insignificante
Sunday, March 04, 2018
 
Viajar de comboio podia ser uma das melhores maravilhas, mas:
http://carmoeatrindade.blogspot.pt/search/label/C.P.
há a C.P. e o capitalismo selvagem.
No caminho Lisboa Porto Lisboa, li diversas revistas, as revistas são ideiais para comboios, um magnifico O Instalador, o excelente suplemento do El Pais do fim semana passado sobre Energia e o deste sábado, a Diplomatie, número especial sobre Geopolítica da Energia
e esta excelente revista, que pena só haver o número 0:
que excepto pela dor de dentes me fez suspirar pela Graciosa.
Escrevi um artigo para uma conferência e fiz o borrão para um próximo livro.
No Porto e Espinho estive com velhos amigos e numa Assembleia Geral do Fapas, com cerca de 20 outros sócios.
Fiz uma pequena intervenção, mas os movimentos têm a sua dinâmica própria e a sua autofagia intrínseca. É díficil sairem da sua pele e perceberem que há outras vidas.
Vamos ver, de qualquer forma prosseguiremos.

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Monday, March 23, 2015
 
Já há algum tempo, sem ligação com o Francisco, tenho andado a propôr algo deste género:
"
A actividade turística é apontada por investigadores e por responsáveis públicos como uma potencial alternativa para regiões onde há presença de alcateias de lobos, no Norte e Centro do país.

O INSTALADOR | 13:02 | Segunda-Feira, 23 de Março de 2015

Numa sessão de esclarecimento no final de Fevereiro na Serra de Arga, no distrito de Viana do Castelo, organizada pela Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico (ACHLI), o director regional de Agricultura do Norte, Manuel Cardoso, defendeu, que «se o lobo pode ser uma fonte de prejuízo é uma enorme oportunidade» para obter rendimento, o que motivou risos e protestos de dezenas de presentes.

A ideia é também defendida pelo investigador da Universidade do Porto Francisco Álvares, que disse à Lusa que a presença de lobos «pode, na realidade, ser um promotor de desenvolvimento local através de actividades turísticas, de valorização dos produtos agrícolas e pecuários produzidos».

A título de exemplo, Francisco Álvares usa o caso de países europeus em que produtos como o mel são valorizados, de diversas formas, por serem desenvolvidos em zonas de ursos.

«Podem os proprietários sofrer alguns ataques, mas esse mel é certificado e isso pode ser transposto para estes produtos pecuários. Penso que é este o caminho que temos que seguir», frisou o investigador, recordando o estatuto do lobo ibérico como espécie protegida.

Em Fevereiro, na sessão que teve lugar na União de Freguesias de Arga, o director regional de Agricultura do Norte realçou que aquilo que se pode ganhar, em termos de rendimento, com as actividades turísticas poderá ser até superior à venda dos animais.

As reacções, na altura, passavam por frases como: «Ganhar dinheiro? É tirar o casaco das costas e meter o pelo do lobo».

«Os lobos podem e devem constituir uma oportunidade de negócio», insistiu Manuel Cardoso.
"
a peça é da Ana Clara.
 

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Monday, October 13, 2014
 
Segue o link:


pois,,,,

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Thursday, January 02, 2014
 
e do resto...
Nota
Fazer download e aumentar à vontade!Ou carregar duas vezes no texto!

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Tuesday, December 17, 2013
 
Durante dois anos e picos, mensalmente, tenho vindo a publicar uma opinião n' O Instalador.
Chegado ao fim do ano, por diversas razões, encontrei que não "devia renovar o contrato".
Uma pausa, ou mesmo o terminûs, das, nas  crónicas para outras respirações e dar-me também outro espaço para me concentrar no meu objectivo do próximo ano, uma história e reflexão sobre os 40 anos de "ambiente" e política deste em Portugal.

O carinho, pessoal, e a qualidade dos próceres da revista fazem desta uma caso único no nosso débil panorama editorial, por isso voltarei.
Á Isabel Fonseca, à Ana Clara e ao Alex, que tem sido meus interlocutores o meu carinho também.
E uma paisagem, com patos, que regressam todos os anos....

E uns nós...
"Num livro fantástico  o "Breviário do  Mediterrâneo " de Predag Matvejevitch, se a minha memória não me atraiçoa há um longo capítulo sobre nós, nós de marinheiro.
A vida é feita de nós, alguns mais apertados, outros quase lassos ou laços, também há o nó da forca e a amarra.
O livro, julgo que esse, começa por chatear com essa conversa ... mas depois já não saímos dela.
É como as conversas que não acabam que vamos deixando por aqui e por ali, os apontamentos que nos fazem, os nós em que nos enredamos, curioso o plural (será mesmo?) de nó...
O novelo em que vivemos tem muitos caminhos e nesses encontramos muitos nós, muitos cruzamentos, que seguimos ou não, onde deixamos pedrinhas ou migalhas mas também intenção.
Penso que é altura de parar esta malha que também é nó, e por isso com tempo, mas no fim deste nó renovado, é altura de deixar a outros a atadura, que os nós feitos aguentam o barco e a vela.
Por vezes é preciso desatar os nós para equilibrar a navegação, antes de chegar a porto...ou...
Certos também que há mais marés que marinheiros e que como diziam marinheiros antigos... navegar é preciso...",
que lhes já lhes fiz chegar...
Até... e para eles, do Raimundo (meu colaborador visual nas crónicas), uma chama...(Spathodea campanulata)

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Monday, October 21, 2013
 
Carregar para aumentar.

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Thursday, September 19, 2013
 
Aqui:
       ainda o draft:

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Monday, June 24, 2013
 
Este mês:
carregar para aumentar.

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Tuesday, March 19, 2013
 
Chegaram-me comentários sobre a dificuldade de leitura do texto do Instalador.
Aqui fica a prosa corrida...e sublinhada!

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Cidadania burricando...o carácter*.

Em final de Setembro ou início de Outubro ir-se-ão realizar eleições para a representação autárquica. Estas são um importante momento para a democracia representativa, embora se realizem num quadro de restrição formal do seu exercício e para esdrúxulos órgãos municipais.
As eleições são dominadas pelos interesses e negócios que se espelham nos partidos políticos e nas suas estruturas ou nos seus caciques (ou ex) que criaram quadros de organização e financiamento das campanhas e que as blindaram contra qualquer opção de sustentabilidade ou de cidadania. As listas de independentes toleradas por lei só tem possibilidades quando sabemos os “interesses” que também as movem.
E nunca é demais sublinhar o sistema inacreditável que temos no poder autárquico (e o governo não encontrou melhor que extinguir algumas freguesias).
Pois...as freguesias, meras unidades administrativas, continuam a ter dois órgãos, uma Assembleia, com senhas de presença, e uma junta, composta por alguns membros desta que passam a acumular também outras retribuições. E as juntas de freguesia são meros órgãos de administração... mas tem pela sua presença na Assembleia Municipal (órgão surrealista dado pagar senhas, comissões, assistentes, assessores e mais senhas, e também a muitos jotas, e não ter praticamente nenhuma função, a não ser premiar os presidentes de junta que vendem o voto no orçamento!), pois esta excrescência da Revolução continua a ser alfobre das concelhias e jotas e trampolim para cargos e mais nomeações sem qualquer sentido. Devia ser reformada, saírem de lá os não eleitos (as freguesias) e ser a partir dos resultados para esta Assembleia (independentemente do Presidente dever ser o 1º da lista mais votada) que deveria ser eleito o Executivo.
Executivo que é, também, eleito directamente e assim o governo não reflecte a lógica e os resultados eleitorais, mas nele está tudo e todos! Maioria e oposição!.
Única no mundo esta trapalhada autárquica, saída das mentes pensantes e constituintes que ainda hoje nos condenam ao “caminho para uma sociedade socialista”.
Mas felizmente que autarquias não são só isto. Oxalá.
Temos, hoje institucionalizados, ainda que com grandes deficiências é certo, instrumentos e capacidades que podem começar a modificar este estado de coisas.
Desde a Eco 92 temos Agendas XXI, nacionais, regionais, locais e até pessoais.
(http://www.tterra.pt/) e estas embora actualmente abastardadas pelas burocracias camarárias, desrespeitadas pelos responsáveis políticos, devem, no quadro da sua institucionalização transformar-se em embriões da alteração do funcionamento dos poderes e da sua gestão.
A participação cidadã através da associações, colectividades, clubes e tertúlias e o empenho de toda a actividade económica e social deve transparecer na acção executiva.
E as Agendas XXI devem ser completadas e articuladas com os Orçamento Participativos (O.P.) que não são, não podem ser, um bodo aos pobres como está a ser feito nalgumas autarquias mas sim um envolvimento global dos munícipes na condução e execução dos actos do seu dinheiro.
E para estruturar estes instrumentos políticos e legislativos devem ser criadas e implementadas comissões independentes, fóruns cívicos ou conselhos da cidade (como já existem!) aos quais devem ser atribuídos meios que tornem os seus pareceres e recomendações em resultados. E ainda nesse quadro activar e desenvolver referendos locais e específicos e dar garantias aos processos de discussão pública como os planos de ordenamento e os regulamentos de operacionalização das funcionalidades cidadãs.
E Caminhando e anotando....
Burricando, outra vez, que ainda me resta paciência de burro para lembrar a todos que a http://www.aepga.pt/  ajuda a dar vida a estes fabulosos animais, e manifestar que o meu empenho é também associativo!
E volto a mencionar a ATN (http://atnatureza.blogspot.pt) 1ª área protegida privada, em Portugal, que também apoio. E um site esplêndido: http://www.flora-on.pt onde encontra quase tudo sobre a nossa flora.
E termino com uma linha, onde podem descarregar, gratuitamente, para os vossos IPADs o livrinho sobre a Água que com o biólogo Nuno Farinha e a empresa Peopleware produzi: http://bit.ly/W3dhSO

* Título em referência a Rui Moreira e livro seu com carácter, de que falarei em próxima crónica. A foto da caminhada dos burros é da AEPGA
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Sunday, February 24, 2013
 
Já não vou a manifestações, salvo algumas por objectivos muito concretos, em defesa dos direitos humanos, e do Tibete, em defesa da legalização de todas as drogas, e a marijuana em concreto, e acções simbólicas, cordões humanos para chamar a atenção para algum caso específico.
Sou muito contra populismos, embora esses me possam merecer simpatia ( o caso italiano do movimento de Beppe Grillo) e até algum sorriso, mas nenhum, nenhum apoio, que fique claro.
Tenho muitos amigos neste movimento populista e sem objectivos, que poderá também ser um fermento para nada ou coisa nenhuma, ou qualquer.
Falta-lhe a massa crítica para conduzir a algum objectivo concreto e realista. Radical mas realista.
Que vá quem vá por bem. O importante é não se perder o raciocinio de que para pouco servem estas acções sem um enquadramento e uma direcção, sem objectivos e metodologias para os atingir.
E aqui dou algum substracto, o texto é de novembro, mas só hoje me chegou às mãos (carregar para aumentar!)


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Wednesday, February 20, 2013
 

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Wednesday, January 02, 2013
 
Ainda falta o de Novembro, em que faço economês, mas aqui vai a prosa de Dezembro, no 200 Instalador,,,,

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Friday, November 16, 2012
 

+ um O Instalador (clicar para ler)

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Thursday, November 15, 2012
 

Só agora recorro a esta forma (para ler carregar e aumentar) de difusão deste texto.
O tempo, os tempos mudam...

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Wednesday, November 14, 2012
 
A propósito do post anterior, recupero artigo sobre a questão (clicar sobre para aumentar!):


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Tuesday, January 03, 2012
 


Não sei se já por aqui publiquei ou algo parecido...
Tenho uma colaboração mensal com a revista O Instalador, esta é +/- a artigalhada de Dezembro:
Evoluindo, humanizando, politicando

Aproxima-se o tempo em que junto à minha lareira aprecio uma tonelada de livros, não fazendo como Pepe Carvalho, o detective imortalizado, pelo também imortal Manuel Vazquéz Montalbán (que os usava como chumiço).
Venho aqui comentar e recomendar com entusiasmo 3 leituras que me acompanharam no verão, e que julgo são apropriadas em qualquer estação, e outra para toda a vida!
Começo por um livro de cabeceira (os livros poderão estar traduzidos, mas a leitura foi articulada por mim no original ou nas traduções em francês e castelhano, respectivamente)
The Ancestor’s Tale, de Richard Dawkins. (R.D.), Ed. Phoenix, 2005, 686 págs.
É uma obra de grande folgo, e de surpresas sobretudo para o grande público, mesmo os que já temos umas ideias sobre o processo de evolução das espécies.
(R.D.) leva-nos numa viagem ao passado, recuando passo a passo aos nossos antepassados, a corrente que a eles nos ligam, os momentos e as articulações que no quadro de cada ambiente as determinaram, e numa linha de sucessões que nos deixa sem folgo dá-nos a dimensão da nossa irrelevância e acaso.
É um livro de leitura envolvente com uma escrita cheia de delicias onde encontramos o nosso cruzamento com a maioria, aliás todas as espécies que nos rodeiam e a origem da vida.
Nada mais apropriado para um tempo em que imaginamos o nascimento de um dos filhos de Deus, que somos todos, na árvore da vida.

O segundo livro que quero aconcelhar é o excelente Vers une Civilization de l’Empathie (subtítulo!), que tem como título Une Nouvelle Conscience pour un Monde en Crise, Ed. Les Liens qui Libèrent, 2011, 648 págs., que li na tradução francesa, de Jeremy Rifkin (J.R.).
(J.R.) é uma espécie de Edgar Morin, um dos últimos enciclopedistas do nosso mundo. Este livro é um livro de história, de economia e energia, de sociologia e antropologia e de diagnóstico. Da nossa civilização e como a manter viva, com todos os constrangimentos que enfrentamos. Um livro de pistas e de descobridores dessas, que articula dados e a partir deles deixa-nos o pensamento em liberdade.
A empatia é uma proposta nova, que tem imersão total no processo de humanização que J.R. nos apresenta e que se coloca na linha da evolução que (R.D.) nos apresentou antes.
Não há humanidade sem vida social e sem a empatia que nesta se deve formar e desenvolver.

E para desenvolver essa empatia nada melhor que chegarmos ao último livro (romance histórico, este) de Umberto Eco (U.E.), El Cementerio de Praga, Ed. Lumen, 2010, 590 págs., livro sobre o outro, que também com o enciclopedismo semiológico e o poder sobre as palavras e o seu movimento (U.E.) nos apresenta e a partir do qual podemos mergulhar no pior, no pior mesmo, da alma humana. No mais abjecto, na maior mentira e efabulação, em que somos, fomos levados a viver e da qual a memoria não pode apagar nem um suspiro (inacreditavelmente credibilizados pelo Partido Comunista no momento em que escrevo!)
(U.E.) conduz-nos a um momento em que a articulação da politica, de interesses económicos que a determinam, entronca com a pior demagogia, o pensamento mais delirante, a pior e mais criminosa demência ligada a discursos religiosos e desde logo totalitários e exclusivos.
Os falsos textos dos Protocolos desse cemitério são um momento que marca, que é outro dos nós górdios que a humanidade tem que enfrentar no seu passado e na sua culpa. Não que as perseguições não tivessem existido antes, a Inquisição, as Cruzadas, a destruição das Índias, Sodoma e Gomorra ( e toda a maldade de Deus!), mas é este falso que está na base da maldade absoluta que é o nazismo e o Holocausto, e sobre este, a forma como surgiu e se desenvolveu, a sua estrutura e organização, a responsabilidade individual não posso, embora a minha leitura deste tenha sido em 2006, deixar de mencionar outro livro de tese, livro mais marcante da minha vida Les Bienveillantes, Ed. Gallimard, 2006, 908 págs., de Jonathan Littell .
Mas neste Cementerio (U.E.) desmonta com o seu saber magistral e com base numa investigação rigorosa os discursos, o fundo dos discursos e o poder destes, que inacreditavelmente foram (os Protocolos) recuperados pelo jornal Avante, para vergonha de todos os que com esse lutaram contra outra intolerância.
Não há como sabermos, pensarmos e evoluirmos. Neste Natal em frente ao azinho que vai arder na minha lareira irei procurar ouvir o som, o som da continuidade e do passado para o presente pensar. Talvez um velho disco do Leonard Cohen me ajude a ver o futuro.
Fica para próxima crónica o prometido texto sobre o domínio dos média por grupos corporativos e lógicas e a uniformização das linguagens e do poder destas.

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Thursday, May 19, 2011
 



Não vemos bem senão com o coração....

1-
Hoje utilizo a frase que se segue do #Principezinho# para título da crónica mensal.
Na altura em que escrevo, fim de Abril, só posso imaginar o pior, o piorio para uma campanha eleitoral, que quando este nº do Instalador vir o dia estará a terminar.
Somos responsáveis, pelo menos em parte, pela desgraça, pela miséria dos políticos que temos. Nesta altura penso que os níveis da chicana, do insulto serão grandes, as propostas serão poucas, muito poucas e quase nenhumas terão relação com o que é necessário fazer para aproveitar esta crise, a receita que nos é imposta para a sua solução, e a já visível ruptura no tecido social que esta articulação vai provocar para desenvolver novas lógicas de organização da sociedade e da sua representação. E todavia estas são o fermento fundamental para que possamos voltar a níveis de bem estar socioeconómico e ambiental.
Desde logo era importante que soubéssemos quais são os projectos de reorganização do território:
A) quais são as propostas para os sistema de transportes: mais aeroportos, mais TGVs, mais auto-estradas e essas scuts ou não scuts?, quais as opções para a tarificação dos combustíveis, quais as limitações ao transporte privado, tipo portageamentos das cidades, qual a opção para a ferrovia, encerramento, alteração dos sistemas, aumento, qual a proposta?,
e estas são algumas das questões que devem, porque são essas as coisas concretas, ter resposta, e duvido que até agora tenham sequer sido formuladas, e continuo:
B) quais as opções para o sistema energético: estímulos à descentralização, micro e mini geração, à conservação de energia e à reabilitação urbana tendo em conta essa, alterações do sistema de rede?, investimentos em novos centros produtores e quais e onde?, uma opção pelas renováveis diversas ou um equacionar da nuclear (como já referi , em texto anterior, só para pagar comissões), uma aposta global e articulada num mercado ibérico ou a continuação da desarticulação desse, quais os projectos?,
C) quais são as políticas para a reorganização administrativa, alterar e como o sistema de poder local, seja o anquilosado, ineficaz e dispendioso das Assembleias Municipais (há Assembleias Municipais que rondam os 200 eleitos!); reorganizar e como as estruturas das Câmaras municipais, alterar o sistema das freguesias, integrá-las ou proceder à sua agregação, iniciar aí um sistema de proximidade e participação das populações, desenvolver obrigatoriamente instrumentos como as Agendas 21 e os sistemas participativos municipais, no quadro dessa reorganização, existem ideias?,
D) quais são as propostas para a revisão constitucional e quais as que vão alterar o sistema de partidocracia e mediocracia em que vivemos, quais as propostas para transformar os partidos em estruturas responsáveis e democráticas e dar mais capacidade à cidadania, quais as propostas de alteração dos processos eleitorais, e quais as ideias de aproximação dos eleitos dos eleitores , quais as propostas de agilização da coisa pública e diminuição do “burocratês”, quais as ideias para agilizar o sistema de justiça e alterar o sistema de casta que vigora na judicatura nacional, qual a poupança que indiciam no número de membros do Parlamento, governo e sobretudo empresas públicas e assessorias?, tem propostas além da feira de vaidades?,
E) E depois claro que acho que seria interessante saber o estado das contas públicas, quais as opções para superar o atavismo económico nacional num quadro de uma economia europeia integrada onde se valorize o património, os valores naturais, a micro economia local, o espaço e o tempo, convertidos em mais valias socioculturais.

Podia continuar pela educação, pelo ambiente, pela saúde, pela defesa “nacional”, mas nada disso, nem nenhum dos 5 pontos anteriores vai ser, ou tem sido, discutido nesta feira de escárnio e maldizer, que vaticino tem sido a campanha eleitoral e as suas primícias, nestes meados de Abril.
Tenho que dizer que tive empenho em que houvesse quem defendesse opções claras, nestas eleições, em relação a esses pontos.
Sou um liberal/social radical e reformista, defendo intransigentemente os direitos, todos os direitos cívicos, para todos, ocasionalmente tenho desempenhado cargos de eleição política sempre como independente e mesmo eleito em listas autárquicas independentes (em Lisboa com os CPL) e defendo uma economia com regras claras e transparência de mercado, e estabeleci contactos para que, apesar da escassez de tempo, se pudesse organizar uma lista e uma campanha de “homens bons”. Embora eles possam estar por aí julgo que não teremos em quem votar.
Dia 5, dia mundial do ambiente, veremos como o país ficou...veremos!

2-
Há associações, e pessoas nessas, que nos fazem ver lilás pelo meio do cinzento em que a vida se parece ir enredando.
Conheci a Madeira de tenra idade, nos inícios dos anos 60, recordo uma ilha de dificuldades, de gente desconfiada mas generosa, de caminhos difíceis, e de muita, muita maravilha.
Hoje já nada, nada é assim. Há alguns anos, talvez 20 e tal, tive ocasião de numa conferência no Funchal fazer de velho do Restelo e advertir a sala cheia para os riscos do ambiente global e dar alguns palpites sobre o ambiente local, o estrago das ribeiras e a sua canalização, a erosão dos solos e a sua ocupação desregrada, a introdução de espécies exóticas, a falta de estratégia para proteger a então ainda Pérola do Atlântico.
A ilha, como sabemos, estava já nas mãos de Alberto João. Infelizmente, prebendas, comissões, esquemas, batotas, e negociatas, muitas negociatas continuaram e ele também continuou à frente do executivo regional, eleito é certo...
Nessa conferência recordo-me de ter identificado o que considero, sem qualquer hesitação, a pessoa mais qualificada para defender e desenvolver uma estratégia curativa e de valorização socio-ambiental do arquipélago.
Raimundo Quintal, é um geógrafo, com obra de mérito cívico e cientifico publicada, filmada e realizada ao serviço de um espaço, o da Laurissilva e da melhor gestão e qualificação da terra e da vida dessa, nestas ilhas outrora maravilhosas.
Ele, também não desperdiça energias a lutar para que o esplendor regresse, é um dos animadores da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal:
http://bisbis.blogspot.com/,
ao mesmo tempo que com pedagogia vai lutando contra atentados e prepotências com que o património natural desta terra, também, única vai sendo destruido.
Conheci a ilha de pequenino, hoje se ainda a reconheço nalguns bocados, se consigo imaginá-la viva e florescente é porque o Raimundo Quintal e os seus amigos contra túneis, aterros, construções inadequadas em locais que deviam ser preservados, projectos megalomanos e lógicas de colonia “jardinesca”, têm com trabalho e engenho e arte mostrado que a cidadania resiste.
Na foto, gentilmente cedida pela Associação, vemos Gerânios (Geranium maderense) , cujas sementes são recolhidas pelos voluntários da Associação e vendidas para custear acções de florestação, adequada!

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Thursday, March 03, 2011
 

Foto de Jesus Garzon

O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS

Do Tempo e da Paisagem*

¿Qué tiene el agua del rio
esta tarde tan sentida
que parece que mirando
al claro cielo suspira?

De Frederico Garcia Lorca

1-As paisagens são uma construção, também, da humanidade

As paisagens são uma construção dos elementos; o sol, a água, a terra e as características do ar, determinando-se esses elementos uns aos outros.
Mas as paisagens são também, e hoje no nosso planeta quase por todo o lado que conhecemos (salvo profundezas tropicais, desertos ou os oceanos) construções do homem.
Num dos mestrados que frequentei comecei a fazer um trabalho sobre as transumâncias. As deslocações de gado com fins alimentares, entre o verão e o inverno das montanhas para os vales, ou as suas circulações entre o campo e os embarcadoiros (normalmente na meia estação) marcam ou melhor marcavam a vida no campo em muitas partes do globo e são características da Península ibérica.
São ou eram importantes modeladores do território, ao abrirem aceiros, estrumarem os campos, permitirem a ocorrência de alimentação para necrófagas (que se alimentavam de animais mortos) ou outros animais como o lobo (que apanhava algum gado doente) ou potenciarem a economia em locais, povoações, que viviam desses momentos de passagem das manadas.
As grandes transumâncias entre o norte e o sul da península ou entre diferentes zonas construíram, também, a diversidade das nossas paisagens.
Hoje há quem procure recuperar ou a memória e a paisagem dessa viva, ou mesmo quem mantenha e estimule a continuidade das grandes transumâncias.
Em Portugal (e aproveito para referir que em cada escrito procurarei divulgar associações, entidades e projectos que marcam o nosso “tempo”) a Associação Transumância e Natureza (ATN) é uma das entidades que surgiu com intuitos de incrementar diversas formas de recordação (www.atnatureza.org/ ) e ainda intervir para salvaguardar as práticas agro-pecuárias tradicionais ainda existentes na região beirã onde se instalou, entre outras actividades de promoção do património.
E não quero deixar de mencionar aqui Jesus Garzon, um dos especialistas mundiais em conservação da natureza, companheiro de histórias do “matorral”, os nossos comuns montados, dinamizador da antiga Mesta (associação que gere as antigas “cañadas”, caminhos reais protegidos, por onde o gado passa, e que cruza inclusive o centro de Madrid) e da defesa das práticas agro-pastoris, articuladas com o incentivo e o apoio à manutenção das áreas de ruralidade, com as suas culturas e lógicas tradicionais de trabalho na natureza, que é uma das chaves para a vida das paisagens.

2- Deixando as plantas recuperar o excreta

Começam a pontuar por aqui e por ali as nossas paisagens. No lugar onde antes estavam malcheirosas e muitas vezes ineficazes estações de tratamento de águas residuais (E.T.A.R.s), impostas sem cuidados nem critérios no quadro da entrada na então C.E.E., instaladas e desmazeladas por multinacionais francesas e alemãs, surgem hoje estações de tratamento biológico de resíduos. Ainda timidamente é certo, ainda a necessitarem de passar por provas de fogo em aglomerados urbanos mais significativos, ainda a necessitarem de um pequeno incentivo, (uma parte residual do que foram os investimentos que nos foram emprestados e que hoje pagamos com juros para ter cá as unidades referidas acima, instaladas sem ter em conta o tipo de resíduos e hábitos nacionais, assim como as características do nosso território) ainda que timidamente, hoje, as “etares” com utilização de plantas, as designadas fito-etares vão começando a proliferar pelo nosso país.
Aqui e ali vamos vendo umas caniçadas comer os resíduos urbanos ou, onde estava uma charca de resíduos malcheirosa, vemos despontar abundantes cobertos vegetais.
Sobre essas e também sobre outra geração de “etares” com sistemas de recuperação de biogás e correcto processamento dos resíduos sólidos destas (como a do Portinho/Almada) desenvolverei próxima crónica.

3- Olhar as árvores, não esquecer a floresta

Julgo que foi esse o título de um artigo que publiquei no Expresso, que parafraseava a comunicação que apresentei no 1º Congresso sobre áreas protegidas, se não me engano em 1987.
Os problemas da paisagem e do território tem vários níveis e escalas e não são pequenos paliativos que irão resolver a crise ambiental. É um novo modelo sociopolítico e outros desenvolvimentos da economia, que tenham em consideração a perenidade dos recursos.
Os problemas actuais da economia em colapso, do ambiente em ruptura, do clima em ebulição, os enormes constrangimentos sociais articulados com os discursos dos nossos políticos que não correspondem a nenhuma realidade só podem conduzir-nos:
ou a novos modelos e novas lógicas de poder em rede e a exploração de novas capacidades e tecnologias sustentados nos recursos, novos discursos que reinventem o social, modelos baseados em nichos de produção sustentável e de qualidade, que usem as energias suaves em sistemas eficazes e simplifiquem a nossa vida...
ou os quatro cavaleiros não andarão longe...

Limpemos os olhos e descubramos mais do que a vista alcança!

*Título de um excelente livrinho do Arq. Paisagista Henrique Pereira dos Santos, Edição Principia. Henrique Pereira dos Santos é um infatigável construtor de pensamento sobre a paisagem, contrariando muitas das ideias sobre ela que dominam o social, que aqui tributo.

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Sunday, December 06, 2009
 
Embora admita que possa não ser a versão final publicada na revista O Instalador, penso que será muito próxima.
Aproveito para felicitar a jornalista Ana Clara pelo cuidado, assim como o Alex pelas magnificas fotos.
Grande Entrevista
Caracteres: 25.000

António Eloy
«As alterações climáticas são o maior problema que a Humanidade enfrenta»


António Eloy, professor universitário de Economia, Ciência Política e Sociologia do Ambiente afirma, em entrevista a O Instalador, que “se não articularmos uma ideia de desenvolvimento com uma perspectiva filosófica de regresso ao Homem, vamos ficar muito pobres”. Para o consultor de empresas nas áreas da Educação e do Ambiente, Portugal devia “apostar na sustentabilidade ao nível da recuperação e da reabilitação” e considera que o território nacional está cada vez mais “degradado”. António Eloy alerta ainda para a necessidade de haver uma “aposta firme e consistente” na área do solar térmico (da água quente solar) e do solar fotovoltaico para habitações isoladas e para pequenos núcleos habitacionais”. Tudo, em nome de uma melhor e maior eficiência energética…


Texto: Ana Clara
Fotos: José Rebelo


Há quem diga que falar de poluição e meio ambiente é falar de economia, com tudo o que isso traz de bom e mau. Concorda?
Interessa a muita gente claro e contraria todos aqueles que vivem da má gestão de recursos. Costumo dar um exemplo muito claro para explicar esta questão: o do rio Alviela. Este é o ponto onde surgiu o primeiro movimento ecologista organizado em Portugal – a Clapa – e é um rio que já teve várias vezes inauguração de estações de tratamento de águas residuais por vários Governos. De cada vez que se inaugura uma nova estação de tratamento de águas residuais diz-se que agora é que o Alviela vai ficar limpo. De facto, neste momento, já não há no Alviela, como houve nos anos 70 e nos anos 80, grandes perturbações com espumas, altamente contaminadas, nomeadamente com arsénio e chumbo. Todavia, a verdade é que o Alviela continua a estar poluído.
E quem é que ganha com isso?
Falamos do Alviela, mas podia dar outros exemplos. Há uma série de pequenas e médias empresas de vão de escada que trabalham muitas vezes com os trabalhadores sem contrato, em condições inqualificáveis, utilizando os bens públicos, nomeadamente a água, e que depois fazem regressar aos rios a poluição que emitem. Há, pois, um desrespeito pelas normas básicas a cumprir em termos de saúde pública e que obviamente conflitua com a lógica empresarial e de negócios. Infelizmente, no caso do Alviela, o que tem acontecido não tem sido a fiscalização e a lei que têm levado a encerrar essas empresas, têm sido os seus proprietários que vão envelhecendo e tem deixado de haver pessoas em condições de fazer estes trabalhos. Mas este caso do Alviela é um caso que se reproduz em muitos outros sítios.
Posso dar-lhe outro exemplo: o caso das minas de urânio em Mangualde, que a vossa revista já noticiou, é a mesma problemática do Alviela. Ou seja, durante muitos anos retirou-se urânio do solo sem que a empresa do Estado se preocupa-se com a degradação que ia causando, destruição de solos e com a poluição das águas, além dos problemas de saúde... Ora a partir do momento em que entra no orçamento das empresas, a manutenção e o respeito pelos equilíbrios ambientais, existe outro patamar de desenvolvimento económico e outro de respeito pelo ambiente. E esse outro patamar de respeito económico vai criar uma especialização. Essa especialização terá de co--existir com uma diminuição ocasional e momentânea das margens de lucro. É evidente que fazer um investimento para adequar a produção ao respeito ambiental pode ter custos mas depois tem os seus benefícios porque normalmente a produção entra em segmentos de maior especialização energética e de qualidade e isso vai ter consequências em termos da eficácia de todo o sistema produtivo.
Há hoje em dia uma responsabilidade social das empresas cada vez mais exigente em relação à questão ambiental. Ainda estamos no patamar em que o lucro é superior a este assunto ou já estamos a fazer o caminho inverso?
Há sinais de alteração das lógicas empresariais e nessas os dirigentes portugueses têm cada vez mais percepção de que devem retribuir à sociedade um serviço que a sociedade também lhes dá, ou comprando os seus produtos ou utilizando os seus serviços. Hoje grande parte das empresas não sobrevive sem ter uma estratégia de comunicação que implica que haja um investimento social, um investimento em dar apoio, seja a sectores da sociedade com mais dificuldade, como o caso das pessoas com dificuldade de locomoção ou outras ou aquilo que é a valorização de aspectos ambientais degradados e o apoio a acções de educação ambiental a nível das escolas, de colectividades e cada vez mais as empresas procuram valorizar esse activo que é cada vez mais importante e que será cada vez mais essencial para que as empresas tenham condições de sobrevivência.
Como olha, em termos globais, para o problema das alterações climáticas? Para onde caminhamos?
As alterações climáticas são, a todos os níveis, o maior problema que a Humanidade enfrenta. Neste momento estamos no processo de “Quioto 2”, no processo das reuniões que se estão a realizar em Copenhaga, com vista a implementar uma segunda fase e dar um avanço àquilo que foi definido em Quioto e que, infelizmente, não tem vindo a ser cumprido, senão muito escassamente e, sobretudo, a nível da Europa. Neste momento a situação é muito grave. Este ano, pela primeira vez, fez-se a ligação de barco entre o Canadá e a Sibéria, através do norte do Alaska, devido à diminuição muito substancial dos gelos árcticos. E isto vai criar uma alteração de todos os padrões climáticos a nível global. Antes, alguns sectores do movimento ambiental, falavam do aquecimento global. Mas as alterações climáticas não implicam necessariamente um aquecimento. Houve neste caso um aquecimento, que contribui para a fusão dos gelos, só que esse aquecimento é depois contrabalançado em áreas específicas pelo arrefecimento, que resulta do facto de águas muito frias serem integradas nas correntes oceânicas. Essas correntes oceânicas provocam alterações a nível da estrutura dos ventos e da pluviosidade. O que temos são alterações imprevisíveis e radicais. Por exemplo, recentemente houve em Espanha tornados nunca registados e que devastaram a região de Valência. Isto são micro-fenómenos que têm a ver com a alteração de todos os padrões climáticos, não são mitos.
E que têm tendência para aumentar…
Sim. E têm, desde logo, uma consequência básica que afecta toda a economia.
Qual?
É que as seguradoras, neste momento, não têm capacidade para dar resposta a todos estes problemas. Ou seja, a partir do momento em que há um sector, ainda por cima, bastante afectado com a crise do capital financeiro que não consegue dar resposta a uma situação que é desenvolvida e propiciada por lógicas de desenvolvimento industrial pouco adequadas, e que não tiveram em conta o impacto e as consequências da sua produção e opções energéticas em todo o ecossistema e em toda a globalidade do clima, nomeadamente, as emissões de gases de efeito de estufa, o CO2, o metano, é evidente que a partir desse momento existem pontos de ruptura continuada nos ecossistemas, além de aumentarem a crise do sistema financeiro.
E como contrariar esta situação?
Esses pontos de ruptura devem ser contrariados a três níveis. A nível individual. Aquilo que cada um de nós faz é importante por várias razões, porque nos motiva para uma percepção da relação com o meio ambiente e uns com os outros e porque nos motiva e nos empenha também num processo de transformação. Quando nós agimos de uma determinada forma, essa circunstância vai motivar que queiramos que a nível social essas mudanças também tenham repercussão. E isso vai motivar pressão junto do poder local, do poder central, dos órgãos de comunicação, etc. Ou seja, a atitude individual vai ter uma repercussão muito significativa. Em segundo o que se passa ao nível dos poderes municipais, da gestão de proximidade.., das pequenas grandes coisas que fazem cidadania. E, por fim, em terceiro ao nível do Governo nacional que, muitas vezes, são já governos que se integram em conceitos de transnacionalidade, como no caso da União Europeia e no âmbito dos acordos internacionais.
Nestes três factores que são essenciais mudar, acha que precisamos de um “11 de Setembro” em matéria de alerta ambiental para despertar as consciências e as mentalidades?
O 11 de Setembro foi uma enorme tragédia e não queria comparar nada com essa tragédia específica. Que teve uma consequência que alterou os paradigmas securitários e esses também são ambientais também se articulam com as alterações climáticas...
É essencial decompor a questão das alterações climáticas no quadro do desenvolvimento industrial, nos modelos de exploração agrícola e nos nossos comportamentos quotidianos, enquanto utentes e consumidores. Isso é a pirâmide no topo da qual estão as alterações climáticas. Só que neste momento temos a pirâmide invertida. As alterações climáticas estão a pressionar toda a estrutura em que assentamos. E estamos a ser esmagados por uma lógica contrária ao humanismo, à reflexão do homem sobre homem, estamos perante uma lógica que tem a ver com o mercantilismo, com lógicas de produção, que são contrárias aquilo que é o espírito de solidariedade, de construção e desenvolvimento de articulações que permitam que haja convivialidade. Se não articularmos uma ideia de desenvolvimento com uma perspectiva filosófica de regresso ao Homem, vamos ficar muito pobres.
As economias emergentes, como a China e a Índia, são um problema real. Sabemos que querem industrializar-se a baixo custo e que há um mercado de poluição que vem do Acordo de Quioto que diz que quem polui, paga. Só que as economias emergentes não pagam. Como podemos resolver o problema?
Os problemas da China e da Índia são de facto dramáticos. Continuam a existir nestes países populações que vivem ao nível da subsistência, com grandes dificuldades e, por outro lado, uma lógica errada de desenvolvimento industrial está a copiar aquilo que foram e têm sido os modelos de desenvolvimento do capitalismo ocidental que tem a ver com lógicas predatórias sobre a natureza e também sobre o Homem. As coisas estão articuladas. O sistema na Índia tem, todavia, ainda algum hibridismo, há ali uma ligação muito forte a culturas e a religiosidades que têm sempre que ser tidas em conta onde o homem existe, ao contrário da China que desde há 50 anos vive num desenvolvimento de um capitalismo selvagem, concentracionário, na mesma lógica daquilo que foi o império no meio da cidade proibida, de totalitarismo cleptocrata. Estamos perante um problema complexo e acho que a solução passa por criar condições de abertura, ou seja, levar a que na China haja um desenvolvimento da opinião pública. Tem havido movimentos de oposição na China, sobretudo em relação à degradação das condições de ambiente, nalgumas cidades na China há movimentos de oposição precisamente à enorme poluição atmosférica. Por exemplo, houve e há movimentos de oposição às grandes barragens que se estão a construir na China que levaram já à deslocalização de mais de 10 milhões de pessoas, portanto, uma população correspondente à população de Portugal. A verdade é que estas populações estão a pressionar para que estas situações não continuem. Mas acho que para a China e a para a Índia, o que é necessário é, sobretudo, não haver restrições, bloqueios à informação e aumentar, nos dois casos a humanidade com tudo o que isso implica de olhar para o Homem. E com toda esta situação das alterações climáticas, há alterações muito relevantes ao nível do meio ambiente na China que podem ter também consequências sociais.
Como por exemplo?
A questão dos rios que neste momento alteraram a sua componente hídrica por duas razões. Há neste momento grandes degelos nos Himalaias que provocam um aumento muito grande da água dos rios. Por sua vez, existe pressão cada vez maior nalgumas barragens o que pode levar a algumas rupturas ou a aberturas inopinadas, que devido ao sistema ser recente podem originar grandes inundações e fatalidades sociais. Estou a dar um cenário hipotético que pode ter consequências desastrosas. E há, desde logo, alterações ao nível do sistema agrícola devido à inexistência da adubação que resultava dos arrastamentos das terras, de todas aquelas zonas que eram inundadas, e o controlo das inundações também provoca alterações porque deixa de haver água sazonal para os arrozais. Tudo isto vai-se compaginar-se para criar uma situação de pressão. Uma situação que já se verifica ao nível da cidade proibida daquele grupo de plutocratas que dominam o sistema imperial chinês, mas vai haver certamente alterações e estas alterações ou serão impulsionadas pelos actuais poderes ou serão forçadas porque tem que haver resposta para a sobrevivência e continuação da Humanidade e não é possível manter estes sistemas totalitários. Sem falar nas articulações, os interfaces com o sistema global, sobretudo o que se rege pela democracia política, que vai ter que se impor a lógicas fechadas e que infelizmente não dão atenção nenhuma aos valores fundamentais e aos direitos civis.
Falando dos EUA, o país que mais pesa no problema das alterações climáticas, acha que o país está longe de fazer essa mudança ou com Barack Obama a mudança pode estar iminente?
Barack Obama representa sobretudo uma hipótese de voltar a trazer os EUA para a comunidade internacional, da qual se tinha isolado com as políticas de George W. Bush e envolver os EUA nas discussões do clima que estão neste momento a ocorrer em Copenhaga. E a verdade é que há neste momento algumas propostas do Presidente Obama para a redução das emissões. O importante é lançar um projecto para o debate, mesmo com grandes oposições nos EUA. Há lóbis muito fortes que continuam nos EUA a procurar passar a ideia de que as alterações climáticas não existem, que a queima de combustíveis fósseis é um problema menor. Em relação à questão das alterações climáticas há uma cortina de fumo que cria um nevoeiro que procura que estas questões não sejam consideradas. Agora, há da parte de Barack Obama a abertura para um novo tipo de enquadramento, para um novo discurso e uma nova prática da Administração que deve ser apoiada pelos seus parceiros na Europa e que deve ser, sobretudo, estimulada a nível dos próprios EUA. Nos EUA há movimentos muito fortes, das cidades, das pessoas, precisamente porque sofrem já os problemas, as chuvas extremas, os tornados, as alterações de humidade, etc. Muitas cidades americanas estão empenhadíssimas em patrocinar lógicas de apoio e de incentivo ao avanço na área das energias alternativas, da eficiência energética, da reciclagem. E as cidades podem ser motor desta nova dinâmica que a administração americana de Obama está a impulsionar. É verdade que o Presidente se depara com grandes oposições de interesses instalados – económicos – que ainda não perceberam que o desenvolvimento destas novas tecnologias e das energias alternativas são nichos de oportunidade e de desenvolvimento económico, são os pólos de saída desta crise.
Quanto à Europa, está a fazer o suficiente em matéria de combate às alterações climáticas?
Existem várias Europas. E dentro da UE há várias velocidades. Tem havido genericamente um impulso positivo por parte da “Europa”, não de toda a Europa. Alguma Europa tem sido “ponta-de-lança” no desenvolvimento das políticas para a protecção do ambiente na área das alterações climáticas.
E tem a UE conseguido motivar os Estados-membros para esta luta?
Tem conseguido motivar os Estados por duas razões: primeiro, na Europa os movimentos de ambiente e a percepção dos cidadãos em relação a estes problemas são bastante grandes. Nos países que têm centralidade, como a Alemanha, Inglaterra e os países nórdicos, os movimentos de ambiente, que assumem uma vertente de intervenção política activa e eleitoral, têm tido bastante força e têm conseguido influenciar a globalidade do discurso político: É preciso entrar num novo paradigma económico na tentativa de criar um novo modelo de sustentabilidade para as pessoas. O ambiente é um elemento fundamental da sustentabilidade económica e social.
E Portugal, em que ponto estamos na preocupação ambiental?
Não há muitas razões para optimismo. Em Portugal já estivemos melhor nalgumas áreas, noutras, pior. Mas na verdade o que se continua a degradar no nosso País é o território. Portugal, pese todas as políticas e legislação que têm sido desenvolvidas para a protecção do território, a verdade é que o nosso território está cada vez pior. Vemos nalguns casos, até, devido a algum retrocesso legislativo, como é agora o caso da nova legislação da Reserva Agrícola Nacional, que passa a integrar no quadro do espaço agrícola, lógicas de florestação industrial que são degradadoras do território e da economia de sustentabilidade e contrárias à manutenção de áreas agro-pastoris, que no nosso pais estão cada vez mais abandonadas.
Como estamos em termos de ordenamento do território?
A política nacional deve reger-se por alguma legislação que bebe ainda das políticas do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, da Reserva Ecológica Nacional e da rede nacional dos parques, inclusivamente da Reserva Agrícola Nacional. Mas esta legislação que devia enformar a prática de Ordenamento é depois alterada pela lógica dos chamados Projectos de Interesse Nacional (PIN’s). Curiosamente, onde há PIN’s é onde há espaço fundamental para ser protegido e onde há espaço de mais valor para ser protegido....
Isso é uma característica de todos os PIN’s?
Só há interesse nacional onde existem valores nacionais. Mas o interesse nacional devia ser protegê-los. Com os PIN’s temos a lógica económica por um lado e a ambiental por outro, sem qualquer bom senso de articulação, porque o que interessa para ter uma economia sustentável é defender e cultivar os valores ambientais.
Não digo que todos os PIN’s são maus, mas a generalidade deles é lesiva da lógica de sustentabilidade e de um ambiente adequado ao território, por isso negativos socialmente.
Além disso não há uma lógica de não haver integração e harmonia no desenvolvimento dos vários municípios.
Porquê?
Os municípios fazem os seus PDM’s ao arrepio do município ao lado e de uma leitura global do território. E se se faz um desenvolvimento que bloqueia os recursos hídricos, os corredores florestais e agrícolas de um concelho com um desenvolvimento inadequado no concelho ao lado, é evidente que estamos a incorrer num erro.
Sendo que os PDM’s são aprovados, em última instância, pelo Governo, esta aprovação não tem a ver com o estabelecimento dessas concordâncias mas com interesses de mercearia. Ou seja, os PDM’s têm, na sua articulação, filosofias de coutadas, e ainda por cima atendendo ao actual sistema de financiamento municipal, têm lógicas sobretudo de construção e urbanização.
Enquanto os PDM’s não forem vistos numa perspectiva integrada de articulação dos elementos naturais, dos elementos construídos, e do desenvolvimento sustentado do concelho e forem vistos como geradores de mais áreas expectantes, mais áreas para a densificação urbana, estamos a construir em Portugal para uma população de 20 milhões de habitantes. Neste momento estamos a construir um parque habitacional e urbano que implicaria que Portugal viesse a ter, num curto prazo de tempo, o dobro da população ou o dobro do espaço, ou seja, cada indivíduo teria em Portugal duas casas. Isto é absurdo. Neste momento temos um País onde uma das grandes indústrias em perspectiva, digo-o com ironia, é a da implosão, porque estamos a construir onde não devemos e desnecessariamente e não estamos a adequar o ordenamento do território à população que temos. A “implosão” e a re-abilitação podem tornar o nosso pais feliz!
Mas a ideia que temos é que vivemos Era do betão, com construção e mais construção.
No nosso país devíamos apostar na sustentabilidade ao nível da recuperação e da reabilitação. Em Lisboa, por exemplo, vemos prédios fabulosos por toda a cidade que são deixados cair para se construir de novo, muitas vezes deixando as fachadas para o “boneco”, o que é um erro grave, a todos os níveis. A lógica da reabilitação é a lógica que dá emprego, que permite a sustentabilidade e que permite perspectivar um envolvimento e é um dos eixos centrais, julgo, para podermos sair da crise. Mas há outra lógica: a do betão. Uma lógica do capital bancário. Temos o capital, temos o lucro mas temos de ter mais lucro para manter o capital, ou seja, continua a investir-se em espiral...no ar. As áreas da recuperação e reabilitação urbana são as que têm condições de vida e de rentabilidade muito mais adequadas do que grandes caixotes onde inclusivamente se geram condições de marginalidade e segregação e exclusão social.
Portugal é um País com enormes oportunidades ao nível das energias renováveis? Que potenciais temos? E em que tipo de energias temos de apostar?
Em Portugal tem sido feito algum trabalho que tem a ver com a criação de melhores condições legais para a produção e suavizar alguns dos problemas burocráticos que vinham a existir para permitir o desenvolvimento destes nichos de actividade económica e também de sustentabilidade, uma vez que são energias que implicam menores perturbações ambientais. Na área das energias eólicas há um trabalho continuado, há indústrias que têm desenvolvido parques eólicos com bastante eficácia. Os aerogeradores também são cada vez mais eficazes. Há da parte do sector eólico uma actividade regular e um investimento continuado. Neste momento a energia eólica é aquela que tem melhores condições de rentabilidade.
Em Portugal há também neste momento dois grandes parques solares (Amareleja e Serpa) que, do meu ponto de vista, tem uma dimensão pouco adequada à melhor eficácia de aproveitamento energético, neste caso aproveitamento eléctrico, porque a rentabilidade em relação à área de exposição e à energia produzida acaba por não ser muito eficaz, mas que são um caso de estudo e acompanhamento.
E o que seria rentável?
Para mim, onde deveria haver uma aposta firme e muito consistente seria no solar térmico, na água quente solar e no solar fotovoltaico para habitações isoladas e para pequenos núcleos habitacionais ou outros. Essa seria uma aposta decisiva porque implicaria grandes benefícios em termos da redução da electricidade consumida.
Porque é que ainda não nos voltamos para essa opção?
Na Grécia, por exemplo, o solar térmico está muito desenvolvido. Em Portugal, pese alguns escassos incentivos do sistema bancário impulsionados pelo Governo, tem havido muita preguiça e muita complexidade no desenvolvimento destes sistemas.
E temos ainda projectos experimentais de aproveitamento da energia das ondas, nomeadamente nos Açores e também temos uma Central Geotérmica que já abastece cerca de 40 % da electricidade de S.Miguel, além de outras experiências com geotermia no Continente.
E ainda aquela que eu penso que é uma grande área de investimento: a recuperação dos resíduos sólidos urbanos em sistemas de compostagem, em separação do vidro, do plástico, das embalagens, e até o seu processamento em processo final de queima. Ou seja, todo o resíduo sólido urbano deveria ser recuperado. Esta lógica dos resíduos tem que ser integrada na recuperação da energia.
Mas ainda estamos muito longe dos níveis de eficiência energética desejáveis?
Em Portugal continuamos a ter uma muito má relação entre a energia e a unidade do produto. A nossa eficiência energética continua muito atrás dos patamares da União Europeia. Contudo, aos poucos, a nossa eficiência energética vai melhorando (por encerramento é certo de unidades industriais pouco eficientes), e também porque a educação e a intervenção de cada um de nós vai ajudando. Há também já hoje maior eficácia dos aparelhos, etc. E isso implica uma grande alteração dos nossos paradigmas económicos e mentais.
Faz falta uma revolução ambiental de mentalidades?
Sem dúvida. Um investimento ao nível da educação para todos é fundamental bem como uma educação para a cidadania. A cidadania tem que ver com o ambiente, com a economia, com a solidariedade social e penso que a educação ambiental tem que ter estas diferentes lógicas. E tem que se fazer um grande investimento junto das crianças e das escolas.
Da sua obra literária, dedicada ao ambiente, o livro “Navegar é preciso” é dedicado ao potencial dos rios e dos mares e partilha com os leitores a sua preocupação com a preservação de um bem tão importante como é a água. Portugal é um País privilegiado. Não só pelo Atlântico bem como por termos uma panóplia de rios que nos dão condições únicas para essa aposta. Aproveitamos mal o facto de termos o Atlântico como aliado?
Nós somos um país com matriz Mediterrânea e virado para o Atlântico.
A questão da água tem que ser vista nessa articulação.
Refiro, por exemplo, a questão do Alqueva, que é a melhor evidência do desaproveitamento nacional da água. Criámos uma bacia de retenção gigantesca onde a água está parada e não tem eficiência em termos de produção de energia que é nula. Não tem eficiência em termos do sistema de regadio porque este não está construído. E mesmo depois de ser construído vai servir para campos de golfe e para algum olival. Só que este olival vai ter um problema porque o sistema de regadio vai ser feito com água de qualidade muito duvidosa. A barragem foi um erro. Foi o maior desastre ambiental em Portugal nos últimos anos.
Tínhamos proposto um sistema diferente, de aproveitamento de pequenas barragens que poderia beneficiar algum regadio, alguma agricultura e agro-pastorícia na zona do Alentejo que podiam criar zonas de vida e não mega-empreendimentos dedicados só ao golfe. Esta ideia que poderia ter sido concretizada num período de tempo curto, e poderia estar a funcional actualmente, foi substituída pelo actual desastre.E ainda se está a atirar para 2017 a conclusão deste ineficaz sistema de regadio, numa altura em que o deserto terá tomado conta.
Ou seja estamos a usar a água com total irracionalidade, sem perceber sequer o enquadramento desta no território. Isto resulta de quem tem o poder estar refém do betão e não perceber a matriz do país.
A gestão da água tem que se articular com o solo vivo e o clima...e as pessoas.
A meta fixada para Portugal em matéria de produção de electricidade a partir de energias renováveis (até 2010, 39 por cento da electricidade consumida deverá ter origem em fontes de energia renováveis) é uma meta ambiciosa?
Cria-me algum desconforto porque a energia produzida a partir das grandes barragens entra na quota das renováveis, e sabemos os problemas ambientais que acarretam. Mas, com essa ressalva, não acho que seja impossível essa quota de produção a partir das várias fontes renováveis. E dissociando a economia do consumo energético, e concretamente do consumo eléctrico, é possível executar mais medidas de eficiência e com a introdução de melhorias da inserção das renováveis no sistema eléctrico, penso ser possível chegar a essa meta e até ultrapassá-la.
Que alerta global e cívico deixa aos nossos leitores para minimizar os efeitos nocivos para o planeta?
Só me lembro de Churchill, quando ele dizia que agora temos que unir-nos e procurarmos uns com os outros as formas de resistir àquilo que é um #momento# que pode destruir a vida tal como a conhecemos.

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