insignificante
Recordo sempre com prazer os espectaculares livros de Régis Debray sobre a Invenção de Deus e tanta leitura e discussão que temos tido sobre rituais, transcendências, ficções, materializações dessas, sobre as palavras e os sonhos, ou o local no cérebro (como estabelece nos livros acima) onde alojamos deus.
Se esse existisse seria intrinsecamente mau, dado o nosso conhecimento e a história, seja em que etnia ele seja, mas o espaço ritual e de religião, que a partir dessa in-realidade criámos é da maior relevância em termos da História e das nossas sociedades.
Uma boa discussão agora que a própria, as próprias igrejas mataram ou cancelaram os seus deuses e todos os rituais.
Labels: Debray, mediologia, religião

O Natal é uma grande história, que antecede a sua marcação como facto do cristianismo, julgo que no século IV, aquando da conversão forçada pelo Imperador ao mesmo (todas as religiões são fruto do medo e da imposição, como nos refere o mediologo Regis Debray, sendo que esse assume diversas formas podendo mesmo ser determinado em áreas cerebrais susceptibilizáveis por luzes e sombras). Este dato corresponde ao equinócio e sempre foi comemorado como o re-nascimento do astro-rei Sol, daí as ligações, re-ligações que o cristianismo está cheio, com os antigos cultos zoroastricos, interligados com os da Deusa-mãe, Astarte que integra numa lógica de poder e do terror deste. Claro que também poderíamos ir buscar o Hanukah que com as oscilações de calendário se pode comemorar na mesma ocasião...
Bom isso é tudo tema para outro livro que um dia escreverei sobre o poder, os poderes.
Hoje ao lusco-fusco, com há muitos, muitos anos (e era um hábito em todas as zonas do interior ibérico que se continua por terras de Espanha e Barrancos e hoje se recupera em muitas outras) na Praça onde já foram enterrados os nossos ancetrais na construção do povo (sob ou mesmo no terreiro da igreja) vai-se pegar lume com os chumiços, diz-se para aquecer a alma, o nascimento de Cristo-Rei (ou do tal Sol, que volta a engrandecer os dias), ou para grelhar os catalães e fazer as migas, ou para passar o tempo entre uma sociedade e a outra, uma copa e outra, e duas palavras com ou sem jeito, dependendo da hora.
No fumo do ano passado vi um ano negro,,, e foi, embora a nível do que fiz tenha sido um ano sensacional não poderei nunca esquecer a dor imensa que foi a morte do meu amigo e irmão José Januário e o momento em que no jardim das Furnas o ritualizei em espírio, foi duro, muito dura a passagem.
O próximo ano logo o verei nos fumos do lume, mas se bem que tenha alguns dados também pessoais que o anunciam de sucesso temo que socialmente nos vá levar aos tempos(anos 30) que George Grosz tão bem desenhou. A crise não me parece que tenha solução no quadro das actuais economias e sistemas produtivos a não ser do mesmo modo que a que ele desenhou teve. E todos sabemos o que os nacionalismos e o seu "espaço vital", as religiões e o seu poder intolerante, e a ganância e o seu âmago social, todos sabemos onde podem,irão conduzir-nos.
Talvez as vozes que se vão encontrando pelos desertos consigam criar o som que traga, sabe-se lá se com o vento suão, a luz que nos possa ajudar a com a terra e o suor nesta superar este momento.
Logo vos direi como arde o lume, santo.
Labels: Barrancos
Os neutrinos não atingem a velocidade da luz, Einstein continua a estar na base do pensamento sobre a matéria e o espaço-tempo e a sua expansão, sendo que se tivessem atingido a velocidade da luz teriamos que entrar na "alternativas históricas" e encontrar outra versão quantica para construir em cosmologia o inicio, ou talvez não.
Neste livro delicioso "The Grand Design" Hawking & Mlodinow apresentam-nos o estado da arte na evolução do pensamento sobre o universo, as teorias desde os antigos até hoje e neste caso vão um passo em frente de onde Hawking já tinha chegado.
A hipótese Deus não tem cabimento na teoria da cosmogense, e cada um que tire as conclusões que quiser, sendo que essa criação social tem obviamente uma boa valoração psico-cultural e nessa área, na linha do pensamento de Régis Debray é importante em termos de regulação social e para o bem estar individual, ou não.
Um livro a reter, uma história bonita, a ciência e as suas leis a criarem o Universo, num Big Bang, que continua, nos nossos micro-ondas...
Labels: Hawking, Livros, tempo
Ao ler este livro que é um conjunto de ditos sem sentido nem a mínima lógica:
lembrei-me do que já foi um intelectual de mérito:
https://signos.blogspot.com/search?q=debray
e também um personagem curioso. Os seus livros sobre história das "religiões" são obras de 1ª plana, e nesse link também encontrei artigos meus quew não merecem esquecimento.
Esquecimento e quiçá lixo merece este pequeno opusculo, de nada, sobre nada e sem nada a acrescentar, parece de um internado mental. Alguém não está a cumprir o seu papel de editor.
Labels: Debray, Livros, religião
Ainda o rei e o elefante
Este episódio merece uma reflexão pelos que se
preocupam com os direitos humanos e o ambiente.
Antes de mais uma reflexão sobre as
monarquias.
Estas são estruturas de poder que surgem no
âmbito da criação de excedentes e da sua apropriação por alguns, nas sociedades
do designado modo de produção asiático, em que uma estrutura de classes
verticalizada é culminada no rei/imperador/deus.
É talvez, até aos estudos de Regis Debray
sobre mediologia e a moderna física quântica, que entronca com o Zen, o mais
evidente testemunho da invenção de deus pelos homens e pelas suas lógicas de
organização e reprodução social.
As monarquias continuam-se na lógica do
divino, sendo a sacralização pelo Papa ou outro qualquer dignatário, um momento
dessa.
E as monarquias ibéricas tem, alem desse lado
divino, uma história pouco limpa de crimes, devassidão, incestos fratricídios e
toda a espécie de tropelias.
A monarquia não tem hoje nenhuma lógica nem
função no quadro das democracias e Estado de direito, nem sequer como
representação de uma mitologia chamada nação.
Dito isto sobre a monarquia vamos agora aos
Bourbons. E aos tempos recentes.
Neste momento a família real está atolada na
lama, um caso de corupção e tráfico de influências envolvendo a filha e o genro
do rei (como se o rei pudesse não saber...) está em julgamento e num momento em
que Espanha está com 20% de desemprego, com uma situação social calamitosa,,,
pois neste momento o rei gasta o equivalente a um ano, um ano de salário do
Presidente da Republica portuguesa (esta é para os que referem os custos
menores da monarquia em relação à democracia) para ir,,, caçar elefantes, o que
não lembra ao careca.
E acaba aí a história.
A questão da caça ao elefante, no Botswana, é
ecologicamente sustentável e faz parte da boa acção de gestão (management) das
espécies, além de espoliar esses ricaços sem consciência de umas lecas.
Talvez por isso esta parte da questão (e bem!)
não tem sido referida, e por isso aqui venho saudar a maturidade das
organizações sociais ambientais.
Labels: Espanha
Sou um praticante do zen, em diversas formas.
Também um adorador discreto de Mitra.
Recebi todos os sacramentos do catolicismo.
Tenho origens judias familiares.
Li o Corão e os Vedas.
Participei no "cabomblé"
Estudei com interesse a história das religiões e iniciei-me na mediologia (estudos da relação social com o "espírito", de que é referência Regis Debray).
Diverti-me quando me sondaram para assumir uma paróquia como titular.
Não sei porquê fiquei até adormecer a pensar no fio condutor do pensamento e do espaço que neste é consagrado ao ritual ou à estruturação deste em ligação ao tempo.
Ouvi, e talvez tenha sido deste pensamento indutor, um pouco dos Fados do coitadinho, editados no livro curioso (que acho pouco correcto que seja desvalorizado) de José Alberto Sardinha #A Origem do Fado# e pensei como tudo é uma questão de enquadramento das palavras e atitudes.
E pensei também no final da tarde e nos conceitos, nas palavras e na sua perversão, na honra e dignidade. Todas valem o que valem.
Amén.
Labels: re-ligião, tempo
Os dias, no hemisfério norte, vão, já estão, voltar a crescer, o tempo da luz solar vai ir em aumento. Todos os anos é o mesmo ciclo que continua, todos os anos se repete o mesmo, perpetuo passar do tempo.
Com os dias a aumentar sobre a noite tembém um novo ritmo, desse renovar do tempo se começa a agitar.
Embora o calendário anual, do meu ponto de vista devesse ser balizado pelo solstício da Primavera, quando recomeça de facto o novo ano agrícola (reparem Dezembro é o décimo mês em nome de calendário) hoje está nos cromossomas este tempo de passagem da efeméride, contextualizado pela nossa área cerebral que liga os momentos e os outros, que liga, religa o espaço que mediamos.
Encontro ao acaso uma citação de Nicolás Lori,Investigador em Neurociências de Coimbra, julgo que copiada de Regis Debray. "O consumo energético de diversas partes do cérebro será diferente dependendo do tipo de relação que temos com Deus.", sendo que para o mediologo francês essa parte do nosso cerebro, ainda por estudar condiciona as nossas formas de apreensão da realidade.
Talvez a levitação possa ser uma dessas formas...ou o L.S.D.
O tempo continua invernoso, a vida continua nesse... apesar de tudo.
Labels: tempo
Vi, admirado, o panegírico que com a mão do meu querido amigo Pedro Caldeira Rodrigues, a rtp 2, com escassa audiência, mas onde passam bons programas apresentou sobre Vasco Gonçalves.
Só ter convidado admiradores do mesmo, além do também "louco" Otelo, ter escolhido ângulos que o favorecem, apresentar uma mistificaçao da história, transformam este documentário em mais um para o arquivo.
É pena porque muito há para dizer e desenterrar sobre esse período da nossa estória e outras visões, até do grupo onde o Pedro na altura militava, contra capitalistas e generais, teriam dado outra vida a este... assim panegírico.
Também li hoje um documento sobre a história das alterações climáticas no quadro da história geológica da Terra, embora sem nada de novo, uma fascinante e bem elaborado texto de referência, que poderei disponibilizar.
E preparo-me para ir, num momento em que o sagrado, que também são mistificações da história, e o profano que é a realidade cada vez mais
inventada per fake news assistir a uma conversa sobre esse tema, e
releio Regis Debray...
em busca, também de alteridade.
Labels: Mitos, panegírico, sagrado profano
Já escrevi sobre o mal estar que me provocou, em diversos congressos e num até tendo sido um dos temas de intervenção, aplaudissima, minha o facto de haver um homem sanduiche a apelar à legalização da pedofilia.
Refiro congressos do Partito Radicale, que hoje tem vários comunicados a pedir esclarecimentos à igreja sobre esses crimes. Julgo que já não seria tolerado esse desviante na sala magna do congresso.
Também díficil de tolerar é o discurso, mais um, do Papa Bento Ratzsinger que condena o aborto e esquece a pedofilia dominante nos espaços fechados dos seminários e pelas sacristias.
Recordo um dos padres da paróquia da minha infancia (S. Sebastião da Pedreira), o padre Cesar que era um desterrado da pedofilia enquanto que outro o padre Mário era um mulherengo incorrigível, com várias amantes, além de um miserável com todas as letras.
A negação da sexualidade, e o próprio lugar central que é dado pela ideologia eclesiástica, que há que dizé-lo não tem nada a ver com a religião nem os textos que a alicerçam, ao sexo por religiões de primado masculino resulta nisto.
Mais cedo ou mais tarde o peso dos crimes de séculos cairá sobre os expoentes da igreja, católica. Por todo o lado padres a sairam das normas (inúmeros são homosexuais, inúmeros manteêm mulheres, inumeros são simplesmente canibais do sexo, pedófilos ou não... e sei histórias que deixariam o meu povo de Barrancos de cabelos em pé...mas que não são diferentes de outras catequeses...).
Temos ouvidos e vemos... não podemos ignorar.
A salvação está em cada qual e nos seus actos. Não há Inferno suficiente para as estruturas de maldade que se erguem, quais sanguessugas sobre a crendice e a falsa consciência.
O Régis Debray também explica isso nas suas monumentais obras sobre o lugar de deus.
Labels: Páscoa
Muito trabalho, muitos kms, muitos telefonemas, muitas reuniões.
A finalização de dois, três projectos, com os finalmentes a serem meticulosamente re-corrigidos, andanças daqui para ali, reuniões outra vez, mais telefonemas,,, almoços de trabalho, emails e mais emails, contas para regularizar, conversas sobre isto e aquilo.
Desde a última posta a só tive tempo para ir coçando a picada de insecto que me deixa o pescoço em dor e mais nada.
Hoje início uns dias 2/3 sem agenda, de não fare niente, como não tenho tido há muito e não terei tão cedo novamente. Santa quadra, da qual recordo, um daqueles momentos que não se esquece quando, Ele, me apareceu a dizer que era uma invenção da cabeça dos homens mas que os rituais, todos os rituais em que os homens e mulheres se reviam para O festejar eram importantes e ancoravam as sociedades.
Mas que não se deveriam sobrepôr ao direito, aos direitos humanos.
Numa sexta, nas vésperas do crisma, vi a complexidade do acto e a sua relação.
Deus somos nós, que o criamos e cultamos, que o religamos, todos diferentes entre os muitos que há, todos iguais porque procedem da mesma parte, como Regis Debray nos diz, do nosso cérebro onde alucinamos.
Bom, hoje contei aqui este segredo. Que vos seja útil, também.
Deus,Yahvé, Allah, Krishna, Astarte, Ra, Eloyn todos o mesmo,,,, hoje e amanhã.
Labels: religião
SIM!Hoje opinião, engajamento político e social, estudo e reflexão sobre esse:
O VOTO SIM É O VERDADEIRO VOTO PELA VIDA* E EM DEFESA DE UMA MATERNIDADE CONSCIENTEI- As religiões e a vida…
Ligar, religar a realidade ao espírito é deveria ser o papel das diversas igrejas, corporização meramente ritual e funcionalismo que intermédia o humano e o divino.
Noutra ocasião iremos por aí. Hoje adotando o método cientifico e a lógica que nos iniciou nos estudos mediológicos vamos apresentar com brevidade o pensamento de diversas fés, de diversas fés e dos seus rituais e dos intermediadores de que se servem para doutrina.
Conforme já referimos anteriormente
nada, em nenhuma religião, gnose ou seita ficou igual desde sempre,
nada ou nenhuma regra existe desde sempre para sempre porque todas as mensagens de Deus, seja ele inventado ou não pelos homens, resida numa área cerebral propicia à sua lógica (como nos diz Regis Debray existe uma área no cérebro humano capaz de inventar ou receber a mensagem ou idéia de Deus), ou tenha existência na inexistência (conforme textos sagrados O referenciam),
todas as mensagens de Deus foram intermediadas pelo homem (mesmo o caso do Alcorão, que sendo referido como a transcrição da mensagem direta de Deus/Alá, só é estabelecido em escrita canônica passados 2 ou 3 séculos dessa!)
Vamos,pois, começar pela Bíblia.
Logo entrando por Abraão somos retidos pela desvalorização do nado, pois Deus ordena a Abraão que lhe sacrifique o seu próprio filho, recém nascido, o que este se apressura a fazer.
No ultimo segundo (e se a mão se tivesse antecipado ao pensamento?) troca-o por uma ovelha…
Pois na Bíblia não há uma única, uma única referência ao aborto, e escassa humanidade há em diversos momentos nesse livro, sagrado...
1-
Para o judaísmo mais ortodoxo só em caso de perigo para a vida da mãe esse é permitido, mas cada mulher é um caso único e especial e os parâmetros que podem determinar a permissão do aborto são complexos, mesmo para a ortodoxia.
Sendo que o Talmude não sanciona todavia, sublinho, não sanciona o aborto nas condições que o sim virá permitir.
Para a lei judaica (halacha) a alma só existe a partir das 12 semanas (formação do sistema nervoso central) e portanto até essa altura não há sanção.
2-
Talvez seja surpresa mas o islã encara (embora a teoria e a prática sejam opostas como sabemos pois o islã vive sob a autoridade de infames ritualizadores do mesmo, na maior parte dos países onde domina socialmente) o direito à escolha como regra.
A maioria das escolas islâmicas de direito aceitam a realização de abortos (ab ortus, do latim , não nascimento!) até aos 4 meses de gravidez (16 semanas), embora refiram que deverá haver perigo para a vida da mulher ou má formação do feto. Todavia juristas prestigiados, por nós consultados, referem que #o aborto deve ser permitido até à vida se poder manter, com autonomia, no feto#, ou seja na prática até ao pré-naturo poder sobreviver (5 / 6 meses)
3-
Fazendo declaração de interesse, segui diversos ensinamentos budistas e estive em retiros e continuo adepto da meditação e da busca da paz interior dessa, registo que o budismo (e embora não tenha feito essa busca penso que o hinduísmo e o xintoísmo tem a mesma lógica) defende que toda a vida é sagrada.
Mas, como aqueles que conhecem, o pensamento dialético destas correntes filosóficos-transcendentais interpela-nos.
Sagrada é a vida da mulher e a sua responsabilidade e consciência.
Para bom entendedor…
4-
Uma breve nota sobre os Evangélicos não me podendo debruçar com detalhe sobre as inúmeras correntes em que se dividem e que têm, terão posições eventualmente oponíveis umas às outras, retirado da posição da conferência, (atenção não é uma ou outra seita, mas uma conferencia de todas, todas, as igrejas evangélicas do Brasil, onde são particularmente poderosas!) das Igrejas evangélicas brasileiras:
“ (...) Ainda que não aprovemos a sua postura, respeitamos as pessoas que consideram o aborto necessário e identificamo-nos com o sofrimento que estas situações geram. Propomos que se coloquem ao alcance da mulher que toma esta decisão todos os meios que contribuam para a sua recuperação plena. (...) “.
Sendo os protestantes, luteranos ou calvinistas particularmente tolerantes nesta área.
5-
E vamos à Santa Madre Igreja, Católica Apostólica Romana onde sou batizado e crismado, confessionado e comungante onde sem medo, qual S. Sebastião de peito feito à flechadas afronto a excomungo ( em companhia de inúmeros crentes e padres, que em artigos e pela internet tem afrontado a ignorância dos seus pares e a intolerância e dogmatismo! Que por esta apostasia). Vamos aos textos:
Começando por S. Agostinho, pois S. Agostinho no século IV considerava que só existia falta se o aborto fosse realizado em feto já com características humanas (40 dias para os machos e 80 para as fêmeas, notável sabendo da impossibilidade de os determinar!)
Esta foi a doutrina canônica durante séculos:
# O aborto só devia ser considerado crime num “fetus animatus”, num feto com alma, e essa só existia ás 10 semanas! #
S. Tomas de Aquino, notável teólogo dominico no século XIII voltou a referir-se que a “infusão de alma “ tendo lugar entre os 40 e os 80 dias o aborto até essa altura era por ele considerado uma forma de contracepção.
Só em 1869 o Papa Pio IX aboliu a distinção entre o feto com e sem alma e a aproximação, durante séculos, tolerante da Igreja católica ao aborto findou.
A prática todavia era já milenar.
E chegamos ao Concílio Vaticano II, onde textos foram apresentados e não discutidos devido ao “aggiornamento” que a morte de João XXIII provocou. Paulo VI, representante da ambiguidade papal, deu voz aos sectores mais tradicionalistas e contrariando os próprios textos que lhe foram apresentados pela comissão pontifícia encarregue do rascunho, que defendiam a contracepção química e a tolerância com o aborto, aconselhado por Karol Woityla entre outros, promulgou a encíclica Humanae Vitae, contraria a toda, toda há que sublinha-lo TODA (poetisa Natalia que estais nos céus...auxiliai-nos) a contracepção e dogmáticamente intolerante com o aborto.
Recentemente o sr. Bispo de Beja, contrariando essa Encíclica disse (correndo risco de excomunhão...????) transcrito pelo jornal Público (20/01/07) “às dez semanas o embrião não é pessoa humana, porque não tem consciência dos seus actos. Não tem alma"
Ficamos por aqui na nossa análise do percurso histórico, antropológico da interrupção voluntária da gravidez no quadro do pensamento religioso, ou quase...
Porque vamos aos Evangelhos...para falar do 2º ponto que quero mencionar, o que está em discussão neste referendum.
II- PELA VIDA DO DIREITO!
“ Naquele tempo andava Ele pela Judéia com os seus discípulos quando numa povoação viu uma massa ululante que insultava e apedrejava uma mulher.
Dirigiu-se a esta e perguntou- que fazeis, que fez essa mulher para merecer esse tratamento?,
respondeu-lhe um –então não sabeis? É uma prostituta, fez vários abortos.
Ele impôs a sua voz: - Que aquele que não tenha faltas que lance a 1ª pedra.
A turba cabisbaixa desmobilizou.”
A prostituta (como sabemos dada a inexistência de métodos anticoncepcionais na altura estas eram sujeitas a abortos regulares) ficou conhecida na história como ... Santa Maria Madalena.
O que está em causa neste referendum é a penalização das mulheres que tem, por razões que são sempre as mais dolorosas e impiedosas, que abortar.
É a sua criminilização. A despenalização irá criar um quadro legal que permita, com a legalidade, o usufruto de condições higiênico sanitárias que obviem centenas, centenas de situações clinicas graves anualmente.
Tem sido referido por proeminentes membros do não que a lei não se deve aplicar, que nenhuma mulher foi condenada (o que é uma hipocrisia e uma falsidade!). Pois as leis existem para serem aplicadas e há mulheres em Portugal, no século XXI condenadas.
Pois o que se não tem falado são os custos para o sistema judicial deste fardo, os custos sociais, políticos e econômicos. E é sobre isso que é o âmago do referendum.
Milhares, muitas milhares de mulheres portuguesas podem vir a ser julgadas.
Muitas, muitas mais milhares podem, numa tomada de posição gandhiana e de ação política não violenta entupir os tribunais e bloquear completamente o sistema judicial, caso o povo português não opte, claramente pelo SIM.
Não preciso de entrar em detalhes, mas não quero deixar de referir um custo, genérico para cada processo (e este é feito com base numa estimativa em que só são considerados os custos financeiros para o Estado) que se estima, por baixo, muito por baixo, pelos 25.000 Euros.
Ora façamos as contas a digamos 30.000 processos por ano são 750.000.000 euros, 750 MILHÕES de Euros, ano (cerca de 150 milhões, milhões contos em moeda antiga) a que haverá que juntar outro tanto de despesa por parte dos cidadãos (e prevendo recursos e mais recursos... pois não haverá em Portugal, no estado em que já estão os tribunais, volta a dar).
Penso que esta questão dos custos é, deveria ser neste debate marginal, face ao absoluto que é o direito à vida da mulher, à sua saúde e à opção por uma maternidade em condições de dignidade,
Mas a ação política não violenta e gandhiana que poderá conduzir a total bloqueio do sistema judicial e a tornar inoperante o processo crime junto do ministério público é um elemento que desde já, militante de longa data da não violência cívica, não quero deixar de aqui trazer, para meditação.
Com os potenciais custos, que temos que ter, todos, conscientes.
III-
E PELO VERDADEIRO DIREITO À VIDA!
Só o voto sim abarca todas as dimensões da vida e a permite em exercício de todos os direitos,
o direito à saúde e vida das mulheres e mães,
o direito à vida e à maternidade consciente sem que a mulher enfrente as sequelas da clandestinidade que coloca em risco a sua fertilidade e futuro,
o direito à escolha, base da nossa democracia liberal, direito que não pode ser tutelado por crenças, que como vimos são contraditarias no tempo e no espaço,
No dia 11 de Fevereiro a escolha é nossa.
Mulheres para a prisão por quererem uma maternidade consciente e num quadro de responsabilidade, por não quererem ter um filho em constrangimento e obrigadas, pese toda a dor que a interrupção da gravidez provoca.
Sim ou não é só a isso que temos que responder!
António Eloy
* Do dicionário da Língua Portuguesa, de Francisco Torrinha:
Vida: tempo decorrido entre o nascimento e a morte, modo de viver.
O campo está algo verde, mas a água continua insuficiente. A boleta este ano perdeu-se e com ela baixará a qualidade (os ácidos boleicos) do nosso porquinho. Esperamos que o ano que vem seja mais esperançoso.
Dois factos marcaram este dias de terra e de campo. O enforcamento público de dois homosexuais no Irão. Inqualificável barbarie, o regresso aos tempos de Inquisição que se continua em religiões que vivem do e para o ritual e esquecem o sagrado da vida.
Quem também esqueceu o sagrado da vida foi o Francelino que se imolou pelo fogo no Pará, em defesa do Pantanal. Incompreensível e certamente resultante de ato (ou acto!) alucinado, dado que os mecanismos legais estavam todos a favor das suas posições e era ( e foi!) altamente improvável que os desenvolvimentos que ele contestava se venham a verificar.
As religiões são de facto momentos terríveis de construção de identidades colectivas e de arregimentação de seguidores sem espírito e contra Ele.
O Fogo Sagrado de Régis Debray é mais uma notável pedra na construção do homem, que vé a sua sarça a diminuir a combustão, turvada por todos os fanatismos, coagida por todos os rituais.
Fui buscar à prateleira a Psicanálise do Fogo, de Gasto Bachelard. Irá acompanhar o meu lume...
A reunião sobre Mudanças Climáticas, no Canadá, enche o meu mail de interessantes artigos, remissão para estupendos e assustadores sites, relatórios e uma pafernália de opiniões e artigos.
Informação, documentação e acção.
E quando é sobre aquilo que nos interessa o tempo consome-se. Também O Fogo Sagrado de Régis Debray me distraíu o tempo livre ( mas será que todo o tempo não está livre?) de outras leituras e lazeres. O livro abre um buraco no conhecimento e recupera mitos, rituais perdidos na arca do tempo (afinal será aí que ele está prisioneiro?)
O tempo, o outro tempo parece que está mesmo a mudar. Hoje um dos relatórios que li teria impossibilitado,impossibilitará o regresso anual dos druidas a StoneHenge...
A humanidade está a brincar com o fogo, nada que John Gray, nos seus Straw dogs não tenha descrito... e continuado.
As leituras afastam-nos da realidade. As leituras trazem-nos a realidade. Onde está a realidade?
Será que essa não é também uma invenção?
Hoje um popular dizia-me no autocarro...já há Pais Natais por todo o lado, isto está tudo louco... E nós também,já fora do tempo (mas por onde anda esse tal tempo?) hoje despedimo-nos desejando bom Natal.
O ceú caíu-nos sobre a cabeça. Ou é do tempo.
Ou pode ser da prostata, que já se ecografa!
Há sempre um lugar onde criamos, recriamos o fogo sagrado, será o lugar onde inventámos o divino? será o lugar onde ouvimos o gemer do azinho a aquecer-nos os ossos e a lembrar-nos de outros azinhos? será o que não sabemos que sabemos a ocupar o lugar para onde seguem maquinalmente os nossos dedos, o nosso olhar?
Vendi a minha quota numa empresa, visitei a minha prima mais velha, comprei o livro do Régis Debray, sobre esse fogo que nos persegue ou acompanha..
Li mais um relatório sobre energias e fui a uma interessante conferência sobre eficiência, fiz uma dúzia de telefonemas para preparar o trabalho que se reiniciará a partir do momento em que os dias se maiorem.
Vi o Jardineiro "permanente" e voltei ao Quénia e a todas as histórias que escrevi, que vivi entre Nairobi e o Kilimanjaro.Onde andarão essas histórias? Onde estarão?
O tempo passa e vemo-lo passar, e nos.
A memória luta contra o esquecimento e o futuro desse, que é desse.
Quanto tempo é quanto tempo? Quanto é quanto?
Há sempre um lugar onde criamos, recriamos o fogo sagrado.
Hoje acabei outro erro. Já li e apreciei muito dois calhamaços de Régis Debray sobre a formatação das religiões e a criação de, dos deuses, livros de grande cultura e referência que se encontram por aqui.
Mas este é outro flop, total.
sem articulação e com informações a esmo, mesmo se algumas interessantes.
Labels: Debray, Imagens, Régis Debray