Muito haveria para dizer. Muitas coisas, algumas pouco dignificantes, outras clara violação de regras e procedimentos, outras meros interesses comezinhos, mas para estes peditórios já dei, há muito.
Os C.P.L. deixaram de existir, como grupo de cidadãos nos termos da lei logo a seguir à eleição intercalar. Manteve-se uma ligação e um trabalho articulado durante esses dois anos.
Por razões que tiveram que ver com a avaliação política do desastre para Lisboa que seria uma nova eleição de P.S.L. o que passou a ser um grupo de iniciativa em torno de Helena Roseta (a quem presto homenagem pela sua capacidade e força de trabalho e exigência) integrou-se nas listas do P.S. e durante estes 4 anos os que manifestaram alguma dissidência ou alguma crítica foram, paulatinamente afastados ou afastaram-se.
Lisboa ficou mais pobre e a gestão de António Costa e do P.S, só P.S., deveria perder, agora, a maioria absoluta.
A H.R. vai para o cargo inútil de deputada municipal, assim como dizem-me (mas dado que fui excluído dos mails, e do resto, não o sei de ciência certa!) Nunes da Silva também.
A Assembleia Municipal é um órgão inútil que deveria ser abolido, no quadro de uma poupança de dinheiros públicos, mas enfim este país funciona ligado à máquina...
Bom, mas como referi o apreço pessoal que me merece o protagonismo de alguns membros dos ex-C.P.L., desde logo os mencionados e, apesar de tudo a simpatia que tenho por António Costa ( e dão-me muito boas indicações sobre o nº dois da lista, embora lamente a continuação do "salgadismo" à solta...) leva-me a deixar Lisboa.
Não participo em campanha nenhuma. Não apoio candidato nenhum, não serei "factotum" de ninguém.
Não cheguei a conhecer pessoalmente o meu primo consorte (sobrinho do padrasto da minha avô) Ary dos Santos, autor da letra, embora tenha estado em casa dele. O Carlos do Carmo conheço-o, já tivemos há muito uma conversa sobre a legalização das drogas, e sou visita do Speakeasy onde o filho continua o tempo.
Lisboa é, também uma paixão. Aqui no âmbito da primeira lista independente de cidadãos, o Movimento Alfacinha, que recorreu por logistica ao PPM, defendi a sustentabilidade urbana e com o tio Gonçalo, em sua substituição, exerci o meu primeiro mandato enquanto autarca, vereador desta mui nobre cidade.
Agora que os dados já estão lançados para uma nova campanha autárquica ( e o absurdo de irmos ter 10, dez meses de campanha eleitoral, o que devia ser proibido e sancionado por lei, mas vivemos numa estrebaria!) e quando finda o trabalho uma equipa na vereação, da qual neste mandato no 1º ano fiz fugazmente parte, substituindo nesse meia dúzia de vezes Helena Roseta e/ou Nunes da Silva, e sendo que no restante mandato, nada, mesmo nada;
e sendo que apesar de tudo no quadro global faço uma avaliação suficiente do trabalho realizado, e sendo possível mesmo, certamente sem qualquer envolvimento meu desta vez, que venha a dar à equipa que António Costa venha a constituir a minha simpatia (ou não), tenho em preparação para momento oportuno uma reflexão sobre a cidadania, o poder autárquico, e Lisboa.
A seu tempo, a seu tempo voltarei a esta etiqueta.
Lugares, foi em torno de lugares que parece que toda a gente se fixou. Jornalistas e o que eles expressam, uma opinião mais interressada no trivial que no fundo, na ramagem que na semente. Ontem repeti várias vezes a jornalistas que não estavam em discussão lugares, do 2, do vice-presidente, disto e daquilo. Nunca estiveram. O que se discutiu foram políticas, e lógicas de organização. E os termos em que se realizará um combate político, e as políticas para esse. Não se discutiu o que não tem discussão, o acordo só podia ser feito com essa transparência, da clarificação dos cabeças (1 e 2) e da lógica de hondt. E claro que se discutiram outros formalismo e outros actos eleitorais autárquicos. Só nisso houve discussão e felizmente convergência. Porque em Lisboa o que se avizinha é uma luta entre valores. Os nossos são os da transparência, do rigor de gestão, da sustentabilidade social e essa incorporando os valores republicanos do direito das maiorias que constituem as multiplas minorias que fazem a cidade, cívicas, políticas, raciais, sexuais, de um discurso claro em relação ao Estado central, e da participação. Do outro lado? do outro lado,,, o quê?
Lisboa, Foi há muito tempo que cumpri esta tarefa. Analisar os documentos em discussão na vereação da cidade. Descobrir como a improdutividade começa logo aqui, na agenda e na sua lógica, e como o burocratês continua a dominar os processos que são propostos para aprovação no Executivo. A enorme perda de tempo e energia que são todos estes processos, deficientemente organizados tantas vezes multiplicados pelos grupos políticos e "entonelados" em arquivos inúmeros. A informatização ainda não chegou e os processos chegam a ter dois ou três grossos volumes. No executivo, agendados sem nexo e ao sabor de critérios insondáveis sucedem-se sem ordem nem critério na pauta, em reuniões infindáveis em que só por casual bom senso não temos enfartes de paciência. Os executivos camarários deveriam ter um profunda remodelação na sua lógica de funcionamento, infelizmente a nova legislação em discussão na A.R. cheira-me que irá pelo caminho oposto, piorando tudo. E a cidade vai definhando, as discussões que se deveriam ter perdem-se entre questicúluncas laterais, e o processo de recuperação da cidadania encontra obstáculos por todo o lado. Falta um muro na mesa e empenho em transformar o governo da cidade, que das outras foi princesa. Até quando?
Pelo rio abaixo e acima, estava quente e o ambiente foi jovial, a candidata, em grande forma, explicou situações, referiu soluções ou melhor processos e procedimentos para que a gestão seja sustentada em valores socio-ambientais tendo por base a participação. Diagnóstico das situações e preparação de metodologias para que as soluções para os problemas possam ser implementadas. O rio foi exportelado da cidade de que é parte, a história tem muitas estórias, o aterro, a construção do porto, a serventia militar, as áreas dos sistemas de transportes, a APL e as bocas de esgoto esspalhadas ao longo do rio a urgirem pequenos sistemas de saneamento, lógicas de renaturalização do espaço do rio nesses pontos, micro fito-etares, e o sistema de tratamento e intersecção de Alcantara a precisar de um estudo global e modificação estrutural. A questão da recuperação do porto e do enfoque da APL no seu objectivo, a retirada da competência desta ou a partilha do que não é actividade portuária são objectivos claros. A viagem foi emocionante, pelo conhecimento que a guiou, pelo contacto que se estabeleceu. Lisboa vive.