É um livro "caro" e espesso. Não conhecia este personagem. Um grande.
era um dos 5 que tencionava levar para o retiro. Já está.
Aqui:
A palavra é equívoca
O caminho que sobe e o que desce são o mesmo, Heraclito
A solidão está em tudo para ti e tudo para ti está na solidão.
Que relação há entre a força de uma emoção e a resistência do nosso espírito?
E no original:
Fue un sueño más, porque Dios no existe. Me lo dijo la hoja seca caída, que un pie deshace al pasar. Me lo dijo el pájaro muerto, inerte sobre la tierra el ala rota y podrida. Me lo dijo la conciencia, que un día ha de perderse en la vastedad del no ser. Y si Dios no existe, ¿cómo puedo existir yo? Yo no existo ni aun ahora, que como una sombra me arrastro entre el delirio de sombras, respirando estas palabras desalentadas, testimonio (¿de quién y para quién?) absurdo de mi existencia.
Pero la primavera está ahí, loca y generosa. Llama a tus sentidos. y a través de ellos a tu corazón, adonde entra templando tu sangre e iluminando tu mente; quienes a la invocación mágica, a pesar del frío, lo sórdido, la carencia de luz, no pueden contener el júbilo ver. nal que estas flores, como promesa suya, te han traído e infundido en tu miedo, tu desesperanza y tu apatía.
Privado de gozo, de placer y de libertad, como tantos otros, comprendiste entonces que acaso la sociedad ha cubierto con falsos problemas materiales los verdaderos problemas del hombre, para evitarle que reconozca la melancolía de su destino o la desesperación de su impotencia.
Labels: Cernuda, poesia e prosa
Uma descoberta:
um "falso" policial, de facto uma análise socio-antropológica de uma terra "ficcionada" no Ribatejo, em linha com o neo-realismo e com alguns laivos de romance policial. Lembrei-me do Ricos e Pobres de Cutileiro aqui já comentado, claro com registo completamente diferente. Personagens bem caracterizados, a pulhagem que dominava sob o mando do facho, e as lutas sociais em fundo, no limite da censura, ou não.
Labels: neo-realismo, Policial
“Onde é dito que há uma verdade nua (e crua) que não convence ninguém e/ou verdades "alternativas" (falsas) que querem parecer mais verdades que o são"
Georges Simenon
1- Vamos começar pelo livro em foto, de um querido amigo e grande contra-bandista e também, é certo que nas horas vagas, bandoleiro. António Rodriguez (Chamizo)
O contrabandista é o que está contra o bando, a lei, a fronteira. E a raia é uma fronteira que é, como quase sempre, uma ilusão. Dos dois lados da raia há a mesma gente, dos dois lados as culturas e produções são similares e nem, nem a língua nos afasta, ao longo da raia temos inúmeros casos de dialectos, de falas, de expressões etno-linguísticas específicas, além do mirandês que é uma língua vertebrada, herança do galaico-leonês, com introduções locais.
Em livro já escrevi sobre as origens do que se chama contrabando que é de facto uma simples fuga aos impostos e taxas, e só é relevante a partir do século XVIII, que é também quando se define a fronteira, que na zona de Barrancos só já com o Estado Novo fica concluída. São as terra de Contenda.
Entretanto por todo o interior da península do Minho a Aragão havia os bandoleiros (que rouba o bando), verdadeiros Robin dos Bosques que roubavam aos ricos e tinham o apoio ou pelo menos a simpatia dos pobres.
O Remexido, o Zé do Telhado, e tantos outros ou o Diego Corrientes e tantos, tantos outros foram verdadeiros heróis.
Bandoleiros e Contrabandistas é um livro que faz uma busca meticulosa de eventos na zona raiana do Alentejo e nos conta, por entre os eventos, muitas estórias enquadradas social e politicamente. Merece relevo a do grande poeta, muito desconhecido entre nós, Miguel Hérnandez, que em Portugal começou a morrer e que o franquismo liquidou.
Um livro delicioso!
2- Ricos e Pobres no Alentejo, de José Cutileiro. Infelizmente há muito fora do mercado e que merecia reedição. É a tese de doutoramento, julgo que de 1971, escrita originalmente em inglês e que alfarrabiei na edição portuguesa de 1977, com um posfácio de alta qualidade. O trabalho de campo em registo socio-antropológico teve enfoque em Monsaraz e analisa exaustivamente a estrutura social, os hábitos, a organização dos poderes e dá-nos um retracto espectacular das vivências nesta zona durante o fascismo, seja as lógicas produtivas e a miséria em que a maioria da população vivia. Um livro que antecipa outros tempos....
3- Proto, How One Ancient Language Went Global, de Laura Spinney . É um livro desaconselhado a todos os nacionalistas, que aliás quase não sabem ler (o livro que li no original está traduzido, recentemente editado) e que se o lessem deixariam de o ser. A nossa origem é quase “bengali” ou melhor a dispersão é a partir de uma área vasta que vai da zona hoje Arménia ou Uzbequistão. Todos vimos daí, a língua matriz e os registos de ADN não enganam. Este é um livro que nos organiza em lógica de expansão e construção das línguas como factor de civilização. Claro que os nacionalistas não sabem o que isso é. A língua é uma construção cultural que se relaciona com as lógicas produtivas e familiares, e que neste livro nos é explicada nos processos das suas alterações.
Uma obra de grande fôlego, estive uma semana a mastiga-la, e encontrou-me com o passamento de Edgar Morin, ao qual não posso deixar de registar a minha dívida intelectual, que começou, curiosamente com um livro nesta linha: Le Paradigme Perdu: La Nature Humaine, que nos leva ao processo de evolução da linhagem do Sapiens. Há tradução em português.
4- Hijos del Carbón, de Noemí Sabugal, é o último livro que hoje recomendo. Esqueçam o mundial da treta, passeiem, leiam, conversem, saíam das redes. E esqueçam também os livros “basura”, procurem matéria que reforce o pensamento e o conhecimento que o faz. Este é um livro que deveria ser obrigatório ora que, por todo o lado, somos ameaçados com projectos de mineração, e de coisas piores, muito piores até que o carvão, que segundo este livro provocou, atenção mortos directos!, cerca de 10.000 mortos em Espanha. Mas nessa contabilidade não entram (as empresas são espertinholas) os milhares que morreram da doença do carvão. O livro faz uma viagem (o comprei na excelente Palavra do Viajante, em Lisboa!) por todas as zonas de minas de carvão em Espanha. Também uma análise envolvida, a autora é neta de mineiros, da qual concluímos que o slogan Mina, Doença, Morte deve ser erguido bem alto. É que não há mineração inócua. Como escrevi e tenho desenvolvido em conferências em associações e universidades, temos que mudar a lógica dos actuais sistemas baseados no crescimento dos capitais financeiros e especulativos, temos que defender a suficiência e a sobriedade.
A única mineração onde se deve apostar é a da recuperação e reciclagem dos materiais usados, e claro a sua reintegração no sistema. Reduzir e acabar com a thanatia cracia é, deve ser desiderato. É possível. É possível.
Por razões de espaço saíu com um pequeno corte na Gazeta da Beira!
Labels: Bandoleiros e Contrabandistas, Chamizo, Gazeta da Beira, Livros
Acabou já hoje, uma exibição de primeira de Daniel Casares e do seu grupo e ainda de Dulce Pontes no Casino do Estoril:
e aqui:Labels: Daniel Casares, Flamengo
Em linha com o que penso sobre a judicatura e a manipulação que os juízes fazem, e que ainda recentemente verifiquei na pele, os interesses que lhes estão por traz e a sua pesporrência e autoritarismo, no nosso caso, como no italiano, herdeiros da longa noite do fascismo e os seus hábitos de total prepotência.
Ignorar a realidade, sabe-se lá por onde lhes passa o envelope, real ou figurado, e nalguns casos (o caso Garzon é paradigmático) por desejos de poder e protagonismo. Tributários da pesporrência.
Este livrinho, que me faz lembrar outros em Itália, seja o caso Toni Negri seja o caso de Enzo Tortora:
um grande historiador que faz um trabalho de minúcia para provar o mencionado descalabro do sistema judicial.
E aqui, sobre o autor:
https://sinpermiso.info/textos/carlo-ginzburg-historiador-taumaturgo
Labels: Carlo Ginzburg, Judicatura, Justiça
Na sequência da apresentação do último livro de João Freire "RESTOLHOS", excelentes intervenções, embora a minha deficiência auditiva não me tenha permitido seguir a de um dos apresentadores que falava muito baixo, li este livro, este de um provocador.
Não consegui identificar o autor, mas é um manipulador, usa frases descontextualizadas e eventos sem referência e tudo numa lógica que não existe, ou poderá existir na sua cabeça, e claro de muitos outros e até muitos ditos não violentos.
Esclareçamos: a não violência não é um dogma, não é uma religião, não é a verdade revelada, como o autor pretende, e até se socorre de momentos descontextualizando-os.
Mas não consegue desenvolver uma crítica séria e não propõe nenhuma alternativa. E não se atreve sequer a considerar a não violência política como um meio, um procedimento, um caminho de acção.
Não sou um adepto de Gandhi, não tenho nenhum santo no altar, mas reconheço-lhe como a outros ideias brilhantes e acções enquadradas nessas que deram resultados. Ora ir buscar epifenómenos para denegrir este ou outros referentes, sim referentes, da não violência é o que este autor faz, mal, muito mal.
como comentámos vivemos cada vez tempos mais díficeis, o rolo compressor da manipulação e da mentira, vinculada pela comunicação social e pelo jornalista " qu como nos diz o autor (que nem sempre mente!) "tende a ter um discurso politicamente correcto, sensato, fechado à compreensão de qualquer manifestação de conflito que saia dos parâmetros de uma visão do mundo liberal e conciliadora" Há que dizer que julgo que o autor é jornalista, sabe do que fala, e dou-lhe razão não o sendo.Labels: Desobediência civil e Não violência, Livros, Não Violência
Ainda em "maré" de rios, e quase a concluir o livro anterior, sem alterar a minha apreciação, embora reconheça o trabalho notável, recebo hoje e já li uma boa parte deste excelente:
que seria um complemento adequado para os 7 rios da posta anterior.
José Manuel Naredo é um economista de referência, em linha com Georgescu-Rögen e a bioeconomia, integrando os valores como deve.
Um livrinho delicioso.
P.S.
E curiosa a informação que em 1990 um litro de água mineral tinha um custo (aos preços actuais de 20 centimos) Não percebo porque não actualizaram os custos aos nossos dias.
Labels: água, Bioeconomia, Naredo, Rios
Um livro que mistura tudo o que faz os rios:
muita estória ou mesmo história, território, populações em movimento, e história são conflitos, religião, territórios em evolução.
Um livro rico, embora com poucas, menções às destruições ambientais, que chegam a parecer um pormenor, quando são a base e a vida dos rios.
Labels: Livros novos, Venda Livros
O Olho Vivo, O.I.E., Observatório Ibérico Energia, tem estado paralisado devido a ataque informático. Aqui o venho informar, dadas muitas perguntas.
Labels: O.I.E., Observatório Ibérico Energia, olho vivo
Comi, ou melhor bebi, uma gaspacho alentejano magnífico acompanhado com joaquinzinhos, na Cozinha da Carmo, em Évora e chegado a Lisboa estou a acabar de ler este livro testamento de Julian Barnes:
é, como outros livros dele, um livro engraçado, e que nos faz meditar sobre a manipulação da língua e da linguagem...
Labels: Barnes, Despedidas
No sossego do campo vou coleccionando ideias e conhecimento.
Neste livro "a meio tempo" entre a realidade e o pensamento desta e que o charlatão que se arma em crítico de ciência no jornal, ou melhor pasquim, Público deve execrar, dado que coloca a ciência no local de dúvida há dois ou três capítulos sobre Portugal e a tragédia de Pedrógão.
E é claramente apontado um criminoso: o eucalipto, que infelizmente continua sem ser julgado. Neste é apontada uma heroína que desconhecia: Sofia Carmo, que aqui registo!
O livro é marcado por um optimismo, diria que filosófico, que a realidade não respalda.
E também descobri isto:
https://about.restor.eco/restories/in-the-birthplace-of-arabica-coffee-and-forest-grow-together
sobre a recuperação de um espaço degradado.
E isto sobre o apocalipse, que optimisticamente a autora acha que está longe:
https://en.wikipedia.org/wiki/Tikal
esse, entre muitos, outros....
Labels: Apocalipse, café, Maias, Pedrogão
E também este:
que tem a qualidade habitual, estórias e uma grande entrevista, além das notícias que não saem na informação da hegemonia. Casos estranhos e informações úteis para quem planta...além de claro de dossiers de relevo, seja sobre Sevilha e os porros, seja sobre as festas populares, tudo sempre enquadrado. Um número mto bom.
Aqui sobre o livro das festas:
https://www.ugr.es/~pwlac/G26_Recension-04.html
Labels: Cañamo, festas populares
Só hoje tive em mão este número da Quercus:
é, talvez o 1º ou 2º com a nova direcção e tenho que lamentar que tirando os cronistas habituais esta está francamente pior. Os temas são pouco aliciantes e houve uma redução da qualidade do trato, além de a revista, em geral, está mais pobrezinha.Muito pouco a assinalar, alguns artigos até me parecem ter afirmações ou enfoques duvidosos, como o da capa...
Retive das sugestões de leitura um livro sobre formigas. Para recuperar talvez fosse de se concentrarem como essas.
Labels: revista Quercus
Tenho um contacto de estima amistosa com a Cristina Sampaio, e fui hoje à inauguração da notável exposição dela em Oeiras, na Livraria Municipal Verney
a partir/sobre desenhos de Neves e Sousa, a Cristina cria, em 15 quadros, um documento extraordinário sobre a guerra colonial. Observem os olhares, imagem de marca dos seus desenhos, mesmo quando os olhos estão fechados.
Imagens valem por mil palavras, estas mergulham fundo na alma dos nossos crimes, do nosso passado.
Labels: cartoon, Cristina Sampaio, Guerra Colonial
Na ida à UTAD aqui mencionada a minha velha amiga Mila Simões de Abreu ofertou-me este livro, que tem estado aqui a marinar. Estava previsto seguir para oferta ou reciclagem, mas...ficará no arquivo, tem muita qualidade. É uma obra de consulta!
textos mais ou menos interessantes e de registo e uma enorme abundância de bibliografia.Saliento, por ser dos meus interesses pessoais, no capítulo sobre as práticas turísticas as excelentes 10 páginas sobre "Caldas", sendo o capítulo todo ele muito bom, e saboroso.(Falta todavia no livro um capítulo, ainda por cima estamos a falar de turismo, certo?, sobre articulação do Douro e a gastronomia!*).
E adorei, literalmente o capítulo # Olhares "Prosaicos" e " Poéticos" #, onde mergulhei e mergulhei. Culto e literalmente a nadar no tema, mto.B.
* eu sou dos que viajam em busca deos petiscos e comidas e das suas relações com a cultura e o ambientes
Hoje é dia da Santa Sardinha, de preferência assada:
sew possível acompanhada com um bom tinto e salada, com muito pimento e o resto.Em cima do pão que pingado é uma das 8 maravilhas....
E se houver um bailarico para encher o olhar, que as pernas já não tem andar para esse, o sto dito António, mas de facto Fernando, dito de Lisboa mas santo em Pádua, ajuda a digestão....
Labels: Sardinhas, Sto António
Sven Lindqvist é um autor de referência.
Neste livro parece que está a escrever uma estória de viagens, pelo deserto, na senda de outros autores. Mas debaixo da finura da escrita está uma, muitas denúncias implacáveis do colonialismo e do racismo.
" Tornamo-nos humanos por assumirmos responsabilidade." !!
" Se o escritor não está lá, (...) no seu texto, como pode pedir-nos que estejamos?"
E citando Maupassant: "A viagem é uma espécie de porta por onde saímos da realidade como para penetrar numa realidade inexplorada que se assemelha a um sonho".
Mas não esqueçamos os mergulhadores nem o que o fez mergulhar.
Labels: imperialismo, Sven Lindqvist, Viagens
Não é dos meus favoritos mas o aprecio. E este é "un petit gateau":
"Onde é dito que há uma verdade nua (e crua) que não convence ninguém e/ou verdades "alternativas" (falsas) que querem parecer mais verdades que o são" Título de um capítuloTerminei de ler " Os Ricos e os Pobres" e iniciei para descomprimir alguns pequenos livros. Começo com este:
um livro simpático de pequenas crónicas jornalísticas. E logo encontro isto:
“ l'épanouissement d'un peuple est alors lié à un territoire déterminé ou pourra s'épanouir pleinement son être organique. Ce lien quasi mystique avec la terre a été utilisé par les nazis pour justifier l'idéologie raciste et expansionniste du Troisième Reich. Ils ont ainsi conquis des territoires où ont été anéanties les populations qui y vivaient.”
Ora substituam nazis por sionistas e Terceiro Reich por Israel e....
Um livro cheio de curiosidades e com excelentes notas. Retenho a manipulação, também, da língua e dos artigos de prensa. E sobre a pertença a um povo ou um país "Nada é arbitrário ou tudo o é"Labels: Joseph Roth, Nazionismo
Hoje somos um gorila de montanha a comiscar, amanhã podemos ser outra coisa qualquer. É a vida...
em auto-retrato.Labels: Auto-retrato, Biodiversidade
O comprei num alfarrábio por uma nota....
e o comecei pelo posfácio, que muito me agradou.Uma análise lúcida e ponderosa do processo da reforma agrária, que vivi dos dois lados.
E lido tenho que dizer da minha admiração, pelo rigor e excelente metodologia. Recuamos 60/90 anos na vida do povo. Os costumes, as lógicas produtivas, os pormenores, são exaustivamente e meticulosamente estudados. É como ver um filme do, no tempo.
Curiosa a análise do atavismo popular, no objecto de estudo (Monsaraz), e a análise das suas causas, assim como o capítulo sobre a religião, que se pode ler como chave para o tal atavismo. As relações sociais e de classe são também elemento para articular com a ausência de liberdades políticas.
Um livro surpreendente!
Labels: José Cutileiro, Livro, Reforma agrária, Ricos e Pobres
Um filme de grande densidade socio-psicológica e também etnográfico. Representações muito sóbrias e uma boa realização. O tema é importante, o choque entre a ruralidade e as modernidade, com pelo meio as bestas, o ultramontismo e os interesses espúrios.
As imagens iniciais tem fé de explicação.
vi no canal Arte, felizmente com legendas, e com um espanhol perfeitamente compreensível, já o mesmo não posso dizer dos diálogos em francês.Um filme, merecidamente, premiado.
Com tristeza temos conhecimento que essa matou a:
E aqui:
https://www.elsaltodiario.com/obituario/muere-marjane-satrapi-dibujante-autora-persepolis
Labels: Marjane Satrapi, Persepolis
Um livro impressionante, fora só pela enormidade de mortos desta actividade predatória do espaço e da vida. Alternativas? Claro que as há, sempre as houve.
extremamente bem documentado e com pequenas estórias laterais, como a do siluro, quem diria? que enche os rios, ou a descoberta da origem do nome "Chamizo", a estória de Picasso nas minas e a referência a Alexander von Humboldt. E muito interessante o "áparte" sobre a escravatura e a mineria
E registo a referência que só na mineria asturiana há cerca de 5.000 mortos a contabilizar. Das outras talvez mais...Há siluros e siluros.
Também muito interessante este novo conceito, que julgo possível de utilizar noutros sentidos que o desta autora Maria Pilar Burillo:
A demotanasia.
E os donos disto tudo a mandarem. Vamos, vamos resistir.
Labels: Demotanasia, Hijos del Carbón, Livros, mineria
Mais um, dois embustes ambientais:
Embustes ambientais
Hoje em dia vivemos tempos em que acrescentando a qualquer coisa, mesmo a mais insana, a palavra ambiente os próceres dos mídia outorgam-lhe logo um valor incomensurável, sem a mínima investigação, sem qualquer confronto de ideias.
Hoje vimos aqui denunciar dois embustes ambientais, duas fraudes que nos vão custar muito, muito caro.
I-Vejamos em primeiro vamos falar de um roubo:
1-Com as alterações climáticas essas sim em curso indesmentível, o padrão das ondas e o comportamento das marés assim como o das correntes oceânicas e o AMOC que é “um sistema vital de correntes oceânicas que funciona como uma passadeira rolante gigante, transportando água quente e salgada da zona equatorial em direcção ao norte e trazendo águas profundas e frias para o sul sendo que o seu colapso ou enfraquecimento pode causar um resfriamento abrupto com invernos rigorosos na Europa, chuvas extremas, subida desigual do nível do mar e secas severas noutras partes do mundo.” Isso com impactos significativos no arrastamento das areias das ainda praias.
2-Com a continuação da construção de barragens e a nula implosão, ou desmantelamento das já ociosas, a quantidade de areia que chega à costa e alimentaria as praias também se reduz significativamente. E com a continuação de construções nas dunas que protegem as praias e a delapidação também dos areais para matéria prima para construção essas vão sendo mais atacadas.
Portanto para actuar e tentar manter areias nas praias é necessário agir nestes dois factores.
Procurar diminuir o impacto das alterações climáticas e defender as dunas e áreas de suporte destas e mitigar os impactos das barragens na diminuição dos materiais que chegam à foz.
3- Pois em vez disso o Estado Português, e sem qualquer estudo do impacto ambiental de tal nos fundos oceânicos e nas matérias vivas desse vai gastar quase 15 milhões de euros para retirar um milhão e meio de metros cúbicos, equivalente a 2 toneladas, para colocar areia em 37 kms de praias só no Algarve.
Os riscos são muitos aos já enumerados acresce, segundo cientistas a afectação dos fundos marinhos a modificação das correntes naturais da costa.
Tudo para alimentar os predadores, ora chamados turistas, com um bocadinho de areia. Para o ano o ciclo repete-se. Até quando continuaremos com falsas soluções?
II- E depois de uma vigarice, outro embuste.
1-Fui um dos pioneiros da reciclagem em Portugal, colaborei nos primeiros documentos de apoio a essa, dei aulas sobre a economia dessa, e sobre as lógicas de recuperação de materiais, e escrevi livros sobre os vários Rs.
Pois tenho que dizer que continua tudo a ser mal feito. Pouca informação aos cidadãos e trabalho negligente, muito negligente na maioria, em quase todas as autarquias.
E o governo central lava (lavará?) daí as suas mãos salvo quando se dispõe a financiar embustes com o da caixa em foto.
Haveria, se houvera jornalismo independente, que averiguar quem contratou e a quem a produção destes caixotes* e quantos e com que lógica de instalação (já viram que só grandes superfícies os podem ter, lá se vai o merceeiro ou o pequeno negócio ao fundo)? Quem paga o transporte de um lado para o outro? E dado que se mistura plástico com metal quem faz separação e onde? E alguém que nos explique se aquilo é para reutilizar ou é como acontece normalmente vai tudo para o mesmo aterro ou para fazer bibelots?
É que se for para reutilizar melhor fora o sistema de tara recuperada e não um papelito que induz a mais consumo e que já pagámos. E se o plástico, in limite, pode ser reutilizado (a sua % de recuperação em reciclagem anda pelos 10%) já os metais só se inventarem.
Saber quem, quem, quem e como, seria uma boa ideia. O ambiente ganharia era em implementar sistemas de recuperação eficazes e sobretudo em reduzir o plástico nas embalagens, o que certamente não irá acontecer com estes “vóltas”.
Dizem-me que prevêem *3.000 numa primeira fase. Esperem e vão ver quanto tempo irão durar. E nós, nós a pagar as inutilidades e alguém a empochar.
Voltaremos ao tema.
Aqui, o monstro, do seu melhor lado:
e aqui:
Labels: Embustes ambientais, Gazeta da Beira, reciclagem, Voltia
Julgo que foi Domingo que aqui em Canas de Senhorim:
comi uma chanfana de arregalar a língua!Labels: restaurantes, Zé Pataco