insignificante
Thursday, December 31, 2009
 
De partida, ontem foi dia de pequenas leituras, um Eco/Carrière com interesse bibliográfico, um Sepulveda que é uma sombra do que foi um romancista, um Blake e Mortimer (que mais valia deixar-se de "denários") com argumento débil e excelentes desenhos.

E um jantar prolongado com muito tempo a correr nele, e tempos desse tempo a continuarem-se, para o futuro.Recebo o #Lisboa Triste e Alegre# com emoção, só compaginável com a estima e amizade por este passado que acompanho a crescer.

E vou, agora, continuar o #Juif Inventé#, que já está a chegar ao fim, com os #Desaparecidos# e o 1º tomo da Lisboa do Sarmento Matos, com um Withman e uma banda desenhada famosa sobre o Holocausto a (Magneto) acompanhar.

Vamos entrar num ano perigoso,,,
Que façamos o que fizermos, com pensamento e sentido.
Paz e saúde para todos.

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Tuesday, December 29, 2009
 
Hoje aconselho arroz de pato, biológico e sustentável.
Num momento em que mais uma notável peça nos recorda que a hominização se dá por termos passado de frutívoros, agarrados ás arvores e a elas trepando, para caçadores, e com tal alteração do código alimentar e subsequente expansão do cérebro, capazes de sociabilidade e organização, é com gosto que também num ano para o qual preparo livro sobre "condutos", aqui deixo o arroz de pato, que resulta do cultivo do cereal articulado com o seu acompanhamento, na mesa.
Muitas estórias estão ligadas à forma como organizamos o território....

http://www.youtube.com/watch?v=pdS_F1MuFug

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Sunday, December 27, 2009
 
Excelente documentário sobre o montado de sobro, onde aparece todo o Alentejo, e até Barrancos...(*)
A defesa do correcto embotelhamento do vinho é absolutamente necessária, também para proteger o ciclo produtivo de vida que é a gestão e o manuseamento dos montados, o de sobro e o de de azinho que dá o acompanhamento "ibérico" para o vinho.
As maravilhas da natureza, perservadas graças à humanização do território e o que comemos e bebemos desse aqui num documentário ao nível BBC.
A ver com saboreio...

parte 1: [1]http://www.youtube.com/watch?v=asVcm7cTEYg
parte 2: [2]http://www.youtube.com/watch?v=-5jr55kMRU0
parte 3: [3]http://www.youtube.com/watch?v=Mewhc8o8K-w
parte 4: [4]http://www.youtube.com/watch?v=QZexDNzhw-k
parte 5: [5]http://www.youtube.com/watch?v=0cKvchhpBoU

(*) Quem me indicar primeiro onde aparece Barrancos receberá um exemplar do #Navegar é Preciso#

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Ontem vi o fantastico filme(em dvd) de Leni Riefenstahl #O Triunfo da Vontade#.
Excelente de todos os pontos de vista.
1- Como estética cinematográfica, os planos, os cortes, as filmegens e os seus ângulos (Hitler filmado de baixo para cima, a profundidade de campo, os travellings, as caras e expressões, a sessão do congresso do partido nazi tudo a lembrar os Eisenstein e Vertov da época e com paralelo nos 1ºs Bunuel). Uma obra prima do ponto de vista da linguagem cinematográfica.
2- E também uma obra prima do ponto de vista político-ideológico pretendido, sabendo hoje, tendo hoje outros códigos de referência não podemos deixar de sorrir, amargamente e dolorosamente, face à lógica da manipulação e ao ambiente propicio a esta que a encenação de todo este ritual, paradigma de religião, encerra.
É para nós inacreditável hoje o simplismo barbaro e sem qualquer coneudo dos discursos de Hitler, que repisa conceitos vagos e no meio introduz recados e formata o pensamento racial/messianico.

E perceber a lógica do pensamento totalitário, os seus elementos de manipulação (o recuo da élite do partido em relação ao líder absoluto, que podia ser também Staline, ou outro qualquer, sendo que da idolatria deste nasce o poder da casta), e o martelar do passo colectivo e dos Sieg Heil, dominantes.
Hannah Arendt fez um dos diagnósticos. Face à massa não é possível sermos senão outro.
Um épico, que nos mostra uma enorme cineasta, obviamente comprometida com a ideologia que a leva a estetizar o mito, sem que por esse facto lhe devamos deixar de referir esse apreço.

E já coloquei na banca os próximos livros para o fim do ano, depois de uma #Praça da Fruta# (do meu amigo Carlos Querido) me deixar muito desconsolado no que toca o romance(fraco, muito fraco) e interessado no levantamento histórico (interessante!)vou, talvez com o último Sepulveda a intercalar, atirar-me finalmente, agora que aceitei o convite para integrar o "Comité Nacional de Apoio português ao Tribunal Russell para a Palestina", ao #Comment Le Peuple Juif Fut Inventé#, de Shlomo Sand e #Os Desaparecidos# de Daniel Mendelsohn, numa época que fica marcada em torno de uma afirmação identitária.
Fica o #Ancestor's Tale# de Richard Dawkins na espera de outras pausas... quem sabe nos tempos mortos/vivos.

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Friday, December 25, 2009
 
Talvez fosse da humidade, choveu até horas antes de acender o lume, talvez fosse do facto da madeira ser verde, ao que me dizem de árvores boas que tiveram que ser abatidas para a construção do novo quartel dos bombeiros,talvez fosse o espírito aborrecido por terem começado a missa do Galo (quem terá sido o malandreco da ideia?) às ...11.30, talvez o velho das barbas que anualmente dá sinal no #lume# quisesse reforçar a ideia que o próximo ano vai ser mau, muito mau, o que é um facto é que o lume não ardeu como é habitual, embora a animação dos zambombeiros tenha sido infatigável e até ao meu recolher, passava das 2, a praça tenha estado animada.
Sou dos que leêm, talvez herança da minha avô, duplamente Garcia,o futuro no fumo do #lume#.
Este ano estava sombrio, muito sombrio, embora saiba que são os homens e mulheres que o fazem, também.
Para todos os do #lume# e todos os de outros que fazem a vida os meus desejos é que o cavaleiro do apocalipse que irrompe do nevoeiro, não traga nenhum das suas maldiçoes, a peste, a guerra, a fome, a morte.
Talvez o tempo, talvez as leituras,,, este tempo está sombrio.

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Thursday, December 24, 2009
 
A condizer com o colocar em dia leituras e pensamentos, em face de um ano #estranho# que se aproxima, ou talvez seja só o lume que está muito húmido, conclui “Os Factos da Vida” de Graham Joyce, que o meu bom amigo Luís da Ler em Campo de Ourique me havia recomendado há anos.
Entrei nele com muita dificuldade, por razões fáceis de conhecer.
Quando o livro nos agarra é uma leitura explosiva, um reverso para o anterior...
 
 
Les Bienveillantes, de Jonathan Litell

Acabei a leitura hoje.
É um dos melhores livros que já li, e foram muitos.
A história, a filosofia política, traços de romance de escrita poderosa, psicologia social e caracterização de personagens densa.
As 900 páginas foram lidas por fases, o livro o requer na sua dureza cruel.
Será re-lido daqui a uns tempos, que este livro é uma vida e nele o horror é a indiferença.
Sem sombra de dúvida é o grande livro para perceber e desmontar o nacionalsocialismo, mas também a lógica do poder em si e como este é uma realidade em si mesma, que condiciona, mais ou menos, os cidadãos.
O peso da educação torna-se arrasador para perceber as razões da psiqué e de como a ideologia de massas se estrutura e leva à total demência.
Um livro sobre o século XX e sobre todo o pior horror deste.

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Monday, December 21, 2009
 
Este é um tempo de pausa, de leituras, menos este ano, intervalado por pequenos compromissos (ler o que é suposto vir a ser uma monografia sobre Goa, muito desigual e a necessitar de reformulações), e uns documentos sobre o clima e energia.

Li # O Crepúsculo do Dever # do Gilles Lipovetsky , livro que prova que hoje a velocidade do tempo esgota rapidamente as mais elaboradas reflexões, sendo que sobre os temas liberais nos dá um reforço de argumentos, alguns já idos com o vento.
Não foi uma leitura estimulante para um momento em que precisava de uma que fosse uma renovação.
Novos desafios , desde logo fazer um filme e dar conclusão a uma web page empresarial , na área profissional são estímulos, que não estão neste momento articulados com mais nenhuma emoção.
Dois ou três livros em diferentes estádios de produção também não me deixam prostrado, sendo que 1º há que garantir o escoamento dos 3, 4 últimos.

Irei, no próximo ano, mudar a minha intervenção política.
E estou tentado a outras coisas.
A vitória do António Costa, para a qual me empenhei arduamente, criou um novo cenário, também para os CPLs. Duas vereações, importantes porque em nichos onde a nossa intervenção tem sido marcante, um grupo coeso e com crescente maturidade estou certo que irá deixar referências na cidade e para os cidadãos.
Neste momento julgo necessário intervir no país para contrariar o tal crepúsculo do dever.
Assim como me sinto empenhado noutras pequenas lutas, com os companheiros da A.Z.U., ou no âmbito dos meus compromissos pelos direitos, todos os direitos, onde talvez se vão passar coisas, e onde olhos veêm o fundo da alma.
Mas, como alguns dos meus amigos perceberam, só sei o que não quero e tenho ideias, que esbarram com paredes kafkianas de enredos.
E estou sem ilusões.
Vou continuar #Les Bienveillantes#

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Friday, December 18, 2009
 
Talvez 60/70 pessoas assistiram hoje no Museu do Mar, em Cascais à apresentação do livro #Navegar é Preciso-do Espírito sobre as Águas#, que produzi em colaboração com o Nuno Farinha e Ed.Colibri editou.
Foi uma boa sessão com muitos amigos, apesar do frio e da chuva.

Para memória deixo os tópicos que desleixei com a palavra improvisada:

Thomas Paine. Senso comum. Liberalismo politico

Marguerite Yourcenar, livros e memórias

Rios...
Alviela, Lindoso, Almonda, Torrão/Tamega, Côa, Douro,Alqueva
e outros em que andei metido.

Baleias,Cachalotes Sustentabilidade,Açores.
Pescas, Sahara/Aminatu Haidar

Despejos Radioactivos, Convenção Londres sobre Despejos

Expo 98, Educação ambiental

Alterações Climáticas// Copenhaga e futuro

Em volta desses tópicos falei cerca de 40 minutos, e ainda falei da China e da Amnistia Internacional.

Penso que foi uma boa sessão. E continua.

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A harpa do rei David, a begenna, pelo seu interprete Alèmu Aga foi o tempo ideal para organizar as ideias para a apresentação, daqui a umas horas, do #Navegar é Preciso - do Espírito sobre as Àguas#.
Um som repetido de cordas onde alguma monotonia, reforçada pelo monocronismo da voz e do seu tom são como noutras tradições momentos que propiciam o transe hipnótico e o elevar da mente e do pensamento.
Pena o desconforto da sala...

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Thursday, December 17, 2009
 
Acordei a casa toda abanava, mas o espanta espíritos bramia.
Lá fora os passaros agitados e e cão da vizinha, qual Linus, a arrastar a manta para a cozinha eram os sinais visíveis de que a terra estava zangada.
Talvez um pequeno protesto contra os homens que dela paulatinamente vão dando cabo...
Ou um reajuste das placas tectónicas ou algum suspiro hidro-termal ou vulcânico.
Talvez.
Acordei a casa toda abanava...

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Wednesday, December 16, 2009
 
Fui ver o documentário #Mar Português# de Francisco Manso, realizador já consagrado.
Durante 50 minutos de execução de grande sobriedade, com uma construção fílmica exemplar vimos desfilar as potencialidades dos mares e os seus protagonistas, com relevância para a àrea cientifica.
Saí do filme todavia sem entusiasmo. O filme peca por ser demasiado oficial, quase propagandístico e com momentos de algum irrealismo de ficção cientica.
Talvez já esteja a pensar noutro...
E faltou a outra parte do poema:
e por te cruzarmos quantas mães choraram, quantas noivas ficaram por casar para que fosses, sabe-se lá de quem, ó mar...

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Monday, December 14, 2009
 
Falei 15 minutos para http://www.vidasalternativas.eu/.
Sobre o #Navegar é Preciso# e sobre Aminatu Haidar, que está relacionada, com o tema do livro.
A água, a sobre-exploração da zona marítima e rica do Sahara Ocidental, e o deserto e o recurso de vida.
A vida mesmo e a sua inevitabilidade, e a luta por essa e a dignidade.
Amanhã, daqui a bocado mais uma acção de solidariedade com a activista que pode, que já recentrou a luta pelo direito saharui, e que para continuar tem que encontrar linhas de acção que agora ultrapassem a greve da fome que pode tornar-se um beco sem saída.
É díficil o caminho da não violência, mas esse requer que a luta não se converta no fim em si, o que conta é o caminhar.
O que importa é o resultado e a vida.

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10 anos de memória, contra o esquecimento...
Pediu-me o Pedro Tito, com quem colaboro no gabinete C.P.L. e com quem tenho estabelecido cumplicidades que escreve-se sobre o pai Manuel Tito de Morais, de que se regista hoje o 10º ano do passamento.
Com grata recordação escrevi sobre um tempo intenso e um Homem grande nesse, e o contacto solidário que tive com ele. Há momentos que nos marcam e que temos afecto em recordar.
Aqui trancrevo o que é a minha memória...:
http://titomorais.blogs.sapo.pt/

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Sunday, December 13, 2009
 
Andei a reestrurar o meu sistema informático, com a preciosa e amistosa ajuda do Paulo Soares, da #www.peopleware.pt#, comprar um sistema de back-up, e habituar-me a mais umas modernices.
E tratar de coisas que o fim do ano é um re-início.
Preparar programas e o lançamento do #Navegar é Preciso- do Espírito sobre as Águas#, que feito em parceria com o Nuno Farinha na 6ª feira, pelas 18.30, vai ser apresentado no Museu do Mar em Cascais.
A edição é da Ed. Colibri, e do meu amigo Fernando Mão de Ferro e será apresentado por Helena Roseta.
Outros projectos no ar, filmes, páginas na rede, novos livros se anunciam para o ano. Onde também haverá novidades, na política. Read my leaps!

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Friday, December 11, 2009
 
Aminatu Haidar

Foi bonito ver a Assembleia Municipal de Lisboa votar as duas moções sobre esta activista saahuri em luta pelos seus direitos.
Não há razões de Estado que se sobreponham aos direitos humanos e foi pena ver o P.S. (salvo um deputado que não a aceitou) e o P.S.D. (e com 4 grunhos a votarem contra) absterem-se por calculismos políticos e razões estapafúrdias.
Os votos contra além dos referidos vieram do piorio da Assembleia, uns deputados do M.P.T. e do P.P.M., que nem sequer conseguem balbuciar umas ideias e que invocaram a monarquia para votarem contra, espantoso!, e penso do C.D.S., por razões que conhecemos.
O Bloco, os Verdes, o P.C.P., um deputado do P.S.e os C.P.L,s (arrumados sobre o sindrome de independentes, mas somos nós!) honraram o espírito de solidariedade e o respeito pelo direito.
Quando nuvens se formam sobre a vida de Aminatu Haidar todos somos poucos para gritar com ela pelo respeito dos direitos humanos, o direito à terra, e à liberdade de expressão nessa, por essa.

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Wednesday, December 09, 2009
 
A minha família usou o sanbenito, e foi alvo de denúncias anónimas nos tempos negros da Inquisição.
Ontem gentilmente o comandante da força em Barrancos chamou-me e disse-me que à cerca de um mês que andava à minha procura na qualidade de Denunciado.
Acho esta figura de estilo grotesca.
Irei responder à Procuradoria em Moura, onde qualquer julgamento que me envolva terá lugar.
A denúncia, irei tentar confirmar os denunciantes a que antigamente chamavamos bufos, veiu de Matosinhos.
Hoje em conversa com amigo, ele, recordou-me que conheci aí uns biltres do piorio.
Irei procurar informação sobre os factos.
Alguma da gentalha que conheci, nessa terra que também é de gente boa, é capaz de tudo, até de precisar de um dicionário de português para comprender a vivacidade do estilo que arredonda a nossa velha, muito velha, língua, e que chamar homofobo a um homofobo faz parte... da vida, mas penso que esta situação deve ser algum procedimento que terá que ver com alguma multa de estacionamento...

Post Scriptum
Acabo de ser informado que o inquérito foi promovido por denúncia dos dois reisinhos, machotes de Matosinhos e ao que me dizem ex-membros da Aministia Internacional. Terei todo o gosto em confirmar tudo, tudo o que aqui, neste blog está escrito, e que corresponde à verdade e à sua interpretação

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Já tive que colocar um processo a esta "empresa" Intrum Justitia, por procuradoria ilicita e tentativa de extorsão.
Mudaram os termos em que se dirigem aos cidadãos mas continuam na lógica arruaceira dos cobradores sem fraque.
Recebi hoje uma carta desta empresa sem registo nem nada fazendo ameaças, agora muito veladas, que já lhes devem ter apertado os calos.
Sobre uma suposta dívida que eu teria com a PT (notável até davam o seu número de conta bancária para o pagamento, presumindo que não haveria lítigio...)
Fui ver os papeis.
Datado de ínicio de 2004 tenho um documento, emitido ainda pela Telepac, referindo que não devo nada, e que durante o ano anterior foram emitidas facturas que foram nesse momento anuladas de um serviço do qual eu (conforme documentos também, ainda, arquivados...) tinha, com informação à empresa, prescindido em 2002.
Pois a menina que me atendeu da tal empresa de cobradores (que me dizem que é afinal um mero call center...) depois de eu lhe ter referido isso, com má vontade, desligou-me o telefone na cara. Não quer saber de nada disso. Notável.
Lá vão ter que gastar mais dinheirinho...

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Sunday, December 06, 2009
 
Embora admita que possa não ser a versão final publicada na revista O Instalador, penso que será muito próxima.
Aproveito para felicitar a jornalista Ana Clara pelo cuidado, assim como o Alex pelas magnificas fotos.
Grande Entrevista
Caracteres: 25.000

António Eloy
«As alterações climáticas são o maior problema que a Humanidade enfrenta»


António Eloy, professor universitário de Economia, Ciência Política e Sociologia do Ambiente afirma, em entrevista a O Instalador, que “se não articularmos uma ideia de desenvolvimento com uma perspectiva filosófica de regresso ao Homem, vamos ficar muito pobres”. Para o consultor de empresas nas áreas da Educação e do Ambiente, Portugal devia “apostar na sustentabilidade ao nível da recuperação e da reabilitação” e considera que o território nacional está cada vez mais “degradado”. António Eloy alerta ainda para a necessidade de haver uma “aposta firme e consistente” na área do solar térmico (da água quente solar) e do solar fotovoltaico para habitações isoladas e para pequenos núcleos habitacionais”. Tudo, em nome de uma melhor e maior eficiência energética…


Texto: Ana Clara
Fotos: José Rebelo


Há quem diga que falar de poluição e meio ambiente é falar de economia, com tudo o que isso traz de bom e mau. Concorda?
Interessa a muita gente claro e contraria todos aqueles que vivem da má gestão de recursos. Costumo dar um exemplo muito claro para explicar esta questão: o do rio Alviela. Este é o ponto onde surgiu o primeiro movimento ecologista organizado em Portugal – a Clapa – e é um rio que já teve várias vezes inauguração de estações de tratamento de águas residuais por vários Governos. De cada vez que se inaugura uma nova estação de tratamento de águas residuais diz-se que agora é que o Alviela vai ficar limpo. De facto, neste momento, já não há no Alviela, como houve nos anos 70 e nos anos 80, grandes perturbações com espumas, altamente contaminadas, nomeadamente com arsénio e chumbo. Todavia, a verdade é que o Alviela continua a estar poluído.
E quem é que ganha com isso?
Falamos do Alviela, mas podia dar outros exemplos. Há uma série de pequenas e médias empresas de vão de escada que trabalham muitas vezes com os trabalhadores sem contrato, em condições inqualificáveis, utilizando os bens públicos, nomeadamente a água, e que depois fazem regressar aos rios a poluição que emitem. Há, pois, um desrespeito pelas normas básicas a cumprir em termos de saúde pública e que obviamente conflitua com a lógica empresarial e de negócios. Infelizmente, no caso do Alviela, o que tem acontecido não tem sido a fiscalização e a lei que têm levado a encerrar essas empresas, têm sido os seus proprietários que vão envelhecendo e tem deixado de haver pessoas em condições de fazer estes trabalhos. Mas este caso do Alviela é um caso que se reproduz em muitos outros sítios.
Posso dar-lhe outro exemplo: o caso das minas de urânio em Mangualde, que a vossa revista já noticiou, é a mesma problemática do Alviela. Ou seja, durante muitos anos retirou-se urânio do solo sem que a empresa do Estado se preocupa-se com a degradação que ia causando, destruição de solos e com a poluição das águas, além dos problemas de saúde... Ora a partir do momento em que entra no orçamento das empresas, a manutenção e o respeito pelos equilíbrios ambientais, existe outro patamar de desenvolvimento económico e outro de respeito pelo ambiente. E esse outro patamar de respeito económico vai criar uma especialização. Essa especialização terá de co--existir com uma diminuição ocasional e momentânea das margens de lucro. É evidente que fazer um investimento para adequar a produção ao respeito ambiental pode ter custos mas depois tem os seus benefícios porque normalmente a produção entra em segmentos de maior especialização energética e de qualidade e isso vai ter consequências em termos da eficácia de todo o sistema produtivo.
Há hoje em dia uma responsabilidade social das empresas cada vez mais exigente em relação à questão ambiental. Ainda estamos no patamar em que o lucro é superior a este assunto ou já estamos a fazer o caminho inverso?
Há sinais de alteração das lógicas empresariais e nessas os dirigentes portugueses têm cada vez mais percepção de que devem retribuir à sociedade um serviço que a sociedade também lhes dá, ou comprando os seus produtos ou utilizando os seus serviços. Hoje grande parte das empresas não sobrevive sem ter uma estratégia de comunicação que implica que haja um investimento social, um investimento em dar apoio, seja a sectores da sociedade com mais dificuldade, como o caso das pessoas com dificuldade de locomoção ou outras ou aquilo que é a valorização de aspectos ambientais degradados e o apoio a acções de educação ambiental a nível das escolas, de colectividades e cada vez mais as empresas procuram valorizar esse activo que é cada vez mais importante e que será cada vez mais essencial para que as empresas tenham condições de sobrevivência.
Como olha, em termos globais, para o problema das alterações climáticas? Para onde caminhamos?
As alterações climáticas são, a todos os níveis, o maior problema que a Humanidade enfrenta. Neste momento estamos no processo de “Quioto 2”, no processo das reuniões que se estão a realizar em Copenhaga, com vista a implementar uma segunda fase e dar um avanço àquilo que foi definido em Quioto e que, infelizmente, não tem vindo a ser cumprido, senão muito escassamente e, sobretudo, a nível da Europa. Neste momento a situação é muito grave. Este ano, pela primeira vez, fez-se a ligação de barco entre o Canadá e a Sibéria, através do norte do Alaska, devido à diminuição muito substancial dos gelos árcticos. E isto vai criar uma alteração de todos os padrões climáticos a nível global. Antes, alguns sectores do movimento ambiental, falavam do aquecimento global. Mas as alterações climáticas não implicam necessariamente um aquecimento. Houve neste caso um aquecimento, que contribui para a fusão dos gelos, só que esse aquecimento é depois contrabalançado em áreas específicas pelo arrefecimento, que resulta do facto de águas muito frias serem integradas nas correntes oceânicas. Essas correntes oceânicas provocam alterações a nível da estrutura dos ventos e da pluviosidade. O que temos são alterações imprevisíveis e radicais. Por exemplo, recentemente houve em Espanha tornados nunca registados e que devastaram a região de Valência. Isto são micro-fenómenos que têm a ver com a alteração de todos os padrões climáticos, não são mitos.
E que têm tendência para aumentar…
Sim. E têm, desde logo, uma consequência básica que afecta toda a economia.
Qual?
É que as seguradoras, neste momento, não têm capacidade para dar resposta a todos estes problemas. Ou seja, a partir do momento em que há um sector, ainda por cima, bastante afectado com a crise do capital financeiro que não consegue dar resposta a uma situação que é desenvolvida e propiciada por lógicas de desenvolvimento industrial pouco adequadas, e que não tiveram em conta o impacto e as consequências da sua produção e opções energéticas em todo o ecossistema e em toda a globalidade do clima, nomeadamente, as emissões de gases de efeito de estufa, o CO2, o metano, é evidente que a partir desse momento existem pontos de ruptura continuada nos ecossistemas, além de aumentarem a crise do sistema financeiro.
E como contrariar esta situação?
Esses pontos de ruptura devem ser contrariados a três níveis. A nível individual. Aquilo que cada um de nós faz é importante por várias razões, porque nos motiva para uma percepção da relação com o meio ambiente e uns com os outros e porque nos motiva e nos empenha também num processo de transformação. Quando nós agimos de uma determinada forma, essa circunstância vai motivar que queiramos que a nível social essas mudanças também tenham repercussão. E isso vai motivar pressão junto do poder local, do poder central, dos órgãos de comunicação, etc. Ou seja, a atitude individual vai ter uma repercussão muito significativa. Em segundo o que se passa ao nível dos poderes municipais, da gestão de proximidade.., das pequenas grandes coisas que fazem cidadania. E, por fim, em terceiro ao nível do Governo nacional que, muitas vezes, são já governos que se integram em conceitos de transnacionalidade, como no caso da União Europeia e no âmbito dos acordos internacionais.
Nestes três factores que são essenciais mudar, acha que precisamos de um “11 de Setembro” em matéria de alerta ambiental para despertar as consciências e as mentalidades?
O 11 de Setembro foi uma enorme tragédia e não queria comparar nada com essa tragédia específica. Que teve uma consequência que alterou os paradigmas securitários e esses também são ambientais também se articulam com as alterações climáticas...
É essencial decompor a questão das alterações climáticas no quadro do desenvolvimento industrial, nos modelos de exploração agrícola e nos nossos comportamentos quotidianos, enquanto utentes e consumidores. Isso é a pirâmide no topo da qual estão as alterações climáticas. Só que neste momento temos a pirâmide invertida. As alterações climáticas estão a pressionar toda a estrutura em que assentamos. E estamos a ser esmagados por uma lógica contrária ao humanismo, à reflexão do homem sobre homem, estamos perante uma lógica que tem a ver com o mercantilismo, com lógicas de produção, que são contrárias aquilo que é o espírito de solidariedade, de construção e desenvolvimento de articulações que permitam que haja convivialidade. Se não articularmos uma ideia de desenvolvimento com uma perspectiva filosófica de regresso ao Homem, vamos ficar muito pobres.
As economias emergentes, como a China e a Índia, são um problema real. Sabemos que querem industrializar-se a baixo custo e que há um mercado de poluição que vem do Acordo de Quioto que diz que quem polui, paga. Só que as economias emergentes não pagam. Como podemos resolver o problema?
Os problemas da China e da Índia são de facto dramáticos. Continuam a existir nestes países populações que vivem ao nível da subsistência, com grandes dificuldades e, por outro lado, uma lógica errada de desenvolvimento industrial está a copiar aquilo que foram e têm sido os modelos de desenvolvimento do capitalismo ocidental que tem a ver com lógicas predatórias sobre a natureza e também sobre o Homem. As coisas estão articuladas. O sistema na Índia tem, todavia, ainda algum hibridismo, há ali uma ligação muito forte a culturas e a religiosidades que têm sempre que ser tidas em conta onde o homem existe, ao contrário da China que desde há 50 anos vive num desenvolvimento de um capitalismo selvagem, concentracionário, na mesma lógica daquilo que foi o império no meio da cidade proibida, de totalitarismo cleptocrata. Estamos perante um problema complexo e acho que a solução passa por criar condições de abertura, ou seja, levar a que na China haja um desenvolvimento da opinião pública. Tem havido movimentos de oposição na China, sobretudo em relação à degradação das condições de ambiente, nalgumas cidades na China há movimentos de oposição precisamente à enorme poluição atmosférica. Por exemplo, houve e há movimentos de oposição às grandes barragens que se estão a construir na China que levaram já à deslocalização de mais de 10 milhões de pessoas, portanto, uma população correspondente à população de Portugal. A verdade é que estas populações estão a pressionar para que estas situações não continuem. Mas acho que para a China e a para a Índia, o que é necessário é, sobretudo, não haver restrições, bloqueios à informação e aumentar, nos dois casos a humanidade com tudo o que isso implica de olhar para o Homem. E com toda esta situação das alterações climáticas, há alterações muito relevantes ao nível do meio ambiente na China que podem ter também consequências sociais.
Como por exemplo?
A questão dos rios que neste momento alteraram a sua componente hídrica por duas razões. Há neste momento grandes degelos nos Himalaias que provocam um aumento muito grande da água dos rios. Por sua vez, existe pressão cada vez maior nalgumas barragens o que pode levar a algumas rupturas ou a aberturas inopinadas, que devido ao sistema ser recente podem originar grandes inundações e fatalidades sociais. Estou a dar um cenário hipotético que pode ter consequências desastrosas. E há, desde logo, alterações ao nível do sistema agrícola devido à inexistência da adubação que resultava dos arrastamentos das terras, de todas aquelas zonas que eram inundadas, e o controlo das inundações também provoca alterações porque deixa de haver água sazonal para os arrozais. Tudo isto vai-se compaginar-se para criar uma situação de pressão. Uma situação que já se verifica ao nível da cidade proibida daquele grupo de plutocratas que dominam o sistema imperial chinês, mas vai haver certamente alterações e estas alterações ou serão impulsionadas pelos actuais poderes ou serão forçadas porque tem que haver resposta para a sobrevivência e continuação da Humanidade e não é possível manter estes sistemas totalitários. Sem falar nas articulações, os interfaces com o sistema global, sobretudo o que se rege pela democracia política, que vai ter que se impor a lógicas fechadas e que infelizmente não dão atenção nenhuma aos valores fundamentais e aos direitos civis.
Falando dos EUA, o país que mais pesa no problema das alterações climáticas, acha que o país está longe de fazer essa mudança ou com Barack Obama a mudança pode estar iminente?
Barack Obama representa sobretudo uma hipótese de voltar a trazer os EUA para a comunidade internacional, da qual se tinha isolado com as políticas de George W. Bush e envolver os EUA nas discussões do clima que estão neste momento a ocorrer em Copenhaga. E a verdade é que há neste momento algumas propostas do Presidente Obama para a redução das emissões. O importante é lançar um projecto para o debate, mesmo com grandes oposições nos EUA. Há lóbis muito fortes que continuam nos EUA a procurar passar a ideia de que as alterações climáticas não existem, que a queima de combustíveis fósseis é um problema menor. Em relação à questão das alterações climáticas há uma cortina de fumo que cria um nevoeiro que procura que estas questões não sejam consideradas. Agora, há da parte de Barack Obama a abertura para um novo tipo de enquadramento, para um novo discurso e uma nova prática da Administração que deve ser apoiada pelos seus parceiros na Europa e que deve ser, sobretudo, estimulada a nível dos próprios EUA. Nos EUA há movimentos muito fortes, das cidades, das pessoas, precisamente porque sofrem já os problemas, as chuvas extremas, os tornados, as alterações de humidade, etc. Muitas cidades americanas estão empenhadíssimas em patrocinar lógicas de apoio e de incentivo ao avanço na área das energias alternativas, da eficiência energética, da reciclagem. E as cidades podem ser motor desta nova dinâmica que a administração americana de Obama está a impulsionar. É verdade que o Presidente se depara com grandes oposições de interesses instalados – económicos – que ainda não perceberam que o desenvolvimento destas novas tecnologias e das energias alternativas são nichos de oportunidade e de desenvolvimento económico, são os pólos de saída desta crise.
Quanto à Europa, está a fazer o suficiente em matéria de combate às alterações climáticas?
Existem várias Europas. E dentro da UE há várias velocidades. Tem havido genericamente um impulso positivo por parte da “Europa”, não de toda a Europa. Alguma Europa tem sido “ponta-de-lança” no desenvolvimento das políticas para a protecção do ambiente na área das alterações climáticas.
E tem a UE conseguido motivar os Estados-membros para esta luta?
Tem conseguido motivar os Estados por duas razões: primeiro, na Europa os movimentos de ambiente e a percepção dos cidadãos em relação a estes problemas são bastante grandes. Nos países que têm centralidade, como a Alemanha, Inglaterra e os países nórdicos, os movimentos de ambiente, que assumem uma vertente de intervenção política activa e eleitoral, têm tido bastante força e têm conseguido influenciar a globalidade do discurso político: É preciso entrar num novo paradigma económico na tentativa de criar um novo modelo de sustentabilidade para as pessoas. O ambiente é um elemento fundamental da sustentabilidade económica e social.
E Portugal, em que ponto estamos na preocupação ambiental?
Não há muitas razões para optimismo. Em Portugal já estivemos melhor nalgumas áreas, noutras, pior. Mas na verdade o que se continua a degradar no nosso País é o território. Portugal, pese todas as políticas e legislação que têm sido desenvolvidas para a protecção do território, a verdade é que o nosso território está cada vez pior. Vemos nalguns casos, até, devido a algum retrocesso legislativo, como é agora o caso da nova legislação da Reserva Agrícola Nacional, que passa a integrar no quadro do espaço agrícola, lógicas de florestação industrial que são degradadoras do território e da economia de sustentabilidade e contrárias à manutenção de áreas agro-pastoris, que no nosso pais estão cada vez mais abandonadas.
Como estamos em termos de ordenamento do território?
A política nacional deve reger-se por alguma legislação que bebe ainda das políticas do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, da Reserva Ecológica Nacional e da rede nacional dos parques, inclusivamente da Reserva Agrícola Nacional. Mas esta legislação que devia enformar a prática de Ordenamento é depois alterada pela lógica dos chamados Projectos de Interesse Nacional (PIN’s). Curiosamente, onde há PIN’s é onde há espaço fundamental para ser protegido e onde há espaço de mais valor para ser protegido....
Isso é uma característica de todos os PIN’s?
Só há interesse nacional onde existem valores nacionais. Mas o interesse nacional devia ser protegê-los. Com os PIN’s temos a lógica económica por um lado e a ambiental por outro, sem qualquer bom senso de articulação, porque o que interessa para ter uma economia sustentável é defender e cultivar os valores ambientais.
Não digo que todos os PIN’s são maus, mas a generalidade deles é lesiva da lógica de sustentabilidade e de um ambiente adequado ao território, por isso negativos socialmente.
Além disso não há uma lógica de não haver integração e harmonia no desenvolvimento dos vários municípios.
Porquê?
Os municípios fazem os seus PDM’s ao arrepio do município ao lado e de uma leitura global do território. E se se faz um desenvolvimento que bloqueia os recursos hídricos, os corredores florestais e agrícolas de um concelho com um desenvolvimento inadequado no concelho ao lado, é evidente que estamos a incorrer num erro.
Sendo que os PDM’s são aprovados, em última instância, pelo Governo, esta aprovação não tem a ver com o estabelecimento dessas concordâncias mas com interesses de mercearia. Ou seja, os PDM’s têm, na sua articulação, filosofias de coutadas, e ainda por cima atendendo ao actual sistema de financiamento municipal, têm lógicas sobretudo de construção e urbanização.
Enquanto os PDM’s não forem vistos numa perspectiva integrada de articulação dos elementos naturais, dos elementos construídos, e do desenvolvimento sustentado do concelho e forem vistos como geradores de mais áreas expectantes, mais áreas para a densificação urbana, estamos a construir em Portugal para uma população de 20 milhões de habitantes. Neste momento estamos a construir um parque habitacional e urbano que implicaria que Portugal viesse a ter, num curto prazo de tempo, o dobro da população ou o dobro do espaço, ou seja, cada indivíduo teria em Portugal duas casas. Isto é absurdo. Neste momento temos um País onde uma das grandes indústrias em perspectiva, digo-o com ironia, é a da implosão, porque estamos a construir onde não devemos e desnecessariamente e não estamos a adequar o ordenamento do território à população que temos. A “implosão” e a re-abilitação podem tornar o nosso pais feliz!
Mas a ideia que temos é que vivemos Era do betão, com construção e mais construção.
No nosso país devíamos apostar na sustentabilidade ao nível da recuperação e da reabilitação. Em Lisboa, por exemplo, vemos prédios fabulosos por toda a cidade que são deixados cair para se construir de novo, muitas vezes deixando as fachadas para o “boneco”, o que é um erro grave, a todos os níveis. A lógica da reabilitação é a lógica que dá emprego, que permite a sustentabilidade e que permite perspectivar um envolvimento e é um dos eixos centrais, julgo, para podermos sair da crise. Mas há outra lógica: a do betão. Uma lógica do capital bancário. Temos o capital, temos o lucro mas temos de ter mais lucro para manter o capital, ou seja, continua a investir-se em espiral...no ar. As áreas da recuperação e reabilitação urbana são as que têm condições de vida e de rentabilidade muito mais adequadas do que grandes caixotes onde inclusivamente se geram condições de marginalidade e segregação e exclusão social.
Portugal é um País com enormes oportunidades ao nível das energias renováveis? Que potenciais temos? E em que tipo de energias temos de apostar?
Em Portugal tem sido feito algum trabalho que tem a ver com a criação de melhores condições legais para a produção e suavizar alguns dos problemas burocráticos que vinham a existir para permitir o desenvolvimento destes nichos de actividade económica e também de sustentabilidade, uma vez que são energias que implicam menores perturbações ambientais. Na área das energias eólicas há um trabalho continuado, há indústrias que têm desenvolvido parques eólicos com bastante eficácia. Os aerogeradores também são cada vez mais eficazes. Há da parte do sector eólico uma actividade regular e um investimento continuado. Neste momento a energia eólica é aquela que tem melhores condições de rentabilidade.
Em Portugal há também neste momento dois grandes parques solares (Amareleja e Serpa) que, do meu ponto de vista, tem uma dimensão pouco adequada à melhor eficácia de aproveitamento energético, neste caso aproveitamento eléctrico, porque a rentabilidade em relação à área de exposição e à energia produzida acaba por não ser muito eficaz, mas que são um caso de estudo e acompanhamento.
E o que seria rentável?
Para mim, onde deveria haver uma aposta firme e muito consistente seria no solar térmico, na água quente solar e no solar fotovoltaico para habitações isoladas e para pequenos núcleos habitacionais ou outros. Essa seria uma aposta decisiva porque implicaria grandes benefícios em termos da redução da electricidade consumida.
Porque é que ainda não nos voltamos para essa opção?
Na Grécia, por exemplo, o solar térmico está muito desenvolvido. Em Portugal, pese alguns escassos incentivos do sistema bancário impulsionados pelo Governo, tem havido muita preguiça e muita complexidade no desenvolvimento destes sistemas.
E temos ainda projectos experimentais de aproveitamento da energia das ondas, nomeadamente nos Açores e também temos uma Central Geotérmica que já abastece cerca de 40 % da electricidade de S.Miguel, além de outras experiências com geotermia no Continente.
E ainda aquela que eu penso que é uma grande área de investimento: a recuperação dos resíduos sólidos urbanos em sistemas de compostagem, em separação do vidro, do plástico, das embalagens, e até o seu processamento em processo final de queima. Ou seja, todo o resíduo sólido urbano deveria ser recuperado. Esta lógica dos resíduos tem que ser integrada na recuperação da energia.
Mas ainda estamos muito longe dos níveis de eficiência energética desejáveis?
Em Portugal continuamos a ter uma muito má relação entre a energia e a unidade do produto. A nossa eficiência energética continua muito atrás dos patamares da União Europeia. Contudo, aos poucos, a nossa eficiência energética vai melhorando (por encerramento é certo de unidades industriais pouco eficientes), e também porque a educação e a intervenção de cada um de nós vai ajudando. Há também já hoje maior eficácia dos aparelhos, etc. E isso implica uma grande alteração dos nossos paradigmas económicos e mentais.
Faz falta uma revolução ambiental de mentalidades?
Sem dúvida. Um investimento ao nível da educação para todos é fundamental bem como uma educação para a cidadania. A cidadania tem que ver com o ambiente, com a economia, com a solidariedade social e penso que a educação ambiental tem que ter estas diferentes lógicas. E tem que se fazer um grande investimento junto das crianças e das escolas.
Da sua obra literária, dedicada ao ambiente, o livro “Navegar é preciso” é dedicado ao potencial dos rios e dos mares e partilha com os leitores a sua preocupação com a preservação de um bem tão importante como é a água. Portugal é um País privilegiado. Não só pelo Atlântico bem como por termos uma panóplia de rios que nos dão condições únicas para essa aposta. Aproveitamos mal o facto de termos o Atlântico como aliado?
Nós somos um país com matriz Mediterrânea e virado para o Atlântico.
A questão da água tem que ser vista nessa articulação.
Refiro, por exemplo, a questão do Alqueva, que é a melhor evidência do desaproveitamento nacional da água. Criámos uma bacia de retenção gigantesca onde a água está parada e não tem eficiência em termos de produção de energia que é nula. Não tem eficiência em termos do sistema de regadio porque este não está construído. E mesmo depois de ser construído vai servir para campos de golfe e para algum olival. Só que este olival vai ter um problema porque o sistema de regadio vai ser feito com água de qualidade muito duvidosa. A barragem foi um erro. Foi o maior desastre ambiental em Portugal nos últimos anos.
Tínhamos proposto um sistema diferente, de aproveitamento de pequenas barragens que poderia beneficiar algum regadio, alguma agricultura e agro-pastorícia na zona do Alentejo que podiam criar zonas de vida e não mega-empreendimentos dedicados só ao golfe. Esta ideia que poderia ter sido concretizada num período de tempo curto, e poderia estar a funcional actualmente, foi substituída pelo actual desastre.E ainda se está a atirar para 2017 a conclusão deste ineficaz sistema de regadio, numa altura em que o deserto terá tomado conta.
Ou seja estamos a usar a água com total irracionalidade, sem perceber sequer o enquadramento desta no território. Isto resulta de quem tem o poder estar refém do betão e não perceber a matriz do país.
A gestão da água tem que se articular com o solo vivo e o clima...e as pessoas.
A meta fixada para Portugal em matéria de produção de electricidade a partir de energias renováveis (até 2010, 39 por cento da electricidade consumida deverá ter origem em fontes de energia renováveis) é uma meta ambiciosa?
Cria-me algum desconforto porque a energia produzida a partir das grandes barragens entra na quota das renováveis, e sabemos os problemas ambientais que acarretam. Mas, com essa ressalva, não acho que seja impossível essa quota de produção a partir das várias fontes renováveis. E dissociando a economia do consumo energético, e concretamente do consumo eléctrico, é possível executar mais medidas de eficiência e com a introdução de melhorias da inserção das renováveis no sistema eléctrico, penso ser possível chegar a essa meta e até ultrapassá-la.
Que alerta global e cívico deixa aos nossos leitores para minimizar os efeitos nocivos para o planeta?
Só me lembro de Churchill, quando ele dizia que agora temos que unir-nos e procurarmos uns com os outros as formas de resistir àquilo que é um #momento# que pode destruir a vida tal como a conhecemos.

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Caldas da Felgueira, um ambiente caloroso e de solidariedades. Um jantar, de convívio e de luta. Ontem foi dia de festa.
Cerca de 120 ex-trabalhores e familiares desses das minas de urânio juntaram-se, para recordar, para lutar.
Deram-me a honra do convite para estar presente e os acompanhar, também neste momento, como os tenho acompanhado noutros.
Houve política, e este ano, conforme tinha prometido e comprometido o meu empenho no jantar do ano passado, num novo quadro de produção legislativa com condições de obter uma vitória.
A dos direitos iguais para todos os ex-trabalhadores e suas famílias, no que toca as compensações pelo sacrificio e suor que muitas vezes conduziu à morte prematura e a sofrimentos sem conta.
Além das questões da recuperação ambiental e do direito à saúde e protecção adequada nesse âmbito, a presença de deputados do P.S.D. , do C.D.S. , do B.E., e de representantes qualificados do P.C.P. e dos Verdes, que assumiram o voto cruzado dos seus projectos leis, para depois em Comissão se confluir no texto que melhor reflicta a correcção desta injustiça.
Foi, desde já, uma vitória importante no caminho, ainda díficil para chegar do ponto de vista social a uma situação de justiça.
Foi com muito gosto que dei o meu pequeno contributo para tal e não quero deixar de felicitar neste blog onde tantas vezes tenho mencionado esta luta a minha solidariedade empenhada com todos e todas e a minha amizade e admiração pelo dinamizador de toda esta luta o infatigável António Minhoto, que qual aranha, com outros a ajudar, teceu a malha que pode levar a bom porto este barco.
Não há maus ventos nem marés ásperas quando temos uma tripulação deteminada e um capitão com empenho e olho de gageiro.

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Friday, December 04, 2009
 
Ontem estive numa acção pública (impropriamente convocada como se fosse uma vígilia) pelos direitos cívicos de Aminatu Haidar, activista saharui arbitráriamente impedida de regressar a El Aiun, capital do Sahara Ocidental, ilegalmente ocupado por Marrocos, conforme os textos internacionais referem.
Há mais de 30 anos fui fundador e durante algum tempo acompanhei o Comité Polisario, recordo o Fernando Almeida, o Luís Moita e o incansável Baptista, que durante estes anos todos tem continuado persistentemente a repercutir e dar voz à luta dos homens e mulheres do deserto.
Nalguns momentos, e quando da minha passagem pela direcção da Amnistia Internacional, procurei dar amplificação a essa voz.
Por solidariedade e militância que não desfalece sobre os Direitos Humanos, independentemente de qualquer chapéu, de que não necessito, estive presente e durante o jantar continuámos a falar de direitos.
Com afecto voltei a estar com companheiros da Amnistia, que saudo pela rápida adesão a esta acção, e que espero supere os actuais problemas e limpando a casa de sombras que impedem que todos os direitos sejam direitos volte a estar activa nos combates cívicos em que vozes independentes são essenciais.
Embora tenha gostado de ver a participação de pelo menos 4 deputados do Bloco (e em particular o José Manuel Pureza) e tenha sabido ao jantar que dois deputados do P.S. também estiveram presentes penso que para desenvolver uma estratégia clara (que não existe, é um facto, e a própria acção de Aminatu Haidar parece não ter qualquer ancora estratégica) não é o melhor associar estas acções ao Bloco e a outro esquerdismo militante, sendo que com esta referência não quero de forma nenhuma afastar seja quem for da solidariedade.
JUlgo que há que pensar uma, uma estratégia política que envolva mais sociedade, e penso que nessa a A.I. podia ser mais determinante....
Ou não....

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Wednesday, December 02, 2009
 
Discurso ao Sol, de João Mário Caldeira,

São dois livros. Um cheio de luz, que se orienta pelas estações do tempo, que culta a palavra escrita e lhe acrescenta o sabor, os cheiros, os sons, os tactos e tudo o que a vista alcança com o passar do tempo no nosso Alentejo.
A sua Deolinda e o Velho que espreita e conta a vida, que tal como este Discurso ao Sol as Edições Colibri nos deram à leitura, já eram épicos em crescendo que o meu amigo João Mário nos deu ao prazer.
Neste Discurso de tal forma é belo o dito às estações que o preferia sózinho, talvez ilustrado, porque tem toda a sugestão da imagem na leitura e recomendado a todas, todas as escolas que queiram saber, aprender o passar do tempo, as suas estações, enquanto as alterações climáticas não derem cabo disto tudo.
Nestas 4 estações o João Mário revela-se um "biologo" conhecedor das espécies e burrilador nestas das palavras que as adequam, um "antropólogo" descobridor do tempo, um grande contador de gentes a passar num espaço e com os ciclos da vida a dar-lhes sentido.
Penso que estas 4 estações deviam fazer parte de todos os manuais da língua portuguesa e ser distribuidas profusamente, como referi numa re-edição ilustrada acho que era um mimo de sucesso.
É o nosso, ainda nosso tempo, que vamos passando e mudando.
Do outro livro que faz parte deste Discurso ao Sol, tenho que dizer que me agrada menos, recolhe momentos de menor de inspiração, que a escrita é sempre a mesma, do JMC. Com algumas pérolas, por aqui e por ali, na minha opinião não beneficia a excelência que o antecede.

Ao João Mario, com toda a sinceridade que ele sabe, com um forte abraço tenho que dizer que depois do deslumbre que são as 4 estaçoes só nos resta a felicidade, a amizade, uma tapa e um copo num tempo que nos deixe parados.

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Tuesday, December 01, 2009
 
Referenduns morais...
Mudei de opinião sobre os referenduns que tenham que ver com assuntos morais.
Sou favorável a referendar a separação da Madeira do território nacional,,, a regionalização,,, a organização do Estado em monarquia ou republica,,, e, porque não a própria constituição (sou favorável a uma constituição miníma ,,,).
Com o tempo fui-me tornando por lógicas que tem que ver com a evolução do pensamento e a análise das estruturas sociais completamente contrário a referenduns sobre assuntos que tenham interface com a moral, no sentido mais largo, e com direitos humanos no sentido do absoluto que estes constituiem.
Penso absurdo referendar a pena de morte, a lapidação, a tortura, o casamento entre duas pessoas, a IVG (que o foi e onde me envolvi no limite das minhas capacidades mas sendo contra a sua lógica!), os minaretes, as corridas de toiros, o divórcio civil, o direito a consumir produtos diversos considerados estupefacientes, e tantos outros temas que se remetem normalmente para a àrea dita fracturante.
E tenho que confessar que já fiz campanhas, com os meus amigos radicais, por muitos destes temas em referendo.
Hoje mudei de ideias, acho que são temas em que o legislador se deve responsabilizar pela produção de doutrina e cabe ao cidadão desafiá-la quando entenda que esta lhe limita os direitos em sede judicial.
Recente referendum na Suíça, que limita os direitos constitucionais na mesma e que penso o tribunal constitucional desta republica declarará nulo, mostra-me claramente que estes temas são campo fertil para a demagogia e o pior populismo, para ausência de debate democrático transformado em frases bombásticas de mentiras e invenções (como os falsos fetos que mostravam na campanha contra a IVG).
Penso que no limite temas que tem que ver com a gestão e a forma dessa na sociedade podem ser motivo de referenduns os outros não.
Voltarei a este tema, hoje a lembrá-lo face ao terrífico resultado do referendum na Suiça onde as liberdades cívicas foram severamente postas em causa.
Lembro-me sempre da premonitória história do nazismo... vieram buscar os judeus e eu não protestei, não era judeu,,,, e por aí fora até não haver ninguém para protestar quando vieram... por mim.

Hoje, dia de Sto Eloy, recebi de fontes desconhecidas uns mails de diversos candidatos a reis de Portugal (havia de ser bonito se escolhessemos a dita depois ter que eleger entre dois ou três o que se reproduziria no mando), com umas tretas patéticas contra Espanha e contra a Europa. Talvez por apanharem os mails sem saberem de quem são tive que esclarecê-los que não sou minimamente nacionalista, sou a favor de uma Ibéria unificada em federação numa Europa Estado Unido, com moeda, sistema parlamentar com poderes e presidente eleito,,,

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Foi há 20 anos que jantei com o meu querido amigo Manuel Hermínio Monteiro e um indignado e a querer passar para a acção directa, Mário Cesariny no 1º de Maio, onde o Santos também deitava água na fervura da excelente cozinha.
Nesse dia a GNR tinha disparado a matar em Barqueiros no que ficou conhecido como a Guerra dos Caulinos.
O ultraje do Mário que compartíamos impotentes era por o Estado de direito democrático, e penso que era 1º ministro Mário Soares, não ter mão nas forças policiais e dar permissão a que uma empresa pudesse no centro de uma povoação dar curso, pensar dar curso, a uma actividade altamente poluente e arriscada para a saúde humana.
Tentava o Hermínio acompanhar o meu pensamento racional e referir que era através dos instrumentos legais (e no dia seguinte a associação que dirigia os Amigos da Terra fez um enérgico comunicado!) e da pressão pacífica que podiamos obter sucesso. O Mário Cesariny queria acção, imediata, radical. Queria ir a S. Bento!
Acabámos o jantar tarde e deixei-o com o Manuel Hermínio.
Recordo esse jantar como se fosse hoje.
E hoje em excelente reportagem na SIC vi que o caulino continua a ameaçar Barqueiros, com mais aliados que o dinheiro os arranja sempre.

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Termas da Piedade,,,
Recomendo, hotel simpático, excelente spa, sóbrio com pouco luxo, e algumas falhas ainda a resolver.
Muito bom restaurante, e o pessoal, todo, muito diligente.
Localização numas antigas Termas onde se tenta recuperar a fonte termal e as águas, perto das melhores loiças e cerâmicas do país (Atlantis e Caldas) e do centro de cosmopolitismo turístico em que se converteu Obidos (onde pela 1ª vez na minha vida patinei sobre gelo, com só uma queda a registar e algumas aventuras...).
No regresso uma paragem na imprescindível "Mãe de àgua" e nos jardins do comendador no Bombarral, ainda em construção mas a encherem a alma de Buda
Alcobaça, local ideal para vencer o stress que os frades de Alcobaça não eram parvos.
Li um interessante estudo sobre o budismo zen e o fabuloso, embora desigual nas suas partes, #Discurso ao Sol# do melhor romancista/contista do Alentejo vivo que é o meu querido amigo João Mário Caldeira, de que escreverei uma posta específica, que bem a merece.
Com os efeitos da queda a desaparecerem e vontade de outra passeata nesses patins, que ao contrário dos outros...não têm travão... e de regresso a este pequeno espaço de calma.... volto às azáfamas do quotidiano, do outro.

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