Oclocracia II
“O poder teme a palavra (...) a sua luta contra ela é atávica: o poder não gosta de ser discutido e a menor dúvida pode esboroar a sua autoridade como um balão furado”
R. Saviano
“É possível que alcançado um certo grau de saturação na unanimidade (...) nenhum membro da multidão possa subtraire.se a uma identificação plena com ela”
Munoz Molina
1-Vivemos sob o poder da multidão, mas a multidão é formatada pelo poder. Desde logo pela comunicação social que a ele pertence e que dele é um títere, em geral.
Já aqui temos denunciado vários casos. Não vale a pena voltar aos locutores da televisão que nos moldam o pensamento segundo as determinações de quem manda. Fazem lembrar o “Quem manda?” Feliz título de livro do meu querido amigo Fernando Pereira Marques sobre o Estado Novo e quem nesse mandava
Vou contar dois ou três casos sobre a ditadura que forja a multidão.
2- O novo aeroporto. Não se ouve nenhum argumento contra em nenhum órgão de comunicação social. E, no entanto, discute-se a introdução de novos impostos sobre o queroseno (combustível dos aviões), o que anuncia um encarecimento significativo dos transportes aéreos e com tal a redução dos voos e das companhias de aviação, também pela concentração. E não há, não há combustíveis alternativos! Voar vai ser um luxo dentro em breve*. Além de que o dito em Alcochete seria um crime ambiental. E desde logo mantê-lo em Lisboa não faz sentido, nas condições actuais.
Alternativas? Claro que as há, além de se ter que pensar, coisa que os políticos, como dizia Marx, G., que são “artistas em procurar problemas, encontrá-los. Fazer um falso diagnóstico e depois dar os remédios errados” não gostam. Temos um em Beja, temos outro em Madrid ou no Porto, que devem ser servidos por comboios em condições, e podemos usar diversos aeródromos hoje cativos para os tropas (inúteis) e no limite uma mini Portela, com restrições de horários.
3- Ninguém fala, e está relacionado com o tema anterior, do colapso do AMOC (sistema de circulação oceânica e regulador climático), da libertação de metano do permafrost (degelo) siberiano, da redução da floresta amazónica, do colapso dos gelos Antárticos, da destruição dos corais, da acidificação dos oceanos, da redução da biodiversidade, e claro, clarinho, não há uma, uma voz sequer que conteste a lógica do nosso governo, e claro desde logo a da oposição é igual, de crescer mais, mais, mais. Mas para onde e para quê?
Quando o que devíamos era cuidar dos verdadeiros problemas em vez de prever esburacar o país todo, quando, mas sobre isso também ninguém diz nada sobre os minerais que querem explorar, e que só vão degradar a terra, as águas, o ar, a saúde das populações e ... dizem os especialistas, não servem, leiam os meus lábios, não servem mesmo para nada, seja porque são irrisórios seja porque não haverá nenhuma produção para eles.
4-Vivemos sob a ditadura estabelecida pelos média, determinada pelos poderes económicos que controlam o poder político, e que faz o que denominamos a multidão, que controla e é controlada.
Poderíamos escrever por exemplo sobre o sistema de saúde e analisar porque razão tudo, tudo é centralizado e não há qualquer visão para sistemas alternativos à medicina oficial, ou são desvalorizados irresponsavelmente ou por arautos ditos cientistas, mas de facto imbecis, nos média, ou sobre as lógicas educativas, incapazes de responder aos desafios dos tempos, e ainda anquilosadas no século XIX, mas também aqui não há lugar para nenhuma opção que ponha em causa o sistema dominante, da massa.
Temas que iremos desenvolver proximamente.
E ainda ia falar do mitológico hidrogénio e do turismo*, que vai ao ar, mas fica, também, para próximo....
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