Um livro de alta qualidade e que sem demagogia nos mostra os horrores e belezas das minas:
a faixa pirítica, espanhola e seis casos, e também um pouco da história desta.Fotos fantásticas.
Com um DVD que irei ver....
Labels: Andévalo, faixa pirítica, Huelva, Rio Tinto
Segredos, manipulações e mentiras
Essa é a história da nuclear. Desde o seu início. Nasceu com a guerra. Cresceu com segredos, manipulações, mentiras e mortos, muitos, muitos mortos
Vou descrever alguns acidentes ou incidentes nucleares, na Península Ibérica ou nos envolvendo, que causaram muitos, muitos desses, alguns nunca determinados na relação causa efeitos. Não creio em bruxas mas como se diz aqui ao lado, pelas espanhas, “que las hay, hay!”
1- Vou começar pela história do grave, gravíssimo acidente em Vandellós.
O hidrogéneo que refrigera o alternador incendiou-se e perderam-se os turbosoplantes 1 e 2 (motores a jacto com um grande ventilador frontal que arrefece o reactor) e os defeitos de isolamento produzidos nos 3 e 4 provocaram o disparo das caldeiras auxiliares, a sala de comando ficou afectada por fumo denso, a rede de altifalantes, megafonia, assim como a central telefónica que ficou inutilizada (não havia telemóveis). Como nos diz um dos trabalhadores (que salvaram a situação!) ”nunca saberemos o que se teria passado se se tivesse perdido totalmente a refrigeração do núcleo do reactor... a subida de temperatura e a fusão do núcleo, a ruptura do contendor que o alojava e possivelmente a ignição da grafite do reactor” ... e boum, outro Chernobyl!
Mas essa estória é colocada debaixo do tapete, chamar a atenção para o risco, para o facto de uma nuclear não ser uma fábrica de conservas de sardinhas, mas algo de grande, grande risco e perigo, e para o esforço inacreditável dos trabalhadores para dominar o incêndio e a inundação, e reconhecer o mérito e valentia destes não passa pelos executivos e pelo poder político.
Só agora graças ao trabalho de levantamento feito por Julio Pérez Sanz (“Los Héroes Silenciados de Vandellós” Editorial Círculo Rojo), funcionário reformado do Conselho de Segurança Nuclear (que também é responsável por estas omissões) e membro da ASTECSN (Asociación Profesional de Técnicos en Seguridad Nuclear y Protección Radiológica) é que se sabe da iminência de um desastre de enormes proporções e do que devemos ao labor e sacrifício dos trabalhadores da central (que mesmo os que estavam de folga acorreram a ajudar a combater o incêndio e a inundação).
Se não fora o empenho, e o sacrifício até à exaustão das dezenas de trabalhadores, sem uma pauta, sem instruções centrais, sem um plano, que se dispuseram ao maior e titânico esforço hoje, como cito “Estábamos alli para que esto no se borrara del mapa como Chernobyl, pero em fin, gracias a Dios no pasó nada”. Ou seja só por uma conjugação aleatória de factores não houve fusão do reactor.
2- A península já esteve, também, à beira de Hiroxima. Em 1966 os U.S.A. aqui lançaram 4, quatro artefactos nucleares, 4 bombas, acidentalmente. Caíram em Palomares (Almeria). É certo que não estavam activadas, mas 2 rebentaram e o plutónio que continham espalhou-se. Além dos tripulantes do bombardeiro que chocou com uma pequena aeronave de abastecimento, não se sabe (porque os estudos nunca, nunca, foram divulgados) quantos mortos e contaminados houve em terra. Já no mar gastaram-se milhões para recuperar uma das bombas que aí caiu. Merecia um filme esta estória. Até se viu, ridículo, o ministro Fraga Iribarne e outros próceres do franquismo a tomar banho nessa zona, para sossegar os “ganhócios”...sobretudo o turismo.
Ainda hoje soldados americanos, que sem qualquer protecção recolheram resíduos, protestam por apoios ou estão mortos por leucemias e cancros, e os solos continuam altamente contaminados.
E continua por fazer um levantamento de todas as zonas radioactivamente contaminadas em Espanha...(ver também o ponto 5 deste texto, outro enorme acidente nuclear.)
3- Em Zaragoza, outro acidente metido para debaixo do tapete, que me recorda os trágicos eventos de Goiana, em 1987, no qual morreram, registadas 104 pessoas e há 1600 contaminados. Ignora-se quantos não terão morrido, pelo manuseamento por populares de resíduos hospitalares radioactivos.
Pois em Zaragoza estão registados cerca de 30 mortos devido a mau funcionamento radiológico. Conto em 1990, em 19 de Dezembro de 1990 o Conselho de Segurança Nuclear realizou a revisão anual, que se havia atrasado 6 meses e descobriu uma anomalia na potência no acelerador de electrões. Só ordenou a sua paragem 4 dias depois....
A empresa nuclear General Electric foi condenada a indemnizar em 15 milhões de pesetas cada família, mas os atingidos pelo deficiente funcionamento destes instrumentos já cá não estavam. A radioactividade mata.
4- E mais esta, em Maio de 1998 na empresa ACERINOX, no Campo de Gibraltar fundiu-se uma cápsula metálica em cujo interior havia uma fonte radioactiva de Cesio 137. Estava em sucata de aço inoxidável importado dos U.S.A., foi chamado o C.S.N. e o resultado é o sabido, embora 6 trabalhadores apresentassem resíduos radioactivos. E a fábrica esteve parada mais de 4 meses. A história não acaba aqui, a centenas de metros de Huelva, nas marismas, a Greenpeace identificou isótopos radioactivos de Césio 137, procedentes de mais de 7.000 toneladas desse acidente que aí se enterraram contaminando também os rios Odiel e Tinto. (A nuvem radioactiva resultante deste acidente percorreu a Europa, e este caso não acaba aqui. Faz lembrar o teflon, que incorpora resíduos dos lançamentos nucleares na atmosfera, e onde comemos.
5- Entre Setembro de 1973 e Julho de 1974, restos de um acidente num pequeno reactor experimental que a Junta de Energía Nuclear tinha em Madrid foram depositados nas antigas minas de urânio de La Haba, em Badajoz. E no ano 1990, mais 323 bidons e em 1992 e 1993 outros 577 bidons procedentes do CIEMAT (Centro de Investigaciones Energéticas, Medioambientales y Tecnológicas) que continham ''escombros, substâncias nucleares, materiais radioactivos e minerais de uránio''. A contaminação, que foi vertida no Manzanares, afluente do Jarama e este do Tejo chegou até à foz deste e ainda hoje os campos de Toledo tem altos níveis radiológicos. Em Portugal tivemos um desses reactores em Sacavém, felizmente não há registos. Foi desmantelado e os seus resíduos foram de volta para os U.S.A. mas seria útil fazer um levantamento da situação....
6- Muitos já o esqueceram. Muitas guerras têm passado e essa nos Balcãs foi a primeira em que foi utilizado urânio empobrecido no armamento utilizado. Ignoro se tal prática continua. Um militar português morreu devido a ter estado em contacto com esse armamento e muitos foram contaminados. Ainda hoje as zonas onde esse urânio foi utilizado apresentam elevadas taxas de cancros e leucemias.
7- Urgeiriça. Aqui começou tudo. A bomba de Hiroxima é provável que tivesse material desta mina. Se não foi com o dela, que o Little Boy (bomba que arrasou Hiroxima!) foi feito, como diz o lobo, foram as suas sucessoras.
Mas o que é facto é que largas dezenas de trabalhadores e seus familiares foram afectados pela extracção, sem condições nem a mínima protecção contra este minério, nesta zona. Muitos faleceram, muitos ainda carregam o ónus deste trabalho sem outro sentido que não a inutilidade da bomba e as centrais mais poluidoras e mais caras do mundo para aquecer água a partir da fissão nuclear.
Os brasileiros as chamam chaleiras.
8- Na Península, temos centenas de incidentes, dezenas foram classificados na lista de incidentes graves em centrais nucleares da INES (Escala Internacional de Eventos/ Acontecimentos Nucleares e Radiológicos, que vai de 0 a 7, o 0 já é considerado!), Almaraz é a recordista. Na Península temos locais altamente contaminados. Palomares, Urgeiriça, El Cabril (local em Córdoba, onde se acumulam resíduos de pequena e média actividade radioactiva), em todos esses locais deve haver vigilância, monitorização e cuidados com a vida dos residentes e dos trabalhadores ou ex-trabalhadores.
E não esqueçamos os fundos marinhos, entre a Galiza e os Açores onde foram depositados e filmados rotos bidons de resíduos altamente radioactivos. Em todos esses locais deve haver vigilância, monitorização e cuidados com a vida dos residentes e dos trabalhadores.
E também nos Açores, na ilha Terceira, na Base das Lajes, estiveram armazenadas armas nucleares e registou-se, ou melhor regista-se contaminação de solos.
9- Ainda Almaraz. Acabámos de editar o livro “ Amanecer Sin Almaraz” edição da ADENEX, com coordenação de José Maria González Mason (Chema) com quase trezentas páginas, além de alguns artigos de opinião. Conta-nos ano por ano desde 1981 até 2025, ano por ano todos os acidentes ou incidente que ocorreram. Estarrecedor, muitos estão no listado INES muitos, quase todos os denunciámos. A história da nossa oposição, ibérica, a estas centrais merece muitos livros. Este é um verdadeiro compêndio. Fundamental.
10- A nuclear é a pedra de toque do ecologismo, articula-se com tudo. A poluição do berço ao excreta, química e radioactiva. E os resíduos, sem solução, sem nenhuma solução, quando nos anos 50 a anunciavam para amanhã, nunca mais chega. A economia, não é capaz de subsistir em mercado aberto, os custos só se podem manter com muitos, muitos subsídios e trapaças. Socialmente é recusada, quando há informação, quando há transparência, é desprezada a todos os níveis.
E politicamente é um projecto de sociedade sinistro, de vigilância, de policiamento, de risco permanente, de Estados policiais. E corresponde a um paradigma um padrão de destruição da vida e da biodiversidade, por sugestionar uma lógica de crescimento, mais crescimento, mais produção, sem prever as consequências, sem futuro.
A nuclear é o contrário da suficiência próspera que defendemos.
E não serve de nada para lutar contra as alterações climáticas, mas esse é tema para outra prosa.
Nota final:
Todos estes pontos são abordados em alguns dos nossos livros ou edições, e todos eles podem ser encontrados em busca na Wikipédia.
Deixámos de lado, por razões operativas outros casos como El Hondon, em Cartagena, da Fertiberia, em Rio Tinto, ou em Flix, Tarragona, todos eles deveriam estar no inventário dos solos contaminados que há mais de 25 anos as autoridades espanholas deveriam fazer.
Também deixámos no tinteiro locais que foram de risco, Ferrel, Nisa, Zahinos, Retortillo, Sayago, Valdecaballeros, Cuenca (Villar de Cañas), Aldeadávila de la Ribera e outros, onde graças à oposição popular, empenho de diversos expoentes e envolvimento ecologista não se concretaram as possibilidades de incidentes ou acidentes radiológicos e radioactivos. Hoje estão registados em livros e filmes e constituem marcos de momentos exemplares.
Este trabalho tem muitos colaboradores mas não posso deixar de mencionar o nosso amigo Chema, que contribuiu com muitos dados. Os que estão em falta são inteiramente da minha responsabilidade, assim como algum erro ou falha.
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Obras em casa é o pior que há... depois do meu amigo albanil sair leio este:
"O maior sonho da democracia é elevar o proletariado ao nível de estupidez da burguesia"
e
"Absinto: veneno extraordinariamente violento, um só copo e podes morrer. É o que bebem sempre os jornalistas quando escrevem os seus artigos . Já mataram mais soldados que os beduínos"
são duas citações exemplares e directas ao alvo do artista.
O livro é uma narrativa descontinuo da vida do artista, passa pelo papagaio e por muito mais. Altamente.
Desde os tribunais da chamada Santa Inquisição (desde sempre, de facto!) que a justiça serve interesses e está ao serviço dos poderosos. Foi, talvez, o único poder que ficou inabalável com o 25 de Abril, claro não conto as corporações militares e policiais, que se bem que modificadas por algum tempo nos seus comandos sempre prosseguiram as suas funções de braços da repressão. No caso do poder judicial, além da vergonha que foi a integração, como se não fossem criminosos, dos juízes dos tribunais plenário no quadro do sistema, outros tantos deveriam ter visto a porta e sido presos e julgados.
O Ministério Público foi moldado ao poder e os juízes continuaram a viver na irresponsabilidade.
O pode é que manda.
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Não gosto de nabos, mas destes sim, de Miranda, dos burrinhos, do espaço, das gastronomias, e que saudades, menos dos nabos.
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IKEA, uma fraude, em curso.
Comprei uma mobília no dito. Ficaram de me entregar hoje, paguei 70 euros para isso. Disse e ficou registado que as ruas de Barrancos eram estreitas e que havia uma alternativa, ficou registado. Era para me fazerem a entrega entre as 9 e as 13.
Pela 13, 30 ligo e dizem-me que estava a caminho. Pelas 15.30 dizem-me que estão a chegar. Pelas 17 horas dizem-me que não podem fazer a entrega. Telefono novamente dizem-me que não poderam dar a volta... e nem sequer ligaram para lhes dizer a alternativa. Perdi dois dias de trabalho e agora queriam re-agendar para daqui a uma semana... mas tenho obras em casa sábado e queria montar a mobília agora.
Disseram que iriam devolver o dinheiro daqui... a 15 dias.
É uma empresa que contrata uma distribuidora de irresponsáveis, negligentes e mal-criados. Irei protestar pessoalmente e no livro de reclamações... e IKEA só em total "détresse".
E também acho inqualificável o tempo do reembolso.... irei acompanhar.
Os prejuízos ninguém mos tira,
Labels: IKEA
Sou um velho libertário, social e ambientalmente empenhado, não desdenhando relacionar-me, e mesmo frequentar partidos políticos, desde que democráticos (é um non sense haver partidos políticos, que são estruturas para concorrer a eleições num quadro de democracia liberal, não democráticos, deveriam pura e simplesmente ser ilegalizados ou a democracia está a cravar uma faca no seu fígado!). Estive em vários e até já votei em, talvez 8 ou 12 eleições desde o 25 de Abril, e em duas presidenciais, 3 vezes, sendo um descrente da democracia representativa, do actual sistema autárquico e do regime semi-presidencialista (sou favorável a um regime semi parlamentar, com o Presidente eleito por eleitos locais).
Bom isto para dizer que confluio há muito com esta revista e os seus próceres, quase todos, mas discordo da sua "ideologia", com pontos de acordo.
Não há, a não ser por retórica que tem esse direito, direita ecologista ou ambientalista e menos ainda anarquista, mas o tema que tem sido explorado n' a Ideia, o tem sido só numa vertente, do meu velho camarada Cândido Franco ou ainda mais centrado pelo meu estimado João Freire. Nada contra os artigos são estimulantes, embora por vezes demasiado "densos" e este número tem artigos altamente, realço a da minha velha amiga Luísa Costa Gomes, e a entrevista ao saudoso José Pinho, um mestre dos sete ofícios, cuja herança se continua. Realce também para a enorme recensão de livros, que nos chama atenção para alguma marginália destes e a apresentação gráfica, com a qual já discordei, mas que é de grande qualidade.
Comprem, vale a pena, concordar ou discordar, mas comprar. Os pedidos podem ser feitos ao António Cândido Franco: <acvcf@uevora.pt>
Recordo o meu amigo Marco Pannella : "temos que confrontar essa gente, com ideias claras e com a vida do direito". Convidado foi a um congresso do partido fascista de onde saiú, depois de uma intervenção radical do púlpito, amparado por seguranças.... Hoje, infelizmente só temos as redes sem contradição*, os media, e da TV nem se fala, sem regras nem deontologia, e só pelo buraco das agulhas é que respiramos. Graças também à Ideia.
* a propósito não posso deixar de mencionar (já a tinha lido!) a notável entrevista a Fabien Lebrun, que vai ao âmago do actual capitalismo e ao extractivismo e as suas consequências. O digital e o etc.
Labels: A Ideia, Anarquismo, pensamento libertário
Que saudades, desta e de outras ilhas no caminho do equilíbrio energético, como nos Açores a Graciosa. El Hierro também visitei e estive na central mista hídrica e eólica, achei que havia ainda muito aproveitamento solar por fazer.Nunca esquecerei os lagartos, quase gigantes, algumas obras do Cesar Manrique, o criador de Lanzarote, a gastronomia e a paisagem e asa estórias, do Garoé!.
https://viajar.elperiodico.com/escapate_cerca/primera-isla-autosuficiente-renovable-mundo-123801457
Labels: El Hierro, Graciosa, renováveis
Por razões laborais não poderei estar em Lisboa, mas o meu espírito caminhará:
sou do Small is beautiful !Labels: Mega centrais, renováveis
O DELÍRIO DO sevandija TRUMP
“O delírio durou 72 minutos. 72 minutos perante o mundo inteiro.
* 72 minutos durante os quais o presidente norte-americano confundiu a Gronelândia com a Islândia. Várias vezes. Enquanto explicava porque queria comprá-la.
* 72 minutos durante os quais ameaçou um aliado da NATO, a Dinamarca, com estas palavras: “Podem dizer sim, e nós agradecemos. Podem dizer não, e nós lembrar-nos-emos.”
* 72 minutos durante os quais descreveu a Gronelândia como um “pedaço de gelo” do qual supostamente depende o destino do planeta: “O que estou a pedir é um pedaço de gelo em troca da paz mundial.”
* 72 minutos durante os quais não referiu a existência de groenlandeses.
* 72 minutos durante os quais declarou ter “100% de sangue escocês e 100% de sangue alemão”. O que daria 200%. Mas a matemática e ele não se dão muito bem.
* 72 minutos durante os quais afirmou que os Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial, “devolveram a Gronelândia à Dinamarca”. Pena que isso seja falso. Os Estados Unidos nunca possuíram a Gronelândia. Nunca. Em 1916, reconheceram oficialmente a soberania dinamarquesa. Durante a guerra, obtiveram apenas bases militares temporárias. E em 1946, tentaram comprá-la oferecendo 100 milhões de dólares. A Dinamarca recusou. Não houve “devolução”.
* 72 minutos durante os quais defendeu que “a China não tem turbinas eólicas”, embora seja o maior produtor mundial de energia eólica há 15 anos e esteja a construir 45% de todos os projectos eólicos do planeta. Mas, segundo Trump, “não têm parques eólicos”. Vendem-nos “para idiotas”.
* 72 minutos durante os quais afirmou que “todas as principais companhias petrolíferas estão a vir connosco para a Venezuela”. Pena que o CEO da ExxonMobil lhe tenha dito na cara, três dias antes, que a Venezuela não era “investível”. Um Trump furioso chegou a ameaçar excluir a Exxon. Os outros não disseram nada, mas não pensaram menos. No entanto, em Davos, disse que “todos viriam”.
* 72 minutos durante os quais declarou que “praticamente não há inflação” nos Estados Unidos. A inflação americana está nos 2,7%. Acima da meta da Fed. A subir, segundo as previsões, por causa das suas próprias tarifas. Mas, segundo ele, “praticamente não há”.
* 72 minutos durante os quais atacou o presidente da Reserva Federal, apelidando-o de “estúpido”. Ao vivo. Perante os líderes económicos mundiais.
* 72 minutos durante os quais disse que impôs tarifas à Suíça por despeito, porque “uma mulher”, cujo nome não se recorda, “não o tratou bem”.
* 72 minutos durante os quais declarou que “ontem o mercado ruiu por causa da Islândia”. Islândia. Um país de 380 mil habitantes. Que supostamente iria deitar abaixo Wall Street.
* 72 minutos durante os quais afirmou que os Estados Unidos “pagaram 100% da NATO”. Cem por cento. Quando a participação dos EUA no orçamento da NATO é de cerca de 16%. Mas, segundo ele, a 100%.
* 72 minutos durante os quais confundiu o Azerbaijão com o “Aber-bajian”.
* 72 minutos de mudanças bruscas de humor. De mentiras comprovadas. De números inventados. De ameaças a aliados. De insultos a funcionários públicos. De erros geográficos. De vanglória contradita pelos factos.
E o mundo, em silêncio, assistiu. Durante 72 longos minutos.
E pensar que, no passado, por muito menos, as carreiras políticas costumavam terminar.
Hoje, aguardamos o próximo delírio.
Bem-vindos a 2026. E ainda estamos só em janeiro.”
(in Europeans Suport Greenland)
Continuo pelos ambientes, ora um livro Zen, de um autor, ou melhor de 4 autores, de referência.
" A natureza somos nós também" Shakespeare e a "prática é a via" de Dõgen Zenji, são duas citações que me merecem pensamento. E " a nossa linguagem faz mais parte do nosso sistema nervoso que da nossa cultura. Aprendemos esse através da cultura , da nossa, mas a sua origem já esta em nós e sempre esteve", esta de Snyder recorda-me Chomsky!
E este:
" A vida continua na cozinha
Onde continuamos a conversar e a preparar a comida
Olhando a neve "
de um dos magníficos poemas que que o livro faz uma compilação e que no posfácio Wyss (pags.156/7) articula com uma excelente descrição e enquadramento com os haikus "A língua, em poesia, acompanha a natureza e torna-se veículo, instrumento de consciência".
Não quero deixar sem registo o conto zen da página 43!
Labels: Gary Snyder, Haikus, zen
Volto ás leituras, entre almoços e jantares e conversas aqui e ali.
Hoje este livrinho que é uma nova leitura de Castoriadis e também de Baudrillard, os dois do meu gosto e muitas leituras.
A arte, a sua definição, a sua origem e função, a sua estética, que foi aliás tema também hoje ao almoço com um velho amigo, em que contámos o episódio da recolha por um funcionário como lixo de uma "parvoeira" ou melhor de um saco de supermercado com jornais velhos e latas tido por ele como lixo. Valia uns milhares de euros... foi para o aterro...
O desastre urbano levou-me em imaginação a muitos locais, Curitiba, Brasília, mas também Bruxelas, ou Amsterdão, ou ás ilhas, a tantas.
um livrinho para ler e ajudar a pensar.
Labels: Baudrillard, Castoriadis, Latouche, Livro