insignificante
Tenho vindo a apreciar, cada vez mais este, o autor e este livro, que me acompanhou toda a semana. Um livro sobre a memória, um livro sobre a resistência, um livro sem classificação porque sobre tudo, a vida e a morte. Uma história do forno crematório de Trieste, e em em seu redor. Uma estória de velhacaria e de perfídia. Uma história de nós, nós todos.
Um escritor excepcional, que constrói um romance, aparentemente, desconexo, cerzido com fio e com croché.
Um livro muito culto, que nos mergulha, no desconhecido do passado para o previsível futuro.
P.S. O personagem sem nome, mas cópia de Diego de Henriquez, como nos diz o autor, remete-nos para José Pacheco Pereira e o Museu para a Ephemera. Nada se perde, tudo tem sentido, classificado e mesmo sem seguimento.
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Parece que foi ontem, mas foi neste dia há 44 ou 45 anos que terminei o #On the Road# de Jack Kerouac, livro que me marcou e que no ano, nos anos seguintes me levou de comboio, à boleia, ou a pé pela Europa fora. Também já estive (de avião e camioneta), na Argentina, sobretudo em Buenos Aires.
Embora me fascinem, também, os desertos nunca fui à Patagónia e ao sul da Argentina /Chile, que neste livro esquisito de Claudio Magris nos é relatado, com grande erudição, nas biografias de 3 personagens maiores que a sua vida, com detalhes de grande suculência e conhecimento, onde apreendemos que as cores são comprimentos e frequências de ondas registadas nos nossos cérebros, e além de numa escrita de grande qualidade nos confirmar e desenvolver muito conhecimento, dá-nos uma novidade que reduz a minha consideração por um dos nossos gigantes, que até referi, porque o era, como um militante anti-esclavagista. Pois Darwin considerava os "fueginos, seres abjectos e espécies de ourangotangos, o que terá contribuído para o seu total extermínio.
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Num momento em que Itália entra em total deriva e em que por todo o mundo a insanidade parece ganhar espaço leio este interessante " romance" de Claudio Magris:
https://www.dn.pt/artes/interior/estamos-a-viver-a-iv-guerra-mundial-5198812.html
um europeista e um democrata, dois conceitos que vivi com muitos amigos e camaradas italianos, radicais e outros que transitavam da esquerda e da direita, pelo Partito.
Hoje infelizmente, erros meus, má fortuna, e a fuga da realidade submersa pela palhaçada encosta, o que foi uma das bases do discurso e projecto europeu, ao regresso do Duce, disfarçado, de grilo, xenófobo e populista e nazista/liguista e racista primário e excluiente.
Os tempos estão cada vez mais difíceis, a ética, a cultura, as leituras desta, o discurso ancorado nos factos e não na invenção destes tem cada vez menos poder.
Vamos ver se não arquivamos o tempo!
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