De Freguês a
Consumidor*
Mário Beja Santos,
velho amigo, e durante muito tempo colaborador da Gazeta, com os seus textos
luminosos, lançou no dia 27 de Abril no Instituto do Consumidor, no velho
edifício onde durante tantos anos se pontificou o Eng. Correia da Cunha,
pioneiro da Comissão Nacional do Ambiente, e outro querido amigo.
A sessão esteve
composta e desde já não posso deixar de agradecer a amabilidade do Mário para
comigo. Nesta foram apresentados
os sustentáculos do livro. A actividade, o activismo de Beja Santos nestes 40
anos na politica do consumidor e a vasta envergadura teórica e conhecimentos
que o torna no referente principal da nossa defesa do consumidor.
O livro é denso, e aqui
e ali temos estórias deliciosas, como a greve dos cobradores da Carris (a dos
anos 60!) impulsionada por Silva Pais (que viria a ser chefe da PIDE) a mando
de Salazar, para obrigar a Carris a
estabelecer uma tarifa económica (no quadro do corporativismo e controle de
preços então vigente) ou da criação, incapacidade de afirmação e insipiência
dos actuais movimentos de defesa dos consumidores, entre nós.
Este livro, a que
faltou uma melhor revisão, para evitar as muitas repetições, conta a aventura da defesa do
consumidor e o seu enquadramento cultural e político e interliga-o aos
problemas de ambiente e da economia global.
Não hesita Beja
Santos em apontar o definhamento associativo actual, e as perversões dos
actuais média, assim como refere instrumentos inúteis para a defesa do
consumidor, como, do meu ponto de vista, os livros de reclamações e os
tribunais arbitrais, “comprados” pelo sector comercial de que deveriam ser
controle.
Uma recensão de
livros importantes para formação de opinião constitui um dos capítulos mais
densos em teoria, que ilumina sobremaneira todas as páginas deste livro sobre
as estórias do nosso consumo.
Finalmente titula o
nosso colaborador como Glossário Fundamental o último capítulo onde nos faz uma
súmula do que é a cidadania, o consumeirismo e o passado e presente das lutas
pelos direitos, o direito à saúde e segurança e o direito à informação.
Esses são uma das
bases do nosso Estado Social e da política de freguês a consumidor.
*Título do livro,
edição Nexo, 2015
Artigo publicado na Gazeta das Caldas
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