Sou um praticante do zen, em diversas formas.
Também um adorador discreto de Mitra.
Recebi todos os sacramentos do catolicismo.
Tenho origens judias familiares.
Li o Corão e os Vedas.
Participei no "cabomblé"
Estudei com interesse a história das religiões e iniciei-me na mediologia (estudos da relação social com o "espírito", de que é referência Regis Debray).
Diverti-me quando me sondaram para assumir uma paróquia como titular.
Não sei porquê fiquei até adormecer a pensar no fio condutor do pensamento e do espaço que neste é consagrado ao ritual ou à estruturação deste em ligação ao tempo.
Ouvi, e talvez tenha sido deste pensamento indutor, um pouco dos Fados do coitadinho, editados no livro curioso (que acho pouco correcto que seja desvalorizado) de José Alberto Sardinha #A Origem do Fado# e pensei como tudo é uma questão de enquadramento das palavras e atitudes.
E pensei também no final da tarde e nos conceitos, nas palavras e na sua perversão, na honra e dignidade. Todas valem o que valem.
Amén.
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Acho que já aqui referi. Gosto muito de rituais, de quase todos, e não tenho nenhum problema, nem maleita de consciência em participar, integrar-me nalguns deles, sem com isso testemunhar nenhuma iconofilia ou heresia.
Já me agachei em mesquitas, no mesmo ano em que comunguei e participei em ofícios judaicos. Tudo isso articulado com a prática do zazen e a levitação.
E estive na festa brava, em diversas das suas formas rituais, todas elas de grande espiritualidade.
Hoje descobri esta Senhora de Caravaggio (tão do agrado do italo-brasileiro Scolari, paz ao seu espírito!), de um pintor chamado Locatelli (também italo-brasileiro).
Se estivesse em cima de uma azinheira seria Fátima, assim assusta a pastorinha ao "picar-se" na roseira, e ordenar-lhe, ladeada de querubins e serafins que lhe seguram a aurea, qualquer coisa (que se mantenha virgem? que reze o terço? que lave a loiça? quem sabe?).
Todas as inografias valem o que valem (recordam-se do bispo Edir a pontapear uma imagem da Senhora?), pouco, a não ser na importância e na sublimação que cada um lhe dá (recordam o totem, a Nª Senhora, que a jovem timorense não largava na sua fuga dos massacres).
Os rituais são momentos socio-culturais que são laterais à espiritualidade, que não se objectualiza, mas são tempos de convívio, de partilha, com os outros, consigo mesmos de algo, de um momento e de uma fusão.
Gosto e partilho muitos rituais.
Tomai e comei todos, esse em torno da mesa, onde se coontempla, também, o divino.
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