Mostra o desnorte e o vazio da sociedade portuguesa a idolatria (em breve estará nas tshirts com o Che, tão bom com ele..) e o revivalismo de Cunhal que a pretexto dos 100 se vai desenvolvendo.
Se bem que por aqui e ali vão surgindo alguns dados isentos, e honra ao Pacheco Pereira, embora mostre também algum complexo de édipo, e alguma desmistificação do personagem
É claro que, como para os santos, se tem que misturar realidades mágicas a ficções heróicas para chegar ao panteão. Só lhe faltam milagres, mas recordo de ainda em vida já era adorado em casa de trabalhadores rurais, com foto na mesa de cabeceira, sabe-se lá para quê...
Os romances da sua vida heróica estão por aí a ilustrar a hagiografia, inventados ou não, o seu génio, era um atista com interesse, um romancista médio e um estudioso aplicado, nada senão suficiente, o que já merece relevo, mas que para os fins da santidade é posto no nirvana. É agora re-inventada uma relação familiar para o fazer de bom pai de família. Passo. Era um personagem frio e duro. Chega.
Fez as maiores filhas da putice para chegar ao domínio do PCP, passando pela falsidade e todo o tipo de manobrismo, e também foi conivente com a denúncia e total falta de princípios (episódio do Fogaça e do Martins Rodrigues), fiel ao pior estalinismo apaga, apagou mesmo personagens da história, e também da vida, e com esse, os seus métodos, as suas práticas, os seus crimes horrendos foi colaborador sem alma.
Defendeu os piores crimes contra a humanidade por tacticismo e espírito de facção/religioso, por acreditar na redenção da humanidade depois do expurgo do pecado original, esse maldito capitalismo, pertencendo à elite que vivia imersa em luxos (beneficiava de todas as prebendas da nomenclatura do politburo!).
Além de defender todos os passos dos seus "interesses" (do pacto germano-soviético, aos gulags, ao esmagamento das rebeliões operárias polacas e hungaras, depois checas e novamente polacas, e por todo o lado defender a morte e humilhação de toda a oposição) fez de agente do comitern em inúmeros locais ao serviço da pior mafia comunista.
Em Portugal, bom em Portugal depois do 25 de Abril o registo é todo conhecido, por isso ainda mais incompreensível é este fervor de toda a burguesia chic (até as revistas de caras e cús!) pelo Homem, um verdadeiro Santo, que se calha ainda irá ser canonizado, também por este Papa, sendo que já se fazem dele imagens.
Se tivesse chegado ao poder grande parte dos seus agora "admiradores" teriam visto pouca luz.
Mas vivemos tempos de grande desnorte onde até a ilusão de S. Cunhal "agarra" os incautos e une os fiéis, no peditório...
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