Entre muitos outros amigos pessoais, alguns destes nomeados pelo Nuno também o são e outros do meu grande apreço:
De Nuno Pacheco
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Neste ano, que termina (...) a lista de “mortos célebres” na área da Cultura foi extensa; com a particularidade, esta pessoal, de ver tristemente ceifadas vidas de amigos, alguns bem próximos. Começou logo em Janeiro, com Antonino Solmer, actor e encenador, no mesmo mês que viu desaparecer do mundo dos vivos cantores como Ruy Mingas e Melanie Safka ou o cineasta Norman Jewison, seguindo-se, em Fevereiro, o cantor Hugo Maia de Loureiro e o cineasta Paolo Taviani.
Em Março, ainda com muitas coisas por fazer e planos para criar outras tantas, de que amiúde falávamos, morreu o cineasta António-Pedro Vasconcelos. No mesmo mês, morriam o escritor e poeta Nuno Júdice, o pianista Maurizio Pollini e o escultor Richard Serra. Em Abril, sem ter podido celebrar os 50 anos do derrube da ditadura, perdemos o ensaísta, crítico e escritor Eugénio Lisboa, num mês que também levou o escritor Paul Auster, a escritora Maryse Condé e o cartoonista Ziraldo. Em Maio morreu Santana Castilho, professor e colunista do PÚBLICO, destemido polemista na área da educação; mês que também registou as mortes da escritora Alice Munro, do poeta Casimiro de Brito, do saxofonista David Sanborn e do cineasta Roger Corman, enquanto Junho via partir a cantora Françoise Hardy, os actores Donald Sutherland e Bill Cobbs, o arquitecto José Forjaz e o pintor e ceramista Manuel Cargaleiro.
No início do segundo semestre, mais um golpe: as mortes de Fausto Bordalo Dias e de Mísia, duas vozes únicas no panorama musical português e amigos próximos de há muito, seguidas das mortes do radialista Armando Carvalhêda, que muito fez pela música portuguesa; do grande jornalista João Paulo Guerra, em Agosto; e, em Setembro, de Augusto M. Seabra, crítico de uma memória enciclopédica, fundador do PÚBLICO e um amigo de longa data
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Nesse mesmo período, morriam o escritor Ismail Kadaré, a actriz Shelley Duvall e os músicos Toumani Diabaté e John Mayall, em Julho; as cantoras Catherine Ribeiro e Ana Faria e os actores Alain Delon e Gena Rowlands, em Agosto; e o músico Sérgio Mendes, a actriz Graça Lobo, o actor James Earl Jones e o cantor e actor Kris Kristoerson, em Setembro. Entre muitos outros.
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na lista de amizades próximas, morreram também o editor e professor João Luís Oliva (da Associação Cultural Museu Cavaquinho), a cantora e professora Teresa Muge (irmã da cantora e compositora Amélia Muge); o editor Assírio Bacelar, fundador da Assírio & Alvim e, posteriormente, das editoras Vega e Nova Vega; e a escritora Luísa de Paiva Boléo, com colaborações publicadas em várias revistas e jornais, entre os quais o PÚBLICO nos seus primeiros tempos. Noutra esfera, mais distante, Outubro foi o mês da morte do artista plástico António Sena, do escritor Antonio Cícero, do pianista Arthur Moreira Lima, do realizador Paul Morrissey, da actriz Teri Garr, do trompetista Manuel “Guajiro” Mirabal e do cantor Marco Paulo. Em Novembro morreram os músicos Quincy Jones, Roy Haynes e Zé Paris, os realizadores José Barahona e Fernando Fragata e as actrizes Silvia Pinal e Alina Vaz; e em Dezembro o escritor Dalton Trevisan, o arqueólogo Victor S. Gonçalves, a actriz Marisa Paredes e o presidente da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros), Pedro Sobral.
No mesmo disco onde gravou a canção Ser pessoa, citada no início desta crónica (Todos Os Dias, 1994), Amélia Muge musicou também um poema de Grabato Dias que diz: “Estar vivo é estar à morte/ Cativo de um plim da sorte.” Aceitando tal facto, celebremos as vidas dos que partiram, porque, assim querendo, essa memória há-de perdurar em nós, valiosa como uma presença.
de ontem, no jornal Público.
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