Artigo interessante, como habitual, de Nuno Campos sobre o Erinaceus europaes, no último número da Gazeta da Beira recorda-me o "meu" em Lanzarote.
Lembro-me sempre que compro um livro que sei que possuo, da cave/biblioteca de Saramago em Lanzarote, antes do Nobel. Punha lá tudo e quando não os encontrava tinha que encomendar ao livreiro da ilha.
Parece a minha cave, sendo que hoje (depois do Nobel!) a biblioteca dele, classificada pela Universidade de Granada, no anexo da sua casa é esplendorosa.
Este já o tenho em françês (ou quiçá em inglês) mas o encontrei num alfarrábio, numa edição de 1977 que desconhecia (preço de mais de 30€, mas estava a menos....)
Recentemente o referi e necessitava de relé-lo.
recordo que o usei no programa original do M.P.T., .....Labels: Ivan Ilitch, Lanzarote, nemesis médica
Saíu hoje na Gazeta da Beira:
Lanzarote, ilhas e vulcões (*)
“En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme, no ha mucho tiempo que vivia um Hidalgo....” , Cervantes
“ A vida é uma viagem no espaço e no tempo e não tem significado nenhum”, baseado em Shakespeare
Gosto muito de diversas coisas, paisagens, que coleciono, e entre elas vulcões (já estive em três em erupção e até já caminhei sobre lavas moventes, no Fogo) e claro o que resulta delas, as ilhas. Conheço a grande maioria das da Laurissilva, onde chega o dragoeiro, Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde.
Pois estive 10 dias em Lanzarote. E num vulcão meio adormecido o Timanfaya, como quase tudo nesta ilha com uma mão do excepcional César Manrique, onde vi umas pequenas erupções e almocei um peixe grelhado com o vapor vulcânico.
As Cuevas e os Jameos, todos com uma mão ou inspiração do dito artista são um espectáculo, assim como o Jardim de Cactos (outro dos meus fascínios e do César) que me leva a um dos ex-libris desta ilha, onde visitei uma fábrica desse, o Aloe Vera, que é daquelas coisas que cura, tudo, mesmo tudo, e que é extraído do cacto. Já conhecia outras decorrências deste, o mescal e seus derivados que também são muito bons e também curam tudo!
As casas de Manrique, a da sua Fundação e a sua mesmo, são espaços de sonho onde se vê a alta qualidade do paisagista, arquitecto, pintor, artista vário e claro ecologista militante, que se empenhou na luta contra o tudo turismo, de massa e degradante do espaço, das paisagens e da urbanidade.
Ruralidade ainda há alguma em Lanzarote, seja nos registos/povoado pré-histórico, Zonzamas, muito mal cuidado é certo, (estas ilhas foram povoadas por gentes que vieram do norte de Africa e até penso do Antigo Egipto, ver registos mumificados) seja nas memórias agrícolas (do cereal desaparecido assim como os burros, mas que ainda manteve os camelos para serem montados por turistas, agora sem uso agrícola) seja nas vinhas, no estilo das do Pico, protegidas do vento intenso por muretes que as acompanham em altura.
A casa de Saramago também foi visitada, excelente o áudio que nos acompanhou, e notável a arrumação e estruturação do espaço onde vivia, com Pilar. A vista, o jardim, os cactos e a fabulosa biblioteca, 15.000 livros classificados pela Universidade de Granada e um espaço de maestro!
Na capital Arrecife, visitámos a livraria onde ele comprava e nós também e vimos um disparate, uma enorme torre/hotel que destrói a leitura do espaço e desvirtua a paisagem.
No Mirador del Rio vimos um sonho, a ilha Graciosa (na outra passei tempos desse), e tivemos a felicidade de almoçar em alguns locais populares, onde fomos recebidos com muita simpatia e em quase todos, talvez pelo nosso lado conversador e interessado nos ofereceram regalos, prendas....
Uma ilha seca, escassa de terras e muito ventosa onde um turismo de qualidade poderia lançar âncora. Ficámos num hotel de 5 estrelas, na Playa Blanca, um hotel miserável. Imaginem que nos colocaram num quarto com casa de banho para deficientes e que recusaram mudar-nos (tinham quartos livres), além do serviço de recepção assustador e sem a mínima ideia de gestão e toalhas rotas no quarto....
O hotel fica aqui para registo (até era acolhedor, embora de uma dimensão chocante!) é o Vulcan Lanzarote, da cadeia The Hoteles. Apresentámos queixas a diversas entidades, e até nos eximiram de diversos pagamentos à saída e já nos ofereceram (posteriormente) umas noites gratuitas..... Uma administração ou gestão ao nível de qualquer barraca sem estrelas.
Ainda umas salinas em linha com o que conhecemos, na Ria Formosa ou na Figueira, e esculturas de Manrique em quase todas as rotundas, são outros momentos da ilha. Passei por vários parques eólicos e infelizmente o solar, seja até residencial, é completamente ignorado, aqui, lástima.
Memórias estão arquivadas, o tempo esse é ontem e amanhã. Hoje passa.
António Eloy
P.S.
Quem quiser saber mais sobre esta ilha, e outras das Canárias, e ver fotos ilustrativas, aqui: http://signos.blogspot.com/search/label/Lanzarote
(*) No próximo número continuarei com o tema “Contra as fronteiras marchar, marchar (II)”
Sem o boneco:
só falta o autor e a sua forquilha:
não se parece?Labels: artigos, Gazeta da Beira, Lanzarote
Regressado de mais uma temporada nas ilhas da Macaronésia, desta vez em Lanzarote, não resisti enquanto não tive em mão este:
que tive que pedir ao meu querido amigo Chema para me encomendar de Madrid, que as livrarias que frequento não o conseguiam obter....
Pois, como tinha referência, é um documento de grande utilidade, organizado em 48 fichas de trabalho, ou melhor de espécies integradas em diferentes momentos do ano, e com humor e conhecimento nos vão sendo dadas, e com simpáticos desenhos a acompanhar.
Um livro que nos remete para Darwin e a evolução das espécies, particularmente registada nestas ilhas!
E no final apresenta-nos uma extensa bibliografia sobre a Biodiversidade, sobretudo insular!
Voltarei a Lanzarote, também aqui.
Ontem falei com vários sobre esta ilha árida. Até vi poucos lagartos (noutras das Canárias abundam e grandes, grandes!) mas vi um erizo ou ouriço, no parque do hotel, perto de umas pedras. Foi das "carinhas" mais divertidas que por aí vi:
não sei como terá chegado a esta ilha, fora da sua bio-região.....
Já os cactos, também introduzidos pelo sapiens ou por alguma ave? vinda das Américas, ou plantados propositadamente?, abundam. Este no tal jardim onde há muitas maravilhas:
Uns sem vergonha:
| 18/07/2022, 18:03 (há 21 horas) | ||
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Labels: Lanzarote, queixa/complaint
Timanfaya, é o vulcão maior de Lanzarote, com o "seu Diabo" (volto a lamentar a escasso, quase nula, produção artesanal desse) e o espectáculo que é a visita, e o que gravita em seu redor, terras secas, desoladas e também produtivas, as uvas hoje, mas em tempo já cereal e até algumas hortícolas.
Os burrinhos (hoje desaparecidos) e os camelos, mantidos para passeios, e também uma estrutura pré-histórica (Zonzamas) completamente ao abandono e escassissimamente estudada, são outros registos. E a ser delapidada, o Cabildo (autoridade local) andará a fazer o quê?
Gente local, com os genes guanches evidentes, da maior simpatia, embora seja uma ilha invadida, tanto por turistas que não prestam para nada e pervertem toda a autenticidade, como pelos servos que os atendem, sem qualquer desqualificação pessoal que os encontrámos agradáveis e até muito qualificados.
E quase a terminar, os próximos sabem do meu fascínio, e não é só do mescal....e do aloe, o meu fascínio com os cactos... e como podia faltar aqui este esquisito jardim de Cactos (outra vez Manrique):
e aqui:
e mais:
amanhã, talvez, conclua. de momento, que ainda escreverei para a próxima Gazeta um artigo sobre Ilhas e vulcões..... Do Mirador del Rio, mais uma criação de Manrique tem-se uma visão de outro mindo, a ilha Graciosa, com cerca de 700 habitantes e um aldeamento turístico (na foto pela direita) que parece pairar no sonho. A ilha Graciosa.
Fiquei a delirar....
e
O vulcão de Timanfaya é espectacular:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_de_Timanfaya
aqui também a mão de Manrique, no desenho do percurso e no restaurante/mirador, assim como nos poços geotérmicos é de registar.
o símbolo do Parque é um diabo, lamentavelmente não há qualquer artesania que o explore, vimo-nos gregos para encontrar um decente!Outros vulcões habitam Lanzarote, as Cuevas Verdes, que não são covas nem verdes, mas sulcos de lava, onde (mais uma vez a mão do tal) foi feito um palco, com espectacular sonoridade para músicas.
O percurso (cerca de 1Km) é diíicil para idosos ou pessoas de mobilidade reduzida, agachado, e dobrado, mas vale a pena.
esta a sala de récitas.
e
claro que os reflexos iludem, mas há millhões de anos que a lava abriu este caminho.
Espectaculares, mas mesmo são os Jameos, outra obra....a ajudar a natureza.
De uma aridez notável, já não se cultiva cereal e os camelos só se mantêm para excursões turísticas, já não vi nem um burrinho, que os houver pequeninos.
Muitas vinhas, numa lógica parecida com o Pico, aqui dois dos bons que bebemos:
e este
e vi 4 ou 5 parques eólicos, que me agradaram, mas nenhum, nenhum mesmo parque de fotovoltaicos, que dispõem e imenso, mas imenso terreno. Não sei o que estão à espera.
Visitei a casa de Saramago, já referido, e as duas de César Manrique, a onde hoje sedia a sua fundação e aquela onde habitava à sua morte. As duas de excepção, nos arranjos e design. De Manrique são também diversas estátuas ou arranjos em rotundas e tenho que manifestar o meu entusiasmo sobre essas.
Também visitámos umas salinas em linha com outras que conhecemos por cá, mas que merecem registo, e esta Lua, quase cheia:
que só nos iluminou.
Quase tudo tem um toque ou uma inspiração de Manrique, ou dos seus colaboradores.
E também inesquecível as suas intervenções a denunciar a massificação turística e o empobrecimento que tal significava para Lanzarote e para todo o lado.
Por cá continuamos, como se não fosse nada.
Labels: casa Manrique, Lanzarote, lua, vinho
Para conhecer há que visitar, ouvir, comer e ler. E claro usar os outros sentidos para ouvir o tempo e sentir o espaço.
Aqui dois dos livros que li e que apreciei, sendo que o dos guanches já conhecia, bem noutras versões, de outros livros, mais ou menos elaboradas. Estou convencido que os primeiros povoamentos terão origem no leste do Mediterrâneo, zona do Egipto, seja pelos costumes (embalsamentos) seja pela gestão familiar. Mas este é um contributo interessante:
E para perceber melhor o genial César Manrique nada como conhecer as suas relações e o seu tempo e este que é um notável personagem:
estes livros foram também lidos enquanto comia, talvez, esta garbanzada, depois de uma visita a umas Cuevas de que falarei adiante:
Labels: Gastronomia, Lanzarote, Livros
Em Arrecife encontrei uma livraria de excelência que sei era frequentada por Saramago.
Aí comprei uma das melhores novelas que tenho lido, um estilo que faz lembrar a beat e que transita de tempos com sentido.
um livro sobre a grandeza e sobretudo a miséria humana, e os sentidos dessa.
Em Tias visitei a casa Saramago e a biblioteca, espantosamente classificada (pela Universidade de Granada!). A casa deixa-nos impressionados, o audio-voz é do melhor que tenho ouvido, o espaço é de notável concepção familiar.
este o quadro que nos é dito que inspirou o "Levantado do Chão", um dos livros, poucos, dele que li com gosto.
Era, independentemente de outros escritos seus não me comoverem e a sua política ainda menos um grande senhor!
Esta visita foi um deslumbre.
Hoje tratei deste assunto, a que só voltarei em escrito para jornal. Próximos posts sobre as maravilhas e também os riscos de/em Lanzarote! Enviado ao Cabildo, conselharia Turismo, ao Hotel, Agência viagens e advogado de consumidores:
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Dear Sir
I will write 2 or 3 articles on your wonderful Island and I will put several posts on the social media, but I am addressing you with a complaint, I will mention to the travel agency, the hotel itself and mention on detail, in the newspaper I write and the social media.
Complaint on the Vulcán Lanzarote
1- On the arrival, me and my wife were as if invisible. The woman in the reception (the only very disagreeable person we found in all the staff, and with very bad manners) absolutely ignore us, and attended a couple arrived much after us, when finished she left. Her colleague, after we showed loudly our presence, (a German, very nice, named Kay if I recall) came and apologized many times.
2- It did not stop here, and after came was worse. We where given a room we had not paid for. With a bathroom for disabled people. (Photos 1, 2 annexed)
Next morning we protested and…. Surprisingly we were informed that there was a room with conditions but we had to pay an extra 160 €. Not for the money but for the principle we refused. In Budapest in a 5 star hotel with the same situation they upgrade us immediately with no extra charges. Vulcán does not deserve the 5 stars!
3- Did not end here our tormented stay at this, really 3 stars hotel Vulcán.
One day they forgot to put towels in our disabled bathroom. The other at half past noon they had forgotten to clean it, and I had to call the reception!. And look (photo 3) at the quality of the towels.
To my disagreement when to pay someone tried to bride us and did not received some of the expenses we made, namely 2 dinners and some drinks, though we insisted. Unconceivable, and only because we had the transfer waiting did I not immediately write the Hoja the Reclamaciones.
I will send you the articles namely the one on the mentioned 3 stars Vulcán Lanzarote, and will diffuse this letter.
We stayed between the 5th and the 12th in a room that we had not paid for, without conditions non so ever.
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E, o hotel Vulcán Lanzarote até tem uma arquitectura agradável, foto seguinte, e todo o pessoal salvo a ordinária que não nos atendeu (talvez pela invisibilidade ou por falta de educação) todo era muito amável e até gratificámos as operadoras do SPA, mas, mas, lembrámo-nos bem das últimas intervenções de Cesar Manrique (será muito falado noutros posts, e é seu o quadro em anterior9 , o turismo de massa destrói, destrói tudo. Havia dezenas de boys e girls que não sairam do Hotel esponjados a lagartar, alguns com escaldões de febre, o turismo de massa levou a que a construção deste hotel tenha uma dimensão 2 ou 3 vezes superior ao que devia.
uma terra, Playa Blanca que já foi (há 40 anos estas fotos!) um paraiso e hoje está avacalhado por turista de nada e de coisa nenhuma.
hoje, salvo o restaurante onde estivemos a jantar (em frente ao "menir") nada disto existe.
tem que multiplicar por 50 a densidade de construção.Nos aviões, 4 viagens, houve tempo para leituras, estas:
Livro curioso, com contos sem estória e outros com duende. Guadi e os homens cinzentos são além de Cervantes momentos brilhantes.
E esta:
2 ou 3 artigos interessantes, outros banais ou falhos de perspectiva ou enquadramento. Mto bom o do amigo Chema, sobre comboios e o sobre “ El valor de las Aves” e alguns tópicos sobre “España Vaciada”. Mas vale intenção.
E esta deliciosa citação, que lembra outra de Bakunine: