Não sei se será essa a foto, essa do Castelo da Lousa, hoje enchouriçado e debaixo de água. Um património única de nível mundial destruído para que alguns magnates obtenham lucros intensivos de plantações também que estão a destruir os escassos solos. E a história é grande...
É possível que saía outra, por questões de espaço, na próxima 5ª na Gazeta da Beira.O artigo entregue é este:
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Vai e volta e segue a dança
“Domingo eleições/Amendoeiras em flor/O tempo continua”
Anónimo
“Para a mentira ser segura/ E atingir profundidade/ Tem que ter à mistura/ Um pouco de verdade.”
António Aleixo
Envolvi-me na luta contra o fascismo e a guerra colonial, depois estive em muitos movimentos cívicos e políticos e enfrentei muitas lutas, que até me levaram a detenções, e muitas ganhei, e sempre delas/nelas guardei amizades, e momentos de épicas recordações, amores e também desilusões, não só com as derrotas, que sempre têm o tempo para nos ajudar a superá-las.
Ganhei muitas “batalhas”, vertidas em diversos livros, mas não quero deixar de recordar as contra a nuclear, a mineração e o enterramento de resíduos, aqui, em Espanha e para lá. Assim, também, as lutas por direitos sociais e humanos fundamentais como os direitos, todos, para os homossexuais e o direito a uma maternidade consciente e à interrupção voluntária da gravidez. Também estive envolvido contra o militarismo e pelo direito à objecção de consciência (ao serviço militar) já que no que toca à recusa de prestar serviços médicos a mulheres em risco, seja por uma gravidez indesejada ou mesmo de risco, acho que é criminoso o sujeito de tal, o que torna o juramento de Hipócrates uma hipocrisia total (assim como no caso da eutanásia!, o direito a uma morte digna)). E tenho lutado pela legalização de todas as drogas e em especial da Maria (estou, neste momento, a fumar uma excelente broca!).
Ganhámos muitas lutas em defesa do território, salvámos zonas únicas e espécies várias de o terem sido, mas também perdemos outras, e nunca deixarei de chorar pelo maior crime ambiental cometido em Portugal, a barragem de Alqueva, e toda a lógica de intensivismo e produtivismo que lhe está associada e que expulsou as populações do território e está a dar cabo dos solos assim como é um contributo para a desertificação, o embalse não é só água armazenada, é também a (des)qualidade dessa e o seu (des)aproveitamento/desperdício.
E continuo a distribuir “missas” pelo país e pela Ibéria e a denunciar os males que nos vão destruindo a vida e o tempo desta.
No dia 10 não irei votar em nenhum partido, claro!, os leitores já sabem que proponho um sistema de sorteio eleitoral, em linha com inúmeras personalidades, não só da área libertária, muitos outros notáveis, e destaco Isaac Azimov, num soberbo livrinho, o defendem, mantendo e alargando os direitos cívicos, aumentando a hoje quase inexistente liberdade de comunicação e de informação ora esmagada pela hegemonia dos donos das grandes cadeias de hipermercados que a controlam toda, quase toda, e o reforço da tripeça que faz, devia fazer, os Estados democráticos de direito.
Já votei, algumas vezes (sobretudo em autárquicas), e sou um defensor intransigente desse direito, hoje acaparrado por um sistema eleitoral absurdo, que nem sequer respeita o constitucional método de Hondt, e dominado pela partidocracia que não é nada democrática, sabemos que é o chefe que manda.
Dizia-nos o grande filósofo Walter Benjamin “A crise da democracia pode/deve ser entendida como uma crise nas condições que governam a apresentação de políticos.", ou como ainda melhor nos diz a enorme Simone Weil “a operação de tomar partido, de tomar posição pró ou contra, substituiu a operação do pensamento. Estamos perante uma lepra que teve origem nos meios políticos e que se estendeu à quase totalidade do pensamento.”
Nenhuma das vitórias acima mencionadas foi conquistada em eleições. Vamos, após este vai e volta, continuar a pensar, a agir, a lutar.
Aqui trarei o publicado, depois.
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