No Logo!
Alterar o paradigma: No logo*
1-Sem novos discursos, sem outras reflexões e propostas, sem rompermos com o status quo, sem darmos as respostas adequadas às perguntas erradas, e sem percebermos que estamos a chegar a um beco sem saída no qual só devemos pôr por cima e diferente, não vamos, mas não vamos mesmo a lado nenhum; subscrevi a proposta de legalização do Partido Vamos, por nele ter velhos camaradas e outras novas, e por pensar que pode ser útil para pensar fora da caixa, julgo que é o 3º ou 4º partido que legalizo, em 3 ou 4 deles apresentei moções nas convenções/congressos para a sua dissolução. Nem todos as aprovaram, infelizmente.
Julgo que para alterar o paradigma, e romper com o domínio da hegemonia que nos domina temos que ser radicais. E desde logo o No Logo*, título de um livro seminal de Naomi Klein é o principal mote de partida. Tem que ver com tudo, com a economia, a ecologia e o território, a saúde e o bem-estar social, e educação e a sensibilização para a verdadeira vida, e o desenvolvimento de empatia social fundamental para gerar um clima que reduza as fronteiras e as guerras que estas trazem.
Para quem não sabe No Logo é não às marcas, não à publicidade.
Vamos, com calma.
2- A publicidade é a fonte e a base do produtivismo sem sentido, do pior do consumismo, do engano que está na base da delapidação dos recursos, do extractivismo e do energivorismo, a alienação pela mercadoria, a substituição do valor de uso, aquilo que nos é útil e necessário mesmo, pelo valor de troca, os valores frívolos que são e sempre monetarizados que só produzem alienação e ganâncias sem fim. E claro é ela que sustenta a hegemonia, quem paga manda, que controla os meios de difusão social (reparem que já quase não há comunicação social!) que nos enchem os écrans e os computadores de porcarias sem sentido e que não queremos, mas nos tentam desesperadamente impingir. É o Logo que cria as alarvidades que dominam os “shows” que enchem os écrans, e os telejornais só são pivots dos/para os anúncios.
E há jornais pagos por empresas que elas próprias são os seus anúncios, e outros órgãos de comunicação vivem dependendo de ditos mecenas, mas na realidade não diferem dos piratas de faca na liga, a violar, homens, mulheres e crianças, desde que isso lhes dê audiência para vender os seus produtos.
3- Dir-me-ão que é necessária a publicidade. Para quê pergunto. Para informar, esclarecer, até dar conta de uma nova “invenção” deviam existir canais apropriados e esses seriam a informação independente. E atenção estou a falar de máquinas publicitárias esmagadoras e não do pequeno anúncio que esse deve continuar a ter o seu espaço.
A poupança do alívio da publicidade poderia ir até 40% do produto e acabaria com muita, muita parasitagem social, e que claro adequadamente regulamentada diminuiria enormemente a dependência da droga e compulsão do consumo estapafúrdio. E claro muito, mas mesmo muito desperdício.
4-O fundamental é, começa, todavia, connosco. Recusar produtos com logos ostensivos, recusar embarcar no “diz” da publicidade, recusar mais consumo sempre que possível e sobretudo produtos de grandes companhias. E denunciar, denunciar as falsidades da publicidade.
E não pensem que isto é brincadeira:
https://subvertisers-international.net/
é um movimento internacional. Só alterando o paradigma podemos refrescar a vida. Como diria o meu parente Ary dos Santos “Sem publicidade toda a vida melhora”.
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