Em sessões públicas em Espanha já referi o meu profundo desagrado por haver ainda ruas com o nome dos maiores torcionários da guerra civil, nomeadamente alguns generais que brindavam à morte.
Também me arrepia quando nalguns locais em Portugal encontro ruas com nomes de políticos destacados do Estado Novo, políticos sem nenhuma craveira nem qualidade, e obviamente não incluo nesses Duarte Pacheco, ou António Ferro ou até Pedro Homem de Melo.
Mas sei dos maus resultados de quando se coloca a turba munda a retirar placas a esmo. Em Madrid viu-se muita, muita ignorância e tudo no mesmo saco.
O passado obviamente tem que ser ponderado mas não podemos transigir com a labrostice e a incultura. Hoje voltou a falar-se do Padre António Vieira, como todos os personagens do seu tempo tem que ser enquadrado nesse. Acho uma imbecilidade e um erro as pintadas e as grosserias insensatas de que em éfige foi vítima.
Não podemos ignorar o passado. Mas o papel do individuo na história tem múltiplos componentes.
Vi em muitos países africanos estátuas de colonialistas que estão neles integrados como momentos.
O Padre António Vieira é um marco no culto da nossa língua e um importante expoente na luta contra a Inquisição. Todos temos os nossos momentos de sombra. À sombra deverão passar uns tempos os vândalos que destruiram ou danificaram o nosso património.
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