insignificante
Wednesday, January 08, 2025
 

 

Oclocracia II

 

“O poder teme a palavra (...) a sua luta contra ela é atávica: o poder não gosta de ser discutido e a menor dúvida pode esboroar a sua autoridade como um balão furado”

R. Saviano

“É possível que alcançado um certo grau de saturação na unanimidade (...) nenhum membro da multidão possa subtraire.se a uma identificação plena com ela”

Munoz Molina

 

1-Vivemos sob o poder da multidão, mas a multidão é formatada pelo poder. Desde logo pela comunicação social que a ele pertence e que dele é um títere, em geral.

Já aqui temos denunciado vários casos. Não vale a pena voltar aos locutores da televisão que nos moldam o pensamento segundo as determinações de quem manda. Fazem lembrar o “Quem manda?” Feliz título de livro do meu querido amigo Fernando Pereira Marques sobre o Estado Novo e quem nesse mandava

Vou contar dois ou três casos sobre a ditadura que forja a multidão.

2- O novo aeroporto. Não se ouve nenhum argumento contra em nenhum órgão de comunicação social. E, no entanto, discute-se a introdução de novos impostos sobre o queroseno (combustível dos aviões), o que anuncia um encarecimento significativo dos transportes aéreos e com tal a redução dos voos e das companhias de aviação, também pela concentração. E não há, não há combustíveis alternativos! Voar vai ser um luxo dentro em breve*. Além de que o dito em Alcochete seria um crime ambiental. E desde logo mantê-lo em Lisboa não faz sentido, nas condições actuais.

Alternativas? Claro que as há, além de se ter que pensar, coisa que os políticos, como dizia Marx, G., que são “artistas em procurar problemas, encontrá-los. Fazer um falso diagnóstico e depois dar os remédios errados” não gostam. Temos um em Beja, temos outro em Madrid ou no Porto, que devem ser servidos por comboios em condições, e podemos usar diversos aeródromos hoje cativos para os tropas (inúteis) e no limite uma mini Portela, com restrições de horários.

3- Ninguém fala, e está relacionado com o tema anterior, do colapso do AMOC (sistema de circulação oceânica e regulador climático), da libertação de metano do permafrost (degelo) siberiano, da redução da floresta amazónica, do colapso dos gelos Antárticos, da destruição dos corais, da acidificação dos oceanos, da redução da biodiversidade, e claro, clarinho, não há uma, uma voz sequer que conteste a lógica do nosso governo, e claro desde logo a da oposição é igual, de crescer mais, mais, mais. Mas para onde e para quê?

Quando o que devíamos era cuidar dos verdadeiros problemas em vez de prever esburacar o país todo, quando, mas sobre isso também ninguém diz nada sobre os minerais que querem explorar, e que só vão degradar a terra, as águas, o ar, a saúde das populações e ... dizem os especialistas, não servem, leiam os meus lábios, não servem mesmo para nada, seja porque são irrisórios seja porque não haverá nenhuma produção para eles.

4-Vivemos sob a ditadura estabelecida pelos média, determinada pelos poderes económicos que controlam o poder político, e que faz o que denominamos a multidão, que controla e é controlada.

Poderíamos escrever por exemplo sobre o sistema de saúde e analisar porque razão tudo, tudo é centralizado e não há qualquer visão para sistemas alternativos à medicina oficial, ou são desvalorizados irresponsavelmente ou por arautos ditos cientistas, mas de facto imbecis, nos média, ou sobre as lógicas educativas, incapazes de responder aos desafios dos tempos, e ainda anquilosadas no século XIX, mas também aqui não há lugar para nenhuma opção que ponha em causa o sistema dominante, da massa.

Temas que iremos desenvolver proximamente.

E ainda ia falar do mitológico hidrogénio e do turismo*, que vai ao ar, mas fica, também, para próximo....

 



 

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Wednesday, September 14, 2022
 

 Saíu hoje na Gazeta da Beira:

Lanzarote, ilhas e vulcões (*) 

“En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme, no ha mucho tiempo que vivia um Hidalgo....” , Cervantes

“ A vida é uma viagem no espaço e no tempo e não tem significado nenhum”,  baseado em Shakespeare 

Gosto muito de diversas coisas, paisagens, que coleciono, e entre elas vulcões (já estive em três em erupção e até já caminhei sobre lavas moventes, no Fogo) e claro o que resulta delas, as ilhas. Conheço a grande maioria das da Laurissilva, onde chega o dragoeiro, Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde.

Pois estive 10 dias em Lanzarote. E num vulcão meio adormecido o Timanfaya, como quase tudo nesta ilha com uma mão do excepcional César Manrique, onde vi umas pequenas erupções e almocei um peixe grelhado com o vapor vulcânico.

As Cuevas e os Jameos, todos com uma mão ou inspiração do dito artista são um espectáculo, assim como o Jardim de Cactos (outro dos meus fascínios e do César) que me leva a um dos ex-libris desta ilha, onde visitei uma fábrica desse, o Aloe Vera, que é daquelas coisas que cura, tudo, mesmo tudo, e que é extraído do cacto. Já conhecia outras decorrências deste, o mescal e seus derivados que também são muito bons e também curam tudo!

As casas de Manrique, a da sua Fundação e a sua mesmo, são espaços de sonho onde se vê a alta qualidade do paisagista, arquitecto, pintor, artista vário e claro ecologista militante, que se empenhou na luta contra o tudo turismo, de massa e degradante do espaço, das paisagens e da urbanidade.

Ruralidade ainda há alguma em Lanzarote, seja nos registos/povoado pré-histórico, Zonzamas, muito mal cuidado é certo, (estas ilhas foram povoadas por gentes que vieram do norte de Africa e até penso do Antigo Egipto, ver registos mumificados) seja nas memórias agrícolas (do cereal desaparecido assim  como os burros, mas que  ainda manteve os camelos para serem montados por turistas, agora sem uso agrícola) seja nas vinhas, no estilo das do Pico, protegidas do vento intenso por muretes que as acompanham em altura.

A casa de Saramago também foi visitada, excelente o áudio que nos acompanhou, e notável a arrumação e estruturação do espaço onde vivia, com Pilar. A vista, o jardim, os cactos e a fabulosa biblioteca, 15.000 livros classificados pela Universidade de Granada e um espaço de maestro!

Na capital Arrecife, visitámos a livraria onde ele comprava e nós também e vimos um disparate, uma enorme torre/hotel que destrói a leitura do espaço e desvirtua a paisagem.

No Mirador del Rio vimos um sonho, a ilha Graciosa (na outra passei tempos desse), e tivemos a felicidade de almoçar em alguns locais populares, onde fomos recebidos com muita simpatia e em quase todos, talvez pelo nosso lado conversador e interessado nos ofereceram regalos, prendas....

Uma ilha seca, escassa de terras e muito ventosa onde um turismo de qualidade poderia lançar âncora. Ficámos num hotel de 5 estrelas, na Playa Blanca, um hotel miserável. Imaginem que nos colocaram num quarto com casa de banho para deficientes e que recusaram mudar-nos (tinham quartos livres), além do serviço de recepção assustador e sem a mínima ideia de gestão e toalhas rotas no quarto....

O hotel fica aqui para registo (até era acolhedor, embora de uma dimensão  chocante!) é o Vulcan Lanzarote, da cadeia The Hoteles. Apresentámos queixas a diversas entidades,  e até nos eximiram de diversos pagamentos  à saída e já nos ofereceram (posteriormente) umas noites gratuitas..... Uma administração ou gestão ao nível de qualquer barraca sem estrelas.

Ainda umas salinas em linha com o que conhecemos, na Ria Formosa ou na Figueira, e esculturas de Manrique em quase todas as rotundas, são outros momentos da ilha. Passei por vários parques eólicos e infelizmente o solar, seja até residencial, é completamente ignorado, aqui, lástima.

Memórias estão arquivadas, o tempo esse é ontem e amanhã. Hoje passa.

António Eloy

P.S.

Quem quiser saber mais sobre esta ilha, e outras das Canárias, e ver fotos ilustrativas, aqui: http://signos.blogspot.com/search/label/Lanzarote

(*) No próximo número continuarei com o tema “Contra as fronteiras marchar, marchar (II)”

Sem o boneco:

 

só falta o autor e a sua forquilha:

não se parece?


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Monday, August 01, 2022
 

 Contra as fronteiras, marchar, marchar....

será novamente título, em que voltarei a esta ponte:

ao lado de uma nova que faz a ligação do que nunca se deveria ter desunido, a Ibéria.

Desta ponte restam os destroços e uma história de teimosia.....

depois de artigo sobre Lanzarote voltarei a este tema, da viagem pela Raya, que nunca existiu.....



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Monday, April 04, 2022
 

Hoje com solicitação de difusão, artigo pessoal, mas que mereceu a concordância de outros #Resistentes à Guerra#.

É inacreditável o muro de silêncio que envolve o pensamento alternativo, não violento e na linha da resistência civil política e socialmente empenhada. E há mais de um mês que vimos gritando contra o deserto.

Assim como o silêncio sobre as consequências ambientais da guerra imperialista e pelos recursos em curso, assim com a parcialidade com que esta é tratada. Não há bons e maus, os direitos são ofendidos dos dois lados. Objectores de consciência são perseguidos dos 2 lados. E dos dois lados o dedo está sobre a bomba.

E não, não há nenhum nuclear bom.

O artigo foi enviado a alguns orgãos de comunicação social e nem teve resposta. Aqui está:

Rompamos com o silêncio

A resistência civil e política não violenta

1-     1-Esta guerra é contra o clima. Não existe nenhuma informação pública sobre as emissões dos exércitos (mesmo quando não há guerra). Os gastos militares estão excluídos dos protocolos de Kyoto e dos acordos de Paris. Não há documentação sobre as emissões do fabrico de armas nem das que se produzem nas manobras e manutenção dos exércitos e claro nenhuma sobre as guerras, onde se queima tudo, todo o combustível, seja em bombardeamentos seja em acções correntes. Temos todavia um dado, os EUA emitiram 1.200 milhões de toneladas de gases efeito de estufa na guerras desde 2001 o equivalente a 257 millhões de automóveis/ano.

O mundo segundo o SIPRI (Instituto para a Paz de Estocolmo) gastou mais 2 mil milhões de milhões (2.000.000.000) de dólares em armas e sem que uma única voz tenha rompido o tenebroso silêncio do politicamente correcto e da ditadura de alguns médias dominantes , nem uma voz se ouviu a contestar o aumento de quase 100% das despesas militares, nos nossos países, para 2% . Vergonhoso.

Esta guerra é, nenhum dos nossos especialistas o diz, uma guerra climática, por combustíveis fósseis, quem o diz é Svitlana Krakovska, especialista climática ucraniana, mas há muito que o sabíamos, mas em general é ignorado.

2-      2-Esta guerra, também, pesem os propagandistas desta tecnologia moribunda anunciarem o contrário, é o desmascarar final da nuclear, civil e militar. As ameaças, ao arrepio dos próprios tratados nucleares internacionais da ditadura russa, e os estragos e radiações que já foram emitidas pela ocupação e destruição em locais de centros radiológicos mostram claramente que não há nenhum nuclear seguro, que os riscos são em qualquer caso imensos e é, também uma tecnologia que nos deixa nas mãos de Putin e dos seus aliados para o abastecimento de urânio, ora.....

3-     3-São igualmente os direitos humanos pisoteados em nome de ideias que ao longo da história tem conduzido às maiores vilezas, massacres, Holocausto sobre qualquer das suas diversas formas, mas sempre em nome do ódio, do ódio ao outro, seja esse normalmente assumido como patriotismo ou nacionalismo, espaço vital, culto da raça, religião, ou até simplesmente da forma de expressão e da fala.

4-     4-Tem sido pouco referidos esses elementos que são a tripeça que sustenta esta guerra, mais esta guerra, que se bem que tendo responsabilidades inequívocas de um dos lados, mesmo se compreendermos que há efeitos que induzem a esta, pois esta guerra e invasão imperial tendo tido um culpado entrou numa lógica suicidária. Não é com água que se combate o fogo. Os apelos permanentes a um escalar do conflito são totalmente contraproducentes. Só se acaba com a guerra lutando contra a guerra.

A oposição civil não violenta, a desobediência activa, o envolvimento pessoal no empenho contra a guerra deveria ao contrário do que é estimulado pelos nossos, e noutros países, órgãos de comunicação social tema chave para um processo de parar, parar já esta loucura, caminhar para um cessar fogo, e a construção de novas relações que excluam o ódio e promovam a fraternidade entre os povos.

Para chegar a esse ponto há que iniciar o caminho, como quando Rosa Parks ocupou um lugar, como quando um indiano recolheu sal do mar, como quando uma florista colocou um cravo numa arma. Na Ucrânia houve uma experiência não violenta exemplar, como já tinha havido noutros países do leste da Europa. Recusar a guerra, dizer não à guerra, porque continuamos amigos da terra.


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Friday, December 10, 2021
 

 Será, ou já foi, publicado no Gazeta da Beira (não confundir com outras Gazetas!):

A moral e a política

“Passa um cúmulo-nimbo

O Vento sopra

Poderá chover”

 Haiku anónimo

“Se algo pode correr mal, vai correr (mesmo) mal”, essa a 1ª das conhecidas leis de Murphy.

Recordo que no gabinete do então comissário da Expo 98, Cardoso e Cunha, estarem as leis de Murphy emolduradas em grande evidência. Julgo que em 1993 (ou 94) fiz parte, com cerca de uma dezena de especialistas em ambiente, de uma comissão criada para dar orientações sobre a obra de desmantelamento das estruturas industriais e analisar os problemas ambientais dessas.

Tivemos duas ou três reuniões, de grande espessura, onde tudo era discutido e problematizado. Chegou-me aos ouvidos que estávamos a criar muitos problemas e o facto é que fomos todos dispersos, um para cada serviço (eu fui para a educação ambiental, outros para a comunicação, outros promovidos a directores de serviço, outros para o ministério e até houve quem fosse para as Bermudas).

Não se podia atrasar a obra com minudências ambientais. Os lixos não foram devidamente processados, os terrenos não foram devidamente descontaminados ou nem sequer, a obra sofreu entorses por necessidades de construir mais, mais, mais.

E recordo que tinha assinado um contrato em como não diria nada, sobre o que viesse a saber. Já deve ter caducado.

Os resíduos industriais(metais pesados, escórias militares e de petróleos e outros) foram espalhados, por aí, e nem sempre cumprindo as condições requeridas e sem grandes controles ambientais. Ainda se encontram, por aqui, ali e acolá.

Mas o pior, o pior mesmo, e eu que além de educação ambiental levava os visitantes a ver a desgraça ambiental que era aquele espaço tenho a perfeita consciência da enormidade do desastre que ali existia, o pior é que a descontaminação dos solos, que havia sido um tema central do grupo de trabalho acima mencionado, pois, foi escassa, ou mesmo nula. Avisei na altura do potencial poltergeist. Mas a Expo tinha que ser em 98.

Há alguns anos na zona da escola os cheiros vindos do solo anunciavam o inevitável, por mais betão que se coloque a natureza, como também diz uma das leis de Murphy, “se se mexe com ela o resultado vai ser uma falha, fatal”.

Depressa e bem não há quem diz o nosso povo.

Mas era, minha intenção,  escrever sobre alterações climáticas e a hipocrisia dos políticos sem vergonha que temos, que dizem uma coisa e fazem outra, o nosso ministro foi a Glasgow perorar sobre o.... lítio, que não vai resolver nenhum problema ambiental (mais carros eléctricos para quê? Se não substituem os actuais sequer?) e anunciar num país, um país rural e esvaziado, mas com gente que lhe quer, nele vive e trabalha, pois foi anunciar esse país pejado de minas, minas, minas, a desertificar mais, a contaminar mais, a destruir mais, uma autêntica bazuca!.

Temos que dar uma volta a isto, temos que agir, a nível local, organizando resistências, fazendo e acontecendo contra a lógica totalitária do crescimento, do mais, do mais o quê? Intervindo e procurando alterar um sistema político anquilosado, sobre as  autarquias tenho um livro em colaboração com Tomaz Albuquerque #O Clientelismo, doença infantil da democracia#, e sobre o sistema eleitoral nacional também temos muito escrito, do método de Hondt distorcido, aos muitos milhares de votos para nada, aos círculos imperfeitos à representação nula.

Temos um país vaziado, sem representação.....donde as minas e donde as plantações industriais e donde a destruição da continuidade, desse país que resiste. Nós. Continuamos.

https://obseribericoenergia.pt/

 

 

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Thursday, October 28, 2021
 

 Mais ou menos o que saíu no Público de 4ª, online.

#A moral e a política

 “Que estrondo a indústria causa no mundo. A máquina é fonte de estardalhaço

G. Flaubert

“A vida é um conto, cheio de sons e fúrias, não significando nada”

Shakespeare

1-A Rainha de Inglaterra, sem pretender ser recebida por Biden, disse que não nos podíamos ficar pelo blá, blá, na cimeira de Glasgow.

Também não penso que tenha qualquer utilidade ser recebido por seja quem seja, o clima não vai ficar melhor, por nenhuma recepção.

Tudo já está, já foi dito sobre o clima, a redução da biodiversidade, o imperativo de reduzir as emissões, todas, a exdruxulosidade do sistema mundial  e a absoluta falta de autoridade das supostas entidades responsáveis por esse.

Montanhas de artigos, toneladas de livros, dezenas de horas de rádio e muitos, muitos programas de alienação televisiva (pois quê?), sem falar das indigentes redes sociais se entregarão a discorrer sobre a próxima cimeira do clima. Nestas últimas a coberto do anonimato inúmeros drolls (não seres), que a maioria dos comentários destas são criações algorítmicas sem existência real, continuarão a tentar espalhar mentiras, manipulações ou realidades virtuais, como aliás já o fazem há anos.

2-As verdadeiras discussões ou não são tidas ou são escamoteadas pela comunicação de massa, e mesmo a mais séria imprensa (escrita ou falada, que a vídeo é quase sempre lixo) se sujeita aos imperativos da publicidade ou dos publicistas, normalmente ligados a alguns sectores produtivos (sempre produtivos!) ou a segmentos políticos ou governamentais nas mãos desses.

Por exemplo fala-se da bazuca (que só pelo nome mostra toda uma cultura, ou incultura) e nunca, nunca se põe em causa a lógica que lhe subjaz, a do mais, mais produção, mais crescimento, mais consumo, mais energia (mesmo quando dizem querer diminuir as emissões, como se fosse possível ter Sol na eira e chuva no nabal), mais, mais, mais. Nunca, aliás nem sabem o que é a sobriedade energética, a agro-ecologia, a convivialidade,  nunca se ouve falar de tal ou se usam essas palavras é para pervertê-las e enchê-las de lama, pois nunca se discute a produtividade, o que é?, a perversão do consumismo a ela aliada (mais um número?), pois tal não cabe nas cabeças nem da esquerda nem da direita, mesmo que tenham um fundo, muito, muito ao fundo verde.

3- Não se afigura possível a não ser paliar, limitar o drama em que a humanidade já está mergulhada, e comparado com esse drama os vírus, seja quais sejam, seja qual a sua origem, os vírus todos são um joguete de criança. Esta cimeira de Glasgow vai ser mais um momento de folclore mediático, em que interesses e contra-interesses se irão degladiar, e no final ganham sempre os mesmos. O produtivismo desenfreado, a lógica do mais, mais, mais, mesmo e quando disfarçada para enganar os média sôfregos de regabofe.

4- Sabendo que Planetas Vivos são difíceis de encontrar (embora uns lunáticos continuem a desperdiçar este em busca de outro, inexistente) e lembrando que já os Enciclopedistas anunciavam um triste fim, se acabássemos com a humanidade, vamos colocar na agenda, não de Glasgow, outra coisa. Sem ruído que se possa contar, em próximo texto.#

 

 

 

 

 

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Saturday, March 20, 2021
 

Depois de imaginar a torrada com marmelada, inspirada por uma notável crónica de Miguel Boeiro! Leio, carregar para melhor leitura, no Público, onde esperou uns dias, o texto em que subscrevo.



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Monday, March 08, 2021
 

 Entre artigos, cartas abertas, textos "doutrinários" ou sobre temas etérreos, e provas, análises e mais outras coisas do foro da némesis médica, vou tentando equilibrar os males do corpo com o espírito....

E começo a ler este livrinho, que me pareceu um petisco:

que pena não ser a Ibéria imaginada, mas tem faltado política para tal.
 

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