Ainda a propósito do livro, ora em tournée. Entrevista ao Diário do Alentejo:
ANTONIO RODRÍGUEZ GUILLÉN, 74 ANOS, NATURAL DE AROCHE (HUELVA), ESPANHA
É investigador-documentalista, fundador do encontro cultural e científico “Jornadas del Património de la Sierra de Huelva” e coordenador da área de Genealogia do Centro de Investigação Memória e História de la Sierra. Colaborou em diferentes revistas especializadas em Portugal, assim como em documentários históricos para emissoras de rádio e televisão. É autor de La romecría de San Mamés através de la fotografia (1998), La guerra civil em Aroche (1998), Estudos históricos del período republicano y la guerra civil en Encinasola (2009) e Semana Santa en Aroche. La devoción de un Pueblo (2019), entre outros.
“ As decisões políticas não terminaram com os laços de parentesco e de amizade”
Bandoleiros e Contrabandistas na Serra da Contenda apresentado em Barrancos
Aprimeira versão em português de Bandoleiros e Contrabandistas na Serra da Contenda é o mais recente livro de Antonio Rodríguez Guillén, um estudo da fronteira hispano-lusa ao longo da história e do fenómeno do contrabando a partir do século XVIII.
Bandoleiros e Contrabandistas na Serra da Contenda recupera uma realidade marcada pela fronteira, pelo contra- bando e pelas relações entre as co- munidades raianas. Como nos apre- senta esta obra e o que esteve na origem da sua escrita?
Nós, os “raianos”, convivemos com os contrabandistas durante toda a nossa infância e com os guardas-civis e os carabineiros que os traziam para os quartéis com as mochilas com café e as cavalgaduras. Por isso, a fronteira esteve, igualmente, sempre presente. Tudo isso, juntamente com as entre- vistas aos contrabandistas, foi o que me levou a escrever este livro.
Durante séculos, a fronteira entre Portugal e Espanha foi muito mais do que uma linha de separação en- tre dois países. Que realidade se vi- via deste lado e do outro da fronteira e que papel desempenhou o contra- bando na vida das populações?
A fronteira, uma linha imaginária, dividiu em dois um espaço geográfico que antes estava unido, [mas] as decisões políticas não terminaram com os laços de parentesco e de ami- zade entre os habitantes raianos, que se intensificaram, ainda mais, em tempos de guerra e de miséria. Isso facilitou o contrabando em ambos os lados da raia.
Figuras como Diogo Corriente e Miguel Hernández atravessam esta história da fronteira. O que nos reve- lam os seus percursos sobre as rela- ções, cumplicidades e conflitos entre as comunidades raianas?
Além dos clássicos contrabandistas do pós-guerra, surgiram bandoleiros como Diego Corriente, um bandoleiro e contrabandista de cavalos lusitanos que se fixou em Barrancos e cuja longa história desenvolvemos no livro.
Hoje, perante o desaparecimento gradual das memórias associadas a essa realidade fronteiriça, como po- demos preservar e transmitir este património histórico e cultural às no- vas gerações?
A juventude vê o contrabando como uma fase da história, como uma aventura. Atualmente, todas as localidades têm “trilhas do contra- bando” que visitam antigos quartéis e encenam histórias como a do poeta Miguel Hernández. Em suma, trata- -se de uma atividade que marcou a sociedade raiana, como se pode constatar no livro, tanto na versão castelhana, como agora em português. Em breve publicaremos La esclavitud de la raia. Siglos XVI-XVIII.
ANA FILIPA SOUSA DE SOUSA
Labels: António Chamizo, Contrabando, Fronteiras
Hoje mergulhei neste livro sobre as cores e os seus significados e referências.
ora imaginamos, ora não imaginamos....
O autor de um livro notável sobre Burros, que aqui já mencionei, sobrinho de Lévi-Strauss diz-nos que "quanto mais utensílios para saber mais o pensamento recua", talveza propósto da E.A. (Estupidez Artificial). Tudo tem o seu tempo e a sua época. Engraçada a observação sobre a reprodução das aves #cloaca contra cloaca#????. E outras observações como a da página 143, intraduzível.
E para concluir voltei ao Viriato "não é porque os historiadores concordem sobr um eventoi que esse é verdadeiro" Sobretudo se não existiu.
Labels: Burros, Cores, Pastoureau
A propósito de mineração:
As razões do não à exploração de caulino na zona Oeste litoral.
Desde logo sendo uma exploração numa área agrícola e turística os impactos ambientais não foram devidamente estudados nas mais de 400 páginas de documentos colocados para pronuncia na Avaliação de Impacto Ambiental.
Essas 400 e tal páginas como de costume, bem elaboradas é certo estão feitas a para o comum cidadão se perder. Faltam referências fundamentais. Vejamos: o espaço a minerar corresponde a mais de 100 campos de futebol (cem) e isso é escamoteado...
O consumo de água, que referem ser negligente...corresponde (e obviamente será muito mais e as águas ruças não vi menção) ao consumo de mais de 170 famílias portuguesas (4 pessoas). Já o de electricidade corresponde a cerca de 500, ano.
E de combustíveis está por esse nível, ultrapassa o consumo de 450 famílias, Isto por ano.
Basta fazer as contas e os números são deles e da Prodata.
O consumo de água e energia é assustador, se visto com lupa.
Sendo terrenos de Reserva Agrícola Nacional, onde registam a vivências de famílias desde logo o estudo é omisso...
E mais ainda porque não merece apoio, mas sim críticas das autoridades municipais (câmaras de Óbidos e Peniche, além de outras autarquias).
Estive envolvido, com Mário Cesariny e Herminio Monteiro numa luta histórica contra o caulino, que causou um morto, bem sei que eram outros tempos e eles (essa gentalha) queria minerar caulino mesmo junto a povoações.
A oposição era então devido ás areias e poeiras e elevados consumos de água. Estamos numa zona agrícola e turística que se quer sustentada. Vamos ter falta de água e poeiras sobre as terras? Não ao Caulino mesmo se disfarçado de Royal.
Mas porque raio acham que ele é Royal?
É, talvez, a melhor realizadora de todos os tempos....Agnes Varda.
revi este documentário sequela de um grande filme. Recupera alguns momentos e faz as contas.Labels: Agnes Varda, Respigadores
Há livros que demoram a "pegar"*. Este é um deles. E hoje com más notícias da Islândia, em que a demagogia voltou a ganhar referendos.
onde o populismo, sem sentido, ganhou. A democracia é um regime imperfeito.
*E este é um livro entranhado na Islândia, nas gentes e nas paisagens, nos vulcões e nos banhos sufurosos, nas escarpas e nas comidas, várias. Uma delícia, parece que estou.
A partir deste livro, sobre uma cidade que adoro:
cheguei a este filme, intrigante:https://www.altaplana.be/en/dossiers/movie-le-dossier-b
o livro o é menos, só tem percursos que deixei por fazer e é uma estória belga, com novidades linguísticas, sobretudo.
Fiquei satisfeito, muito.
É com a viagem de Ibn Battûta nos olhos que se lê este livrinho herético do grande Naguib Mahfouz, através do espaço imaginado e das religiões, infelizmente, reais. E também de uma cultura cívica.
Um livro do nosso tempo.
que também remete para as cidades de Calvino e para tantas outras estórias. Quem viaja absorve o tempo e o espaço e os transforma em pensamento.Já este é um livro sobre livros, parece que estamos a reler o D.Quixote e/ou o 1984, e pelo meio a Alice, seja onde seja, e Fahrenheit 451, claro também com um bocadinho de Zorba. E o Pinochio....
um livro que se deveria reproduzir....
No Paião ao pé do simpático restaurante "Peleiro", de peles que os alfaiates usavam, encontro esta estátua, que me encheu de satisfação:
Labels: Alfaiate, Paião, restaurantes
Sabem a minha opinião sobre este jornal, que despreza toda a deontologia e não respeita o contraditório, em geral. Tem bons profissionais mas estão restringidos a colunas de opinião seja sobre o acordo ortográfico, seja sobre vinhos. A restante é quase, quase toda da nomenclatura e a seu favor. A última vez que ia colocar um artigo não aceitaram, por... questões de estilo. O estilo não era do agrado do patrão, ou de/do outro editor/censor.
Não o compro, mas chega-me por mão amiga, e este número do Fugas é de grande qualidade:
nalguns cafés ou bibliotecas pode, lê-lo!Labels: Cabo Verde, jornais
Estive em retiro e claro aproveitei e li:
Este:
muito interessante para quem viveu os tempos de antes e depois da revolução de Abril, no Alentejo profundo. Estórias reais, sejam imaginadas, e o sangue a ferver.
M.B.!!!!
E este, que sendo um amante de jazz apreciei nas partes históricas e nos protagonistas... mas o resto ....
são estórias e escrita banal.
Labels: Alentejo, Campaniço, jazz, Livros, Reforma agrária