insignificante
Está a decorrer mais um Doc e hoje revi, na televisão este, fabuloso, que terá passado no ano passado:
https://doclisboa.org/2022/filmes/godard-cinema/
quem ainda poder passou no TVCine Edition na sexta pelas 22horas. A não perder, de um dos maiores génios do nosso tempo.
Labels: Cinema, docs, Godard
Tempo, história (s) e também cinema, 24 imagens por segundo....
engraçado e com algumas referências fundamentais....
Labels: Cinema, História, Livros
Durante talvez meia dúzia de anos ou mais fiz crítica de cinema em dois jornais regionais (a Gazeta das Caldas, ainda hoje e o Diário do Alentejo, noutros tempos!), tive algumas crónicas de cinema publicadas em jornais nacionais (o Expresso e o D.L., por ex.) e continuo a fazer aqui e ali escrita sobre filmes.
Tenho os meus filmes lá de "casa" , mas é sem sombra de dúvida João Bénard da Costa que nos delicia com a sua erudição e a forma, o tempo e o modo como nos faz olhar, ver esses.
Edita agora a Cinemateca uma colecção dicionarial com os seus textos.
Hoje li, folhei o primeiro volume, com curiosidade e alguma delícia, aqui e ali.
É como re-ver....
Labels: Cinema, Cinemateca, Filmes, João Bénard da Costa
Acordei com uma dor de cabeça(fígado) e a pensar neste filme...
talvez ligado à morte de Aznavour. Vi-o duas ou três vezes, vou ver se encontro o dvd.
Já não recordo quando o vi a 1ª, talvez nas sessões do Monumental antes do 25, talvez noutras, mas recordo que modificou a minha relação com o protagonista, que desconsiderava.
Uma voz e um talento que se me tornou incontornável. Um dos filmes culto da nouvelle vague e do cinema.
Labels: Aznavour, Cinema, Truffaut
Por vezes tenho saudades de quando fazia ou melhor escrevia crítica de cinema, na Gazeta das Caldas e no, então não sujeito a censura prévia, Diário do Alentejo, além de ocasionalmente no Expresso.
Porque vi os dois primeiros filmes deste ano, Churchill, excelente desempenho do actor e alguma emoção que se consegue transmitir ao espectador por uma realização sóbria e de bom nível.
A merecer, pelo menos o actor Gary Oldman, um Óscar pese algumas invenções ahistóricas do filme.
Já medíocre, com interpretações de dois canastrões a roçar a incompetência, e com uma realização sem qualquer brilho e meramente para passar The Post, ainda por cima com muitas falhas ao nível do argumento. Assim o Trump continuará....
Mas com a invasão de filmes de extra terrestres, de mortos vivos, de total vilanias ou com argumentos mirabolantes e reducionistas, estes são, apesar das reservas, dois momentos para pensar.
Infelizmente a nossa distribuição continua dominada pelas americanadas, pelas piores americanadas, e os filmes europeus, os latino americanos, para não mencionar asiáticos continuam ausentes dos nossos ecráns.
E depois lamentam que os cinemas estão vazios....
Labels: Cinema, Filmes
Muitas vezes tenho saudades dos anos 5 ou 6 em que semanalmente fazia uma ou duas críticas de cinema para dois importantes jornais regionais, Diário do Alentejo e Gazeta das Caldas.
Tenho saudades quando sou surpreendido por um filme, que propicia reflexão, equaciona um problema complexo de direitos e reflecte a lógica de pensamento em que a nossa sociedade está organizada.
Quando ainda por cima o filme é dinamarquês e nos descansa do imperialismo cinéfilo dominante e tem excelentes actores e o protagonista notável, e sóbria direcção temos estória temos enredo e inspiração para o desenvolver.
A história remete para um livro de Edgar Morin #La rumeur d'Orleans#, sobre um caso, um falso com a mesma lógica.
Acusação, presunção de culpa, estigma social, inocência carregada de "carga" social.
A crítica teria referências, ligações, enquadramentos socio-ideológicos à fartazana, e no D.A. divertia-me a passar a linguagem pelas malhas, pelo crivo do não dito, jornal comunista militante, em que adornáva a minha prosa de subentendidos.
A o cinema...
Labels: Cinema, direitos humanos
Ouço a Piaf no rádio que é verdadeiramente um repouso para o espírito e uma âncora para a escrita e uma ajuda para a leitura.
Embora nos dias em que a mente precisa de desligar, a TV seja uma boa prisão para essa cada vez tenho menos paciência.
E também, fiz hoje 300 Kms a pensar nisso, e nas mastigações e os sorvos das salas de cinema.
Julgo que não há já nenhum cinema que nos dê um alívio dessa grotesca situação. Mas devia, porque teria certamente muito público, sobretudo se não passasse a maior parte dos filmes que enchem as salas de grunhos a comer pipocas e a sorver colas.
Filmes franceses, espanhóis, italianos, alemães, ingleses, sei lá filmes, que também podem ser o notável Tarantino, ou até o Lincoln numa interpretação notável.
A TV, voltando ao tema (e mais uma vez porque raio tenho que pagar uma taxa de televisão, se não a tenho? será que é preciso espetar uma factura nas trombas de alguém? ops não tenho nem TV nem factura, que aliás deixei, salvo casos de utilidade fiscal que são quase nenhums..., de pedir ou vão directamente para o lixo!) está também pelas ruas da amargura.
Não há um canal, nem daqueles bem pagos, que tenha uma programação minimamente visível, salvo aqui e acolá uma série mais interessante, e que serve na falta de LSD.
Volto aos livros que leio, dado o domínio desta novilingua em que por Aborto Ortográfico se transformou o português, em francês, inglês e castelhano, nas suas várias versões línguisticas e também em brasileiro, que agora procuram, por cá, sem graça imitar, não percebendo que as grafias reflectem dinâmicas e quadros sociais de funcionamento. E são elas próprias espécies em evolução.
Era para escrever sobre o 2 de Março, era para escrever sobre o Forum Social de Oeiras, era para escrever sobre Caldas e a política local, era para escrever sobre a Europa e a política para esta. Era.
Mas a Piaf transporta-me para um oceano de memórias e vivo muitos outros tempos no tempo da formulação da escrita no reflexo do pensamento.
Hoje, também, sonhei com a Tabela dos elementos, novamente.
E descobri o 1º rascunho de Mendeleiev, a primeira tabela:
fez-me lembrar alguns rascunhos que tenho em curso, com as palavras de todos os dias, como "la môme" me canta...
Labels: Cinema, Mendeleiev, Piaf, Rádio
Durante anos, 5 / 6 ou 7, fiz crítica de cinema na Gazeta das Caldas e no Diário do Alentejo.
Também publiquei dois textos no Expresso.
Ia então duas ou três vezes semanalmente ao cinema, uma vez que não repetia as crónicas, e estas eram pequenas produções semiológicas de análise socio-ideológica e uma fugaz apreciação da parte em movimento sobre essa.
Por vezes tenho saudades desses exercícios onde aplicava as leituras e as interpretações do enredo em movimento.
Dessas me lembrei hoje ao ver este honesto filme, com uma excelente interpretação de Denzel Washington.
É um filme sobre a ideologia americana, uma crítica temperada ao laxismo no consumo de drogas, e sobretudo ao descontrole individual, mas também uma valoração do arrojo e da capacidade e da... verdade, que é o centro do filme.
Este era dos filmes que me faziam dar voltas ao texto no Diario do Alentejo para defender os valores individuais e a economia de mercado e a sua regulamentação e passar pelo controle ideologico do mesmo e na Gazeta me conduzia ao "nec plus ultra" do discurso e do seu comprazimento.
Labels: Cinema, Gazeta das Caldas
E para conclusão do DocLisboa #Capitalism: a love story# de Michael Moore.
Uma sátira, com o histrionismo já conhecido do M.M. sobre aspectos da economia financeira e as suas repercussões na vida de gente concreta.
A desregulação da economia de mercado, ou o capitalismo selvagem e sem restrições legais e controle democrático real, a serem contados aos americanos, com piscadelas de olho ao estado social europeu, também ele a ser destruído pela economia de casino e os seus epígonos.
Se para nós"crescidos" eram dispensáveis as palhaçadas do M.M. talvez elas sejam importantes para o nível socio-educativo dos states, que vão alastrando.
Um final deste Doc. em beleza
Labels: Cinema
Continuo no DocLisboa.
Ontem depois de mais um jantar no EntreCopos (que é um dos locais de pranso mais agradáveis e com excelente qualidade e preço desta Lisboa, nesta memória de outro local onde debaixo da parreira escorreram muitas...horas de vida) fui ver um curioso fime sobre transumância numa zona oriental da Turquia #Shawaks#, de Kazim Oz.
E hoje, depois de muita actividade, fui ver um filme de uma mulher notável, de altas qualidades humanas e profissional de eleição, Diana Andringa; este #Dundo, Memória Colonial# é um filme que tem matéria para muita escalpelização, tem informação que fará, deveria fazer história, além do toque pessoal memorialístico que também remete para um universo e a leitura, a vivência num espaço e num tempo.
Filme de alta qualidade no enredo e elaboração, com informação nova (as relações de poder e racismo na DIAMANG) e outros tempos do tempo e das pessoas que passam nesse.
Labels: Cinema
Below Sea Level- Gianfranco Rosi
Um filme sobre a solidão (Misfits), no deserto de tudo, e os encontros solitários deste, neste.
Os dialogos de surdos, quando se fala consigo mesmo, e o outro é o espelho.
O abandono quase absoluto, sem ser despojamento, mantendo ligações ao "mercado", numa lógica quase aldeã mas invertendo os dados da realidade.
No final o "potlach",,,
Labels: Cinema
Pare,Escute,Olhe - Jorge Pelicano
Um tema de grande interesse desperdiçado, pese a qualidade da construção fílmica, a excelência do som, as imagens excepcionais dos populares, e o mérito do enfoque por "pretenciosismos" desnecessários (como a inserção de slides absurdos no filme) e por ter 20 minutos a mais, do que é o tempo de um documentário, e assumir pretensão de longa metragem.
E lamentável (talvez mal aconcelhado...) o enquadramento político... por exemplo ver os defensores do embalse de Alqueva, que é o maior crime ambiental jamais cometido em Portugal a deitarem lágrimas de crocodilo sobre a barragem do Tua, não é o menor...
O erro principal é a total falta de estratégia de um filme, em que o realizador pretende fazer proselitismo político, que não sabe o que deve defender, qual a táctica a desenvolver e qual é o objectivo pretendido (evitar a construção? defender outra cota? defender a reconstrução da linha do Tua, noutro nível? simplesmente promoção de Os Verdes? vender o produto em 80 salas o quê?), este é um filme que mostra que é necessário um pensamento articulado e uma intervenção estruturada e que não são improvisos à Lagardere que resolvem seja que problema seja.
Parabéns à produção, ao Paulo Trancoso, por mais esta aposta e risco, em que fez mal todavia em dar roda livre ao realizador, e registo com agrado o reencontro com a Guida e o João Joanaz de Melo (que dá um dos poucos momentos políticos adequados no filme), assim como o reencontro com velhos companheiros como o Paulo Serra Lopes, no debate que se seguiu, onde a Graça Morais falou do coração.
Também registo para a presença da Helena Pinto e do Heitor de Sousa (de quem espero a maior atenção à Linha do Oeste!!!)
Há filmes e filmes... Pare, Escute e Olhe.
Labels: Cinema, política
Bassidji- Mehran Tamadon
A grande questão é saber fazer perguntas, as respostas são (ou não) condicionadas por estas. Quando a grelha das mesmas é o discurso do "absoluto" qualquer pergunta fora da regra implica o deslavar da realidade, do totalitarismo, da negação do outro, da pergunta do outro.
Um filme que lembra o Dziga Vertov, o cinema verdade, feito com candura, de quem sabe que o discurso fechado se torna auto-evidente.
Um documentário excelente sobre o discurso, e como o discurso é como uma pescadinha de rabo na boca.
Que permite também uma reflexão sobre o tempo e as amizades nesse, as que se vão esvasiando num sentir sem sentidos, sem alma nem senso, tema para outra reflexão, nesta semana olímpica de imagens e busca de sentidos nessas.
Labels: Cinema
Paredes Meias- Pedro Mesquita
Andei pelo bairro da Bouça nos anos 70 mas tenho que confessar que é com este filme que se sente as gentes desta "ilha", que se sente a luta pelo direito à habitação digna e o papel de uma arquitectura participada na criação de cultura sobre o espaço e a memória que é marcada por este.
Num filme que passa como se estivessemos a vivê-lo, com suavidade e deixando o discurso dos seus personagens, das suas casas, dos seus espaços fluir, vivemos a Bouça, o seu passado, a sua memória e os sobresaltos do futuro.
Excelente som, optima montagem e sequênciação, um dedo notável da produção (Sandro Araujo), tudo ainda a precisar de mais uma aferição, numa obra que deve ser referência para quem se preocupa com as urbes, a sua arquitectura e as memórias, os tempos e os lugares de que esta é feita.
Labels: Cinema
Bucharest, memory lost - Albert Solé
A história, a nossa estória, com as convulsões do tempo desse tempo todo que vivemos e imaginámos...
e um dos heróis da democracia espanhola Jordi Solé, a cruzar-se com outros como Jorge Semprun, e outros com muitas sombras como Carrilho, numa reconstituição extremamente cuidada e rigorosa...
A invenção da estória também é História.
E esta para ser Humanidade tem que ser também a luta permanente da memória contra o esquecimento desta...
Labels: Cinema
Fui ver um filme que será de culto. #Os limites do Controle# de Jim Jarmusch é um filme que perpassa pela história do cinema, da caixinha do Bunuel, á viagem de comboio à Hitchcock, aos westerns de Ford, ás ruas de Godard, ao forte de Ray, por estes e muitos mais que são citados numa lógica de zen que passa (na caixa/acto) e não passa, porque fica.
Admirável a sequencia final no forte e o poder da imaginação, que é de facto tudo e desestrutura o filme que se encerra também numa caixa.
Filme lento, muito lento de reter nas entrelinhas.
Bom para o tempo que passa ou não.
Labels: Cinema