Um retiro, águas, caminhadas, livros, escritas, e desligações. E também a revisão de uma tradução para acabar, aqui trago, ainda, eventualmente não definitiva, a portada:
um excelente trabalho da Raquel Ferreira sobre a capa do original. Ficou melhor!E vou começar com este livro de que me dizem maravilhas. Mas é um livro para os amantes ou grandes conhecedores de Barcelona. E também de figuras que por lá passaram:
não me o considero, mas já lá estive 3 ou 4 vezes...
Labels: António Chamizo, Barcelona, Colibri, Contrabando, Termas
Encontrei por acaso, julgo que não está editado em CD mas pelas mostras, devia:
https://fidjukitxora.bandcamp.com/album/ti-manxe
Labels: Cabo Verde, coladeiras, mornas
Ainda recordo o meu envolvimento em acções neste tempo, nesta luta, que hoje o mano dá à estampa num livro escorreito (pena os Apêndices alguns até totalmente ilisíveis ou fora do contexto). Valiosas as colaborações.
Ficou aquém da minha expectativa, e aqui tenho publicado alguns posts sobre isso, a análise da justiça em Portugal e sobretudo um diagnóstico sobre a reinserção no aparelho judicial dos membros dos tribunais plenários e de outros energúmenos que deveriam ter sido suspensos após o 25 de Abril.
A justiça não é neutra, e ainda recentemente conheci na pele a alienação em que vegetam procéres da judicatura portuguesa, totalmente ao arrepio das emanações e deliberações do Tribunal Europeu dos Diretos humanos.
Um livro que deixando água na boca no que toca essas análises é um documento notável, até pela isenção com pinças, com que aborda todo o processo desde o incidente que lhe deu origem, até todo o processo. E também, como referi os documentos dos intervenientes nesse.
uma obra com História, em todos os sentidos.Labels: José Diogo, Justiça, Luís Eloy, Tribunais
É um dos meus favoritos, Le Petit Prince de Saint-Exupéry. Nada se lhe pode comparar.
Este é agradável, segue em muito a linha e dinâmica do émulo, mas....
o texto é esorreito e os desenhos felizes.E sabemos.
" -A solução para o teu problema é fácil: deves mudar de planeta- sentenciaram.
-Mas isso não é solução, a minha rosa vive lá- protestou o principezinho.
Um dos seis levantou-se.
- A resolução foi votada e não há nada mais justo que o opinião da maioria- argumentou um deles. "
e esta, mortal, para os tais comentadores " opinião não é verdade"
Labels: Eloy Moreno, Le Petit Prince, Saint Exupéry
Esta está recheada de ligações que enviámos para o : https://obseribericoenergia.pt/index.php em dois números.
E aqui:
Labels: Biodiversidade, revista Quercus
Voltam a falar disto, como se tivesse ressuscitado, mas não há nada de novo no horizonte. A nuclear continua pela hora da morte. A fusão continua a prometer, sempre e desde há 50 anos ser possível daqui a 50 ou 70 anos. Os pequenos reactores nucleares (S.M.R.s) também só existem em projecto e no papel, nenhum chegou sequer a experimental e os problemas, de fissão, de resíduos, de segurança seriam, se os houvera, muito maiores que os clássicos, que se vão encerrando. Ora são escassos 400 a nível mundial, dentro de 10 anos não chegarão a 300, isto porque um ou dois que se constróem cada 5 anos não chegam para 5 ou 19 que ecerram cada ano.
A nuclear morreu, mas paga muito bem, aos seus agentes. São empresas de grandes capitais, grandes investimentos, enormes juros, aí os juros..., e que controlam grande parte da comunicação social, entre nós são donos de uma televisão (fiz uma verificação, a General Electric dividiu-se em 3 e a parte que ficou com a televisão a vendeu, mas a marca lá ficou!) e mandam até em jornais outrora de referência. Por isso parece que está viva. Mas vamos contar um pouco da história.
1-O nuclear americano começa, resulta da bomba e Eisenhower nunca conseguiu convencer ninguém com os seus “átomos pela paz”. Só Hiroxima e Nagasáqui e os outros locais das ilhas do Pacífico, locais das suas bombas “experimentais”, que se seguiram são responsáveis por centenas de milhar de mortos.
E Estaline, matou, como seu hábito, muitos, antes de ter a bomba, e depois continuou a matar seja em enorme acidente nuclear escamoteado em Kyshtym, nos anos 50 ou em Chernobyl, nos 80, esse deu também cabo da perestroika, e foi deixando resíduos das bombas experimentais na Sibéria, para sempre.
Já a nuclear francesa começou com muitas bombas no deserto do Sahara causando um número nunca determinado de mortos e até um português, Fernando Pereira, na Austrália, resultante da tal “force de frappe”, pela “grandeur de la France”, resultante do afundamento do Rainbow Warrior da Grenpeace. Daí passou para as centrais, que também mataram vários manifestantes e hoje só servem para alimentar a bomba e a ilusão.
E as nucleares de Inglaterra, de Israel, da Índia ou do Paquistão, só se justificam pela bomba, ao serviço de Sua Majestade ou pelas ambições imperiais nazionalistas, sionistas, índias ou paquistanês, todas do outro lado das nucleares ditas civis.
As recentes guerras, na Ucrânia e no Irão, e neste último caso nem é preciso fazer um boneco, demonstraram absolutamente que não há nuclear civil e nuclear militar, estão totalmente ligados, são as duas faces da mesma moeda.
E até aqui ao lado o ditador Franco, para ter uma bomba nuclear, comprou uma central aos franceses que haveria de explodir (Vandellos I) causando muito, muito sofrimento e mortos indeterminados
Não há, pois, nuclear que não seja com fins militares.
2- Só por aqui a discussão já nos levaria longe, mas entremos na matéria. Claro que o facto da nuclear ter essa origem e finalidade altera desde logo a estrutura de custos, para debaixo do tapete, ou seja para as despesas do orçamento eléctrico vão logo os custos de toda a parte militar. Na central a fissão do urânio aquece a água (como numa chaleira) que vai levar a turbina a girar e em ciclo alternado produzir electricidade, a electricidade desde logo é a mais cara do mundo, mas produz também subprodutos que podem ser utilizados para a bomba, e esses não entram nas despesas da dita. E duram para sempre, seja na bomba seja nos ditos resíduos radioactivos.
Não vale a pena entrar no tema dos custos da construção e do processo de produção. Venho, todavia, referir que as poucas, escassas centrais nucleares construídas este século (talvez meia dúzia) custaram 3 a 5 vezes mais do que o custo originalmente estimado, e demoraram em vez dos 15 anos previstos para o procedimento de construção mais de vinte e até quase trinta anos.
Estamos falados sobre os custos e a suposta alternativa para lutar contra as alterações climáticas. Daqui a trinta anos estaremos fritos e não haverá sequer água para refrigerar os reactores e fazer o tal chá (metade do parque nuclear francês pára todos os anos, vários meses, por…falta de água).
Mas não posso deixar o tema sem mencionar outros custos que não podem ser metidos para debaixo do tapete, como os arautos desta treta fazem. Os custos do desmantelamento das centrais e, e, sobretudo os custos da gestão, ou melhor ingestão dos resíduos, fraca, média e altamente radioactivos. Pois esses custos, custos para serem mantidos por, imaginem, milhares, muitos milhares de anos não estão contabilizados, por ora. É fácil fazer e desquitar-se dessas contas. São muitos milhões....
3-Da bomba passámos para a economia e ora vamos para o ambiente.
As nucleares também esquecem, no armário dos fundos, os enormes custos ambientais e sociais do início do seu processo, a mineração. Enormes áreas onde foi minerado o urânio, e também cá em Portugal, estão hoje, e para sempre, interditas por contaminadas radioactivamente. E as populações da zona, onde se minerou ou minera, e sobretudo os trabalhadores (ou ex-mineiros) e famílias têm/devêm ser monitorados permanentemente. Até o pastoreio de gado deve ser restrito nalgumas áreas, e claro nenhum consumo primário, da zona, por via do cúmulo radioactivo.
Mas também as áreas no entorno das centrais devem ser meticulosamente vigiadas (e quem pensam que paga essa?) e até pela força aérea, mas drones são sempre imprevisíveis....
As centrais, mesmo no seu funcionamento normal, dito normal, emitem radioactividade para o exterior, pelo ar e pela água, sendo que os resíduos sólidos são lixos que temos que vigiar para sempre, sendo os custos ambientais e sociais indeterminados.
Já em caso de incidentes ou acidentes, e só em Almaraz, publicámos (ADENEX) um livro com esses, ano por ano desde o seu início de funcionamento: “Amanecer Sin Almaraz” são 180 páginas com as suas descrições e alguns até entraram no registo de acidentes graves. Pois em caso de acidente grave como o de Vandellos I, de Harrisburgo, de Chernobyl, ou Fukushima nem preciso dizer nada. Em Chernobyl registos mencionam mais de 100.000 (cem mil!) mortos, embora, ridiculamente a Agência Internacional Nuclear só conta cerca de uma centena, os que morreram logo in loco, os outros que se amanhem.
4-Passamos ao social, ao desemprego provocado pela nuclear, pois é a nuclear não cria emprego, isso é outra ilusão. A nuclear provoca desemprego, ao alienar as pessoas, as populações dos seus locais de vida e actividade produtivas, primárias ou mesmo secundários, pela lógica do perigo e pela concentração da produção que tem que compaginar com distribuição centralizadora. E dado que vivemos em tempos de cada vez mais robótica e as insalubridades da central a isso conduz, o número de empregos desta que já é irrisório ainda diminui mais, pese algum emprego em sazonalidade (para reparações e manutenções) e de mão de obra imigrante para a construção, certo prolongada, se não for abaixo, entretantos.
Mais emprego é gerado por lógicas descentralizadas de produção energética que mantém ainda por cima as produtividades locais.
Certo que as nucleares aumentam, talvez, o emprego médico e psiquiátrico, assim como as forças de segurança. E dos “croque-mort”, agora ou depois.
5-É também no social que referimos a situação energética. Os vendilhões da nuclear são os maiores Pinóquios que conheço, têm narizes, muito, muito grandes. Recordo nos anos 80 quando diziam que se Portugal não tivesse nucleares até 2000 (e nos planos energéticos da época chegavam a mencionar 27, vinte sete centrais!) ficaria às escuras (teriam é certo que encontrar sítio, outra população nesse, e construir à velocidade da luz...) pois fecharam a matraca, as renováveis, a eficiência e; é certo sem poupanças e economias de energia significativas; sem sequer termos alterado os paradigmas económicos e sociais como sempre defendemos; chegam e sobram, em Portugal e no mundo, onde só cerca de 9% da electricidade, ou menos de 2% da energia é de origem nuclear.
6- Não podemos escrever sobre a nuclear sem referir a nossa península. Nesta já houve projectadas, entre Portugal e Espanha mais de 40 centrais. E se em Portugal só tivemos que fechar a de Ferrel, em Espanha conseguimos fechar as de Sayago, 2 em Valdecaballeros, 2 em Lemoniz, uma de Trillo, e Regodela/Lugo.
A 100 kms da nossa fronteira temos as 2 centrais de Almaraz.
O fecho dessas foi acordado pelo governo de Espanha e pelas empresas titulares (Endesa e Iberdrola), no quadro de um acordo global para o encerramento escalonado de todas as centrais nucleares (7) ainda em funcionamento (duas já fecharam por limite de vida e por uma por grave acidente nuclear), até 2035.
Esse acordo só pode ser alterado por entendimento entre as partes, e mesmo que haja esse terá que passar pelo crivo do Conselho de Segurança Nuclear, que imporá condições draconianas, nomeadamente investimentos nos sistemas de segurança, alterações nas cubas e/ou sistemas de arrefecimento, novas condições de segurança dada a vetustez das centrais e o maior risco de incidentes, nestas de Almaraz que já têm um palmarés negro, muito negro. Essas condições pesadas financeiramente e exigentes serão outro engulho para as empresas.
Almaraz irá, portanto, fechar. Até 2035 a Península Ibérica será terra sem nucleares, ainda que os seus resíduos nos persigam para sempre, sempre.
7- A nuclear boum. Morreu e não há ressurreição possível, mesmo com os novos paradigmas super consumidores de energia como são as bases de dados.
A nuclear continua a ser uma tecnologia militar, insegura e imprevisível, muito, muito, muito cara e incapaz de responder aos novos desafios da energia e da sociedade.
E também uma linha sobre a mentira, outra, da nuclear como alternativa ás alterações climáticas. A nuclear emite em todo o seu ciclo toneladas de gases de efeito de estufa, toneladas, como temos publicado, mas o grande problema é por um lado os enormes custos que não são investidos em poupanças energéticas e na melhoria da eficiência ou em novas tecnologias suaves. E, por outro, claro como se vai combater o que já aí está os temporais, os ciclones e as chuvas intensivas ou as secas e o calor extremo, as modificações dos sistemas aéreos e oceânicos, se uma central leva, no mínimo 25 a 30 anos a ser construída e entrar em produção?
8-E aqui seria, ainda, de referir os movimentos sociais que defendem energias suaves, que em Portugal vão a caminho de fornecer 90% do consumo eléctrico (já passam regularmente os 80%), agricultura orgânica ou biológica, poupança e recuperação de recursos, defesa da biodiversidade e das paisagens, e outros conceitos de vida e de relações, novos paradigmas de pensamento e acção.
Todos contra a mentira da nuclear, boum, boum, boum.
António Eloy
Coordenador do Observatório Ibérico de Energia:
Estive hoje em Zafra, a fazer colheita. De puros e cigarilhas, e sementes, daqui:
mais uma magnifica capa. Além das notícias e de artigos sobre momentos nesta área, um artigo sobre Carmen Martin Gaite, onde pesco um seu livro premiado "El Balneario", já encomendado.E colheita de outra revista, que aqui também trarei e e livros. Um sobre a história do carvão que reúne várias recomendações de relevo.
O levarei para as termas...para as quais, já previstas (10 dias), já tenho q.b. de leituras.
Preencheu-me muitos momentos e angústias:
Aqui:
https://ensina.rtp.pt/artigo/joao-abel-manta-o-imaginador-da-democracia/
para não esquecer
Labels: João Abel Manta
Eu que nunca fui de bandeiras (bem sei a da Palestina, do Sahára Ocidental, de Timor Leste, do Tibete as carrego) mas as dos direitos, a da paz e outras estão no meu coração.
Esta também, hoje dia do Orgulho Gay.
E em protesto contra a impiedade das autoridades e dos labrostes que pensam que proibir a bandeira esmaga a alma. Não.
A alma é enorme.
Labels: direitos humanos, Orgulho Gay.
Encontrei hoje este livrinho, poesias, prosas e desenhos de Jean Cocteau, num alfarrábio:
os textos em clara linha surrealista, já os desenhos são de primeira água. Utilizarei alguns para ilustrar os meus artigos.
E aqui uma estória exemplar:
Hoje na dentista, além de um feliz encontro com um capitão de Abril, que saudei, José Clemente, encontrei este livro excepcional:
que tive tempo de folhear todo. Uma companhia de teatro que frequentei muito e que abriu muitas portas do conhecimento. Um espaço, também, de referência.E depois, como tínhamos falado em Vila Real fui comer o que é, talvez, o melhor pastel de massa tenra do mundo, acompanhado de um inigualável sumo de frutas, no Frutalmeidas, Av Roma.
Pela tarde fui ainda à Cinemateca ver o excelente, último filme, de Abbas Kiatosrami. Um persa a filmar dentro de um carro no Japão!Labels: 25 Abril, Abbas Kiarostami, Massa Tenra, Teatro Comuna