da recolha diária de jornais sobre energia e ambiente, e o da praxe, mais os mensários e semanáriuos sobre política internacional.
Tenho na carteira um livrinho sobre Energia e outro sobre a Língua do Brasil, e dois romances históricos, que penso ficarão para o Natal.
Diz-me o que lês, dir-te-ei o quê?
 
Saturday, November 05, 2005
 
Lembro há alguns anos do protestos dos italianos em relação com o tamanho, uniformizado e com logo da UE, do perservativo.
E lembro-me deste episódio a propósito da surrealista decisão a impedir os menores de 18 anos de ter relações sexuais.
Fantástico. Pois então na altura, a partir dos 15, nalguns casos 14 anos, quando o caldo hormonal está em ebulição só onanismo...
Perfeito disparate e ainda maior quando acrescentam que a não ser que seja consentido...mas se não for consentido é crime, violação, estupro!
Logo é absurdo essa definição.
Cada caso é um caso e legislar o que tem a ver com a vontade, o corpo, quando a consciência desse é adequada, é um perfeito disparate, que só nas cabeças de burocratas sem alma e, pelo visto, sem memória do corpo.
assim não sefaz Europa!
 
Thursday, November 03, 2005
 
Enquanto vou mastigando lentamente, para que o suco seja assimilado, "A origem das especies" obra mestra do conhecimento, de Charles Darwin, agora editado pela Europa- América e entro na Boa Vida Monástica de Alfredo Saramago, que me foi ofertado pelo António Lampreia e que é mais uma edição da Assírio e Alvim,
enquanto olho, e me espera, na prateleira a Historia del Arte del Toreo e a língua portuguesa, também do F.Pessoa, vou ainda digerindo o Moleskine do Sepulveda.
Isto, e jornais e textos tecnicos da minha arte, vai enchendo e transbordando o meu tempo.
O Eco está presente na sua admirável parábola sobre esse e como ele se encolhe e estica, qual quarto do B.Vian.
Há dias assim chuvosos que passamos o tempo a olhar a chuva a bater na janela e a imaginar chá e torradas. E uma lareira a crepitar.
 
Wednesday, November 02, 2005
 
Uma árvore pode esconder a floresta... Já aqui falei do amigo do Isaltino, o Jorge "Coelhone".
Sem admiração, a não ser pela demora, leio que a Judiciária já o tem à perna.
Será que tenho informações que mais ninguém tem? Será que sou mais esperto que os média, enfiados em aves, e o ministério público, enfiado na sua própria ineficácia?
Há dois meses o Cometa, de Itabira (com transcrição aqui no blog!) já tinha (será que foi um scoop? mundial?) denunciado este senhor e as suas "amizades".
O "mundo" está de pernas para o ar...e não está a fazer nada de bom...
E o pior é que, como estão todos feitos uns com os outros, isto tudo nem sequer vai dar mãos limpas...
 
Tuesday, November 01, 2005
 
Hoje tive ocasião de assistir em directo, pela CNN, ao discurso, ao longo mal soletrado e repetitivo discurso de G. Bush sobre a gripe das aves.
Notável como num momento em que a sua popularidade está no zero, quando enfrenta enormes problemas internos e a nomeação de mais um amigo para o Supremo, como com este passe de mágica consegue desviar as atenções, todas as atenções, lançando o panico, o pânico total.
E mais consegue pedir 7.1 biliões de dolares ao congresso para instalar uma teia de "big brother" sobre todos os cidadãos que TEM que ser
vacinados,
e consegue desregular o sistema de licenciamento das indústrias farmaceuticas (fazendo parecer altruísmo!), e com aquele ar de prisão de ventre encomendar os americanos às mãos de deus.
Notável que não haja uma palavra sobre as origens e desenvolvimento deste vírus e que tudo (sabendo o vírus de incultura que domina os USA)
seja feito como se isto fosse um filme de terror em que os americanos só podem confiar nele e na sua administração.
A racionalidade, qualquer racionalidade esvaiu-se, e agora que apareceram uns patos com o vírus (terá sido mesmo? poderão estas aves fazer estes trajectos doentes?) no Canadá, a histeria vai também dominar os States.
Como aqui já escrevi, penso que este vírus é empurrado (independentemente da sua origem) pelas multinacionais farmaco-químicas ( e a facilitação dos licenciamentos por Bush mo confirma).
E acho absurdo este investimento 7,1 biliões são cerca de 6.8 biliões de euros (6.8 mil milhões!) quando conforme hoje vem referido nos jornais contra os 53 mortos por promiscuidade galinácea temos 6.000 africanos, pelo menos, sobretudo a morrer diariamente com malária.
Haja deus, e ele não se limite a protegar a América!
 
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