O ar cheira a fim de alguma coisa. Talvez fim deste governo que ignora a realidade e onde um bando de ignorantes se mostra incapaz de equacionar um só dos muitos problemas em que este país se vai atolando.
O ar cheira a algo, ao fim de um regime que não ouve, que não sente, que usa o pauzinho para amolgar cabeças sem qualquer nexo, em total infracção da lei e procurando limitar o direito e as liberdades públicas.
O ar dá nos com o cheiro que se sente também vontade. A questão da habitação, a questão da saúde, a questão da educação, a questão do trabalho, a questão do ambiente, a questão da vida, têm que ser.
Têm que ser momentos para enquadrar novos paradigmas, propor novas soluções, alterar modos de proceder, envolver diferentes ideias, e ligar, fazer as ligações.
É importante a luta, as lutas, e ligá-las e com elas desenvolver pensamento que lhes dês estrutura e acutilância.
E nada e tudo.
Hoje estive a ver este:
uma pequena pérola, que espero passe na RTP, que o produziu e por aqui, por ali e acolá, para despertar neurónios.
Aqui parte da equipa do filme:
no meio o meu amigo Joaquim Jorge, herói de Ferrel. Na distância estava a também minha amiga Ana Carla, de Vila do Bispo.As realizadores (Vera e Inês) muito competentes e gentis e a Aida de Covas do Barroso. Completa a mesa o activista e desenhador Francisco
Mais um a não perder uma gota:
É um tijolo, capa dura e mais de 450 páginas.E um pensamento em linha.
E a propósito aconselho este:
https://www.rtp.pt/play/p17359/e964057/terra-as-forcas-da-vida
E daqui a nada Baldios!
Labels: antropoceno, Geologia, progresso
Um livro com algum interesse mas que merecia ter tido uma, uma edição. Repetições, voltas atrás, nonsenses, abundam, numa estória de um personagem notável:
e com alguns erros históricos. Mas uma leitura aprazível
Labels: socialismo libertário, Spartacus
Dizer que Mao Tze Tung foi um ditador, e execrável, leva ao banimento na China. Obrigado, não tenciono lá pôr os pés e julgo que nunca entrei na loja do chinês e evito os restaurantes chinas que ora se disfarçam de japoneses ou asiáticos.
Recordo o tempo em que ainda tendo frequentado partidos ou movimentos ligados a esse messianismo estive à beira de ser agredido e expulso (e eram sessões culturais e de cinema) por comentários no intervalo. E nem falar dos comícios que aí a fé era total e ritualizada. Não gritar o nome do facínora equivalia a fuzilamento.
Ora vemos em nome do dinheiro toda a gente a dobrar, até a partir a espinhela, os princípios já não existem.
Mas há que dizé-lo com todas as letras Mao foi um ditador e um assassino. Milhares, milhões de mortos lhe são devidos.
E nem com todo o guito do mundo o podem reinventar.
Hoje depois de um almoço de trabalho voltei a dar missa, e depois fui novamente a Zafra onde falhei nas contas do abastecimento e comprei uma necessidade (abaixo) depois de vários livros mais sérios.
Com esta, que comecei a ler, vou passar um rato....
É tema que tenho desmerecido, mas que é muito importante, e cada vez mais quando a ameaça do extractivismo paira:
Reli o "L' homme révolté":
As mãos do Grito, de Oswaldo Guyasamin, ilustram a capa da minha edição de bolso.
Um livro com partes, hoje, dispensáveis e outras de enorme actualidade e fundamentais. Um pensamento muito elaborado e referências inquestionáveis. Fantástica e com repercussões aos nossos dias a análise das "revoluções" e do seu niilismo e particularmente do golpe de estado de Outubro de 1917.
Aqui momentos de retenção:
# Toda a ciência do mundo não vale as lágrimas das crianças
Sem lei não há liberdade
Citando Proudhon " nenhum governo pode ser revolucionário pela simples razão que é governo"
O Contrato social é um catecismo do qual usa o tom e a linguagem dogmática
A noção de progresso é contemporânea da idade das luzes e da revolução burguesa (...) e paradoxalmente pode servir para justificar o conservadorismo (sobre este irei escrever nos próximos tempos)
Um objectivo que tenha necessidade de meios injustos não é justo #
Deste livro poderia retirar largas dezenas de citações, mas o fundamental é o conteúdo, a crítica aos pensamentos totais, seja o surrealismo, seja o marxismo, este último é completamente demolido, e o leninismo fica pior que farrapo, a visão do niilismo é desmascarada assim como o cesarismo que se lhe opõe.
Não admira que este livro não lhe tenha feito amigos, antes pelo contrário. Embora tenha algumas divergências com ele, descubro grandes acordos nomeadamente na crítica ao milenarismo marxista e bíblico, e na defesa intransigente da vida e do seu direito
Mais do mesmo, e foi mau, o mandato de Lula. Mas é com felicidade que o digo, porque o outro seria muito, muito, muito pior. Eu não teria votado, mas aconselhei os meus amigos brasileiros a mobilizarem-se e no limite votarem no velho.
A vitória de Lula também significa uma inversão da marcha da representação para mais ar, e pode ser um estímulo para a derrota dos trumpistas nas próximas nos Estados ainda Unidos.
E foi e isso é também de registar, e juntar a vitória da oposição na Sérvia uma vitória contra o domínio dos média e das redes sociais pela hegemonia e pela direita mais troglobita racista, xenofoba e machista.
Sim é possível vencer os condicionantes do poder.
Acabei o Domingo, entre "L'homme revolté" e uma boa prestação do Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração:
que mostra as potencialidades e herança do Cante.E um misto de fado e jazz:
uma boa cantante a Maria Infante e o grupo Os Caprichosos, com bons instrumentistas.Labels: Agro-Barrancos, Camus, Cante, Fado, jazz
O livro de Camus mencionado em posta anterior "Écrits Libertaires" que há que dizer é uma "salgalhada" no bom sentido de textos seus intercalados com outros escolhidos para os enquadrar ou completar, mas muitos também sem referências, tem algumas pérolas:
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É necessário que a justiça mande na economia e a liberdade na política
Os governos, por definição, não têm consciência, tem talvez, uma política
Tenho horror da violência confortável (...) é necessário recusar qualquer legitimação da violência
Os povos (devem) escapar à peste dos nacionalismos e à predação dos imperialismos
A desinformação (...) é a arma privilegiada da ciberguerra perpétua
E a propósito de alguns endeusamentos de personagens: "esse deus tem a face de um pária . Nunca deuses tão mesquinhos reinaram no mundo"
O jornalismo é um bordel intelectual e a literatura hoje na maioria um jornalismo ás postas, segundo Tolstoi
Diria que o medo é uma técnica
O poder torna doidos os que o detêm
Creio numa Europa Unida, apoiando-se na América latina e mais tarde, quando o vírus nacionalista tenha perdido a força na Ásia e África
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E muitos contributos sobre o que cremos, as liberdades, a recusa do pensamento sólido dito único, e o encontro com estimados autores e referências. Dele extraí as citações acima e o considero um livro para discussão.
E este leva-me a procurar para reler este*:
* encontrado num sector perto de onde tenho 5 ou 6 livros dele. Lido há mais de 12 anos e que que leio como se fosse a primeira vez.
Relido em metade, esclarece algumas dúvidas e faz um enquadramento único das ideologias do século XX que se continuam....
Labels: Camus, direitos, pensamento libertário
Acordei à hora do costume. E depois das higienes e do Guronsan estive a ler algumas coisas aqui.
E encontrei este artigo de um que tem dias. Este é todavia:
https://www.dn.pt/opiniao-dn/paris-meu-amor
é sobre o invencionismo televisivo que ele designa por achismo e bem.
Temos que designar as coisas pelo nome. Ontem tive que designar umas invenções lidas nos jornais, mas certamente promovidas pelos próprios, como cheganismo.
É um achismo pior e completamente imbecil. Mas quanto mais conheço a humanidade mais gosto do meu cão. Que não tenho.
Labels: Achismo, cheganismo, Manipulações