Já está seleccionado para uma das, talvez a, leitura no retiro natalício deste ano:
este de vez em quando o compulso, mas a minha leitura foi a tradução de mestre Aquilino Ribeiro, que usa um português de alta qualidade e densidade.
Este ano, com um cada vez melhor domínio do castelhano, será esta edição, de 1300 páginas da Real Academia.
Livro em posta anterior de Muñoz Molina abriu as águas.
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É um grande escritor e este é um livro sobre um dos livros dos livros, o Don Quijote. Comecei a lê-lo agora e já tenho entusiasmo para os próximos dias.
Até entrar, novamente, em meditação e espero escrita. E temperança.
E aqui volto, porque este é um livro que marca, sobre outro livro, que está entre os melhores de sempre.
Muñoz Molina lê-nos e redescobre-nos ao escalpelo o D.Quixote e também a vida de Cervantes, e a do seu tempo. E neste traz-nos a maior actualidade, como por exemplo aqui:
" Personas de una
extraordinaria inteligencia y muy competentes en el campo de su especialidad,
incluso científica, se entregan sin reparo a temibles alucinaciones
ideológicas, y son capaces de hacer compatible el fanatismo con la realidad, la
física teórica con la fe en las apariciones de la Virgen María, la mesura y la
seriedad profesional con fábulas paranoicas y hasta criminales sobre la patria
o sobre la felicidad colectiva."
Com uma escrita que deslumbra, onde o peso das palavras se encontra em cada frase.
Um livro que motiva para uma nova leitura, também do Don Quixote.
Labels: Cervantes, Don Quixote, Muñoz Molina
Vi um filme de viagens, curioso "Sirâh" que recomendo.
E hoje leio este livro de Lamazares, um grande viajeiro, e contista destas, ora seguindo os caminhos de Don Quijote, ou de Cervantes:
Llamazares é oriundo de un pueblo muerto por uma barragem/embalse e um autor interessante.
Este livrinho é um doce e as citações do Don são de 1ª
Labels: Don Quixote, Llamazares, Viagens
Foram 2 horas de grande qualidade. E com perspectivas de futuro:
grandes bailarinos e excelentes encenações. E se vê o empenho.
Labels: Ballet, Don Quixote
Em Madrid....
ESPREITANDO ( talvez) UM FUTURO
A convite (*) do partido Equo ( Espanha) e dos Verdes Europeus estive
no inicio de Setembro, em Madrid, numa “ tempestade cerebral” (curiosa
tradução, ainda não muito usada entre nós!) sobre construção de capacidades e
alterações necessárias, com “operadores de mudança” (outra tradução genial) de
França, Espanha e dos Verdes Europeus.
Os temas eram: alterações climáticas, alimentação, outra
economia e género.
Sobre todos esses temas
tenho publicado livros, produzido pensamento e intervenções há mais de quarenta
anos anos, mas cada nova reunião, cada tempo que passa pelo tempo novas ideias,
novos projectos e novas formas de organizarmos e intervir se desenvolvem.
Por exemplo o velho
conceito taoista que tudo está articulado com tudo é hoje em dia no quadro das
alterações climáticas, que se articulam com a política energética e também a
questão nuclear, que estão relacionadas com as políticas florestais (como se
pode passar por cima do modelo de monoculturas que delapidam o património
natural, seja aqui seja em Sumatra, seja com eucalipto aos molhos seja com óleo
de palma a matar os orangutangs!) e os incêndios com estas articulados, seja
com as pastagens e as políticas agro-pastoris, que desde logo se devem também
relacionar com os erros que são regimes alimentares inventados e em contradição
com o enquadramento sócio-ambiental, conversa que nos levaria longe... (Casa
Grande e Senzala do mestre Gilberto Freyre, leitura de sempre para quem queira
saber mais sobre os alimentos e a sua história!)
Mas deve ser também com o
enfoque nas alterações climáticas que se têm que abordar as políticas de género
e contextualiza-las. Inverter os dados do machismo dominante tem que se
articular com uma nova filosofia, que como já Simone de Beauvoir estabelecia em
linhas clássicas, que isso não é só uma questão de sexo. Estive em muitas lutas
contra mulheres que defendiam menos direitos ... para elas...
Articular dados e juntar
estes “operadores” depara com o desafio fundamental que é o de romper com o
pensamento único e as lógicas designadas por correctas politicamente. Nem
sempre o que parece é...
Foi também em torno da
questão da nova economia, de outra economia que se dirimiram ideias e
perspectivas que serão de relevância, e que tem que ver com tudo o resto.
O nacionalismo, o
populismo, o proteccionismo que lhes está associado, assim como a luta contra a globalização (inevitável de
qualquer forma!), são os principais inimigos dos movimentos que lutam
fracturadamente por uma ou outras destas causas, e deve a oposição a esses ser
central, assim como a defesa de uma nova
organização dos Estados em lógica de interacção e porque não de federalismo em
linha com os objectivos de solidariedade
global e sustentabilidade ambiental e
social que com eles devem ser tema e desiderato.
A velha ideia da
contradição das relações de produção com a propriedade e relação das forças produtivas faz tanto sentido como
dar resposta às alterações climáticas sem ser num quadro que integre a economia
real (mercados, capitais, mais valias, direitos) e rompa com as fronteiras em
que a querem envolver. E contra os
espartilhos de pensamento.
Não se pode falar de outra
economia sem ter em conta a entropia dos sistemas, sem ter em conta os vasos
comunicantes da natureza, sem ter em conta os movimentos das populações
dependente desses, não se pode falar de transição energética sem perceber que a
energia flui e que são necessários novos paradigmas, também culturais, ou seja
na lógica dos humanos, para não corrermos o risco de o antropoceno, real ou
virtual, continuar, com uma espécie a menos. Talvez desnecessária, mas a única
capaz que lhe pode dar esse significado.
*na qualidade de responsável
para Energia e Nuclear do FAPAS, e histórico das lutas ambientais
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