insignificante
Saturday, January 31, 2009
 
Trocando por miúdos....
Hoje acabei por trocar uma matança campera, no Alentejo interior, por uma ida ao cinema e uma agradável visão do filme "A Troca" de Clint Eastwood.
Ver este filme é também percorer o percurso deste homem notável e observar a sua evolução, o seu sentir com o passar dos tempos.
Este filme assenta que nem uma luva no caso Freeport....
Houve um facto, o rapto da criança, negligências sucessivas resultantes de falta de rigor e complacência, articuladas com pequenas e grandes corupções e amiguismos, encobrimentos vários, atitudes criminosas por parte de quem é suposto exercer autoridade e médias sequiosos mas com muita boçalidade.
O filme aplica-se quase ipsis verbis ao caso Freeport, no qual temos os factos que resultam de atitudes e manigâncias "urgentes" de um governo ...de gestão.... encobrimentos diversos, atitudes que indiciam quadros penais agravados para a produção de prova que aí vem, e uma imprensa onde temos o médio e o pior, mas total falta de iluminação (cherchez la femme, que é como quem diz....)em todos os casos.
No filme os tribunais dão uma saída para o caso nas suas duas vertentes (embora fiquem, não é que ficam sempre, interrogações e um vazio).
No caso português face à inabilidade da senhora Cândida que deu vários tiros no pé no meio de uma ânsia de protagonismo trapalhona, face à pouca independência da estrutura da polícia de investigação face ao poder político ou seja tiros no outro pé, será o terceiro elemento, e alguma investigação que ligue os factos e analise as suas relações, a reacção popular que já se faz sentir e de que maneira nas sondagens que irá levar à demissão do Eng. Sócrates, empurrado ou não pela "malta" do P.S.
E estou certo que teremos reunião do Conselho de Estado mais cedo, muito mais cedo, que se imagina...
É que a procissão ainda não saíu do adro da igreja....

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Friday, January 30, 2009
 
Takeshi Yoshitake.
Soube hoje que morreu, há dois ou três dias.
A minha memória e a lembrança nessa dos sabores manté-lo-à vivo, e as gratas recordações que nos seus espaços de culto dos sabores se me propiciaram prolongar-se-ão no tempo.
Do Aya, na rua das Trinas, onde tinha já mesa e companhia regular ao novo espaço, aos novos espaços, na Twin Tower, o tempo continuou a ser construído no palato e nos sentidos, todos os sentidos que são por ele estimulados.
Apareceram outros mestres na arte de produzir texturas e gostos a partir da confecção culinária/zen do Extremo Oriente, muitos deles seus discípulos, mas entrar no seu espaço, cruzar o seu sorriso, maior depois de sentir que os seus comensais tinham percorrido o caminho do divino era um prazer.
Mestre Yoshitake que a energia, que também se come e se prazenteia, continue doce e suave naqueles que tem o conservam no espírito e e lhe dignam memória.

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Thursday, January 29, 2009
 
E hoje mais uma ida a Esposende,,, para finalizar um excelente projecto que me arreja os olhos de dúvidas,,, e para combinar novos projectos, novas produções,,,,
E fazer face a uma alteração de "Editor" na 25ª hora, ou seja quando o livro que voltará a ser #Energias Sem-fim# já estava pronto para entrar em impressão, qual prima dona o editor diz que é ele que tem que decidir,,, ainda se se lhe visse alguma especial valia ou dote de deslumbre...
Há mais marés que marinheiros e outro já está no horizonte, mas isso implica mais trabalho, mais tempo.
E discussões, ideias no ar... é assim a vida.
Ainda com a grata recordação da estrutura da noite anterior, ou do que a preenche.
 
 
Hoje trago aqui a cábula,,, que usei na apresentação de 35/40 minutos no Mazagran, nas Caldas da Rainha, ontem.

A palavra

Método
Conceitos, e metodologias
Paul Feyerabend

Estrutura linguística (desde logo o direito à expressão na sua base estruturante)
Chomsky

E Signos, a defesa do seu significante e da sua contradição/outro,a
Barthes

Arendt
A violência como recusa de política,
Arte de dialogo e contradição


Gandhi
Só não violência permite escrever/exercer poder limes/limitado

Violência é a recusa do direito do outro

Tibet/China

Mutilação Genital /Questões género e direito reprodutivo

Pena Morte /Quadros legais de juízo

Fanatismos /Integrismos/ religião espaço da polis

Guerras////


Questões locais /nacionais diversas

Adesão AI deve implicar desde logo:

Integridade moral e política, conduta cívica adequada ou seja…. respeito à palavra dada.

(...)

É claro que esses foram os tópicos em relação aos quais viajei....

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Monday, January 26, 2009
 
Foi um dia agitado e de muito trabalho.
Que começou logo com uma clarificação na véspera.
Sem que me tenha sido apresentado nenhum, mas mesmo nenhum, argumento que me convencesse e que para mim fizesse qualquer sentido no quadro das minhas propostas e ideias para as concretizar os CPLs e Helena Roseta não consideram a hipotese de fazer um partido autárquico, uma estrutura que desse sentido às lógicas diversas de cidadania, e ultapassasse alguns limites que são impostos a listas de cidadãos para concorrerem aos orgãos municipais.
Aprendi com os meus amigos italianos a usar o sistema para mudar o sistema e penso que se perde uma, mais uma, oportunidade para romper com limites e mostrar imaginação.
Fica no ar a hipotese de renovar as listas de cidadãos, em Lisboa como CPL. Manterei a minha solidariedade e empenhos, nos limites que desde logo me imponho, e também no sentido do meu sentimento de uma maior e mais larga abrangência.
E hoje logo às 8 horas decisões sobre livros, instrumentos educacionais e também uma hipótese de um filme, e gargalhadas com o tempo que passa por elas. Telefonemas a pôr em dia os colaboradores e uma passagem por consulta sem ser de rotina.
Sem ser de rotina são hoje os exames que se avistam e que com sorte serão afastados, e outra rotina , outros assuntos de negócio e outro que é o de entregar as contas e discutir com isso o zen e a sua relação com outras espiritualidades e finalismos.
E novamente as questões emergentes da finalização do livro.... e amanhã...

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Sunday, January 25, 2009
 
on the move....

pois, por motivos diversos, ando em movimento por aí. Depois desta semana ter ido a Barrancos e Espanha e a Viana do Castelo, depois de ter tratado de uma série de questões da finalização do novo livro de Energias à finalização da Apresentação em digital da EEVM, que me levará esta semana novamente a Esposende, e tratado de meia dúzia de questões relacionadas com as funções, de ter interpelado e respondido à resposta do Bispo de Beja, e ter escrito mais uns artigos, vou esta semana às Caldas da Rainha à oração e ao norte como mencionei, e novamente a Barrancos e Espanha e por aí.
E entretanto algumas reuniões em Lisboa, para processamentos...
E para a outra semana voltarei a estar on the road,,,
Isto está divertido.
E no caminho recordei também a sessão, uma das sessões de cadomblé a que assisti,,, tudo muda,,,tudo,,, fica.
Na que participei tudo se esfumou com a vertigem e dissociação nas estruturas mentais e no conhecimento.
Porque será que a energia quântica continua a inspirar-nos o caminho?
Porque será que não vemos o tempo?

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Friday, January 23, 2009
 
Sondagem para Lisboa,

Valem o que valem, mas são melhores indicadores que palpites e projecções de conversa de café ou julgamentos de intençao.
Amanhã no Correio da Manhã será divulgada uma para Lisboa. Nos termos dessa o PS ficaria com 7 vereadores o PSD 4, o Movimento de Cidadãos com Helena Roseta, com o apoio do Bloco de Esquerda teria 3 e a CDU 1,5. O outro 1,5 (claro que o 0,5 é só porque não tenho a régua de calculo que deve arredondar para a CDU) caíria no maior resto, em principio o PS.

Infelizmente o cenário não será esse e os sonhos de uma alternativa cívica que responda a uma lógica de rigor e participação com a confluência de quem tem esses valores no quadro autárquico, onde não relevam ideologias globais, parece longe, muito longe de se concretizar.
Muita água ainda correrá sobre as pontes, sendo que há uma que ficará para Alcântara, por palpites, projecções, e conjecturas fora de tempo e oportunidade.

E falta estudar o impacto de não haver, em principio e neste quadro, voz cidadã seja nas europeias seja nas legislativas e as consequências disso numa eleições que serão compressas entre outras.
Não deixarei por mãos alheias o meu empenho, cívico, social e político.

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Thursday, January 22, 2009
 
Ran, de Akira Kurosawa

É um filme, além de desmesuradamente belo, com interpretações fabulosas e cenários deslumbrantes um filme de grande profundidade socio-cultural e que, na linha de textos base de uma tipologia de pensamento, como a "arte da guerra" ou "porque não sou budista" nos remete para uma lógica diferente daquela a que estamos habituados.
A montanha não se mexe, mas pensa, como o Aldo Leopold também nos inicia.
A montanha espera que os que a habitam se movimentem, são eles na sua diversidade que lhe dão sentido. A montanha organiza as suas forças para integrar a intempérie, e resistir aos calores, e por ela passa o vento, muito vento que espalha a vida que também graças a esse se continua.
Mas também se pode escavar a montanha e nela procurar abrigo...
Pois quando a montanha por temeridade de falsos líderes se move, como no filme e deixa de escutar a memória de quem por ela lutou, perde.
A montanha tem que adaptar-se às realidades e essas podem vir de diferentes direcções, e essa adaptação pode passar por várias diversas formas, pode procurar e encontrar aliados, de diferentes horizontes, a montanha pode integrar outras montanhas desde que o seu espírito seja forte e que saiba a direcção e escolha o caminho.
E até se pode mover então, compacta, mas com um pensamento bem estruturado, integradora mas sabendo que o tempo selecciona, abrangente mas sabendo que terá que haver selecção. A montanha tem que perceber o vale, a planicie, o rio. Tem que identificar a escarpa, e o corte da ffalésia, tem que se lembrar de quando era vulcão e saber a terra.
Isto tudo a propósito de algumas leituras e um rebobinar do Ran.
Tudo é só uma palavra como nada.

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Wednesday, January 21, 2009
 
Editou o Público no início de Janeiro um artigo meu que resultava de diversas discusões e diversos acordos.
Por razões várias, que também poderão ter que ver com ventos que passam, ao contrário do que pensava em vez de se desenvolver a estratégia nesse pré-anunciada houve acrimónias e até insultos.
Não ambiciono senão defender a minha posição nos locais para os quais sou convidado (ou em lógicas de oposição onde faço valer a minha presença) e onde essa é pelo menos considerada para discussão, pelo que por aqui me fico...
Talvez encerrando um ciclo, que também é uma volta no caminho do conhecimento escrevinhei um texto sobre as questões sérias que me colocaram.
Aí o deixo, com duas notas finais.

A ideologia da “cidadania”

“Fazendo as palavras significar-se”
Adaptado de “Alice, do outro lado do espelho”

Ideologia é uma formatação teórica específica em defesa de situações de interesses determinados, que procura dar-lhes conteúdo social (incluindo nesse obviamente a economia e a organização do poder).
Não é uma religião nem um clube de futebol e é ou deveria ser compaginada com as mudanças sociais reais, e integrar os novos paradigmas de gestão. Ter adaptabilidade ou tempo e ao modo como este se processa.

Foi a critica mais substancial que recebi, normalmente vinda de gente que encara o partido e a suposta ideologia desse, como religião revelada, em relação ao partido “não partido” estrutura de suporte a movimentos de cidadãos que num quadro de orientações de rigor, respeito à palavra dada e lógicas de gestão sustentáveis se venha, eventualmente, a constituir.
Existem interesses específicos dos cidadãos que não querem senão a melhor gestão dos seus concelhos, com as orientações referidas e essa também implica uma lógica política de participação e uma visão social justa e solidária.

E é claro que não pode ser mais evidente a ideologia em que radica o esqueleto desta forma de intervenção social, que é o municipalismo nacional e a sua história de autonomia, e nesse âmbito os projectos nacionais só podem contradita-los.
E para alem de as autarquias não serem locais para disputa de linhas de “macro-estrutura” a cidadania permite começar a torpedear a máfia de interesses que se alicerça na tripeça clubes de futebol (ou outros) estruturas locais (ou outras) dos partidos e construtores civis (esses mesmos) que deveriam provocar mais acção da Procuradoria Geral da República, talvez para “lavar algumas mãos”...

A ideologia da “cidadania”, há que demarca-la de qualquer, todos, populismo que se pode esconder sob esta, ancora-se na defesa intransigente da maior participação democrática (é pois liberal!) e na mais ampla autonomia individual (libertária, pois então) e escora-se nos pilares da sustentabilidade social (socialista, é bom de ver).
É um rastilho liberal-libertário-socialista, cuja contextualização pode identificar um novo paradigma cívico e político.

Também recebi outras críticas, (a algumas só o tempo dará respostas...) a que não quero deixar de dar já alguma satisfação.
Não tenho a mínima dúvida que cada momento requer uma resposta diferente. (*)
E será nesse âmbito que na qualidade cidadã me empenharei nos diversos actos eleitorais. O tempo da tutela e da obediência a um partido/seita já passou.

P.S. 1
Embora haja mais oásis que desertos, este partido “não partido” só seria funcional com o impulso dos Cidadãos Por Lisboa e com a liderança de Helena Roseta. Não havendo esse... desde logo a iniciativa fica curta de bornal.
P.S. 2
Claro que a lógica de qualquer grupo de cidadãos tem vários pés, a "ideologia" de base, e desde já tenho que referir que penso essa cria fronteiras claras em relação a dogmatismos de pensamento, a estrutura em rede de organização que é uma teia de relacionamentos, e uma pessoa em torno da qual se articula (e não duas, desde logo isso deve ficar claro). É em relação a esses três elementos e todos eles devem ser bem oleados (para evitar o populismo é a única mézinha!). Claro que é fundamental antes, por exemplo de criar estruturas decidir caminhos e fazer o enquadramento desses e pensar nos cenários globais e nos calendários. É preciso pensar como uma montanha.
Acho que não faz sentido repetir o C.P.L., penso que o grupo que se juntou em 2007 só terá viabilidade se escolher o caminho de operacionalização de um partido/estrutura e se romper os quadros partidários e juntando os elementos que se reveêm no procedimento enunciado, sem tabús, nem preconceitos e se fizer essa aposta no âmbito de uma reflexão política que integre as várias eleições.
Perguntar-me-ão como? Pois já inventei coisas mais difíceis. Todas tive que abandonar. Em todas deixei amigos e continuidade

(*) Assino este texto na qualidade de inscrito em 2009 no Partito Radicale Transnacionale e Transpartito....

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Tuesday, January 20, 2009
 
a cor plúmbea do Tejo
passa na paisagem
com o vento

Não acredites em tudo o que lés, não acredites em tudo o que ouves, acredita no som da água na cachoeira, no voo da águia sobre a montanha, e na lontra a resfolhar ao pé do rio.

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Sunday, January 18, 2009
 
Depois da Valsa de Bashir dia 16 realizou-se um, penso que interessante (juiz em causa própria pode não ser o melhor avaliador...) debate.
Tinha rabiscado umas notas que não saíram do bolso,,,
Aqui vai o que estava rascunhado...

Começaria por referir que temos que ter cuidado ao analisar as realidades hoje, em muitos casos, ficções ou manipulações fabricadas para conduzir a determinados pensamentos.

Tinha pensado mencionar que uso 2 instrumentos para analisar a realidade.
A lógica da gramática generativa (no desenvolvimento que o Chomsky, linguista lhe deu no, para o pensamento) que nos exige esgravatar para descobrir seja a praia sob os escombros da ficção que hoje cerca a realidade, seja decompor os factos e enquadra-los em quadros globais.
O outro é, neste âmbito, valorizar os signos, as palavras e os seus significados, as suas origens, a verdade e a mentira que essas podem esconder. As palavras decompõe-se, tem vida própria independente de nós que as usamos e para entrar neste tema do filme tem raízes, eternas...

Gostaria de ter continuado pela Amnésia, o escavar da memória, a sua verdade ou re-invenção, sendo essa, qual for, o seu exorcismo e falar de Amnistia que se significa intransigência no assumir do passado real, da sua culpa e da recusa de qualquer outro referente senão o direito e do seu respeito. São palavras com o mesmo étimo....

Teria gostado de fazer um aparte sobre este filme que nos remete para a necessidade da responsabilização individual e essa passa por este exorcismo, mas também por identificar os protagonistas, os mandatários que despertam a fera que executa sem laivos de humanidade.
E aqui valeria um parêntese sobre a culpa que não pode ser que expiada por nenhum finalismo vingador, tributário de lógicas religiosas, sim a pena de morte é tributária de lógicas religiosas, e não permite humanidade e em muitos casos, como foi o de Sadam, por exemplo, é uma forma de encobrir a análise e a realidade de processos.

Tinha pensado mencionar outra questão que do filme se pode suscitar e que tem a ver com a violência, a guerra em si como negação da política, como nos diz Hannah Arendt. A violência que existe quando se procura totalizar o discurso e não lhe permite ouvir o outro. E há que referir que as guerras nestes solos “sagrados” (não o são todos?) tem origem na ideologia da omnipotência.
Duas linhas dessa são por um lado o judaísmo assumindo-se estado-nação na expectativa de um Messias, que neste momento transforma Israel numa teocracia, ainda com algumas liberdades públicas mas com fortes entorses a essas (Mordechai, os objectores de consciência, a proibição de partidos) e a lógica de conversão em fanatismo, em sionismo religioso “a ideologia laica original dos pais fundadores” (H.Arendt)
Por outro lado o islamismo na sua vertente totalizante de “Huma” (sociedade/religião) que se típica na teocracia absoluta do Irã e nos seus agentes Hezbollah e Hamas e que não se diferencia do seu irmão gêmeo o waabismo da Alqueda ou da Jihad, senão em detalhes de forma. Intolerável e lamentável que se ouçam por aí vivas a estes defensores das trevas.

Tinha pensado concluir com o meu referente de base, para análise do enquadramento dos direitos humanos que nos remete para o “Apocalipse”. Os seus 4 cavaleiros.

Conquista, controle de áreas supostas vitais para a expressão de uma idéia que não é desta terra, seja qual dos lados seja, no quadro de linearidade de leituras “sagradas”
Peste que são as conseqüências nos que sofrem física, moralmente ou no patrimônio dessa
Guerra que é o modo que temos infelizmente nos media a ofuscar a verdadeira vida, e a exigir acção imediata, e essa passa por desmascarar a estrutura ...
E Morte que são os fanatismos, os fanatismos todos que alimentam este cenário e contra o qual este filme, assim como testemunhos de coragem com os do Paz Agora e Uri Avnery, e a nossa acção e empenho intransigente nos princípios e no direito desses se levantam,,,,

É claro que nos meus primeiros 15 minutos e na réplica mais curta que verbalizei depois de perguntas não recordo de ter dito nada disso.
Mas falei com a sinceridade e o rigor que procuro dar a intervenções que reputo podem criar pensamento e produzir reflexão para a acção.
A mensagem ficou a soprar como uma vela que se mantêm acessa.

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Fluviário de Mora

À muito que andava a programar uma visita ao Fluviário.
Este fim-de-semana a Assembleia Geral da Confraria Gastrónomica do Toiro Bravo, na quinta de Mestre David Ribeiro Telles, em Pavia, que foi um convivio notável de boa manja e passar do tempo, e foi um gosto estar com o Mestre que dos seus 80 e tais se mantem atento e informado, levou-nos até Mora.
O farto almoço não nos impediu de ainda ir ao Afonso, em Mora, e deliciarmo-nos com um escabeche de carapau em tomate, uns ovos de codorniz em azeite e oregãos, um queijo de apurado travo e, a rematar uma sublime acórda de perdiz que durante tempos muitos será para recordar.
Uma noite na antiga casa senhorial que hoje é a agradável "estalagem dos lilazes" e com o Presidente da Câmara de Mora, José Manuel Sinogas, como companhia iniciámos uma visita ao concelho e desde logo verificámos que ele transpira de energia e vitalidade. Projectos inovadores, rigor na execução e sustentabilidade pode dizer-se que são aqui a tripeça de apoio a uma gestão que roça o excelente.
E o Fluviário deixou-nos deliciados. Um espaço de excelencia, em termos de organização, de gestão do espaço, de mobilização dos que nele trabalham, e no que respeita as lógicas pedagógicas que podemos observar.
A ideia que tinha exponenciou-se e recomendo a todos uma visita e ao concelho...
Ainda um almoço no António, onde foi titular uma lebre com feijão que ainda carrego no travo, antes de passarmos por Pavia para ver a Anta e o Museu, e visitarmos os preparos gastronómicos de recente matança de porco no centro de convivio dos idosos.
Passámos pela igreja que ocupa lugar de outros cultos e que talvez por erros e má fortuna só tinha 5 almas a assistir à missa. Será o caminho que decisão errada do bispo de Beja poderá conduzir a paróquia de Barrancos....
Não existe religião, nem práticas sociais do ritual, seja ele qual for no tempo que o muda, contra o sentir do povo.

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Friday, January 16, 2009
 
Teremos sempre a Campanhã....
É um local sombrio, que ninguém em seu perfeito juizo recorda, e todavia tem um valor simbolico grande, é chegada e partida de um percurso, por onde se passa.
Hoje, dia em que concretizo também uma nova campanhã na vida, na qual tive companhias e momentos gratificantes, voltei a ver uma jovem, minha ex-colaboradora e amiga, e não o digo por ser filha de dois velhos companheiros de estradas.
A Vânia tem andado a descobrir-se e o mundo. O mundo dela também está aqui:
http://www.flickr.com/photos/warrior_for_life/
Hoje, com a tristeza de todas as campanhãs da vida, mas com a alegria de todas elas, voltei a entrar no Tao e no conhecimento desse, mesmo que só nos olhos verdes, ou no som do tempo a assobiar.
Sabemos assobiar, mas não vemos o tempo nesse.

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Wednesday, January 14, 2009
 
O Direito humano ao clítoris...
Hoje, a convite do meu velho amigo Jorge "Galinheiras" fui fazer uma palestra sobre a Amnistia Internacional e os Direitos Humanos à Escola Brancamp Freire à Pontinha.
A uma pergunta sobre os direitos das crianças além das referências obvias do extrapolar dos Direitos genéricos para estas falei nas crianças soldados e na Mutilação Genital Feminina.
Penso que ficará de recordação. Eram 26 jovens (10 rapazes e 16 raparigas) que não faziam ideia do que isso era... Eu lá expliquei, desde logo convicto que seria pouco, que era genericamente (e não entrei noutros horrores!) a ablação do clítoris das meninas...
Pois, sem surpresa, vi 1o pares de olhares curiosos e 16 surpresos sem saber o que isso era.
Lá os remeti para as mães ou os professores de biologia ou ginástica, ou a enciclopédia... e com a ajuda do Jorge lá voltei ao tema central.
No final fui informado que se a curiosidade se mantêm pelo menos há já 32 olhos mais informados sobre um dos pontos do corpo humano onde se situam conhecimentos.
Os direitos humanos também são esta informação.
Hoje quando o Sr.Policarpo censura lógicas religiosas do, no casamento muito haveria que dizer sobre a moral católica no, do mesmo, mas fico-me pelo clítoris, que tenha longa vida.
É que quem tem telhados de vidro, desconhece ou recusa o prazer sexual, ou o considera fonte de todos os males, devia olhar para dentro de si, defender o preservativo e metodos de controle da natalidade que não fossem ficção, e a responsabilidade do usufruto sexual, antes de deitar a sua lama para o quintal do vizinho.

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Sunday, January 11, 2009
 
O trabalho regressa em força, também porque lhe antecipamos o tempo por via de outros tempos que vivemos, o fim dos projectos de 2008, que articula com o inicio de outros para 2009 (findo um documento de educação ambiental e um livro sobre sustentabilidade outros livros sobre água entram nas boxes...) , e respostas a solicitações que não param, por aqui e por ali, de colóquios sobre direitos humanos a outros sobre sustentabilidade, só esta semana serão mais dois ou três.
E, porque sou pouco, nada de enredos, um ponto final numa lógica de acção política que andava a congeminar, porque para mim chega o valor da palavra, dada.
Outras oportunidades haverá, outros caminhares aparecerão, tenho que referir que com certo alívio de alma, volto ao meu respirar sendo que não deixarei as ligações e as simpatias que se construiram neste âmbito e se poderão voltar, mais cedo ou mais tarde, a encontrar.
Não sou de enredos e sou pelo falar claro.
Continuarei a intervir q.b. no âmbito dos Cidadãos Por Lisboa, onde passei dos momentos mais entusiasmantes de descoberta e empenho, assim se justifique essa intervenção, e continuo a passá-los.
E não deixarei o meu empenho em outras batalhas para que me disponibilizei, de lado.
E neste diário, aqui fica este registo. Quem me conhece sabe que não tenho duas palavras.
Parar para pensar é o desejo, também, da montanha.

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Friday, January 09, 2009
 
#Pensar como uma Montanha#
de Aldo Leopold,
Edições Sempre-Em-Pé

"Um uivo vindo das profundezas ecoa de orla em orla rochosa, rola montanha abaixo e extingue-se na longinqua escuridão da noite. É a erupção de uma dor selvagem e desafiadora, cheia de desdém por todas as adversidades do mundo.
(...)
Só a montanha viveu o bastante para escutar objectivamente o uivo do lobo"




 
Thursday, January 08, 2009
 
Mais 900 Kms papados e devo referir que na auto-estrada o pensamento se expande.
Pensei nos livros que li nos transes do samsara, "The Tao of Phisics" e "Le Petit Prince", este até o saber de cor, e o Tao 3 vezes, e na volta fixei-me no Houdini, talvez premonitóriamente.
Lembrei-me que o nada é energia em movimento...
lembrei-me do dialogo na borda do deserto (há mais oásis que desertos), depois do príncipe cativar a raposa... quando se separam...
Recordar o que ficou é a forma de manter o futuro guardado numa caixinha?
 
Wednesday, January 07, 2009
 
O livro está mais adiantado do que previa, se tudo correr bem dia 26 passará para mãos do editor...
A caminho do Porto ainda tenho tempo de marcar os finalmentes de outro documento (power point) para a semana também para a edição.
Os paineis concluidos...
E o joelho já é só a comichão da penugem e as restrições habituais...
Mais tempo para o tempo da cidade, e aproveitei para rabiscar outro texto, agora respondendo a questões "ideológicas", que a intervenção independente não deixa de ser formatada por três pontas, liberal no social, libertária no individual, solidária e socialista na política, do meu ponto de vista, e deve afastar-se de qualquer populismo... bom logo se verá...
O frio, algum frio, chegou e com ele o anúncio de outros momentos, de onde saem no fumo das lareiras os espíritos que endiabrados nos povoam os pensamentos.
O ano vai ser divertido.
Ter voltado a levitar dá-me uma perspectiva nova, renovada, sobre tudo. Mesmo tudo!!!
 
Monday, January 05, 2009
 
Voltámos ao cotidiano, conforme nos indica o calendário,,,
paineis de informação prontos para entrega,,,
power point em finalização,,,
e um dos livros do ano a calendarizar-se para a editora lhe deitar a mão,,,
colóquios agendados,,, por aqui,,,, por ali,,, por acolá,,,,
outro livro a ser pensado ainda,,, para final de Maio,,,,
projectos no ar,,, outro livro ainda mas esse mais para passado o equinócio,,,
e, enquanto tudo isso, a guerra, as guerras continuam,,, e também faço o que posso por esse empenho pela paz,,,
e política,,, política local,,, onde não transijo,,,já não tenho expectativas que me levem a transigir,,, com a minha consciência,,, por questões menores,,, que se resolvem a esse nível, nunca me afastei dos projectos em que acredito,
mas rejeito qualquer pensamento religioso de tutela e isso quer dizer que procuro, sempre em nome individual e procurando consensuar pensamentos nessa dimensão, o que acho mais correcto,,,
hoje estive a pensar em dois dos "partidos" em que estive. Saí dos dois apresentando individualmente moções aos congressos, curiosamente tive nos dois casos um terço dos votos, sempre contra uma única moção da direcção.
também me recordei de outro congresso partidário em que ganhei. Em Bolonha, e recusei um lugar na direcção por discordar dalguns metodos,,, voltei a inscrever-me e fui "co-optado" para sei lá o quê,,,
Vou discordar sempre de metodos que não sejam transparentes, no quadro de regras bem definidas,,,
Talvez por isso mantenho amigos depois de tudo, talvez por isso mantenho os amigos antes de tudo,,,
e, tenho que confessar,,, não sei,,, não sei,,,, o que será,,, imponderáveis surgirão,,, só sei,,, onde não estarei,,,

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Sunday, January 04, 2009
 
A Valsa com Bashir, de Ari Folman

É um filme sobre a alma, a alma e os seus tormentos, a memória e o esquecimento.
É um espectacular filme, feito por um processo narrativo de recuperação e exorcismo da memória que se conclui com todo o horror que desta não se apaga.
Tenho referido, no contexto de alguns colóquios sobre direitos humanos e voltarei a referir no quadro de debate sobre este filme os 4 cavaleiros do apocalipse que nos ameaçam.
A crise financeira e a recessão económica, com os constrangimentos sociais e o aumento de situações críticas para os direitos economicos e sociais, a crise ambiental e as alterações climáticas com as emergências daí resultantes que são a escassez de recursos e as deslocalizações em massa, o fanatismo, todos os fanatismos que vão desde os do Vaticano, aos dos islamismos, do sionismo, ao extremismo hindú, que passam por outros de raça, clube ou seita, sendo que essa pode chegar a ser partido, e finalmente o 4º cavaleiro que junta normalmente esses três, que é a guerra, que se apresentava larvar por aqui e por ali e neste momento se apresenta em todo o seu esplendoroso horror, e que deve ser denunciado com a maior, toda a veemência em articulação com os outros factores que em maior ou menos dimensão a motivam.
A luta pela defesa dos direitos humanos passa por este filme e a sua alma, o reconhecimento que no fundo de cada um há esperança e compaixão, mesmo se afogada, nomeadamente pelo fanatismo e a intolerância. A luta pelos direitos humanos passa por uma intervenção enérgica de empenho político na resolução do problema humanitário e outro empenho na construção de caminhos de dialogo que sem cedências estruturem um caminho de paz e responsabilidade.
Tempos tristes vamos vivendo, dizei o que sentis e não o que tendes a dizer.

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Saturday, January 03, 2009
 
Hoje, no Público, com uma edição ligeiramente diferente:

#Um partido “não partido” para dar voz à cidadania, resolvendo os enigmas! *

Será a proposta que penso deve ser feita aos cidadãos que em vários locais, em várias autarquias se disponibilizam, com programas claros que assentem em quatro pilares fundamentais, que são:

1- a participação cidadã a todos os níveis dos processos de decisão, seja no desenvolvimento das Agendas 21, seja na intervenção publica nas principais decisões dos concelhos, seja nos orçamentos participativos ou nos planos de ordenamento,
2- a transparência nos processos de decisão, que implica simplificação de processos, exigência na gestão e escrutínio financeiro rigoroso,
3- o respeito à palavra dada, que não é uma questão menor, mas sim deveria ser a base de toda a actividade política e cívica,
4- uma aposta na sustentabilidade, e esta é um compromisso múltiplo económico, social e ambiental,

A proposta deve ser incentivada pelos Cidadãos Por Lisboa e lançada como desafio noutros pontos do pais, para que nesses, nas suas condições específicas grupos de cidadãos, em total independência mas obedecendo aos critérios enunciados e esses também responsabilizam os cidadãos, no seu percurso cívico que os levantem como referência, por aqui, por ali, por acolá comecem a romper os bloqueios cívicos para o melhor exercício da cidadania.

Claro que desde logo esta proposta, esta iniciativa deve obedecer aos determinantes da lei dos Partidos Polítícos mas com habilidade e métodos claros pode-se criar uma estrutura que articule os movimentos cívicos sem qualquer outra tutela que não a destes compromissos.
E será desde logo claro que este partido “não partido” terá como enfoque esta disputa política, e mais, penso até que este “partido” deve ser formado com desde logo um horizonte de perenidade.
Assim que estejam concluídos todos os decorrentes legais das eleições autárquicas deve dissolver-se e substanciar assim a independência dos grupos de cidadãos de quaisquer tutelas.

Mas embora não deva estar disponível para outros envolvimentos, directos, nos cenários eleitorais que se apresentam para o próximo ano, esses não podem ser ignorados.
Hoje não se pode intervir nos municípios sem ter presente a dimensão européia (os projectos intermunicipais europeus, os financiamentos, as interligações) e sobretudo, e em Lisboa o sabemos bem, as políticas nacionais que muitas vezes contra os interesses da cidade, das cidades se estruturam.
Para cada eleição se devem organizar as forças que dêem conteúdo a uma idéia, um projecto social, uma perspectiva económica, que responda ás vontades dos e das portugueses/as.
Para caminhar o equilíbrio faz-se melhor com duas pernas.
Cidadãos mais um esforço...

Este texto resulta de conversas e discussões entre cidadãos, por vários pontos, locais do nosso pais, mas substancialmente tem que ver com o que estamos também a discutir nos CPL, mas, de momento só me responsabiliza a mim.

Desde já refiro que tenho interesse e empenho em que para Lisboa se volte a apresentar Helena Roseta com uma equipa de renovados empenhos, que apresente um programa articulado, que seja resultante como o anterior de muitas e variadas contribuições, e uma equipe que sem lógicas de protagonismos individuais se disponha a mobilizar para a próxima vereação e outros órgãos municipais as vontades de convergência, todas as vontades, sem quaisquer outros empenhos senão essa transparência e sentido cívico, e nos órgãos municipais exerça também maior criticismo face ao governo da Republica, e continue o que tem sido uma participação autárquica exemplar e assim o estabelecimento de âncoras de sustentabilidade para a Cidade.
Da cidade, talvez, para o universo...
#

* O título e a resolução dos enigmas, o começo da sua resolução, remetia para artigo anterior, em que referia que se falava por enigmas era porque os resolvia todos (remetendo para "O Princepezinho").
Pois em Janeiro, no quadro desta posição, começarão a ser solucionados!



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Poucas vezes trago aqui textos, que não alguma poesia ou citações, de outros.
Hoje, no contexto de extrema gravidade que têm a situação de guerra entre Israel e a Palestina venho aqui trazer um importante documento pela paz.

*Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama*

O ex-deputado do Parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz, Uri Avnery, redigiu uma carta aberta ao presidente eleito dos EUA, Barack Obama, sugerindo que o novo governo comece a agir pela paz israelense-árabe a partir do primeiro dia. "Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de falarem sobre paz da boca para fora, e às vezes realizarem gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço", diz Avnery.
Esta é uma carta aberta escrita por Uri Avnery, 85 anos, ex-deputado do Knesset (Parlamento de Israel), soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e que há décadas milita pela paz:

"As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:

1) No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do primeiro dia.

2) As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e israelo-pan-árabe em 2009.

3) Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço.

Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos assentamentos colonizadores de Israel nos territórios ocupados da Palestina e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.

4) Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos "ilegais" e os outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar essa simples verdade.

5) Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz – impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino. Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado, aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos, como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia Sasson.

6) A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns 250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio significativo nos ministérios de governo e no exército.

7) Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer chance de sucesso.

8) Na ausência de tudo isso, todas as "negociações de paz" são uma farsa. O governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de "Annapolis" são tão vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por interesses politicos próprios.

9) A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.

10) É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias desacreditadas e iniciativas falidas – como a "visão" de Bush, o "mapa do caminho", Anápolis e coisas do tipo – devem ser lançadas à lata de lixo da história.

11) Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).

12) Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do interesse nacional americano, de remover o veneno das relações muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.

13) Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. São eles:

a) estabelecer-se-á um Estado da Palestina soberano e viável lado a lado com o Estado de Israel.

b) A fronteira entre os dois estados se baseará na linha de armistício de 1967 (a "Linha verde"). Alterações não substanciais poderão ser feitas por concordância mútua numa troca de territórios em base 1: 1.

c) Jerusalém Oriental, incluindo-se o Haram-al-Sharif (o "Monte do Templo") e todos os bairros árabes servirão como Capital da Palestina. Jerusalém Ocidental, incluindo-se o Muro Ocidental e todos os bairros judeus, servirão como Capital de Israel. Uma autoridade municipal conjunta, baseada na igualdade, poderia se estabelecer por aceitação mútua, para administrar a
cidade como uma unidade territorial.

d) Todos os assentamentos colonizadores de Israel – exceto aqueles que possam ser anexados no marco de uma troca consensual – serão esvaziados (veja-se o 15 abaixo)

e) Israel reconhecerá o princípio do direito de retorno dos refugiados. Uma Comissão Conjunta de Verdade e Reconciliação, composta por palestinos, israelesnses e historiadores internacionais estudará os fatos de 1948 e 1967 e determinará quem foi responsável por cada coisa. O refugiado, individualmente, terá a escolha de 1) repatriação para o Estado da Palestina; 2) permanência onde estiver agora, com compensação generosa; 3) retorno e reassentamento em Israel; 4) migração a outro país, com compensação generosa. O número de refugiados que retornarão ao território de Israel será fixado por acordo mútuo, entendendo-se que não se fará nada paramaterialmente alterar a composição demográfica da população de Israel. As polpuldas verbas necessárias para a implementação desta solução devem ser fornecidas pela comunidade internacional, no interesse da paz planetária. Isto economizaria muito do dinheiro gasto hoje militarmente e a partir de presentes dos EUA.

f) A Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza constituirão uma unidade nacional. Um vínculo extra-territorial (estrada, trilho, túnel ou ponte) ligará a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

g) Israel e Síria assinarão um acordo de paz. Israel recuará até a linha de 1967 e todos os assentamentos colonizadores das Colinas de Golã serão desmantelados. A Síria interromperá todas as atividades anti-Israel, conduzidas direta ou vicariamente. Os dois lados estabelecerão relações normais.

h) De acordo com a Iniciativa Saudita de Paz, todos os membros da Liga Árabe reconhecerão Israel, e terão com Israel relações normais. Poder-se-á considerar conversações sobre uma futura União do Oriente Médio, no modelo da União Européia, possivelmente incluindo a Turquia e o Irã.

14)A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA
respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.

15) O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.

16) Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento, mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar a base psicológica para a paz.

*Tradução: Idelber Avelar*
*30/12/08*

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Friday, January 02, 2009
 
O tempo passa, o tempo fica. Os sons do mundo mudam assim com a nossa percepção desses...

Que el corazón no se pase de moda

Que los otoños te doren la piel

Que cada noche sea noche de boda

Que no se ponga la luna de miel

Que todas las noches sean noches de boda

Que todas las lunas sean lunas de miel.

(J. Sabina)

Trecho de poema que me foi enviado após uma tarde que se prolongou no tempo pelo meu velho amigo e camarada de convergências e também divergências Pedro Caldeira Rodrigues

 
civetta.buho@gmail.com

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