insignificante
Foi face a este que me embrenhei nas leituras antes mencionadas:
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Mais um dia de modorra e entre duas ou três pequenas actividades o tempo vai escorrendo pelas leituras, ora esta interessante tese de doutoramento, sobre as origens das actuais corridas, correr com os toiros, toiradas, que descubro com prazer nas suas origens socio-religiosas, que se seguem em adaptações enquadradas em cada local e se moldam aos desenvolvimentos económico-sociais, sem perderem o seu sentido ritual ou religioso.
" A corrida não parece ser um puro acto religioso nem um puro acto profano, mas antes nela estão presentes os dois"
" No mítraismo o mundo nasce do sangue do toiro sacrificado, o seu sémen é gerador do mundo animal e este está relacionado com um mito agrário que é talvez o mais solene da religião iraniano primitiva"
traduções minhas. E:
"Las religiones antiguas han utilizado este
animal, al igual que tantos otros animales apreciados, como víctima en los
sacrificios; pero independientemente de esta utilización del toro para fines de
carácter religioso, lo han erigido a veces en objeto de culto, ya bajo la
especie de la diversa potencia animal en sí misma, ya como encar nación de la
divinidad en ciertos sujetos de la especie bovina, que en muchos casos ha
evolucionado hasta concebir al animal como un mero símbolo de la divinidad, un
heraldo o un servidor de ella. La acentuada evolución del teriomorfismo hacia
el antropomorfismo en las religiones antiguas señala inexorablemente el
progresivo empobrecimiento del toro como figura religiosa.
Hay otra dirección en la que el toro, a veces,
alarga su vigencia; como, por ejemplo, en ciertas religiones mistéricas. Su
función está entonces vinculada al sacrificio y a la fertilidad, y se basa en
la concepción arcaica del valor mágico fecundador de la sangre. En esta línea
el toro no está solo, porque tanto su sacrificio como su sangre son los valores
que comparte con otros animales y con el hombre. No obstante la transfiguración
sociológica que es propia de las religiones mistéricas, el toro ha sobrevivido
a veces, como tantos otros elementos arcaicos, y sólo perdura en ellas como
elemento simbólico y ligado al sacrificio."
Que falta fazem amigos, uns mortos e outros afastados, que animem verdadeiras tertúlias sobre estas teses, que penso algumas são controversas e mesmo erradas, mas que são base para discussão.
um enquadramento histórico e temporal, onde certamente há muito para comentar, mas um levantamento rigoroso, numa leitura envolvente, que coloca um nível elevado.
Curiosa a relação entre o poder religioso e as atribuições genésicas ao toiro, assim com as diversas lendas e contos com tal relacionados, seja também na genealogia das corridas.
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Colaborei com a 1ª série do Tal&Qual, fiz 1ªs páginas e com o meu querido Gonçalo R.T. dividimos muitas páginas seja sobre a nuclear seja sobre a eucaliptação seja sobre outras poluições.
Esta 2ª série que saúdo tem alguns dos mesmos jornalistas.... e novos cronistas, como este de grande qualidade que assina Ferro-curto, mas do meu ponto de vista (e por isso raro comprá-lo) cedeu, em toda a linha, ao manhismo (do Correia da Manha) de capa e logo de artigos.
Hoje comprei e só este artigo já vale:
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Ontem em colóquio na Moita, além de muitas observações genéricas julgo que contribui para o pensamento ligado à tauromaquia de forma a integrá-lo na ruralidade, ambiente, cultura e política.
Defender as corridas de per si não é um elemento catalogável ou sequer estimável, antes pelo contrário referi que a cooptação do ambiente taurino em Espanha pelo VOX está a dar um golpe mortal, uma estocada mortal, ás corridas em Praça, independente de discussões interessantes que se desenvolvem sobre o papel dos picadores.
Agregar a tauromaquia à extrema direita é um passo firme, uma estocada certeira para o fim das corridas, sejam mais ou menos populares.
E claro, em Portugal a Pró-Toiro não tem noção clara dessa situação, apesar do trabalho notável que tem feito no sentido de dar conteúdo ao momento de bandeira da ruralidade que são as corridas. É lamentável o questionário que foi feito, ou melhor o levantamento das posições dos partidos sobre a festa, independentemente desse estar, como referi correcto.
Só que a bandeira tem que ser enquadrada, não se defende sem defender o território, a sua construção e nessa o trabalho do homem a construir cultura, nos seus diferentes aspectos, da pastorícia, aos cavalos, do artesanal ao sofisticado, das diversas vertentes interligadas com rituais religiosos ou não ao social que é resultante de todos esses aspectos.
Não se defende a corrida em abstracto, por isso há quem adore os animalistas que permitem não elaborar pensamento nenhum e defender boçalidade contra boçalidade.
O pensamento taurino tem que se revestir, mudar as vestes mesmo, e dar sentido ao território, onde o apuramento do toiro, fundamental para marcar a charneca e o montado deve ser integrado com a biodiversidade e a paisagem que molda e deve ser explicado, porque os urbanitas o ignoram o processo de selecção e a rentabilização do animal, assim como a sua continuidade.
Mas temos uns conceptualistas dos dois lados, de um uns que inventaram a alma do toiro, sem saberem que este resulta da tenta, do outro os que levantam o braço, ignorando que a cultura taurina é intrinsecamente democrática, de Lorca a Picasso, de Hemingway, a Vargas Llosa e tantos outros.
O discurso tem que fazer caminho, nunca esquecerei que quando o Dalai Lama foi interrogado sobre a tauromaquia respondeu "cada local tem os seus rituais que devem ser respeitados no quadro da sua espiritualidade", os toiros são, também, um momento zen.
Esse o aspecto final, que não foquei, que é o que a bandeira representa, que é a continuidade, a religação das comunidades, do território, da cultura e da sociedade num ambiente adequado, para o qual o toiro, criação de muitas gerações, muito contribuiu.
Que continue, afastando os fantasmas que o parasitam.
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Hoje, uma grande entrevista!
https://elpais.com/cultura/2019/10/03/el_toro_por_los_cuernos/1570139284_844496.html
A vida é um momento de temple. Aqui:
A Lua ilumina a charca
Um sapo no nenúfar
O tempo passa
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Defender a natureza é também compreender o mundo rural, o que urbanitas e animalistas não conseguem fazer.
A relação com as espécies domesticadas e manuseadas pelo homem, a ligação destas à cultura e ao agros, integrando diferentes momentos e nesse a festa sempre foi e continua a ser um momento fundamental no tempo e no espaço de afirmação da continuidade, que remete inclusivé para momentos religiosos, o mitraismo fonte e origem das nossas religiões.
Já há muito que não escrevo sobre este tema, embora não abandone uma boa polémica sempre que posso.
Este artigo do meu estimado amigo Luís Capucha vai ao cerne da questão, que não é todavia só de democracia. A cultura, o mundo rural, não pode ser exterminado pela vontade da maioria...
https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/defender-a-tauromaquia-e-defender-a-democracia-e-a-liberdade-9557839.html
Com um abraço ao Luís e a todos os que defendem a ruralidade, o ambiente que esta constrói e a continuidade.
Olé!
Nota
Infelizmente são alguns dos defensores da ruralidade, da sua continuidade, da natureza que construímos e da convivência que essa propicia os seus piores, inimigos.
Quando se mete tudo no mesmo saco, quando se coloca a tauromaquia onde ela não está, que é a defesa de valores conservadores cívica e moralmente, e assim se afasta desta a maioria dos seus defensores.... está-se, na prática do lado dos animalistas.
Eu sou defensor dos direitos da mulheres e da contracepção e aborto, do direito dos homosexuais e transexuais a todos os direitos, do direito à morte digna dita eutanásia, intolerante contra o racismo e os fanatismos, defensor intransigente da liberdade de expressão (incluindo a dos que a usam), da legalização da prostituição, e da legalização de todas, todas as drogas e também contra energias totalitárias e perigosas que estão a dar cabo do nosso planeta.
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Para o corpo e o espírito.
A continuidade do tempo
Seguindo o rito anual vão-se realizar mais
umas festas em Honra de Nª Sra da Conceição em Barrancos.
Agora que uma parte do ritual foi
internalizada, inclusive pelos que dela procuraram publicidade em nome de
putativos direitos dos animais (que alguns desses prosélitos contestavam com
lógica e Direito!), agora que algumas pessoas a necessitarem de tratamento
psiquiátrico que se escondiam sob o epíteto de animalistas se aquietaram, o
ritual no seu conjunto religioso e também profano, interligados e articulados
pela Comissão de Festas e todo o povo de Barrancos em geral desenrola-se com
paz e tranquilidade.
Como sempre, mesmo nos tempos da proibição mas
não nos tempos agitados em que a incompreensão pela lógica sócio-antropológica e
uma ideia errada da vida dos campos, assimilando os animais neste criados com
funções pastoris, aos lúlus torturados sem preocupação nos apartamentos
citadinos e que não são matéria de preocupação dos ditos amigos dos animais,
mesmo quando o seu excreta abunda pelas cidades, esses foram momentos de grande
angústia.
Hoje como inúmeras teses universitárias
aprofundam, o tempo pára em Barrancos, nos momentos mágicos da procissão, do “encierro”
e da corrida tudo numa lógica de defesa da continuidade do espírito que se faz
carne, de toiro, depois nos convívios, elevando o espírito para os bailes e
festas numa lógica que já foi também genésica, espírito, materialidade no corpo
e continuação.
Muitos enganos se desenvolveram e ainda se desenvolvem em torno da parte
taurina das festas, de todas as festas. que pelo país marcam a eternidade da
continuidade, seja no efémero do momento.
Estamos nas festas de Barrancos que também
cumprem com o ritual da construção dos “tabuados”, únicos que dão magia à nossa
Praça e inclusivé levam (outra tese) que a Virgem saía pela porta da sacristia
para dar unção ao povo.
Agora sossegado o povo e sem a pressão da
angústia de nos roubarem o toiro (para fazer o quê?) as festas de Barrancos, a
nossa “féria” volta, ou melhor continua a ser, com a integração do tempo e da
sua paisagem feita pelos homens, um momento de convívio, de cante, de tertúlia,
de comes e bebes e de honra do espírito que fez este povo e obviamente do
sagrado que nos protege. Contra tudo e contra todos mas em nome da nossa
humanidade.
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FERIA DE SAN ISIDRO
¡Banzai Fandiño!, el héroe consciente
El torero de Orduña, que se tiró a matar sin muleta a su segundo toro, corta una oreja a cada toro de Parladé y consigue salir a hombros por primera vez en Madrid.
um momento zen. A unidade da vida e da morte, num ritual único quando bem feito, com respiração no sítio certo.
Fandiño é um dos maiores mestres da actualidade e ontem levitou, segundo as crónicas.
A vida passa pelo temple, pelo duende, pelo olhar.
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Hoje herdei uma obra de grande valor, estimativo desde logo e no mercado.
Num primeiro folheio os textos prendem a vista e as imagens, de notáveis artistas os sentidos.
Roque Gameiro o director artistico acompanha esta produção de peso, real e literário.
Já fica reservado para as leituras natalícias, que esta pede lareira e disponibilidade.
E enquadramento.
Irá para lugar digno.
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Hoje é dia de ritual, dia de sagrado.
Na restaurada e flamejante praça do Campo Pequeno será oficiado o culto, em corrida à portuguesa.
O bonito e sóbrio cartaz convoca os aficionados para a celebração e anuncia os oficiantes e a ganadaria.
Outro será o momento de reflexão sobre o tema das tauromaquias, que é um dos que culto e cuja religião, com heresias muitas e faltas de assiduidade notórias que chegam para só bordejar a afficion, mas com conhecimento vasto da doutrina e também dos seus detractores, pratico com ocasião.
Logo, hoje é especial, é como a missa do galo, estamos presentes e participamos da partilha em que os tempos e a corrida transformam as almas, no re-ínicio dos ofícios.
Não perceber isto, a sensibilidade e ternura que resulta do carinho e arte da prática e inventar; onde se diferencia a humanidade e a sua transcendência, a sua cultura e ruralidade; nessa mais do que precisamente isso, foi o que o próprio Dalai Lama desaconcelhou, e reafirmou mais uma vez, que cada povo tem as suas tradições e re-ligações.
Noutra altura tomaremos e comeremos todos, nessa outra parte do ritual o produto da vida que neste evento, também, cultivamos.
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Foi a maior, e inesperada surpresa da visita a Praga.
Uma excepcional exposição sobre Tauromaquia, com quadros, desenhos, gravuras dos maiores, maiores cultores desta arte no registo pictural, ou pelo menos alguns deles.
Nestes quadros vê-se o duende no golpe do maestro, no pincel, no cinzel ou na espada, a arte e a sua emanação espiritual deixa os que conhecem como o mundo se faz e continua a saber a pouco.
Sublime exposição a encher este edificio de memórias.
A las 5 en punto de la tarde...
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Recebi hoje, de um dos meus filosofos e políticos de referência e li-o com "temple", este pequeno, mas "directo ao coração" qual espada na sorte suprema, livro, ensaio de Fernando Savater.
Na linha de tantos outros pensadores eméritos, com os recursos e esgrima encorpada F.S. vai aos cornos do tema.
Este é um livro que honra o filósofo e coloca mais um patamar na reflexão e pensamento da democracia liberal, do pensamento liberal/libertário.
Doa a quem doer, ele coloca a questão ao nível que esta deve ser colocada, da liberdade e do humanismo desta.E essa, como bem sabemos, resulta de termos dominado/domesticado algumas bestas para a fazer, para a continuar.
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Um vídeo de arte. E de personagens. De vivências e de duende, muito duende.
Passes fantásticos, e o inigualável Picasso a ombrear com eles,,, e por todo o video uma emoção de,em cada passo, de,em cada gesto, de,em imortalidade.
Momentos de puro, puro Zen.
http://www.youtube.com/watch?v=Gbpfu-Fi9N8&feature=player_embedded
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