Inventar línguas onde só há estruturas de linguagem que resultam de miscigenação com base numa língua estabelecida (o português) a que são incorporados outros vocábulos e sonoridades de zonas em redor e do isolamento, e sobretudo quando estas são essencialmente oralidade, podendo sobretudo no caso da poesia ter alguns cultores da, na escrita, mas para esses crioulos dar-lhes outro sentido é um erro que poderá ter graves consequências.
Embora o exemplo sirva para outros casos esta da língua “cabo-verdiana” que de facto é o crioulo, que cresceu, como outras na oralidade e no analfabetismo (só o português é escrito!) e que tem que ser inventada, com que lógica, com que estrutura, com que regras, sem sonoridade desde logo, e ainda por cima desvirtuando, como é o caso, não por má tradução, mas por ausência de muitas, muitas palavras e adulteração de muitas leituras do texto original.
A escrita e a obrigação da sua aprendizagem a partir dessa invenção de linguistas
(titulados por quem para tal fazer?) é um erro e nos tempos que vivemos poderá ser, com discurso desse contraditório, o fim da pujança dessa expressão ou fala.
Esta Ode Marítima, de fácil absorção, em qualquer das duas versões, é um exemplo do que acima refiro, mas levou-me a reler Pessoa e a desenvolver um pouco o pensamento sobre línguas e o seu passado e futuro.
Toca a crioular! A sério.
Nota:
Não lia esta grande poesia do nosso vate há muito e fiquei surpreendido com uma página de puro sado-masoquismo, deliciosa!
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